eu vou aqui contar uma historia de como eu amei o homem veneno:
primeiro de tudo, é de sumária importância a todos que me lêem, que este homem, ainda esta presente em minha vida sempre em sonhos, o que me leva a pensar, meus caros, que este sujeito é mais real do que possamos suspeitar-dentro de mim-.
tudo começou a nove anos atrás. quando eu era uma garotinha conhecendo o mundão que sempre me fora contato com as janelas fechadas, naquele tempo em que minha geração achava o máximo ter pais que lutaram na ditadura militar. eram bons tempos e um breve começo de nossa determinação política que mais tarde iria embora junto com um vômito de alguém que bebeu demais. época ainda,em que a esquerda ainda era uma senhora oposição. enfim, foi neste meio termo que conheci o homem veneno. ele era exatamente marcante; roupas peculiares, apelido peculiar, traços também. era um homem lindo que eu observara quando saia para fumar maconha escondido em uma antiga petshop que ficava fechada a noite e era pertinho e escondidinho dos olhares cegos de qualquer transeunte, polícia e afins. neste dia, uma grande amiga tinha tomado um ácido que a pos em uma viagem da qual o mundo, era de sapatos. como tudo do homem veneno, era bem peculiar, seus sapatos não deixavam por menos. como tudo que é diferente no mundo, mesmo sendo ele, de sapatos, chama a atenção. o homem veneno também ficou curioso ao ver minha amiga alucinando com seus sapatos e logo veio a mim, curioso, perguntar o que ela tinha tomado. respondi que era uma bicicletinha. ele me perguntou se eu tinha tomado também. respondi que não e ascendi um baseado. ele me pediu uma bola, duas, três e risadinhas que marcavam nossos próximos encontros todas as sextas e sábados naquele mesmo lugar.
o que veio depois, além de muitas gramas de maconha e alguns litros de catuaba, pois foram meses, desta mesma fórmula, foi uma carona.
foi assim:
o homem veneno, ao me deixar em casa, me deu um beijo e uma mordida tão forte na minha boca, que quando eu entrei em casa fui direto ao meu quarto com os lábios doloridos e fiquei curtindo a dor, pondo os dedos sobre eles. foi pelo meu rosto que o homem veneno, do qual eu não amo e nunca vou deixar de amar, entrou.
Monday, November 09, 2009
Não tem cura
esta irrefutavél e razonário, estendido entre mil folhas e roupas que larvas abrigam, como em uma enorme força natural que vibra a cada instante de meus atos. andar na rua, ver pessoas-mundos. ver almas escuras, brincando de tingir. e seus sopapos não me encontro; eu hoje a noite não te esqueço.
e não tem cura. hoje eu declarei; não tem cura! gritei a toda corte com seus reis miseráveis, rainhas sórdidas, palhaços pimpões. não tem cura, eu gritei alto, nuvem ouviu. sai esquecida ao destino. sua magestada, entre tantas dúvidas que passam na cabeça de um rei, que são reis em seu maior plural.
ele me olhou com desdém. um inicial conforto em me olhar assim. não tem cura, disse mais uma vez com medo e vergonha, baixinho e bem próximo deles.
aqui é o que bate, disse amassando o peito. esta tudo marcado. não me doí. e o rei riu. eles riram porque saber de mim é convalecente? o reis parou. eram vários que só tinham uma voz, me traçou de novo com uns olhos tecidos:
você já sabia?
achava que sim, magestade. mas hoje obtive a certeza maior.
não quero saber seus motivos. poupe meu peito inflar paciência. quero o novo, curar meu desagradável desnível sobe todos a quem sou maior. nesta hora olhou para cima e se curvou a deus. olhando pros reis, entendia por onde poderia escapar.
e não tem cura. hoje eu declarei; não tem cura! gritei a toda corte com seus reis miseráveis, rainhas sórdidas, palhaços pimpões. não tem cura, eu gritei alto, nuvem ouviu. sai esquecida ao destino. sua magestada, entre tantas dúvidas que passam na cabeça de um rei, que são reis em seu maior plural.
ele me olhou com desdém. um inicial conforto em me olhar assim. não tem cura, disse mais uma vez com medo e vergonha, baixinho e bem próximo deles.
aqui é o que bate, disse amassando o peito. esta tudo marcado. não me doí. e o rei riu. eles riram porque saber de mim é convalecente? o reis parou. eram vários que só tinham uma voz, me traçou de novo com uns olhos tecidos:
você já sabia?
achava que sim, magestade. mas hoje obtive a certeza maior.
não quero saber seus motivos. poupe meu peito inflar paciência. quero o novo, curar meu desagradável desnível sobe todos a quem sou maior. nesta hora olhou para cima e se curvou a deus. olhando pros reis, entendia por onde poderia escapar.
Friday, November 06, 2009
ui ui
tem dias que você tem cara de tonto, e tem dias que você tem cara de nada. tem vezes que você solta uma risada, sem querer rir. e as vezes solta essa mesma risada, rindo de fato. tem dias que seu beijo é estranho e tem dias que eu te beijo estranho também. talvez seja por isso, que eu não me sinto segura o suficiente para saber onde esta você, e/ou, onde eu estou em você.
mas tem horas que mesmo que poucas, você me convence que esta tudo indo de maneira, daquelas maneiras, que faz a gente querer se ver mais de uma vez. e como sempre temos mais vintequatrohoras, da tempo de sentir tudo por você. até saudade da sua cara de tonto, cara de nada. até da gente junto, que é de um lance até bem equilibrado. e eu que achava que nunca iria ter essa palavra perto de mim...vai vendo:
é o jeito como você muda o jogo e quebra as regras, são os traços da evolução. eu não gosto de tomar hormonios e chorar vendo o sofrimento dos ursos polares nas geleiras derretidas pelo aquecimento global nosso de cada dia, mas aconteceu.
