Sunday, November 01, 2009

Sobre nós


É esse estranho jeito que levamos a vida, que tem nos matados. E morrer por aqui, é apenas virar estatísticas que vão florear jornais que amanhã já estarão velhos. Morrer então, não é nada. Mas é esse estranho jeito de viver, de rir, de interagir, de observar, que esta nos matando. É esse estranho jeito como a modernidade avança, sem que nossa mente consiga acompanhar. E a gente se pega rindo de coisas pequenas, de coisas imbecis. E eu fico pensando que foi se o tempo que rir, era coisa de gente inteligente. Hoje se ri por qualquer coisa. Rimos de um esquizofrênico que fala; Ronaldo. Rimos de “humoristas” que vão ao planalto central expor “toda indignação do país“, com nossos políticos de hoje. Rimos das respostas rápidas de Paulo Maluf. Rimos de um pseudo artista de televisão ao ter um surto de raiva em um reality show. É, rir ficou fácil, esculachar também.
Esculachamos e até humilhamos mulheres como Carla Perez, por que só burros riem da ignorância. Rimos quando “humoristas’ vão as praias expor mulheres fora do padrão de beleza, para que elas sejam a musa da beleza interior. Porque gente “feia’ é mesmo de gargalhar. E mulheres bonitas é para se jogar pedra. É claro que isso não vem de hoje, se não, Chico Buarque não iria ter escrito a historia da Geni, lembram? “Joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, maldita Geni!”. Mas no fim da música, quem salva a humanidade, é a própria Geni.
Foi a primeira associação que veio a minha cabeça, quando soube do que tinha acontecido na faculdade particular UNIBAN, na última quinta-feira. Cerca de setecentos alunos, homens e mulheres hostilizaram uma aluna, por usar um vestido curto. A mobilização foi tamanha, que ela precisou ir embora escoltada por PM’s. A modernidade foi usada para que alguns alunos filmassem tudo o que aconteceu e colocassem no YouTube, talvez para mais algumas risadas, ou talvez para que questionemos esse nosso estranho modo de viver.

Antes de qualquer coisa, parto da seguinte opinião; nada, ABSOLUTAMENTE NADA, justifica tal acontecimento dentro daquela universidade. Vi uma reportagem em que alunos e professores tentavam amenizar a culpa dos universitários pelo motim dizendo que ela “pediu” para chamar a atenção. Por isso, não pode reclamar do que houve. Engraçado que não eram só homens hostilizando a aluna da UNIBAN, mulheres enfurecidas também a xingavam de puta, recatadas dentro de suas roupas largas e longas, sofridas, machistas, invejosas talvez. E muitos dos homens, excitados, pediam aos berros; ESTUPRA!
Hoje somos qualquer coisa; trabalhamos por qualquer salário, matamos por qualquer desacate, rimos de qualquer merda, fazemos sexo com qualquer pessoa, nos expomos sem qualquer cerimônia, enfim, estamos para qualquer jogo. Foi quando mesmo, que a vida perdeu a graça? Foi no mesmo dia que o machismo ganhou formas e caras novas, foi quando o moralismo fascista criou raízes, sem que eu possa ascender um cigarro de baixo do toldo de meu buteco preferido. Foi no exato momento em que paramos de nos levar a sério, paramos de acreditar no mundo em que vivemos, na política, no preço das coisas, na rapidez das relações onde não temos mais tempo de perguntar, como estamos. E ai, como estamos?
Estamos todos doentes.

Sunday, October 25, 2009

zumbido

Um homem devoraria um frango, aos grunhidinhos e mãos gordurentas se entrelaçando entre a delícia de se gulosar e o poder da fome no meio de um bar, desses que surgem mesmo que sempre ali, no fundo da noite, beirando a fantasmas que encontramos sempre que sim.
Isso é amor.
Chupando os ossinhos de um galeto, entrelaçando felicidade e a mesmice que é se orientar pelo cotidiano.
Isso é amor.
Pratos sujos mãos também.
Uma mulher com seu vestido lilás muitas outras coisas que se abririam ao olhar no fundo dos olhos de quem vê.
E o fundo era um lago cheio de infinitudes e buracos de tristeza e momentos completos de alegria, como a gente hoje à noite, mergulhando no mar, ficando muitos minutos, cada um com seu pensamento.
Como eu que fui a última a sair e vi muitas estrelas e até uma cadente, que o desejo foi pela minha mãe.
Mesmo sabendo que no fundo a saúde dela depende de mim.
Quando eu virar gente, ela se cura.
Quando eu virar gente, parte do mundo andará.
E eu
não terei mais meus sérios problemas doentes mentais, de quem dá valor a coisas que jamais mudariam um piscar de meus olhos.


(Isso tudo é mentira, Carlos, mudaria sim.
Claro que mudaria.
Então seja bem-vindo ao meu mundo de colapsos.
D'eu procurando a solução daquele meu primeiro caso que fudeu todas minhas serotoninas viciadas em problemas.)



Eu não amo o indivíduo, eu descobri que não amo o indivíduo, eu amo a causa. Estou lampejando.

Thursday, October 22, 2009

-Primeiro inteiro pensamento, logo após-

Permita-me

Permita-me ousar algumas palavras a você.
Permita-me não ser mais sua.
Permita-me nosso fim.
Permita que eu siga só, te odiando.
Permita-me poupar danos maiores.
Permita nossa amizade.
Permita um ódio se possível for.
Permita-me rever ascesa, confusa, intensa.
Permita-me falar. Sobre todas as coisas.
Permita minha confusão mental, minhas mentiras sobre a liberdade.
Permita-me separarmos.
Permita ser quem sou. Só mente e nua.
Permita-me correr outros riscos, provar outras doses.
Permita-me escolher o amor que quero viver.
Permita-me cuidados, anseios, flagelos.
Permita-me coragem.
Permita-me prender, me soltar, eu mesma, sem você.
Permita-me não mais lhe falar, te seguir,
me causar.
Permita-me rumos, não os fecho, não os abra.
Permita-se ter.
Permita-me dizer não a você.
Ser teu caso, tua cama.
Permita-me tropeçar e cair e rodar,
sem lhe ter.
Permita-me me usar.
Permita-me.
Apenas permita-se a me deixar em paz.
Que eu não lhe permito-me mais.


-Segundo metade(a terminar) pensamento em seguida-

(descanse pequeno, sobre essa sombra que lhe embala.
desvie meu anjo, todas as mazelas trocadas.
recuse a próxima falha de seu desejo.
faça meu pequeno, as doses diárias da vida.
recorra-me entre suas lágrimas e descançe.
durma sobre o campo do fim da tarde e respire toda a alma que lhe rodeia.
gire meu pequeno, que o mundo esta a favor do vento.
a vida é para quem veio.
como num sopro dos jázidos velhos,
estamos a reciclar.)



-Terceiro e último pensamento, dividido em dois-

Parte 1:

era imprudente pensar sobre o dia que viria. tão pouco começar a ser feliz horas antes do destino traçar os cantos.
todas as forma de amor estariam livres antes do acontecimento. depois, se acumularam. e não pôde mais a mulher se desvencilhar
do que ocorria com seus movimentos presos. a cada gesto, uma dança do dito e feito. morreria em troca de todas as eternidades, para ter
aquilo que nem sabia o que era. falaram baixinho, que ela tinha é que acreditar em toda sua intensidade, igual quando ela ia ao cinema sozinha e
milhões de coisas passavam-se pela sua cabeça turbinática. ela queria comer algo que não sabia nem o gosto.

Parte 2:

correu livre de impedimentos, o juíz anunciaria o gol válido. marcava uma vitória, mas na outra quarta-feira, empatava o jogo.
a vida era um campeonato com mais de onze em campo. e ela seguia sem torcida organizada. quem a acompanharia nas semis-finais?
e se os pontos corridos estivessem a lhe prejudicar? não queria o rebaixamento e certos lances acharia que sairia injustiçada.
por muitas vezes, jogou a partida sem condições físicas alguma e mesmo assim, não lamentava. quando perdia, trocava de técnico.
e ora era o comentário geral de todos por ali. muitos lhe davam táticas diferenciadas de seu jeito de atuar em campo. tentando em vão seguir
outra linha, se perdia na partida. mudou de clube, mudou de cidade e respirou novos ares. o jogo nunca tinha endereço. e ela esperava o dia do clássico
chegar, tipo olho no lance. os lances meus caros, eram todos. de todos os dias. até ela entender que nem um jogo, é mesmo um jogo. e que as regras
são só limites impostos por alguém que algum dia, não se permitiu ir além. ninguém entenderia seus manejos e logo lhe diziam que a verborrágia iria
lhe afundar. aos quarenta e cinco do segundo tempo, era já segunda feira e fazia sol. ela acordou com um som esquisito vindo do rádio e desligou o aparelho
para pensar. o tempo acabou, o jogo estava perdido. muitos esquemas e regras das quais ela nunca ousou a entender. porque tinha medo e preguiça
e achava mais fácil jogar aberto.ela tomou um banho, pediu a toalha e foi embora. a verdade é que o campeonato, nunca iria ter fim.

Thursday, October 15, 2009

PQP

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio



Chico Foda de Holanda

Sunday, October 11, 2009


Casca de ovo, sanduíche de presunto, amor a qualquer custo, horas no ponto de ônibus, são minutos, enfim. Bolo de chocolate, futebol na tv, óculos escuros, lentes e oxigênio. Traições e falsidades, aspectos involuntários, vídeos caseiros, fórmulas exageradas. Mulheres chorando, banheiro de homem, samba-canção. Macarrão caseiro, rocambole de doce de leite, eu te vendo de longe. Eu sofrendo em vão. Corridinhas matinais, cachorro de rabinho cortado, uma mulher maluca em crise vira uma mulher normal. Uma coisa que abre, na outra coisa que cabe, é assim, meu coração. Nós nos usavámos. Eu só sabia de você. O sopro da gaita do homem que assoviou minha alma. Nós nos usávamos. O amigo do homem me chamando para sair. Nós nos usávamos. Um olhar logo ali, querendo me usar. Se eu não mais te usar, você vai pensar que eu te desprezo. O outro amigo e mais alguns olhares. Nós nos usávamos. Eu não sabia. Casca de pão, bolor no feijão, prato e garfo sujos e nós nos lençóis, nos usando. Canto dos passáros e táxis fora de frota, nós nos usando em pleno calor. Ele morava longe e me levava para usar na sua casa. Eu acordava de manhã usada. Ressaca moral de nos usar. Eu quero aprender a te usar. Um homem que ainda não perdeu a inocência e ainda não sabe que quer me usar é mais comovente. Um homem romântico que, além de tudo, quer me usar é mais comovente. Troca de casais, flores murchas, batata doce e nós morrendo de frio, nos usando. Rádio ligado, domingo à tarde, superbacana. Nós nos usamos até gastar. E agora eu não quero mais te usar.

Friday, October 09, 2009

Gamboa


Parecia que eu estava em silêncio. E neste dia fiz de tudo para não perder meus planos. Sempre faço às avessas. Cortei um pedaço que sobrava de mim e com mais um pouco esfolei os sentidos de quem me amparava. Fui ao teu encontro sem saber que era esse meu plano. Ainda não tinha esquecido de todas as cicatrizes que, espalhadas pelo meu corpo, mantinham o aviso. Nunca vou me cuidar. Não existe não estar preparada, a vontade já vem preparada. Foi o que eu te disse ontem. Você acreditou, ou não entendeu? Passei por fases brandas, estava na roda-gigante. Rodando pelos meus altos e baixos. Preocupo pessoas, preocupo família e amigos. Minha felicidade é que me desconcentra. Ontem você pediu para olhar pra cima e fechar os olhos, depois abrir e continuar olhando. Pude sentir seus começos. É meu começo também. Sinto-me um marujo, véio de guerra. Sinto-me sacerdote, sabedor. Sei que sinto, e que vejo as verdades porque sei onde moram nossas mentiras.
Relatei um vôo de passáros em V em plena avenida. Não poderia mais suportar tanta liberdade em mim, alguém teria que me podar. Me cadear. Segui seca, em busca de líquidos, cheia de fortes. Os fortes eram por hora suicidas e, de vez em quando, quando eu me jogava, era bom. Tentei ser em V, tentei ser todos os pássaros e fui me curvando para ser igual. Sem penas e sem meu pai.
Todo dia o espelho reflete a mesma informação ameaçadora. Sou o meu fim já escrito em glórias e tragédias. Rodo e me cheiro e me procuro para ver se alguma parte do meu corpo nunca foi vista por mim. Me espio, sendo bicho, me fuço, tento me achar. O espelho, cheio de respostas, se cala refletindo. Eu sou o que jamais vou mostrar ser.

Monday, October 05, 2009

Cinco atos de amor

Primeira pessoa:

Desculpe eu ser essa mulher confusa que ora se faz de moderna e ora quer carinhos do além. Eu sei que você não deve ter entendido nada meu jeito carente como se eu fosse me tacar da janela e não conseguisse pronunciar com pleno conhecimento, minhas últimas palavras. Sabe, eu sou um problemão daqueles sem sentido e solução e ando muito sozinha querendo ter alguém na vida que me ame pra valer.
A cada momento, penso que achei um. Construo meu castelo de areia, tão grande e bonito, mas como você tem visto, o tempo no Rio anda uma merda e meu castelo não para em pé. Você me acha muito maluca? Eu estava com uma ressaca desgraçada, daquelas de precisar desabafar. Eu mesma não entendi o nexo da maioria das coisas que lhe falei. E lá no fundinho, sei que não é comigo que você vai ficar, mas eu adoro cavar buracos e morrer de amor, porque estranhamente isso me dá gás. Além do mais, se eu tentar mais um pouco, logo mais é verão. Quem sabe ai, o tempo não firme, fazendo com que meu castelo de areia não desmorone tão rápido.


Segunda pessoa:

Você ainda mora aqui dentro. Só não sei onde deve estar, em que parte do corpo, em que órgão vital. Também não sei se você é um vírus ou uma bactéria, ou então uma alergia forte e boa de coçar. Sei que você entrou pelo coração e de lá de dentro se transformou em um besouro barbeiro. Mas eu tenho sopro e bem devagarzinho te expulsei, como quem assopra uma ferida para não arder. Não sei mais onde você mora. Mas ando querendo que você vire uma lágrima e que me deixe, no meu próximo suspiro.


Terceira pessoa:

Eu lhe mandei um e-mail bobo outro dia e você não me respondeu. Mas depois, vi seus muros se levantarem e seu exército se armar, caso eu chegasse mais perto. Então, pude constatar que você nunca me esqueceu. Eu tenho curiosidade de saber como anda sua vida maluca e também, curiosidade para saber como você pôde me amar tanto.
Gostaria realmente que você realizasse uma palestra para que todos meus homens me amem tanto quanto você. Se puder quebrar essa, entre em contato!


Quarta pessoa:

É claro que se eu ficasse com você, seria por vingança, juro, eu sei, é ridículo isso. Mas se no meio deste meu gesto infantil surgisse algo de bom, eu iria adorar. Ontem nos conversamos horas e demos risadinhas e olhares de razão,um sobre o outro. Mas você também anda armado. Eu sei porque te revistei. Agora ando confusa e mais louca sobre como te proceder. Mas olha só, caso a gente fique, por favor, se apaixone. E admita isso segurando em minhas mãos, sentado em uma cadeira de plástico de um buteco qualquer, olhando pra mim, morrendo de vergonha.
Pode ser? Eu iria amar você e até namorariamos. Você iria sofrer e nossa relação seria doentia.


Quinta pessoa:

Quero te falar uma coisa:
você é estranho e eu não te conheço. Não tenho a mínima vontade de te ligar e nem dei google no seu nome para saber mais da sua vida. Você é gostoso e pouco inteligente. E eu fico imaginando como deve ser seu pai, já que você me contou que ele é mórmon. Mas acho que é só.
Desculpe.



Isabel Crozera

Sunday, October 04, 2009

Quem sou eu
Pra dizer que você fica mais bonita
Desse jeito ou daquele, quem sou eu
Quem sou eu
Pra falar mal do seu gosto
Da pintura no seu rosto
Quem sou eu, não sou ninguém
Cada um trata de si
Seus olhos parecem dizer
Muito bem
Eu prefiro não falar
Para não contrariar você
Fico no meu samba
Se quiser, pode ficar
Vou lá na Portela
Mesmo que você não vá
Não darei ouvidos
Se você me provocar
Mas aceito um beijo
Se você quiser me dar

Friday, October 02, 2009

Hoje acordei meia Caê, morô?!


Mas eu não minto não minto
Estou longe e perto
Sinto alegrias tristezas e brinco

Meu amor
Tudo em volta está deserto tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco

Monday, September 28, 2009

RETO

Hoje eu serei bem honesta comigo mesma e não tentarei enrolar as palavras com que o conteúdo delas, seja levemente modificado pela poesia nela inserida. não vou me iludir. ao mesmo tempo, o rodopio com as palavras represente talvez minha eterna dança com a vida. sou eu refazendo os caminhos antes de chegar a grande final. como se a vida fosse e é, uma maratona e tudo que eu como competidora gostaria é de não passar pela faixa de chegada. escrevendo também, vai saindo medidas de mim mesma. ao final de tudo, me leio. o que esta no papel, foi verdade. foi tudo verdade. e a dança com as palavras, foi a dança de ontem ao saber, ao encontrar, ao pensar na linha de chegada da vida. sempre me vem a cabeça laços, asas, festas. ando emotiva, e o motivo de tudo isso deve ser o cansaço da prova, da maratona. a equipe inteira do campeonato anda procurando a competidora que não chega. qual é o medo que se segue ao romper a faixa? lembrei que tudo isso me lembra a chegada a vida. me veio a imagem do competidor passando pela faixa, e a faixa caindo. me veio a cabeça o umbigo que corta e rompe também. descobri então, tenho medo de nascer. estou onde então, se ainda não nasci? o caminho da maratona é longo demais, ainda mais pra mim, que rodopio, enlouqueço e não firmo nada. não firmo no meu coração as marcas de um amor, nem em minha vida as marcas de um destino certo. se não estou me firmando, se ainda estou rodopiando, ainda não aconteci. ainda não nascer é saber que não estou morta e isso me anima um pouco. hoje eu acordei com certezas que ainda estou rodopiando. e que minhas inseguranças são os meus buracos. e se machucar em uma maratona, não é bom para o competidor. me deu vontade de retornar. de voltar pro ventre. e eu tenho a minha disposição o ventre de minha mãe que esta longe, mais ainda existe. existiu uma tentativa de me afastar do ventre, que foi quando eu me mudei aqui pro Rio. mas o ventre esta sempre lá, quando eu preciso. e hoje eu acordei querendo ele. se eu estando longe, sem o ventre e tenho que me conformar sozinha, nascida, serão então esses momentos que a gente cresce? eu recorro a escrita, eu recorro ao silêncio que é minha solidão. eu só recorro a noite, quando estou bem. e então neste aspecto, pelo menos, eu acho que eu faço a coisa certa. porque gosto de brindar a alegria, ao cansaço de candeia, gosto de brindar sorrisos e não lágrimas. mas hoje eu acordei depois de sonhos completamente já sabidos por mim; que me desculpe o meu subconsciente, mas tudo que aconteceu a pouco, já era de meu entendimento. menos em um aspecto. sonhei com uma gira. sonhei que estava na casa de uma amiga e pegava uma garrafa de pinga. eu derramava toda a pinga no chão em forma de circulo, me fechando dentro dele. e depois ia ao centro com a garrafa na mão e recebia um santo. não sei qual nem o que me disse. acordei. lembrei com tristeza que parte do sonho fazia muito sentido; aquele menino me tratando como quem tanto faz. dai me lembrei de uma conversa com uma outra amiga sobre isso, sobre ele, e disse a ela que eu também o tratava como tanto faz. e isso não deixa de ser verdade. mas não é uma coisa sincera de minha parte. é só mais um desses buracos inseguros que eu também contorno, alegando ser fodona. tem gente que acredita. eu mesma nunca acreditei. como também não quis acreditar naquele homem, no seu não amor, no seu tanto faz. mas ontem a verdade me veio e eu tive que ir dormir com ela. e aceitar a verdade para mim, é duro. bem duro por que é lá que moram meus erros. na verdade moram meus erros. e eu não sei resolver meus erros. então não sei lidar com a verdade. eu me envergonho disso, como se fizesse xixi na calça em frente a todos. então eu rodopio mais uma vez. e saio brincando. o sonho dizia tudo. era um resumo das palavras das conversas de ontem com meu coração fracassando mais uma vez, por culpa minha. eu me odeio? ainda não sei. neste momento quero o ventre de minha mãe. quero ser frágil para ser digna de cuidados.não quero ter alma, porque isso é coisa de gente grande e complicada. e mais uma coisa; no fundo, o fundo por vezes é raso também, quero resolver todos meus problemas. quero agir diferente, porque estou cansada de errar o caminho de propósito para não chegar ao fim da maratona. tenho medo que depois do fim da corrida, comece outra e que eu cansada, não dê conta. o mundo é uma equipe que conta comigo.