é o jeito como você respira, do jeito que eu te olho. do jeito que eu me sinto quando você fala alguma besteira, daquelas de criança. e o jeito que eu me surpreendo quando você fala algo relevante demais sobre qualquer assunto que eu verborrágica não paro de falar. depois, são todos os nossos jeitos; aqui e ali, e rindo e ai,ai,ai.
todo um jeito que esta ficando nosso.
não me iludo, mas se sêsse, ô se sêsse; ia ser futuro.
mas tem horas que mesmo que poucas, você me convence que esta tudo indo de maneira, daquelas maneiras, que faz a gente querer se ver mais de uma vez. e como sempre temos mais vintequatrohoras, da tempo de sentir tudo por você. até saudade da sua cara de tonto, cara de nada. até da gente junto, que é de um lance até bem equilibrado. e eu que achava que nunca iria ter essa palavra perto de mim...vai vendo:
é o jeito como você muda o jogo e quebra as regras, são os traços da evolução. eu não gosto de tomar hormonios e chorar vendo o sofrimento dos ursos polares nas geleiras derretidas pelo aquecimento global nosso de cada dia, mas aconteceu.
é o jeito como você respira, do jeito que eu te olho. do jeito que eu me sinto quando você fala alguma besteira, daquelas de criança. e o jeito que eu me surpreendo quando você fala algo relevante demais sobre qualquer assunto que eu verborrágica não paro de falar. depois, são todos os nossos jeitos; aqui e ali, e rindo e ai,ai,ai.
todo um jeito que esta ficando nosso.
não me iludo, mas se sêsse, ô se sêsse; ia ser futuro.
Sunday, November 01, 2009
Sobre nós

É esse estranho jeito que levamos a vida, que tem nos matados. E morrer por aqui, é apenas virar estatísticas que vão florear jornais que amanhã já estarão velhos. Morrer então, não é nada. Mas é esse estranho jeito de viver, de rir, de interagir, de observar, que esta nos matando. É esse estranho jeito como a modernidade avança, sem que nossa mente consiga acompanhar. E a gente se pega rindo de coisas pequenas, de coisas imbecis. E eu fico pensando que foi se o tempo que rir, era coisa de gente inteligente. Hoje se ri por qualquer coisa. Rimos de um esquizofrênico que fala; Ronaldo. Rimos de “humoristas” que vão ao planalto central expor “toda indignação do país“, com nossos políticos de hoje. Rimos das respostas rápidas de Paulo Maluf. Rimos de um pseudo artista de televisão ao ter um surto de raiva em um reality show. É, rir ficou fácil, esculachar também.
Esculachamos e até humilhamos mulheres como Carla Perez, por que só burros riem da ignorância. Rimos quando “humoristas’ vão as praias expor mulheres fora do padrão de beleza, para que elas sejam a musa da beleza interior. Porque gente “feia’ é mesmo de gargalhar. E mulheres bonitas é para se jogar pedra. É claro que isso não vem de hoje, se não, Chico Buarque não iria ter escrito a historia da Geni, lembram? “Joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, maldita Geni!”. Mas no fim da música, quem salva a humanidade, é a própria Geni.
Foi a primeira associação que veio a minha cabeça, quando soube do que tinha acontecido na faculdade particular UNIBAN, na última quinta-feira. Cerca de setecentos alunos, homens e mulheres hostilizaram uma aluna, por usar um vestido curto. A mobilização foi tamanha, que ela precisou ir embora escoltada por PM’s. A modernidade foi usada para que alguns alunos filmassem tudo o que aconteceu e colocassem no YouTube, talvez para mais algumas risadas, ou talvez para que questionemos esse nosso estranho modo de viver.
Antes de qualquer coisa, parto da seguinte opinião; nada, ABSOLUTAMENTE NADA, justifica tal acontecimento dentro daquela universidade. Vi uma reportagem em que alunos e professores tentavam amenizar a culpa dos universitários pelo motim dizendo que ela “pediu” para chamar a atenção. Por isso, não pode reclamar do que houve. Engraçado que não eram só homens hostilizando a aluna da UNIBAN, mulheres enfurecidas também a xingavam de puta, recatadas dentro de suas roupas largas e longas, sofridas, machistas, invejosas talvez. E muitos dos homens, excitados, pediam aos berros; ESTUPRA!
Hoje somos qualquer coisa; trabalhamos por qualquer salário, matamos por qualquer desacate, rimos de qualquer merda, fazemos sexo com qualquer pessoa, nos expomos sem qualquer cerimônia, enfim, estamos para qualquer jogo. Foi quando mesmo, que a vida perdeu a graça? Foi no mesmo dia que o machismo ganhou formas e caras novas, foi quando o moralismo fascista criou raízes, sem que eu possa ascender um cigarro de baixo do toldo de meu buteco preferido. Foi no exato momento em que paramos de nos levar a sério, paramos de acreditar no mundo em que vivemos, na política, no preço das coisas, na rapidez das relações onde não temos mais tempo de perguntar, como estamos. E ai, como estamos?
Estamos todos doentes.