Resposta a dani

Já eu acordei sensata, existe uma coisa louca nas pessoas mais inseguras, não, você nunca saberá o que é isso, você não é dessas, que as vezes não as deixam dormir. acordei turva; visão turva, dentes e olhos e corpo inteiro, assim, turvo. abri a bolsa. minhas bolsa, no caso parece sempre ter uma explicação para a noite anterios; mensagens mandadas, cartões de taxi, cartões pessoais...enfim. no embalo, vi o pacotinho do colar vazio, e então, lembrei de tudo; da lais, da sara que esta a coisa mais linda com aquele cabelo, e de um ser de luz(fantasmas?) que sou eu, anos atrás; lembrei do abraço e da saudade que dá. lembrei do menino gorfando ali do lado, da lapa de vocês. momentos de transição. lembrei da vida em seus olhos e me orgulhei. alguém lá em cima, melhorou demais minha nova versão, pensei. logo eu, tão cética. adoro me ver, mesmo que rápido, porque os abraços longos são a forma mais expressiva de lembrar que eu me amo. que eu te amo.

Tuesday, September 22, 2009

Resposta a Dimdin

Forza adruptan ao templo
és mero conchido do vintém de duas uma, amém. creio que pregras ouvre no escuro e eu enforcaria seus foguetes em mim. em mim jorram todas possíveis velas que se apagam, fumacinhas. creio-me que faço acordos com eles, every day. acreio-me, teço, sou artesã. contratrium, áspero, oxi-gênio. mundo que voa, tragos, meus lamparejos, percursos, domínios, travessos. aceito-me in furians, momentos arquétipos. que são, que são. sãotudo. sãotudo. é dia, é hoje. cafezinho, pão francês. enjoa, vovó, margarida. eu odeio margarida. frágil, lento. saio, pago, entro, escolho, bebo. já esta lá. é transe, é forte, é mais que eu. sozinha, com meus monstros, devaneios. me entrego, sou coisa, sou anjo, demônio. ateu. deusta, vidrun, catalpeticun. vou fazer sinal, quero parar já. quero recomeçar, quero tattooar. sim. sim.
até lá, na última até de manhã. com os olhos cansados, vertem lágrimas. olhinus de ninguém. fecha, abre; pisca e pisca. vai no meu vem que nós seremos um só. outro.



pulei da maravilha e imagina só o meu vôo.
asisinhas cor de rosa e detalhes limão. chocolate.
um tanto que tenha. você também tem.
contanto que tenha, você também tem.
gosto de menta. aplicam-se favos, jorra pimenta.

pulei da maravilha
estou em pleno ar
crepticuns ascos, pergunto-me, afago.
um abracinho aqui vai bem
cachorros crianças eu e meu bem

não sei rimar, definitivamente
6por6

Sunday, September 20, 2009

Grajaú 422

Subia no ônibus, um homem que tinha uma língua roxa, igual daqueles cachorrinhos chow-chow, mais uma mulher loira que me lembrava uma beterraba. Uma vez eu abri uma beterraba e tinha um monte de bichinhos dentro. Coisa que a gente nunca vai imaginar é topar com uma dessas pela frente. Subira no ônibus um homem que acabara de sair do avião. Eu sei. Eu sei porque vi a mala dele, era uma daquelas que sofrera uma viagem de avião. Eu sei porque o aeroporto estava logo ali do lado, mas o ônibus andou com o motorista cantarolando "veja, essa maravilha de cenário" e o cenário era o morro pintado de verde que algum prefeito canalha, desses que se tem por aí, mandou pintar para dar uma dichaavada. Minha mãe vai corrigir isso aqui, não vai saber o que é dichavar. Entrou no ônibus uma mulher com um vestido curto, muito mais curto que os meus vestidos curtos e logo baixou o rosto e dormiu. Passamos por milhares, sim, milhares de ruas e o Rio de Janeiro foi se misturando, a Cidade Maravilhosa confundindo com moradores de ruas que dormiam bem pertinho do sambodrómo, veja bem, ainda não é carnaval. Mas as musas, hoje globais, desfilam seu corpo de drenagem linfática nas escolas de samba e lá do alto já se vê. Nunca seremos iguais a elas. Mesmo que compremos revistas que prometem perder cinco quilos em quinze dias. E bem próximo dali, pertinho de um córrego, famílias lavavam roupas. Sujas? Não sei. E o motorista então falou: imagina só, cara, hoje falei pro meu filho: papai trabalha de domingo, olha só que merda, muleque. E o muleque foi ao jogo, a Leopoldina, ao raio que o parta, ao caralho a quatro, tudo sozinho. Vejam essa maravilha de cenário. Passei no sopão 95, estava ali na frente do Varandella, mas estava fechado. Fui parar em Vila Isabel. Não era esse meu destino, mas a cidade foi se tranformando. Logo, eu também. Como num lote, numa pesca longa de um barco que gera o tédio necessário para o pescador. As curvas eram a perfeita pacificação entre mim e o tempo. Hoje eu dormi tarde, hoje eu comi de manhã. Hoje desceu do ônibus uma mulher com os cabelos feiosos. E eu olhando pela janela vi uma camisinha no chão. Penso como teria sido aquela foda. Logo mais chego em casa, pensei comigo. Passei do ponto, na medida do impossível. Hoje é domingo, estou pela manhã. Quero uma casa em Laranjeiras? Quero continuar acreditando na Tijuca. Passar pelo Grajaú, rodar para achar o contrafilé perfeito. Virar amiga do Moa e me embotecar por aí. Fumar dentro de estabelecimentos que proíbem meu cigarro. Tenho que ir embora deste ônibus. Mas, eu prometo, é só desta vez.

Tuesday, September 15, 2009

Tudo culpa do Pereira

Conheci Pereira na Lapa-Louca e logo vimos que nos daríamos bem, pois ele gosta de samba, da boemia carioca e, além de tudo, é cineasta. Aliás, não consigo dizer isso sem lembrar da querida Julieta Brandão, que uma vez na mesa de bar, num desses inferninhos da Lapa, ouviu alguém dizer que Pereira cantava mal. Julieta, indignada e belíssima cantora, disse bem alto: claro que ele não canta bem! ELE É CINEASTA!

E o cineasta me recomendou assistir a dois filmes: o primeiro, Anticristo. Depois, quarta-feira passada, chegou empolgadíssimo dizendo que Os Amantes era o filme do ano. Resolvi matar dois coelhos numa cajadada só e hoje fui até o Arteplex, em Botafogo, fazer uma dupla sessão.

Às 19:40, depois de um café, assisti ao Anticristo. Eu já temia pelo filme, sabia que era meio macabro, mas, mesmo assim, fiquei curiosa e sempre fui corajosa para tais filmes. O longa conta a história de um casal que, devastado pela morte de seu único filho, se isola em uma cabana, no meio da floresta, onde coisas bizarras - e coloca bizarro nisso - começam a acontecer. O filme é dividido em capítulos e tem uma fotografia muito boa, em destaque, a primeira cena. No entanto, eu tive uma crise de ansiedade horrorosa quando o filme foi chegando ao final. Vi três pessoas saírem no meio da sessão e, juro, quase fui junto. Foi o primeiro filme que me deixou aterrorizada. Não por conter cenas de sangue, que nem são tantas para um filme dito de terror, mas pelo peso psicológico da trama. Fiquei mal mesmo. Até me arrependi de já ter comprado o ingresso de Os Amantes, que ia começar logo em seguida. Saí da sala com uma puta ansiedade e depois de trocar algumas mensagens com minha mãe, me acalmei e fui ao segundo filme.

Os Amantes conta a história de um cara bipolar que aos trinta e cinco anos está morando novamente com os pais e se envolve com duas mulheres. O filme é bom pra caralho, não o melhor do ano, como disse Pereira. Mas ainda estava abalada psicologicamente por causa do Anticristo e entrar de cabeça na história de um cara confuso foi bem pesado.

Ao sair do cinema, fiquei na dúvida do que me assustava mais. Ficar com trinta e cinco anos e virar bipolar morando em casa, ou fazer trilha em uma floresta à noite. Voltei para Tijuca, deitei na cama depois de uma Maracujina, e não consegui dormir. O Anticristo ainda não saía da cabeça. Resolvi tomar uma sopa de pozinho, daquelas horríveis, igual a um filme de terror. Quando estava mexendo a sopa, senti algo no meu pé (estava de meias), olhei para baixo e tinha uma barata IMENSA que logo correu para debaixo do fogão. Devo dizer que aqui estamos sem faxineira há quatro semanas e a casa não se encontra em seu auge, risonha e limpída, como diria nossa musa Vanusa. Dei um grito bem baixo e abafado, pois os meninos já estavam dormindo e fui pegar meu chinelo. Logo, lembrei de Clarisse Lispector, do famoso conto da barata. Encarnei Clarisse, afinal, ali era ou eu, ou ela. Se eu não a matasse, corria o risco dela invadir meu quarto, e eu não estava a fim de dividir emoções com aquele inseto nojento. Ela logo saiu correndo novamente, três tentativas de chineladas depois, acertei-a. Dei mais duas chineladas para me certificar de que a teria matado. Quando vi aquela gosma branca, entendi que tinha chegado seu fim. Meu coração e toda ansiedade voltaram e eu ainda estou pensando se vou até meu quarto dormir, ou se cochilo no sofá da sala, com medo de outra barata. Amanhã devo tirar o dia para limpar esta casa. A barata ainda está ali, mortinha da silva. Matar foi meu máximo, retirar o defunto já é demais.

Estou agora aqui, sentada em frente a este computador depois de ver besteiras no youtube, pensando quantos medos tive de vencer hoje. Foi também hoje que, pela primeira vez, um filme me desencadeou uma ansiedade filha da puta. Eu estou sozinha no Rio de Janeiro. Vivi medos que não sei até que ponto são infundados. Uma barata é perigosa? Posso virar uma maluca de pedra e endoidecer no meio da floresta depois de uma desgraça? Terei eu trinta e cinco anos e virarei bipolar morando na casa de minha mãe? Quais são meu verdadeiros medos? Quais desses aí são verdadeiros?

Sempre tive medo de enloquecer, tenho muita raiva quando alguém me chama de maluca, tenho vinte e seis anos e ainda dependo de minha mãe e sempre, mas sempre, tive medo de baratas. Sozinha, aqui, não pude gritar e chamar alguém para matar. Sozinha no cinema, não tive com quem dividir minhas emoções ao assistir a dois filmes tão intensos. Sozinha aqui, decido meu destino. E agora acho que meu maior medo mesmo é ficar sozinha.

Saturday, September 12, 2009


Último capítulo de Caminho das Índias

Começo me debulhando em lágrimas vendo Tarso, o esquizofrênico, cantando Raul Seixas. Me comove pensar que um dos meus cantores preferidos é sucesso em um hospício.

A novela vai para a Índia. Estranhamente, lá eles também falam português. Maya está fodida, pois descobriram que seu filho é um Dalith, mas ela não foi vingativa e não contou que Surya não estava grávida porcaria nenhuma. Ahhh se fosse eu...

A psicopata Yvone seduz o carcereiro, aliás, esse ator é carcereiro mesmo, né? Bem, ele libera a vilã e ela foge. Fundo musical, LENINE. Clima psicopata mesmo.

A filha de Manuel Carlos mostra a um estranho dois segundos de seu documentário sobre a loucura e ele a chama para ir a Hollywood. Ele é louco?