Sunday, October 25, 2009
zumbido
Um homem devoraria um frango, aos grunhidinhos e mãos gordurentas se entrelaçando entre a delícia de se gulosar e o poder da fome no meio de um bar, desses que surgem mesmo que sempre ali, no fundo da noite, beirando a fantasmas que encontramos sempre que sim.
Isso é amor.
Chupando os ossinhos de um galeto, entrelaçando felicidade e a mesmice que é se orientar pelo cotidiano.
Isso é amor.
Pratos sujos mãos também.
Uma mulher com seu vestido lilás muitas outras coisas que se abririam ao olhar no fundo dos olhos de quem vê.
E o fundo era um lago cheio de infinitudes e buracos de tristeza e momentos completos de alegria, como a gente hoje à noite, mergulhando no mar, ficando muitos minutos, cada um com seu pensamento.
Como eu que fui a última a sair e vi muitas estrelas e até uma cadente, que o desejo foi pela minha mãe.
Mesmo sabendo que no fundo a saúde dela depende de mim.
Quando eu virar gente, ela se cura.
Quando eu virar gente, parte do mundo andará.
E eu
não terei mais meus sérios problemas doentes mentais, de quem dá valor a coisas que jamais mudariam um piscar de meus olhos.
(Isso tudo é mentira, Carlos, mudaria sim.
Claro que mudaria.
Então seja bem-vindo ao meu mundo de colapsos.
D'eu procurando a solução daquele meu primeiro caso que fudeu todas minhas serotoninas viciadas em problemas.)
Eu não amo o indivíduo, eu descobri que não amo o indivíduo, eu amo a causa. Estou lampejando.
Isso é amor.
Chupando os ossinhos de um galeto, entrelaçando felicidade e a mesmice que é se orientar pelo cotidiano.
Isso é amor.
Pratos sujos mãos também.
Uma mulher com seu vestido lilás muitas outras coisas que se abririam ao olhar no fundo dos olhos de quem vê.
E o fundo era um lago cheio de infinitudes e buracos de tristeza e momentos completos de alegria, como a gente hoje à noite, mergulhando no mar, ficando muitos minutos, cada um com seu pensamento.
Como eu que fui a última a sair e vi muitas estrelas e até uma cadente, que o desejo foi pela minha mãe.
Mesmo sabendo que no fundo a saúde dela depende de mim.
Quando eu virar gente, ela se cura.
Quando eu virar gente, parte do mundo andará.
E eu
não terei mais meus sérios problemas doentes mentais, de quem dá valor a coisas que jamais mudariam um piscar de meus olhos.
(Isso tudo é mentira, Carlos, mudaria sim.
Claro que mudaria.
Então seja bem-vindo ao meu mundo de colapsos.
D'eu procurando a solução daquele meu primeiro caso que fudeu todas minhas serotoninas viciadas em problemas.)
Eu não amo o indivíduo, eu descobri que não amo o indivíduo, eu amo a causa. Estou lampejando.
Thursday, October 22, 2009
-Primeiro inteiro pensamento, logo após-
Permita-me
Permita-me ousar algumas palavras a você.
Permita-me não ser mais sua.
Permita-me nosso fim.
Permita que eu siga só, te odiando.
Permita-me poupar danos maiores.
Permita nossa amizade.
Permita um ódio se possível for.
Permita-me rever ascesa, confusa, intensa.
Permita-me falar. Sobre todas as coisas.
Permita minha confusão mental, minhas mentiras sobre a liberdade.
Permita-me separarmos.
Permita ser quem sou. Só mente e nua.
Permita-me correr outros riscos, provar outras doses.
Permita-me escolher o amor que quero viver.
Permita-me cuidados, anseios, flagelos.
Permita-me coragem.
Permita-me prender, me soltar, eu mesma, sem você.
Permita-me não mais lhe falar, te seguir,
me causar.
Permita-me rumos, não os fecho, não os abra.
Permita-se ter.
Permita-me dizer não a você.
Ser teu caso, tua cama.
Permita-me tropeçar e cair e rodar,
sem lhe ter.
Permita-me me usar.
Permita-me.
Apenas permita-se a me deixar em paz.
Que eu não lhe permito-me mais.
-Segundo metade(a terminar) pensamento em seguida-
(descanse pequeno, sobre essa sombra que lhe embala.
desvie meu anjo, todas as mazelas trocadas.
recuse a próxima falha de seu desejo.
faça meu pequeno, as doses diárias da vida.
recorra-me entre suas lágrimas e descançe.
durma sobre o campo do fim da tarde e respire toda a alma que lhe rodeia.
gire meu pequeno, que o mundo esta a favor do vento.
a vida é para quem veio.
como num sopro dos jázidos velhos,
estamos a reciclar.)
-Terceiro e último pensamento, dividido em dois-
Parte 1:
era imprudente pensar sobre o dia que viria. tão pouco começar a ser feliz horas antes do destino traçar os cantos.
todas as forma de amor estariam livres antes do acontecimento. depois, se acumularam. e não pôde mais a mulher se desvencilhar
do que ocorria com seus movimentos presos. a cada gesto, uma dança do dito e feito. morreria em troca de todas as eternidades, para ter
aquilo que nem sabia o que era. falaram baixinho, que ela tinha é que acreditar em toda sua intensidade, igual quando ela ia ao cinema sozinha e
milhões de coisas passavam-se pela sua cabeça turbinática. ela queria comer algo que não sabia nem o gosto.
Parte 2:
correu livre de impedimentos, o juíz anunciaria o gol válido. marcava uma vitória, mas na outra quarta-feira, empatava o jogo.
a vida era um campeonato com mais de onze em campo. e ela seguia sem torcida organizada. quem a acompanharia nas semis-finais?
e se os pontos corridos estivessem a lhe prejudicar? não queria o rebaixamento e certos lances acharia que sairia injustiçada.
por muitas vezes, jogou a partida sem condições físicas alguma e mesmo assim, não lamentava. quando perdia, trocava de técnico.
e ora era o comentário geral de todos por ali. muitos lhe davam táticas diferenciadas de seu jeito de atuar em campo. tentando em vão seguir
outra linha, se perdia na partida. mudou de clube, mudou de cidade e respirou novos ares. o jogo nunca tinha endereço. e ela esperava o dia do clássico
chegar, tipo olho no lance. os lances meus caros, eram todos. de todos os dias. até ela entender que nem um jogo, é mesmo um jogo. e que as regras
são só limites impostos por alguém que algum dia, não se permitiu ir além. ninguém entenderia seus manejos e logo lhe diziam que a verborrágia iria
lhe afundar. aos quarenta e cinco do segundo tempo, era já segunda feira e fazia sol. ela acordou com um som esquisito vindo do rádio e desligou o aparelho
para pensar. o tempo acabou, o jogo estava perdido. muitos esquemas e regras das quais ela nunca ousou a entender. porque tinha medo e preguiça
e achava mais fácil jogar aberto.ela tomou um banho, pediu a toalha e foi embora. a verdade é que o campeonato, nunca iria ter fim.
Permita-me
Permita-me ousar algumas palavras a você.
Permita-me não ser mais sua.
Permita-me nosso fim.
Permita que eu siga só, te odiando.
Permita-me poupar danos maiores.
Permita nossa amizade.
Permita um ódio se possível for.
Permita-me rever ascesa, confusa, intensa.
Permita-me falar. Sobre todas as coisas.
Permita minha confusão mental, minhas mentiras sobre a liberdade.
Permita-me separarmos.
Permita ser quem sou. Só mente e nua.
Permita-me correr outros riscos, provar outras doses.
Permita-me escolher o amor que quero viver.
Permita-me cuidados, anseios, flagelos.
Permita-me coragem.
Permita-me prender, me soltar, eu mesma, sem você.
Permita-me não mais lhe falar, te seguir,
me causar.
Permita-me rumos, não os fecho, não os abra.
Permita-se ter.
Permita-me dizer não a você.
Ser teu caso, tua cama.
Permita-me tropeçar e cair e rodar,
sem lhe ter.
Permita-me me usar.
Permita-me.
Apenas permita-se a me deixar em paz.
Que eu não lhe permito-me mais.
-Segundo metade(a terminar) pensamento em seguida-
(descanse pequeno, sobre essa sombra que lhe embala.
desvie meu anjo, todas as mazelas trocadas.
recuse a próxima falha de seu desejo.
faça meu pequeno, as doses diárias da vida.
recorra-me entre suas lágrimas e descançe.
durma sobre o campo do fim da tarde e respire toda a alma que lhe rodeia.
gire meu pequeno, que o mundo esta a favor do vento.
a vida é para quem veio.
como num sopro dos jázidos velhos,
estamos a reciclar.)
-Terceiro e último pensamento, dividido em dois-
Parte 1:
era imprudente pensar sobre o dia que viria. tão pouco começar a ser feliz horas antes do destino traçar os cantos.
todas as forma de amor estariam livres antes do acontecimento. depois, se acumularam. e não pôde mais a mulher se desvencilhar
do que ocorria com seus movimentos presos. a cada gesto, uma dança do dito e feito. morreria em troca de todas as eternidades, para ter
aquilo que nem sabia o que era. falaram baixinho, que ela tinha é que acreditar em toda sua intensidade, igual quando ela ia ao cinema sozinha e
milhões de coisas passavam-se pela sua cabeça turbinática. ela queria comer algo que não sabia nem o gosto.
Parte 2:
correu livre de impedimentos, o juíz anunciaria o gol válido. marcava uma vitória, mas na outra quarta-feira, empatava o jogo.
a vida era um campeonato com mais de onze em campo. e ela seguia sem torcida organizada. quem a acompanharia nas semis-finais?
e se os pontos corridos estivessem a lhe prejudicar? não queria o rebaixamento e certos lances acharia que sairia injustiçada.
por muitas vezes, jogou a partida sem condições físicas alguma e mesmo assim, não lamentava. quando perdia, trocava de técnico.
e ora era o comentário geral de todos por ali. muitos lhe davam táticas diferenciadas de seu jeito de atuar em campo. tentando em vão seguir
outra linha, se perdia na partida. mudou de clube, mudou de cidade e respirou novos ares. o jogo nunca tinha endereço. e ela esperava o dia do clássico
chegar, tipo olho no lance. os lances meus caros, eram todos. de todos os dias. até ela entender que nem um jogo, é mesmo um jogo. e que as regras
são só limites impostos por alguém que algum dia, não se permitiu ir além. ninguém entenderia seus manejos e logo lhe diziam que a verborrágia iria
lhe afundar. aos quarenta e cinco do segundo tempo, era já segunda feira e fazia sol. ela acordou com um som esquisito vindo do rádio e desligou o aparelho
para pensar. o tempo acabou, o jogo estava perdido. muitos esquemas e regras das quais ela nunca ousou a entender. porque tinha medo e preguiça
e achava mais fácil jogar aberto.ela tomou um banho, pediu a toalha e foi embora. a verdade é que o campeonato, nunca iria ter fim.