A família do bad boy Zeca trata da coisa mais séria da novela, que são os filhinhos de papais folgados pra caralho e que cometem pequenos crimes. Acontece que a família é tão engraçada que eu fiquei com vontade de ser escrota também.

Débora Bloch, que antes era feia e aos 45 anos é linda, conversa com Raul. Alexandre Borges, maltrapilho e com cabelos grisalhos, se mostra arrependido com a pegadinha MORRI... É ZUÊRA!!! Se meu pai voltasse falando que era pegadinha também, eu iria adorar. Pronto, falei! Fundo musical: Zizi Possi.

Voltemos à Índia. Tony Peludo e o bebê Dalith se acertam. O bebê teve uma atuação mais marcante do que a de Julinha, a filha de Raul.

Intervalo, vou fumar.

Os meninos que moram comigo chegam. Não dá mais para escrever em tempo real.

Norminha volta à casa de Abel, o corno manso, e o dopa novamente com o tal "leitinho batizado". O corno dorme e os meninos aqui da casa a chamam de vadia. Faço um discurso liberal e antimachista. Eles se calam. Por dentro, penso: jamais perdoaria uma traição. Fundo musical: Calcinha Preta - Você não vale nada mas eu gosto de você.

Opash muda da água pro vinho e, de quebra, ganha uma nova casta ao saber que seu pai é Lima Duarte. Por que toda novela sempre apela para problemas com a paternidade?
Raj e Maya se encontram naquele rio nojento e sagrado e se amam. Eles voltam para a casa e a família se alegra ao saber que ele não morreu. Ok.

Thaila sobe no elefante com Marcio Garcia e eles se casam no meio da rua. Já não basta o mico que é casar nos dias de hoje, precisa ser no meio do confuso centro indiano para a geral ver?

Vou me entediando e os meninos fazem com que eu me disperse de um final de novela para falar, sei lá, de Amélie Polan.

Os pais de Maya tomam "aguada" em comemoração ao aniversário de sessenta anos. É tipo a "ovada" que rola aqui no Brasil. Se fosse com a água do Rio Gandhi, aí eu queria ver se eles iriam rir.

Surya tem uma filha e o irmão de Selton Melo diz não se importar pelo fato de o bebê não ser homem. Mal sabe ele que a criança não é de nenhum dos dois.

O bad boy Zeca acaba na sociedade Viva Cazuza lendo historinhas para a galera de lá. Os pais fanfarrões se orgulham.

Duda, Kiara e o médico que eu esqueci o nome seguem a vida a três. Tipo Caetano Veloso, Paula Bulamarque e Paula esqueci o sobrenome.

Enquanto isso, no site da globo.com:
Stenio Garcia sai no meio da exibição do último capítulo da novela - lá no restaurante Porcão da Barra -, boladão.
Segundo sua esposa, a edição não ABRILHANTOU O TALENTO de um dos mais consagrados atores deste BRASIL VARONIL.
Eu acho que ele deve ter tido uma indigestão no Porcão. Pessoal, esse restaurante, além de ter um nome cafona, tem uma comida péssima.
No entanto, se Glória optou por cortar o Dr. Castanho da trama, fez muito bem. Aquele médico era um saco. Eu mesma já fui a vários psiquiatras e nenhum deles era tão abobado quanto ele.

Juliana Alves, a morena do Dr. Castanho, descobre que o louco, irmão de MUSSUNZINHO (só Glória com sua bondade para dar emprego pra esse pessoal), é louco.
Devo aproveitar, já que estamos falando de Juliana Alves, para dizer que eu acho uma SUPER injustiça relembrarem de Grazi como a única ex BBB não fracassada.
Pessoallll, HELLOO! Juliana também foi uma BBB! Era chata e ninguém gostava dela. Hoje é a maior gostosa e vai posar nua.

Raj e Maya dão beijocas comportadas e FIM!

A novela acaba tarde e meus planos de cair na Lapa morrem. Se eu ainda morasse em Santa Teresa, até rolava. Mas a Tijuca é longe, parceiro...
Os meninos resolvem ir até o Mac buscar comida.
Peço um Maclanche Feliz com água de coco.
Estou com fome até agora.

Não para por aí:
Gente, vem aí mais uma nova novela de Manoel Carlos!
VIVER A VIDA.
WE s2 MANOEL CARLOS.
Novelas leblonísticas me lembram quando eu andava igual louca com meu cartão de débito, tomando sucos BIBI, no Leblon. Eu ia de bicicleta, pedalando pela calçada quase atropelando a população lebloense: magros, cariocas, felizes.
Entrava no Shopping Leblon suada e talvez até fedida e era mal atendida na FARM.
Tudibão!

Bom, gente, agora chega, né?
Vou tomar Maracujina e ler Domenico De Masi - O futuro do trabalho - para me sentir mais cult e menos culpada por ter me viciado em novelas das oito.

Bêjo

Monday, September 07, 2009


Uma das últimas lembranças que tenho sua foi um dia em que eu acordei tarde e você não tinha ido trabalhar. Estava na sala, tomando um whisky, vendo o programa daquela velhinha já meio lelé, chamada Palmirinha. Você lembra uma vez que eu escrevi sobre ela e você achou a maior graça? Eu escrevi sobre o programa a que você estava assistindo, disse que a Palmirinha deve passar o fim de semana num sítio em Itupeva com a família comendo comidas gostosas e tomando sorvete Kibon napolitano junto aos netos. Você achou um barato. Eu não sei se foi neste dia, mas você anotou a receita de esfiha e fez para o jantar. Não me lembro muito bem de nossas últimas coisas juntas. Lembro de estar num curso sobre hai-kai ministrado pela Alice Ruiz, onde eu levava meus hai-kais que só eu acho graça e fingia fazer aquilo na hora. Mamãe ligou e disse que vocês estavam no hospital Santa Catarina, e como meu curso era logo ali do lado, na Casa das Rosas, fui até lá encontrar vocês. Você sentia dor e como a vida inteira a teve, não fiquei tão preocupada. Você estava morrendo e eu não sabia.
O que veio depois é difícil de lembrar, até mesmo porque são nessas horas que o corpo se anestesia de sentimentos pessoais e abre os braços para o lado prático. Lembro de você no hospital. Lembro do Chico levando uma música que ele tinha feito pra você. E eu sei que você era como eu sou, e deve ter ficado tão envergonhado, mas muito emocionado e não conseguiu demonstrar tudo o que se passou no seu coração. Eu odiei quando você voltou para a casa para se tratar aqui. Odiei porque aqui você era o rei e a casa não merecia te ver tão debilitado. E você foi ficando magro e sem condições de erguer a coroa e a capa de super-herói, imagem em que sempre me espelhei. Não demorou muito para você morrer. E eu nem me importei como se sentiria minha mãe e meu irmão, pois minha dor estava me rasgando e o tal lado prático me cobrando, como seu eu fosse obrigada a continuar depois disso, só porque todos continuam e a vida não é fácil pra ninguém. Foda-se tudo isso, foda-se mesmo.
Eu fiquei com medo de todos ficarem com peninha de mim, fiquei com medo de meus familiares acharem que eu ia ficar louca, então eu congelei. E até hoje, eu sei, você não ligaria, mas eles me acham a maior sem noção.
Eu sinto raiva de mim por ser alguém que jamais vai conseguir expressar a beleza que era meu amor por você. Ou então a falta que você faz. Eu me odeio por estar até hoje perdida e odeio quando as pessoas perto de mim adoecem e eu tenho que entrar em um hospital e conviver com pessoas profissionais super acostumadas com a desgraça. Eu não gostaria de respeitar nada disso. Mas eu me calo. E fico me sentindo inútil e fraca por não poder dar meu total apoio às pessoas debilitadas e por ganhar olhares frios e feios de pessoas super dispostas a fazerem o que eu não faço. Eu odeio aquele hospital que você ficou internado, odeio aquela vizinha filha da puta que veio vender cosméticos quando você estava morrendo no andar de cima. Odeio você não estar aqui para me ver e me entender como só você entenderia. Eu não sei se eu estaria mais ou menos perdida. Eu odeio ver meu irmão sobrecarregado, engolindo as mágoas, obedecendo a ordens. Eu odeio ver como a nossa vida rumou para o diferente. E eu odeio não me identificar com nada disso. E eu gostava quando você me contava coisas e nós concordávamos e ríamos, um humor só nosso. E de como as pessoas te achavam inteligente e lhe respeitavam por isso. E de como com você eu podia discorrer sobre tudo que me incomodava no mundo. E de como não tinha importância alguma passar o ano novo sozinha, pois, no dia seguinte, você já estaria de pé, fazendo almoço. Eu amava sua paixão por livros, eu amava sua paixão por cozinhar. Eu gostava de quando você achava graça de meus textos e de sua motivação política. Todas essas coisas hoje continuam sendo fundamentais em mim. Mas perderam muito de seu sentido, sem você aqui.
Enfim, eu tenho saudades e odeio, odeio o jeito como você morreu.

ATENÇÃO, LEITORES DESTE BLOG PATÉTICO:

TODOS OS TEXTOS PUBLICADOS AQUI (DE MINHA AUTORIA), QUE NÃO SÃO JORNALÍSTICOS, SÃO DE FICÇÃO!
SE POR ACASO EU ESCREVER QUE TENHO NOVE OLHOS
E TRÊS PERNAS, SENDO UMA DE CHOCOLATE, POR FAVOR, NÃO ACREDITEM!
ISTO NÃO É UM DIÁRIO DE MINHA VIDA REAL.


GRATA,
LEBASI CROZERÁ

Lado a lado com a espécie humana corre outra raça de seres, os inumanos, a raça dos artistas que, incitados por desconhecidos impulsos, tomam a massa sem vida da humanidade e, pela febre e pelo fermento com que a impregnam, transformam a massa úmida em pão, e o pão em vinho, e o vinho em canção. Do composto morto e da escória inerte criam uma canção que contagia. Vejo esta outra raça de indivíduos esquadrinhando o universo, virando tudo de cabeça para baixo, os pés sempre se movendo em sangue e lágrimas, as mãos sempre vazias, sempre se estendendo na tentativa de agarrar o além, o deus inatingível: matando tudo ao seu alcance que lhe rói as entranhas. (...) Um homem que pertence a essa raça precisa ficar em pé no lugar alto, com palavras desconexas na boca, e arrancar as próprias entranhas. É certo e justo, porque ele precisa! E tudo quanto fique aquém desse aterrorizador espetáculo, tudo quanto seja menos sobressaltante, menos tetrificante, menos louco, menos delirante, menos contagiante, não é arte. O resto é falsificação. O resto é humano. O resto pertence à vida e à ausência de vida.

Henry Miller, porque sem ele a vida seria um erro para mim...