Thursday, October 15, 2009
PQP
Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio
Chico Foda de Holanda
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio
Chico Foda de Holanda
Sunday, October 11, 2009

Casca de ovo, sanduíche de presunto, amor a qualquer custo, horas no ponto de ônibus, são minutos, enfim. Bolo de chocolate, futebol na tv, óculos escuros, lentes e oxigênio. Traições e falsidades, aspectos involuntários, vídeos caseiros, fórmulas exageradas. Mulheres chorando, banheiro de homem, samba-canção. Macarrão caseiro, rocambole de doce de leite, eu te vendo de longe. Eu sofrendo em vão. Corridinhas matinais, cachorro de rabinho cortado, uma mulher maluca em crise vira uma mulher normal. Uma coisa que abre, na outra coisa que cabe, é assim, meu coração. Nós nos usavámos. Eu só sabia de você. O sopro da gaita do homem que assoviou minha alma. Nós nos usávamos. O amigo do homem me chamando para sair. Nós nos usávamos. Um olhar logo ali, querendo me usar. Se eu não mais te usar, você vai pensar que eu te desprezo. O outro amigo e mais alguns olhares. Nós nos usávamos. Eu não sabia. Casca de pão, bolor no feijão, prato e garfo sujos e nós nos lençóis, nos usando. Canto dos passáros e táxis fora de frota, nós nos usando em pleno calor. Ele morava longe e me levava para usar na sua casa. Eu acordava de manhã usada. Ressaca moral de nos usar. Eu quero aprender a te usar. Um homem que ainda não perdeu a inocência e ainda não sabe que quer me usar é mais comovente. Um homem romântico que, além de tudo, quer me usar é mais comovente. Troca de casais, flores murchas, batata doce e nós morrendo de frio, nos usando. Rádio ligado, domingo à tarde, superbacana. Nós nos usamos até gastar. E agora eu não quero mais te usar.
Friday, October 09, 2009
Gamboa

Parecia que eu estava em silêncio. E neste dia fiz de tudo para não perder meus planos. Sempre faço às avessas. Cortei um pedaço que sobrava de mim e com mais um pouco esfolei os sentidos de quem me amparava. Fui ao teu encontro sem saber que era esse meu plano. Ainda não tinha esquecido de todas as cicatrizes que, espalhadas pelo meu corpo, mantinham o aviso. Nunca vou me cuidar. Não existe não estar preparada, a vontade já vem preparada. Foi o que eu te disse ontem. Você acreditou, ou não entendeu? Passei por fases brandas, estava na roda-gigante. Rodando pelos meus altos e baixos. Preocupo pessoas, preocupo família e amigos. Minha felicidade é que me desconcentra. Ontem você pediu para olhar pra cima e fechar os olhos, depois abrir e continuar olhando. Pude sentir seus começos. É meu começo também. Sinto-me um marujo, véio de guerra. Sinto-me sacerdote, sabedor. Sei que sinto, e que vejo as verdades porque sei onde moram nossas mentiras.
Relatei um vôo de passáros em V em plena avenida. Não poderia mais suportar tanta liberdade em mim, alguém teria que me podar. Me cadear. Segui seca, em busca de líquidos, cheia de fortes. Os fortes eram por hora suicidas e, de vez em quando, quando eu me jogava, era bom. Tentei ser em V, tentei ser todos os pássaros e fui me curvando para ser igual. Sem penas e sem meu pai.
Todo dia o espelho reflete a mesma informação ameaçadora. Sou o meu fim já escrito em glórias e tragédias. Rodo e me cheiro e me procuro para ver se alguma parte do meu corpo nunca foi vista por mim. Me espio, sendo bicho, me fuço, tento me achar. O espelho, cheio de respostas, se cala refletindo. Eu sou o que jamais vou mostrar ser.
Monday, October 05, 2009
Cinco atos de amor
Primeira pessoa:
Desculpe eu ser essa mulher confusa que ora se faz de moderna e ora quer carinhos do além. Eu sei que você não deve ter entendido nada meu jeito carente como se eu fosse me tacar da janela e não conseguisse pronunciar com pleno conhecimento, minhas últimas palavras. Sabe, eu sou um problemão daqueles sem sentido e solução e ando muito sozinha querendo ter alguém na vida que me ame pra valer.
A cada momento, penso que achei um. Construo meu castelo de areia, tão grande e bonito, mas como você tem visto, o tempo no Rio anda uma merda e meu castelo não para em pé. Você me acha muito maluca? Eu estava com uma ressaca desgraçada, daquelas de precisar desabafar. Eu mesma não entendi o nexo da maioria das coisas que lhe falei. E lá no fundinho, sei que não é comigo que você vai ficar, mas eu adoro cavar buracos e morrer de amor, porque estranhamente isso me dá gás. Além do mais, se eu tentar mais um pouco, logo mais é verão. Quem sabe ai, o tempo não firme, fazendo com que meu castelo de areia não desmorone tão rápido.
Segunda pessoa:
Você ainda mora aqui dentro. Só não sei onde deve estar, em que parte do corpo, em que órgão vital. Também não sei se você é um vírus ou uma bactéria, ou então uma alergia forte e boa de coçar. Sei que você entrou pelo coração e de lá de dentro se transformou em um besouro barbeiro. Mas eu tenho sopro e bem devagarzinho te expulsei, como quem assopra uma ferida para não arder. Não sei mais onde você mora. Mas ando querendo que você vire uma lágrima e que me deixe, no meu próximo suspiro.
Terceira pessoa:
Eu lhe mandei um e-mail bobo outro dia e você não me respondeu. Mas depois, vi seus muros se levantarem e seu exército se armar, caso eu chegasse mais perto. Então, pude constatar que você nunca me esqueceu. Eu tenho curiosidade de saber como anda sua vida maluca e também, curiosidade para saber como você pôde me amar tanto.
Gostaria realmente que você realizasse uma palestra para que todos meus homens me amem tanto quanto você. Se puder quebrar essa, entre em contato!
Quarta pessoa:
É claro que se eu ficasse com você, seria por vingança, juro, eu sei, é ridículo isso. Mas se no meio deste meu gesto infantil surgisse algo de bom, eu iria adorar. Ontem nos conversamos horas e demos risadinhas e olhares de razão,um sobre o outro. Mas você também anda armado. Eu sei porque te revistei. Agora ando confusa e mais louca sobre como te proceder. Mas olha só, caso a gente fique, por favor, se apaixone. E admita isso segurando em minhas mãos, sentado em uma cadeira de plástico de um buteco qualquer, olhando pra mim, morrendo de vergonha.
Pode ser? Eu iria amar você e até namorariamos. Você iria sofrer e nossa relação seria doentia.
Quinta pessoa:
Quero te falar uma coisa:
você é estranho e eu não te conheço. Não tenho a mínima vontade de te ligar e nem dei google no seu nome para saber mais da sua vida. Você é gostoso e pouco inteligente. E eu fico imaginando como deve ser seu pai, já que você me contou que ele é mórmon. Mas acho que é só.
Desculpe.
Isabel Crozera
Desculpe eu ser essa mulher confusa que ora se faz de moderna e ora quer carinhos do além. Eu sei que você não deve ter entendido nada meu jeito carente como se eu fosse me tacar da janela e não conseguisse pronunciar com pleno conhecimento, minhas últimas palavras. Sabe, eu sou um problemão daqueles sem sentido e solução e ando muito sozinha querendo ter alguém na vida que me ame pra valer.
A cada momento, penso que achei um. Construo meu castelo de areia, tão grande e bonito, mas como você tem visto, o tempo no Rio anda uma merda e meu castelo não para em pé. Você me acha muito maluca? Eu estava com uma ressaca desgraçada, daquelas de precisar desabafar. Eu mesma não entendi o nexo da maioria das coisas que lhe falei. E lá no fundinho, sei que não é comigo que você vai ficar, mas eu adoro cavar buracos e morrer de amor, porque estranhamente isso me dá gás. Além do mais, se eu tentar mais um pouco, logo mais é verão. Quem sabe ai, o tempo não firme, fazendo com que meu castelo de areia não desmorone tão rápido.
Segunda pessoa:
Você ainda mora aqui dentro. Só não sei onde deve estar, em que parte do corpo, em que órgão vital. Também não sei se você é um vírus ou uma bactéria, ou então uma alergia forte e boa de coçar. Sei que você entrou pelo coração e de lá de dentro se transformou em um besouro barbeiro. Mas eu tenho sopro e bem devagarzinho te expulsei, como quem assopra uma ferida para não arder. Não sei mais onde você mora. Mas ando querendo que você vire uma lágrima e que me deixe, no meu próximo suspiro.
Terceira pessoa:
Eu lhe mandei um e-mail bobo outro dia e você não me respondeu. Mas depois, vi seus muros se levantarem e seu exército se armar, caso eu chegasse mais perto. Então, pude constatar que você nunca me esqueceu. Eu tenho curiosidade de saber como anda sua vida maluca e também, curiosidade para saber como você pôde me amar tanto.
Gostaria realmente que você realizasse uma palestra para que todos meus homens me amem tanto quanto você. Se puder quebrar essa, entre em contato!
Quarta pessoa:
É claro que se eu ficasse com você, seria por vingança, juro, eu sei, é ridículo isso. Mas se no meio deste meu gesto infantil surgisse algo de bom, eu iria adorar. Ontem nos conversamos horas e demos risadinhas e olhares de razão,um sobre o outro. Mas você também anda armado. Eu sei porque te revistei. Agora ando confusa e mais louca sobre como te proceder. Mas olha só, caso a gente fique, por favor, se apaixone. E admita isso segurando em minhas mãos, sentado em uma cadeira de plástico de um buteco qualquer, olhando pra mim, morrendo de vergonha.
Pode ser? Eu iria amar você e até namorariamos. Você iria sofrer e nossa relação seria doentia.
Quinta pessoa:
Quero te falar uma coisa:
você é estranho e eu não te conheço. Não tenho a mínima vontade de te ligar e nem dei google no seu nome para saber mais da sua vida. Você é gostoso e pouco inteligente. E eu fico imaginando como deve ser seu pai, já que você me contou que ele é mórmon. Mas acho que é só.
Desculpe.