Sunday, September 06, 2009

CHICO MENDES E IRMÃ DOROTHY

Ontem de madrugada me dei bem ao ligar a TV e dar de cara com um documentário que passou na Discovery sobre o Chico Mendes. O filme, de uma hora, mostra o que aconteceu e quais foram os possíveis motivos do assassinato do seringueiro. Chico Mendes foi morto ao tentar propor uma diferente visão de aproveitamento da floresta, fato que fez com que muitos fazendeiros temessem pelo próprio negócio e, mais que isso, que viessem à tona todos os tipos de crimes cometidos por muitos deles, principalmente com relação à devassa ambiental que até hoje acontece na Amazônia.
Chico Mendes morreu em 1988, e sua luta trabalhista e ambiental foi vista por muitos como utópica, já que, há pouquíssimo tempo atrás, ninguém falava em preservação da floresta e consciência ambiental. Chico era mesmo um visionário.
Para quem não sabe, foi o próprio Chico Mendes quem barrou a construção daquela rodovia (que destruiria algumas das principais aldeias indígenas da Amazônia e prejudicaria o trabalho de milhares seringueiros) que o então governo Sarney, ora veja, ele de novo, propôs fazer de Porto Velho até Rio Branco. Na época, Chico foi até Washington, nos Estados Unidos, e sem falar uma palavra sequer em inglês, apresentou um relatório onde mostrava o quão imprudente era o projeto. O banco americano que financiava alguns dos custos da construção (BID) tirou o corpo fora fazendo com que a estrada nunca fosse asfaltada. A luta do seringueiro que já era conhecida entre os fazendeiros locais começava vir à tona na mídia e, com isso, Chico Mendes foi ficando cada vez mais visado. No natal de 88, Chico é assassinado em sua própria casa.
No documentário, é possível ver um pouco dessa e de outras histórias desta nossa importante figura que, de sindicalista, virou um herói nacional. O mais bonito deste filme que vi ontem foram os amigos de Chico contando sobre a vida dele. O cara deixou saudades em todos os tipos de gente: de índios até políticos, sem contar os seringueiros que "devem" a este homem até hoje.

Parte 2

Bom, logo em seguida do documentário de Chico Mendes – Chico Mendes, o preço da floresta -, a Discovery dá continuidade ao debate e transmite um outro documentário de um diretor americano chamado Daniel Junge, narrado por Wagner Moura, chamado "Mataram Irmã Dorothy". E eu que já estava completamente emocionada depois de ver o documentário do Chico, fui às lágrimas com a história de Irmã Dorothy.
Lembram que no começo do texto eu disse que lá na década de oitenta a preocupação ambiental ainda não era tão latente? Pois então. A história de Dorothy vem até os dias de hoje. A norte-americana se naturalizou brasileira quando veio ao nosso País nos anos 70 para fazer obras de caridade na Amazônia. E, por lá, resolveu ficar. Dorothy, após alguns anos de vivência na floresta amazônica, criou o PDS - projeto de desenvolvimento sustentável -, que propunha implantar na Amazônia um modelo de assentamento rural que não destruísse a floresta. Como Chico Mendes. Dorothy também passou a chamar atenção dos mesmos crápulas que mandam na floresta há anos e que jamais gostariam de ver o modelo de ocupação, do qual eles dominam, mudar.
A freira foi assassinada em 2005. Fazendeiros locais foram os mandantes do crime. O filme mostra toda a trajetória em busca de justiça no caso. Para quem é advogado, uma aula de como defender seu cliente por mais nojento que ele seja. Assim como o Advogado Américo Leal faz. Américo Leal é famoso no Pará em defender fazendeiros locais. As filmagens mostram como ele e seu bando trabalham. Ameaças de morte, arrogância, mentiras fazem parte de sua técnica para convencer o juiz de que Dorothy era uma violenta americana que apenas espiava o Brasil e mandava informações aos EUA para que assim eles pudessem, mais tarde, tomar a floresta. Parece piada. Ver o tribunal de júri, então, uma aula de teatro. Parecia que o diretor do filme tinha contratado atores para encenar tal cena, mas ali era tudo verdade. Nem vale a pena contar o que vinha na minha cabeça enquanto eu olhava aqueles advogados reunidos, rindo, arrogantes, comentarem o caso.
Fico aqui pensando que tamanha impunidade, no caso de Dorothy (o mandante do crime aguarda julgamento em liberdade), e o assassinato de Chico Mendes apenas nos mostra que nada mudou. Ganhamos uma pseudo e muito capitalista preocupação com o meio ambiente dos anos 90 até hoje, mas não tiramos do poder fazendeiros criminosos que executam pessoas que tentam fazer justiça. Que destroem a floresta para transformá-la em pastos e que exploram trabalhadores locais que são obrigados a acabar com sua forma de sustento que é a floresta.
De que adianta a mídia se embrenhar em campanhas para que nossa floresta não seja destruída, se ninguém ousa lutar contra aqueles que a destroem? Ao pensar na Amazônia, logo pensamos em uma floresta onde a única preocupação é o verde. Nos esquecemos que lá existem milhares de pessoas, trabalhadores que convivem diariamente com essa máfia de fazendeiros, enfim, pessoas que estão morrendo junto com a floresta.

E aí? O que vamos fazer?

Chico mendes: um novo começo




Irmã Dorothy



Américo Leal, o cuzão



Mandante e assassino durante o julgamento do caso Irmã Dorothy

Thursday, September 03, 2009

Clique na imagem


Um risco de memória na parede. É a saudade me matando. Hoje ela me matou. Amanhã também me matará. Morrendo, todos os dias percebo quantas vidas eu tenho e quantas-minhas-vidas preciso matar para estancar a saudade.

Um, dois, três riscos. São os anos em minha vida, correndo veia. Delicadamente arrependido. O outro lado das coisas outras de meus poréns.
Quanta coisa nossa esmirilhando no percurso. E eu aflita nunca pensaria. Pensarás agora? Flor, flor, flor minha. Onde andas são cabulosos entrelaços inacabados. Oi. Sempre um ou dois olás e ficaremos são. Todos.

Wednesday, September 02, 2009

Carta aberta a Oscar Filho

São somente 4:19 da manhã.
Finalmente eu havia conseguido conectar o wireless daqui do hospital São Camilo, no bairro de Santana City meu amorrr. O Orkut estava lento e sem nenhuma novidade, assim como a página da UOL e da globo.com. Resolvi twittar e recebi um convite para adentrar ao facebook, fazendo com que assim meu perfil seja exposto, messssmmooo, de todas as maneiras possíveis, na internet. Resolvi não aceitar o convite pois estou em uma conexão não segura aqui no hospital e meu bom senso, que definitivamente não costuma funcionar de madrugada, deu sinais de vida. Com o tédio e o calor do quarto, mais os gases e minha rinite me incomodando, resolvi ir atrás de blogs, onde a conexão não precisa estar a mil para dar uma lida no que pessoas que eu nunca vi na vida escrevem. Não pergunte por que parei em seu blog e olhei a foto de um nariz que lembrava o do meu irmão, quando levou um golpe de judô e o quebrou. Naquele dia, ele me ligou, muito calmo, e disse assim: Bel, você pode subir a rua para me entregar um passe de metrô que está na minha gaveta? E eu: ahh, Chico, nem fodendo... acabei de sair do banho, compra o passe aí, pô! Então ele disse timidamente: é que eu quebrei o nariz... e eu: AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!! Claro que neste dia eu tirei uma foto do nariz dele, e se parecia muito com o seu. Resolvi ler o acontecido, a odisséia nasal, e não me aguentei vendo as fotos e os comentários e, sabe, minha risada é um tanto escandalosa e eu acabei acordando minha mãe, que está internada, pois quebrou o joelho sendo atropelada por um cachorro. A enfermeira também reclamou. E eu me senti culpada por estar rindo alto em um hospital. São 4:37 e obviamente que a conexão caiu de novo, fazendo com que eu coloque minha camiseta do Timão, e vá fumar um cigarro lá fora. O Corinthians, como você bem deve não saber, fez 99 anos ontem e nós, torcedores, resolvemos sair de camiseta do time para homenageá-lo pela data. Como eu não tomei banho e nem sabia que teria de dormir aqui hoje, usarei de novo a camisa.
Bem, como já disse anteriormente, minha conexão caiu e eu não poderei mandar esse e-mail a você em tempo real. Mas não tem problema. Aliás, ele não tem a mínima importância. Eu tenho ataques de tédio e faço esse tipo de coisa. Escrevo para quem nunca vi. Isso me fez lembrar das revistinhas da Mônica, onde no meio das historinhas tinha os passatempos e nomes de pessoas para você se corresponder e fazer amiguinhos por cartinhas. Certa vez, eu mandei uma cartinha para uma menina que vi em uma revistinha velha da Mônica. Ela me respondeu que ficara encantada com minha atitude, mas que já tinha vinte e cinco anos e não queria mais brincar de cartinha. Nunca entendi isso. Eu hoje tenho vinte e seis e, pelo visto, ainda brinco. Ah, e se me lembro bem, esta mesma revistinha, minha mãe devolveu ao pessoal do Maurício de Souza, pois ela se tornou muito rara após um incêndio nos arquivos monicais e eles enviaram um pedido de doação. Não sei por que minha mãe fez isso. Penso eu que ela imaginou que eu seria uma menina bem sucedida e que nunca iria querer super valorizar a revistinha em algum sites desses de venda para poder ganhar um trocado. Certamente o que eu faria hoje.
Acho que é só. Na verdade é muito mais, mas você e seu nariz esquisito já não têm mais a ver com isso. Obrigada pela oportunidade de rir.

PS: Os enfermeiros passaram pelo corredor agora fazendo barulho de trenzinho (?), são 4:49. Acho que vou me vingar e mandar um shiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

Abraços
Bebel Crozera

Thursday, August 27, 2009

Temprório

Estravio reboem custos cazos assais
Trouxa leve rouca pira
Maço abruzus de mi trova
E tantras otras lixus inham
Também te conto
Avres vroam em libres
E o céu azulzin
Corre, do auto de meu varanda
Veja cortar avanços créditos e vinténs
Mudos
Mudos
Sonhos tortos e escudos
Vienhem corriem e alimentaime
Amém que diria
E muitos obrigadinhas, você linda hoje
Você cama amanhã.
Entre traçus e marcas onzes
Fiz de mim o que pude
Quem me puderá?

A fracção pediu cautela
Frases correm a brincar
Eu lhe pectum num pacto doido
Retire-me de mim
A alma toda e livre
Levre louva


Quero ser artepuctrum
Falso modesto e ornitorinco
Gangorra parte um
Gira amor
Giram em meu abruzum
E eu lhe devo um beijo,
Na ponte

Atravessa o caminho magno
Trivial e era um te enlaçando
Crise croisas
Baluns ao céu mais quente
Inferno faz só lá si do
La em cima.

Criva, meu peito arde turctum
Seu neto arde turvo
Crivus, adelante vamos todros
Tempus assim.