Isabel Crozera
Sunday, October 04, 2009
Quem sou eu
Pra dizer que você fica mais bonita
Desse jeito ou daquele, quem sou eu
Quem sou eu
Pra falar mal do seu gosto
Da pintura no seu rosto
Quem sou eu, não sou ninguém
Cada um trata de si
Seus olhos parecem dizer
Muito bem
Eu prefiro não falar
Para não contrariar você
Fico no meu samba
Se quiser, pode ficar
Vou lá na Portela
Mesmo que você não vá
Não darei ouvidos
Se você me provocar
Mas aceito um beijo
Se você quiser me dar
Pra dizer que você fica mais bonita
Desse jeito ou daquele, quem sou eu
Quem sou eu
Pra falar mal do seu gosto
Da pintura no seu rosto
Quem sou eu, não sou ninguém
Cada um trata de si
Seus olhos parecem dizer
Muito bem
Eu prefiro não falar
Para não contrariar você
Fico no meu samba
Se quiser, pode ficar
Vou lá na Portela
Mesmo que você não vá
Não darei ouvidos
Se você me provocar
Mas aceito um beijo
Se você quiser me dar
Friday, October 02, 2009
Monday, September 28, 2009
RETO
Hoje eu serei bem honesta comigo mesma e não tentarei enrolar as palavras com que o conteúdo delas, seja levemente modificado pela poesia nela inserida. não vou me iludir. ao mesmo tempo, o rodopio com as palavras represente talvez minha eterna dança com a vida. sou eu refazendo os caminhos antes de chegar a grande final. como se a vida fosse e é, uma maratona e tudo que eu como competidora gostaria é de não passar pela faixa de chegada. escrevendo também, vai saindo medidas de mim mesma. ao final de tudo, me leio. o que esta no papel, foi verdade. foi tudo verdade. e a dança com as palavras, foi a dança de ontem ao saber, ao encontrar, ao pensar na linha de chegada da vida. sempre me vem a cabeça laços, asas, festas. ando emotiva, e o motivo de tudo isso deve ser o cansaço da prova, da maratona. a equipe inteira do campeonato anda procurando a competidora que não chega. qual é o medo que se segue ao romper a faixa? lembrei que tudo isso me lembra a chegada a vida. me veio a imagem do competidor passando pela faixa, e a faixa caindo. me veio a cabeça o umbigo que corta e rompe também. descobri então, tenho medo de nascer. estou onde então, se ainda não nasci? o caminho da maratona é longo demais, ainda mais pra mim, que rodopio, enlouqueço e não firmo nada. não firmo no meu coração as marcas de um amor, nem em minha vida as marcas de um destino certo. se não estou me firmando, se ainda estou rodopiando, ainda não aconteci. ainda não nascer é saber que não estou morta e isso me anima um pouco. hoje eu acordei com certezas que ainda estou rodopiando. e que minhas inseguranças são os meus buracos. e se machucar em uma maratona, não é bom para o competidor. me deu vontade de retornar. de voltar pro ventre. e eu tenho a minha disposição o ventre de minha mãe que esta longe, mais ainda existe. existiu uma tentativa de me afastar do ventre, que foi quando eu me mudei aqui pro Rio. mas o ventre esta sempre lá, quando eu preciso. e hoje eu acordei querendo ele. se eu estando longe, sem o ventre e tenho que me conformar sozinha, nascida, serão então esses momentos que a gente cresce? eu recorro a escrita, eu recorro ao silêncio que é minha solidão. eu só recorro a noite, quando estou bem. e então neste aspecto, pelo menos, eu acho que eu faço a coisa certa. porque gosto de brindar a alegria, ao cansaço de candeia, gosto de brindar sorrisos e não lágrimas. mas hoje eu acordei depois de sonhos completamente já sabidos por mim; que me desculpe o meu subconsciente, mas tudo que aconteceu a pouco, já era de meu entendimento. menos em um aspecto. sonhei com uma gira. sonhei que estava na casa de uma amiga e pegava uma garrafa de pinga. eu derramava toda a pinga no chão em forma de circulo, me fechando dentro dele. e depois ia ao centro com a garrafa na mão e recebia um santo. não sei qual nem o que me disse. acordei. lembrei com tristeza que parte do sonho fazia muito sentido; aquele menino me tratando como quem tanto faz. dai me lembrei de uma conversa com uma outra amiga sobre isso, sobre ele, e disse a ela que eu também o tratava como tanto faz. e isso não deixa de ser verdade. mas não é uma coisa sincera de minha parte. é só mais um desses buracos inseguros que eu também contorno, alegando ser fodona. tem gente que acredita. eu mesma nunca acreditei. como também não quis acreditar naquele homem, no seu não amor, no seu tanto faz. mas ontem a verdade me veio e eu tive que ir dormir com ela. e aceitar a verdade para mim, é duro. bem duro por que é lá que moram meus erros. na verdade moram meus erros. e eu não sei resolver meus erros. então não sei lidar com a verdade. eu me envergonho disso, como se fizesse xixi na calça em frente a todos. então eu rodopio mais uma vez. e saio brincando. o sonho dizia tudo. era um resumo das palavras das conversas de ontem com meu coração fracassando mais uma vez, por culpa minha. eu me odeio? ainda não sei. neste momento quero o ventre de minha mãe. quero ser frágil para ser digna de cuidados.não quero ter alma, porque isso é coisa de gente grande e complicada. e mais uma coisa; no fundo, o fundo por vezes é raso também, quero resolver todos meus problemas. quero agir diferente, porque estou cansada de errar o caminho de propósito para não chegar ao fim da maratona. tenho medo que depois do fim da corrida, comece outra e que eu cansada, não dê conta. o mundo é uma equipe que conta comigo.