Wednesday, August 26, 2009


TOME NOTA

-sobre lutadores-

Um homem num copo de uma mulher que sentada via vidinhas passarem, sorrindo vidinhas entravam no túnel e o tempo ia também. Cansadas algumas e já não se pode mais aqui, o que se podia antes. Os cenários ainda não mudaram, mas os precedentes já eram. Somos hoje outros, malinhas lacradas rolando na esteira do saguão cheio de máscaras, num aeroporto qualquer, assim, que o destino, esse meu caro, já não importa.
Um homem num copo de uma mulher, ela bebia. Um homem sem armas e a mulher sorria. Um homem dentro de seu copo, tim-tim com seu drink preferido. Serei eu equivalente aos meus desagrados? Um homem lutando para ser ele, dentro de meu copo. E eu querendo fazer uso das piores bebidas locais. Um túnel chamado tempo e uma mulher sempre jovem já mais velha. O tempo andando. Faz o tempo àquela corridinha matinal no parque. O tempo esta em forma e um homem na bebida daquela mulher que saia para fumar na chuva. Hoje esta assim. Amanhã não esta assim. Estará, estará. Uma mulher num copo do homem, não é mais tão bonita, aflita.

Eu não pulo de um trampolim, nem faço mágicas com uma cartola. Não tenho escritório, não tomo nota, não dou aula. Eu não faço música, eu não cuido de animais eu não sou assistente social, jornalista, advogada. Eu não estou desempregada. Eu não estou aqui. Fui fumar na garoa paulista e fria e os olhares dos não fumantes estão agora com a lei ao seu lado. Me desculpe, sou horrorosamente viciada nesta merda. Com cerveja então, me torno um monstro de fumaça.

Um homem no copo de uma mulher lusitana. De uma mulher fracassada, de um sentimento verdadeiro. Você é o meu amor, o meu amor dizia ela ao copo. Um corpo de uma mulher arrastada. E era o tempo dando corridinhas no parque. Eu fumando sentada vendo a mulher; o tempo, o nada, os corpos, o copo. Olhei pro meu também. Porque já me sinto velha? Tinha eu quantos anos quando a juventude chegou ao seu auge? O que eu estaria fazendo de tão importante que nem senti esse momento passar? Provavelmente estaria sentada vendo os corpos, o tempo e suas corridinhas, o riscar de uma tarde na Avenida Paulista, indagada, cheia de dúvidas, por onde seguir. E hoje eu ainda os invoco: copos, os corpos o tempo, maldito corre-corre do tempo. Esta forte e é maligno e meu auge esta correndo sem ar, sem ar.

Um homem pulou para a vida e então seu coração parou. Uma mulher se esfregou num poste, tirou as roupas e ninguém mais olhava. E tudo isso regado a muita solidão. É o que acontece quando os olhares ganham valores. São valores moldando uma nova era. E o tempo fazendo suas irritantes corridinhas pela manhã, pela tarde, pela maldita noite a fora de meu tempo. Enquanto milhões de mulheres dançam e tiram a roupa. E na mesma dificuldade, homens assistem. É o que acontece. É o que acontece.

Um homem num copo de uma mulher que vira todo o drink, agora é um corpo vazio.

Monday, August 24, 2009

Isso é que dá, cê querer frequentar...

Enquanto isso, em uma madrugada de tédio no MSN:



Dudu diz:
Deus me livre disso, mas se algum dia eu tiver uma doença terminal, eu me encho de dinamite, vou pra sede do fluminense e boto aquela porra toda no chão
Bebel diz:
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA PQP...

Thursday, August 20, 2009

Quando o mar
Quando o mar tem mais segredo
Não é quando ele se agita
Nem é quando é tempestade
Nem é quando é ventania
Quando o mar tem mais segredo
É quando é calmaria

Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Nem é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
É quando ele é sincero



sueli costa

Thursday, August 06, 2009


Uma pena que a bossa nova diminiu e muito a potência vocal da Márcia, mas, mesmo assim, tem um vídeo dela cantando lamento com o Baden tocando, que é a coisa mais linda...

Tá aqui o link:
http://www.youtube.com/watch?v=16zrD720DxY

E a letra, que é a coisa mais linda...vinicios, né?
Um dia ainda me mata ferozmente do coração:


Morena tem pena
Mas ouve o meu lamento
Tento em vão
Te esquecer
Mas olha, o meu tormento
É tanto, que eu vivo em pranto,
Sou todo infeliz
Não há coisa mais triste, meu benzinho,
Que este chorinho que eu te fiz

Sozinho, morena
Você nem tem mais pena
Ai, meu bem
Fiquei tão só
Tem dó, tem dó de mim
Porque estou triste assim
Por amor de você
Não há coisa mais linda neste mundo
Que o meu carinho por você

Meu amor, tem dó
Meu amor, tem dó


Porra!
Ando apaixonada pela Márcia, fudeu...
Ouço loucamente ela trezentas vezes por dia e fico na mesa de bar, igual ela na capa de Ronda, debruçada sobre a mesa com um cigarro na mão e um copo ao lado esperando que um cara apareça com uma lágrima no rosto igual ao disco do Paulinho que aparece ele chorando, que por sinal foi o mesmo desenhista do da Márcia...esqueci o nome dele.
Enfim.

Friday, July 31, 2009


Meu problema com a música é que eu não sou nada musical. Não tenho ritmo, canto no tom errado, percepção zero. E acho que a culpa é da poesia. Demorei muito tempo para dar ouvidos a música instrumental que hoje sim, lota meu I pod. Talvez porque comecei a ver poesia na ausência das palavras, mas isso não quer dizer que eu aprendi sobre ritmos e notas musicais. Pelo ao contrário, aprendi ainda mais, sobre a poesia, rs.

Ao contrario de Paulo César Pinheiro, a musica não me deixa fazê-la. A poesia sim, essa sempre me deu espaço. Talvez porque eu a deixei muito a vontade em minha vida. Sempre começo lendo muitos dos compositores que depois viram paixões. E entre a música e a poesia existe uma cordialidade frenética. Não tem coisa mais bonita ao coração que ver um poema cheio de ritmos sendo “declamado” em vozes que confidenciam emoções.

Tudo isso para falar que eu estou aqui em São Paulo e o tempo não esta ajudando a minha boemia de farrear de bar em bar reclamando da vida, dando longos abraços nos amigos e ouvindo samba. Estou mesmo de moletom carregando um edredom vermelho pra lá e pra cá, vendo Hause . Mas ontem minha mãe, sempre ela, finalmente me deu o livro da jornalista Conceição Campos sobre o PCP. Eu já tinha ido ao lançamento do livro em Paquetá e pude observar de longe que eu não sou a única que considera o Paulinho um dos maiores compositores do Brasil. PCP surgiu mais que involuntariamente em minha vida. Eu mesma fazia uma seleção de suas composições, sempre cantada por outros músicos, sem saber que ele era o autor. Quando comecei a investigar quem era o dono das poesias mais lindas no samba, parei em PCP e Mauro Duarte.

Bom, eu ainda não terminei o livro que eu dou graças a Deus de ser bem longo e cheio de letras e poemas deste compositor. Já vi também que no final tem um catálogo com todos os nomes e parcerias de suas 1.129 canções compostas desde 1962 até o ano de lançamento do livro, 2009. Acredito que já deve ter coisa de fora. Li algumas historias acompanhada de algumas letras e fiquei ainda mais apaixonada pelo cara.

Queria eu repetir muitas de suas façanhas poéticas e ter a vida regada de tantos companheiros virtuosos. Sua compulsão por escrever ( e acho que isso que me chama mais atenção neste poeta ) é infinita.

Puta que pariu, o samba e a poesia, agradecem.

Thursday, July 30, 2009

Duas coisas a dizer:

1- Conversa franca com minha mãe:

- Mãe, te juro que minha total independência econômica vai ser aos 28!
- Ah não, é muito tempo. Eu a quero em dois meses...
- Num dá mãe, foi o cigano que disse.
- Ele não disse isso, disse que você vai namorar aos 28 anos.
- Namorar só com 28??? Mãe! Isso significa que eu ainda tenho dois anos de sexo casual pela frente! Não aguento mais!!!
- ...


2- Novidade patética:

Gente, eu tenho twitter:
http://twitter.com/Bebelcrozera

Tuesday, July 28, 2009


O fato é que todas as coisas no mundo podem ser engraçadas. Por exemplo, o meu ridículo jeito de ser, ontem mesmo no seu carro, falando sem parar. Teve uma hora que eu quase perdi o ar e então, olhei para você e seus olhos me deram todo o oxigênio necessário para continuar falando. Como quando eu lhe contei do filme e falei sobre arte, e você olhava com olhos de calma e sorriso de interesse.
Você me disse sobre fazer um texto engraçado e eu fiquei imaginando um cara, sei lá, Chico da Curimba escorregando na banana, ou vestido de elfo tocando flauta enquanto a Paula passei com suas pernicas finas num campo de centeio.
Mas acho que o papo é outro. O que você ainda não entendeu meu bem é que tudo isso é muito sério. Mas sério não é triste e você bem sabe disso. Rir de seus devaneios loucos, de seu ego suicida, ou até quando você fala sem querer ser sério. Saiba, é sério pra caralho. Igual a gente ontem se olhando nos olhos e felizes por estar um fazendo o outro mostrar dentinhos separados, longe da dor que é ser bem grudadinho.
Por que a gente deu uma volta e depois mais uma, pois queríamos beber mais dentro do seu carro. Porque você ainda mora no meu bairro e só muda em outubro pois não quer ter uma churrasqueira e sim mais um banheiro. Honestamente eu não sei o porque da reforma, juro não saber a diferença de um banheiro para uma churrasqueira. São os mesmos momentos íntimos, não acha?
Eu inverti, entravei e adorei quando você julgou os verbos cariocas e se você me olhasse agora estaria me vendo sorrir e pensar ; hahaha besta! Pois você é um deles e fala um monte de porcarias das quais eu e Paula sempre lembramos no dia a dia e é por isso que eu nunca te esqueço, mesmo você estando longe e não ligando. Você também me contou que demorou a me esquecer, e essa, foi pra mim, a melhor piada da noite.

Hahaha, seu besta!

Monday, July 27, 2009

Aprendiz de Mocinha:
(lição primeira de vida)
a flor quando muda de terra precisa vir com a raíz
se não morre frustrada
e seca em páginas de poesias esquecidas na estante de alguém também seco.



Vai pra onde
todas as flores cansadas de se maquiar quando a noite chega?
pintadas pétala por pétala
sofridas-riem.
requem maldito e flores murchas embravecidas de vida e conforto,
querem água.

raizes e laços que seriam suas mãos tentando mudar a flor de jardim.

condicione a flor a querer luz.
(eu nunca vi uma flor noturna)
seria a rosa mais puta e julgada.
-como alguém que não gosta da manhã-

seria seu caule branco e aspéro.
amargo de vida que é seu sangue

vermelha, pois outra cor não haveria
muitas pétalas para que toda a vaidade jamais desprendece na guerra
folhas verdes, assim se vê, gosta de ter constraste
e apegada como uma mulher em amor.
Bateu uma inspiração e sem companhia. Uma veracidade que entrou junto aos ventos e veio em cheio me esbofetear. esbofeteio. uma pequena ilusão que seria nós dois e mais um homem paranóico achando que meu coração ainda seria dele.
um sujeito que lembraria muito alguém que eu não me aproximaria para essas coisas. e um homem que degladeia minha cabeça com feições.


seriam as asas perfeitas e teve uma unção. de quando eu corria e a brincadeira da amarelinha, terminava no céu. tenho uma vantagem, tenho todas. uma forma que eu jamais aceitaria e como todos os vestígios precisam fluir e me amar para serem aceitos aqui dentro. sou uma falha. sei de todos meus arrependimentos e a cada asa vermelha que nasce em meu pé, um momento só meu de devaneio. tento ser obscuro. preto,inflado e dor. alegria e risadas porque eu não poderia lhe mostrar meu jogo sem humor. pois você nasceu para o que veio. e eu oxalá. teria asas no pé e sairia bem feliz por ter um talento. enquanto eu, aperfeiçoaria o que nunca foi me dado esses anos todos.

essa viagem tem uma lição.

eu tenho um caminho torto e esburacado e pareço não carecer de luz. sou só um sonho aflito que ri e chora, como se rir e chorar fosse no entanto, pois é, a mesma coisa. tenho observado; para onde estão indo minhas perspectivas aflitas e minha volupias. pare. aceite a música e o não olhar daquele homem. aceite o choro, a morte e aceite a dura pena de viver no luto. aceite rever sua grande paixão no Catete.
Aceite ganhar um alguém que jamais seria seu grande amor.
Aceite meu silêncio lhe dizendo o que no fundo você já sabia; foi você quem errou com a pessoa errada. eu sou essa. e quem me ganha neste momento? não é ela. pois sei de minha decadência e da oportunada vezes que eu decolei no fogo, pois sou como um kamicaze. aceitei, bateu um sol. quem diria que teria veria minhas asas vermelhas, sugarem seu lilás. aceito essa condição. vou entrar para o clã dos que da vida, não são. -sei de ser só sendo queria-. tem quando pra muito nesta minha vida fodida. e mais um porção de nomes feios que a estética desta arte, não nos permitiria agora. quebremos as correntes literárias e os outros lerão sem o menor interesse o que aqui é escrito. eu não me importaria.
tenho coisas mais importantes para ignorar.

Recoa palavra:

e acionei mais um lindo dia em que eu diria; vou dar um giro.
quais desses problemas jogados em seu quarto sujo são meus?
Vou estrangular delicadamente todas as formas e vãos da minha escrita paupérrima de resultados. serei eu uma convulsão em forma de textinhos escritos no colégio construtivista.
Meus amigos estão todos no bar ignorando uma situação falida que é nossa realidade. e eu finjo gostar de ter conhecimento.
estoure uma palavra bonita na minha boca com seus poemas babões e sem estrutura real.
eu rasgo em meus textos como alguém que desbrava a mata fechada com um facão, e digo mais;
que se foda as belas palavras e todos os corações ardidos.
A minha paixão, queridos, é verdadeira.
Sou eu a única de muitos únicos e ganhei meu posto hoje pela manhã.

Wednesday, July 15, 2009


queria prender o movimento e agredi-lo com as forças das palavras com que escrevia. sabia ser uma tarefa e tanto e sempre que a compulsão batia, ela e eu hei de estar aqui para afroxar meus leitos inseguros em uma folha de papel brilhante feito tela. pintar é escrever e tocar. a arte.



corri nos meus tempos idos e ao me esconder na brincadeira, nunca mais me acharam. laciei. vi tendas e folhas verdes, sedas e longos lenços como se Laura fosse um dia uma garota livre com assas de tecidos nordestinos, bem fortes e com fibras.
tinha dias que eu amanhecia em são paulo e taxativa dizia; só saio de casa, se me apaixonar. foi então que me apaixonei.
lenços corridos, mãos de seda. puro rodar e era essa imagem que meu coração não vai nunca, nem por um fim, poder esquecer. tenho um jeito astuto, sou desrespeitada diariamente por egos em condições escabrosas, temo ser assim também.
consigo ver a beleza da fita, das manchas que tem seu penar. consigo olhar para aquele olhar perdido e ver que ainda precisa existir um sentimento sem nome nem culpa, e mais longos dez anos para você e para mim.

a cidade estava um caos, e o cenário era um garoto ingrato, dormindo ao meu lado no dia seguinte. nós dois de ressacas loucas, daquelas de várias. e ele virando devagar, tateando meu corpo com a mão -uma só- e um só pé também.
preciso correr daqui. antes que ele viva esse momento comigo, pensei.


enrolei-me de seda roxa e a imagem era tão certeira quanto a intensa vontade vício que tenho de escrever errado. vou deixar uma marca, um registro. quero gravar as canções suaves e lindas que seu amigo compõe. acredite, elas ficam mais bonitas na garganta de quem não as merece.
e esse seria definittivamente meu caso.

Saturday, July 11, 2009

Rodava a lua ilê
Rodava meu céu de espada e uma certa vez tinha um dragão na minha lua ilê.
As tardes, eram fajutas. Borboleteávamos ensandecidas. E no dia seguinte, loucas de ontem, pensávamos: temos mais vintequatrohoras. Simbora. O corpo, por vezes, não agüentava. Pedia um arrego ignorado. Mas então, as pessoas ao redor comentavam; por onde andam que não se cansam? O que querem com essa presa achar? Não sabíamos responder.
Tinha dias em que Paula admitia; eu não estou bem. E nós riamos sérias e nos auto bronqueavam. Precisamos de responsabilidades, precisamos de calma, coragem. Precisamos trabalhar. E todos os outros discursos que a algum tempo, temos ouvido de nossos ainda responsáveis.
Rodava o ilê. E o corpo disse; tenham piedade! E elas se mandaram para um sitio um pouco distante da cidade, onde lá se propuseram a não farrear e cuidar da pele e da alimentação. E assim fizeram. Quando a noite chegavam, queriam saber o que estava do mundo perdendo, e aos risos, lembravam de cada caso, caso a caso, contando o quanto já tinham aprontado e assim, fazíamos também o balanço da vida. Quando o dia de ir embora chegou, arrumaram as malas rapidamente e partiram em uma cansativa viagem de trem. Chegando ao Rio, tudo voltou a ser como era antes. Samba, cerveja, homens, risadas, amigos, Lapa.
Rodava o ilê
Na lua, se olhasse pra lua.
Na rua, se pisando firme rua.
Nos olhos que dedilhavam o violão, junto aos dedos
Um copo vazio.
Cigarros
Um livro de Clarice e uma letra de Paulo César Pinheiro
Que minha mente negociaria para ver o que mais me atraia. Falávamos de cinema e culpávamos nossa complexa geração pela nossa vagabundagem. Nós somos a classe média que freqüenta terapia. Nos temos dialogo em casa e uma liberdade para escolher a verdadeira maionese no supermercado. Agora por lá também se compra a felicidade.
Alguns pais, surtiram os efeitos da ditadura. Ninguém anula o voto, pois conquistei esse direito. Mas o sistema castrou os jovens. E eles não gostam de política.
Alguma coisa aconteceu comigo.
Quando pequena eu mamãe e papai, mais Chicão, construímos um labirinto bem divertido. Mas mamãe e papai já sabiam achar a saída. Eu e Chicão, ficamos por lá. Chico, por anos tenta com sucesso, sair. Eu sempre faço o caminho da volta, pois lá me lembro de todas as artes e bons momentos que vivi. Minha mãe, toda semana, deixa comida, coberta e dinheiro e diz; está na hora de sair! Mas eu construí minha moradia por lá, sabendo que isso um dia vai acabar. Mesmo assim, não me desespero, ao contrário de Chico que anseia a saída.
Será que existe tipos de pessoas que nasceram para explorar caminhos já construídos e não para achar a saída? Será que a cada muro que passo, deste meu labirinto descubro uma duvida, uma alegria, uma coisa sem nome nem força, mas que me faz ficar? E se cada olhar meu for tão divertido e medroso a ponto deu não querer encarar lá fora? E se a pressão for absoluta. E se for pura poesia. E se minha vida for mesmo essa. Não durmo tranqüila, desde então.

Ainda não tenho nada para te acrescentar vida.
Nem meus atrasos são charmosos. Achei o click que precisaria para seguir. Preciso concentrar. Vivo olhando as transformações, e não faço nada. A difícil arte de se entregar a ela rasgando meu coração em papeizinhos não recicláveis fajutos de sangue velho.

Não estava inflamando, e a arte para ela sempre fora uma responsabilidade. Lembrou-se de quando aprendeu sobre as rodinhas e os grupos de estudos, em uma tentativa de modificar os lances. As coisas. Sempre ia-se a se não fosse pensaria, ao encontro de uma paixão. Mas ao se misturar e se deixar envolver, também aprendia a brigar. Brigando-se em seu universo, sempre a primeira luta, aprenda minha criança, é com a gente mesmo. Fazia e acontecia, nem tanto, talvez. Mas pensaria em tal. A arte era então uma responsabilidade, mais que isso, um aprendizado, enfim.

Partiu desta por cometer crimes de amor. Sugou o coração do homem mais inteligente das galáxias, e partiu feito ladrão em fuga, com as mãos ensangüentadas. E o coração do moço, ainda batia. Foi convencida de que a poesia que respirava ficava ali pertinho, em uma cidade de praia, de pai.
Jogou o coração do homem no lago. -Dizem que anos depois ele achou, e isso tudo teve um final feliz.-
Arrumou as mazelas e se mandou de lá.
Se apaixonou de novo e desta vez, pois, era vingança do destino. O homem 021 mandou um aviso; pode ficar com esse coração apaixonado para você. Eu não tenho o que fazer com ele. E três pontinhos se passaram e a menina lastimou profundamente o homem com quem se envolvera. Era muito freudiano, todos pensariam. E no fim, até mesmo ela concordava com essa teoria. Bendita alma, meu pai.

Voltou com tendências e queria de tudo. Foi então que saindo da guerra, conheceu um assassino. Um homem de ensinar. E de pouco aprender. Um senso de humor que a fazia suar gelado. E um sexo que parecia uma explosão. Bitucas apagadas. Cena que se corta e lá esta ela, ouvindo música, sempre ela, pensando nele. E ele se foi. Nunca tive seu coração, nem ele. Espalhei nos postes fotos de procura-se o coração do assassino, mas ninguém retornou.

O que veio depois. Não vale a pena ser dito senhores. Já que o mundo é uma farsa. Ela também caiu no conto. Um ser de luz apareceu e não existia. Um homem daqueles que só relembra. Foge do futuro como Lalu da cruz. E me disse; fique com meu coração, mulher amada. Eu gosto de uma fossa para beber whisky barato e ouvir Aldir. E eu segui caminhando orgulhosa e odiada quando semi me apaixonei por um outro homem. Daqueles sedentos de carinho e afeto. Mais eu não entendi o enredo que fiz e quis uma borracha tosca para apagar tudo e seguir sozinha. O coração dele esta comigo. No formol para que não estrague. Quando ele voltar para pegar, estará intacto, prometo.

PARTE-2(veia orta)

Veio uma insana serenidade e a mulher atacou o homem sopro. E ele adorou seu ataque e lhe convidou para o amor. Ela de prontidão, aceitou. Veio voando com o peito aberto e o coração recuado, mas o mesmo suicida de sempre. Então, como se não virar-se-ia, o homem desfez o convite. Alegou loucura. E não via a hora de dizer para aquela mulher que juntos na cama, eram imbatíveis. Mas que nunca ele gostaria de te-la como mulher.

Foi um golpe estalão. E a mulher chorou sozinha e pensou tadinho de meu coração. Ele não merece. E com dozinha, foi até o peito e viu que ele não estava mais lá.
Certa vez, foi ao encontro do homem sopro de novo, apenas para resgatar o coração roubado. Só conseguiu metade, mas se deu por satisfeita.

Andam dizendo que os dias, se passarem muito leves, não tem jeito, ela irá se apaixonar novamente. E não adianta meus caros, frustradas tentativas de segurar a metade do coração da moça, quando ele feliz tentará o pulo fatal para outro peito.
A cabeça quando se deita no peito da vitima absorve informações sobre o coração. A pele fala poro por poro, os olhos descrevem, a orelha ouve os batimentos ritmados. As mãos sempre ajudam, sempre. A língua trava, mas depois traz. O corpo faz um relatório mas meu coração é muito ingrato e rasga o documento assim que ele chega e diz feito anarquista ; que se foda. Não quero saber de dados incríveis, eu escolho quem e quando bem quero. Aqui é assim. Gosta, gosta. Odeia, odeia. Não tem meio papo, nem lero-lero.

Existe uma ponte que mira em seu peito. Meu coração esta indo pra lá. E eu queria que ao menos,ele lesse a parte do relatório onde fala; PERIGO! Não se aproxime.

Friday, July 03, 2009

Você passa dissipada
Na fumaça de seu orgulho
E os dias móveis carregam
O móvel laqueado

Não se usam mais os pés dourados
Nem as promessas de um amor
Atormentado e vazio

Um velho caminhão de mudanças some na fumaça
Para onde você passa? Para onde as coisas passam?
Quando o orgulho esmaga as asas
O tempo é um pássaro de natureza vaga


Paulo da Viola

Sunday, June 28, 2009


Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu

Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons

O amor de quem procura

Começa quando duas inseguranças se atraem. Se julgam seguras e resolvem dar uma “chance” ao coração. Ao lado dela, eu fico mais bonito. Ao lado da outra era um feio inseguro. Ao lado da outra, era pequeno e poeta. Ao lado dela sou homem pronto para tirar as calças.
E ela também sabe. Ao lado dele, sou até que bonita. Ele é inteligente e me mostrou coisas lindas. Nós dois somos paga paus de alcoólatras e passamos horas bebendo. Mas o que ele não sabe é que eu nunca tinha feito isso antes, então vomitei no banheiro e fingi estar tudo bem. Enquanto que ele, tolado de razões imbecis, pensa; desta vez eu vou sair da seca. Vamos nos comer e a segurança desse relacionamento é para mim a paixão necessária. Sou agora eu ex poeta de frases burras e rimas fracas, mas tenho um pseudo amor. Ela é meio burrinha, mas eu a como sempre. (a cada quinze dias). Ela pensa que eu sei de tudo, mas nem discutir política, eu ando sabendo. Digo sempre que sou de esquerda, repito frases de um velho amigo e ela me olha apaixonada.
Ele pensa que eu sou bonita. Acho que encontrei o homem da minha vida. Ele é meu pop star, chegou meu momento de desfilar minha bunda gorda entre as pessoas conhecidas ao lado de meu novo homem. E sei que, essa pose, é minha mais nova paixão. Somos tímidos, mas temos cerveja. Ele é nostálgico e mesmo ao meu lado, nem se quer é feliz. E eu acho isso lindo, pois no fundo eu continuo me achando feia e inútil, mas vivemos de compreender. Compreender como se fecha os buraquinhos da realidade.
Ele goza rápido. Ela nunca goza. São o casal perfeito.
Viveram felizes para sempre. Mas toda vez que ela vê sua eterna paixão passar por ela, gotas são suspensas de caírem, ela obriga aos olho; não me sacaneiem, seus filhos da puta!. E toda vez que ele a vê, ela, seu maior fracasso, vira um copo e por meio segundo lembra da cena dela se insinuando para aquele seu amigo.
Acreditem, eles são felizes. Que delícia é o amor.

Friday, June 26, 2009

Pessoas com mania de grandeza. Grandeza que eram seus passo loucos pisados fortes e se repetiam. Então, então, então. Fui eu. Outra vez de novo aqui. Veja bem, como vai um coração. Um belo dia vou te abraçar direitinho e lhe dizer; obrigada a você.
Que se foda se o amor foi de guerra ou de paz. Eu ouvia Gudim loucamente e me perguntava olhando prum cigarro acesso; qual seria o problema do compositor? De certo não é o mesmo de um instrumentista que compõe também. E divagando com um azedo gosto de guarda-chuva, entre uma golada e outra vendo o dia amanhecer, me pediu que assim fosse. Como se Isabel não fosse ia.
Me disse isso:

Respectro mais que coraziones, amargulas de outrem foges amargas minha. Diluviei e encantos doces subiram pedacinhos de outrora fosca, era boa, boa, nata. Despectrus, antigus. frouxas asas dadas aos montes e contidas e seguidas, esguias. Pulilavam, prectus, constantes. E a alma avante, voava em presas modestas cordinhas arrebento. Eu três produções travas. Ávidas. Múltiplas, caras e trovas, fracas. Eram pelinhos da coxa em murmúrios doidos e pedaços de cobras que me aceitavam. Coma um pouquinho minha frô. Já vai anoitecer na cidade mágoa. Outro dia você volta aqui, ta bom? Escurece trovoada, meu coração gira e pulula e salta e me avisa. Vai cair tempestade. Eu já sabia, coração. Eu já sabia.


Dou um abraço no rio de janeiro, pergunto se ele quer namorar comigo. Ele me acaricia, me julgo perto, deito ao peito; obrigada por tudo, enlaço os braços,olhinhos pra cima. E sigo em sono, dando continuação aos meus reboem-delírios que nunca me abandonaram, desde assim, menina. Quando eu no fundo já sabia, se Isabel, não se fosse, se ia.

Tuesday, June 16, 2009


oi.
você esta vendo? não sou como você fez. você sabe, olha só. eu sou louca? por que falo essas coisas toscas? me auto saboto?
não, você é autêntica. uma inspiração. valeu por hoje, tá?
tá bom. que bairro é esse? estou longe de casa, presinto. mais ou menos uns quinhetos kilometros. você esta mais, acredite. sabe seu amigo? eu gosto dele. mas não consigo lembrar que música era aquela que ele tocava hoje de manhã. e é estranho porque na hora, fiquei cantando ela mentalmente, enquanto você dormia igual a um urso. e sabe, nem estava tão frio. você trocou as cortinas? mas o sol ainda estava lá, igual da última vez. um dia quero ir lá quando você não estiver. dai eu não escuto você dizer, valeu. eu só fico escutando as borboletas batendo asas juntas e devagar que é aquele instrumento do seu amigo. e ele é tão legal, engraçado. essas coisas que eu sei que você também é, mas não comigo. com medo que eu me apaixone por você. por isso diz valeu. e eu valeria. e eu vali saindo dali feliz por mais uma noite louca, daquelas que eu gosto muito, mas sem me apaixonar por você. afinal você faz tanto esforço. agora sei que tudo isso não é em vão. você é fofo, tem bochechas otemas, que eu mordi gostoso ontem e nosso sexo é muito válido. mas você fala valeu no dia seguinte. e eu prefiro seu amigo tocando piano...
ainda hei de lembrar a música.
você lembraria? não sei. mais, valeu!

Wednesday, June 10, 2009

muito mulher,
muito mesmo.
não tenho seu doce encanto
que mora apenas nas forças de suas palavras
tenho uma azeda presença
com curvas e bebidas
e cabelos e olhos
e bunda e posto
e sabe,
muita presença
pouco para quem não existe
pouco para quem se deleita em machistar
e eu deixo
deixa estar também
não se vingue na poesia
a pobre coitada
seu confessionário
vazio e fraco e fraco
e mais fraco,
pois se vinga no escuro
de alguém que você simplismente
NÃO AGUENTA.

muita mulher,
muito mesmo.
transbordo
exalo
para todos
melhor,
PARA QUEM EU QUISER
não pra você.

Monday, June 08, 2009


vou responder inutilmente
meu comportamento acalanto.
sou a sombra de todas as vontades que não levam além
um pouco de mim se sei,
finjo que não sei

eu me sinto assim.
um pouco do dia um pouco sem fim
e quando a noite chega
que é a hora deu nascer
que quando eu me banho, acordo de um sonho
tenho todo o sonho pra viver
e viver
não é como se entre os arvoredos pudesse eu, estar lá
viver como vivo
é sempre lua cheia
a procura do bandido
que se esconde em meus olhos

vou responder que sou a fumaça
que brinca de dançar
em ambientes proibidos
sou o finzinho da esperança que existe no dedo do viciado
ao apertar mais um botão da maquininha de caça niquel da lavradio

Sunday, June 07, 2009


oris que virus ten olhos dimitruis
e outros que num.
sempre kre qui dimais pezo
um outraras beijurus
e tantrus que sepra e sexrus.
dei-te um beijo, e tupediste clama meu acalento,
calma.
e eu, calmo, meu bem.
calmo

trus olinhus vibrando intro.
e eutrus te-lhe dizendro;
vais e nunca, jamais-leve-me contigo-mo.
e traz
traz de novo sua arma
sua alminha pintada de rosras e eu explodo
em lilás,
anjo.
E o menino com o brilho do sol
Na menina dos olhos
Sorri e estende a mão
Entregando o seu coração
E eu entrego o meu coração
E eu entro na roda
E canto as antigas cantigas
De amigo irmão
As canções de amanhecer
Lumiar e escuridão
E é como se eu despertasse de um sonho
Que não me deixou viver
E a vida explodisse em meu peito
Com as cores que eu não sonhei
E é como se eu descobrisse que a força
Esteve o tempo todo em mim
E é como se então de repente eu chegasse
Ao fundo do fim
De volta ao começo
Ao fundo do fim
De volta ao começo

e essa, você aguenta?
gonza