Resposta a dani
Já eu acordei sensata, existe uma coisa louca nas pessoas mais inseguras, não, você nunca saberá o que é isso, você não é dessas, que as vezes não as deixam dormir. acordei turva; visão turva, dentes e olhos e corpo inteiro, assim, turvo. abri a bolsa. minhas bolsa, no caso parece sempre ter uma explicação para a noite anterios; mensagens mandadas, cartões de taxi, cartões pessoais...enfim. no embalo, vi o pacotinho do colar vazio, e então, lembrei de tudo; da lais, da sara que esta a coisa mais linda com aquele cabelo, e de um ser de luz(fantasmas?) que sou eu, anos atrás; lembrei do abraço e da saudade que dá. lembrei do menino gorfando ali do lado, da lapa de vocês. momentos de transição. lembrei da vida em seus olhos e me orgulhei. alguém lá em cima, melhorou demais minha nova versão, pensei. logo eu, tão cética. adoro me ver, mesmo que rápido, porque os abraços longos são a forma mais expressiva de lembrar que eu me amo. que eu te amo.
Tuesday, September 22, 2009
Resposta a Dimdin
Forza adruptan ao templo
és mero conchido do vintém de duas uma, amém. creio que pregras ouvre no escuro e eu enforcaria seus foguetes em mim. em mim jorram todas possíveis velas que se apagam, fumacinhas. creio-me que faço acordos com eles, every day. acreio-me, teço, sou artesã. contratrium, áspero, oxi-gênio. mundo que voa, tragos, meus lamparejos, percursos, domínios, travessos. aceito-me in furians, momentos arquétipos. que são, que são. sãotudo. sãotudo. é dia, é hoje. cafezinho, pão francês. enjoa, vovó, margarida. eu odeio margarida. frágil, lento. saio, pago, entro, escolho, bebo. já esta lá. é transe, é forte, é mais que eu. sozinha, com meus monstros, devaneios. me entrego, sou coisa, sou anjo, demônio. ateu. deusta, vidrun, catalpeticun. vou fazer sinal, quero parar já. quero recomeçar, quero tattooar. sim. sim.
até lá, na última até de manhã. com os olhos cansados, vertem lágrimas. olhinus de ninguém. fecha, abre; pisca e pisca. vai no meu vem que nós seremos um só. outro.
pulei da maravilha e imagina só o meu vôo.
asisinhas cor de rosa e detalhes limão. chocolate.
um tanto que tenha. você também tem.
contanto que tenha, você também tem.
gosto de menta. aplicam-se favos, jorra pimenta.
pulei da maravilha
estou em pleno ar
crepticuns ascos, pergunto-me, afago.
um abracinho aqui vai bem
cachorros crianças eu e meu bem
não sei rimar, definitivamente
6por6
és mero conchido do vintém de duas uma, amém. creio que pregras ouvre no escuro e eu enforcaria seus foguetes em mim. em mim jorram todas possíveis velas que se apagam, fumacinhas. creio-me que faço acordos com eles, every day. acreio-me, teço, sou artesã. contratrium, áspero, oxi-gênio. mundo que voa, tragos, meus lamparejos, percursos, domínios, travessos. aceito-me in furians, momentos arquétipos. que são, que são. sãotudo. sãotudo. é dia, é hoje. cafezinho, pão francês. enjoa, vovó, margarida. eu odeio margarida. frágil, lento. saio, pago, entro, escolho, bebo. já esta lá. é transe, é forte, é mais que eu. sozinha, com meus monstros, devaneios. me entrego, sou coisa, sou anjo, demônio. ateu. deusta, vidrun, catalpeticun. vou fazer sinal, quero parar já. quero recomeçar, quero tattooar. sim. sim.
até lá, na última até de manhã. com os olhos cansados, vertem lágrimas. olhinus de ninguém. fecha, abre; pisca e pisca. vai no meu vem que nós seremos um só. outro.
pulei da maravilha e imagina só o meu vôo.
asisinhas cor de rosa e detalhes limão. chocolate.
um tanto que tenha. você também tem.
contanto que tenha, você também tem.
gosto de menta. aplicam-se favos, jorra pimenta.
pulei da maravilha
estou em pleno ar
crepticuns ascos, pergunto-me, afago.
um abracinho aqui vai bem
cachorros crianças eu e meu bem
não sei rimar, definitivamente
6por6
Sunday, September 20, 2009
Grajaú 422
Subia no ônibus, um homem que tinha uma língua roxa, igual daqueles cachorrinhos chow-chow, mais uma mulher loira que me lembrava uma beterraba. Uma vez eu abri uma beterraba e tinha um monte de bichinhos dentro. Coisa que a gente nunca vai imaginar é topar com uma dessas pela frente. Subira no ônibus um homem que acabara de sair do avião. Eu sei. Eu sei porque vi a mala dele, era uma daquelas que sofrera uma viagem de avião. Eu sei porque o aeroporto estava logo ali do lado, mas o ônibus andou com o motorista cantarolando "veja, essa maravilha de cenário" e o cenário era o morro pintado de verde que algum prefeito canalha, desses que se tem por aí, mandou pintar para dar uma dichaavada. Minha mãe vai corrigir isso aqui, não vai saber o que é dichavar. Entrou no ônibus uma mulher com um vestido curto, muito mais curto que os meus vestidos curtos e logo baixou o rosto e dormiu. Passamos por milhares, sim, milhares de ruas e o Rio de Janeiro foi se misturando, a Cidade Maravilhosa confundindo com moradores de ruas que dormiam bem pertinho do sambodrómo, veja bem, ainda não é carnaval. Mas as musas, hoje globais, desfilam seu corpo de drenagem linfática nas escolas de samba e lá do alto já se vê. Nunca seremos iguais a elas. Mesmo que compremos revistas que prometem perder cinco quilos em quinze dias. E bem próximo dali, pertinho de um córrego, famílias lavavam roupas. Sujas? Não sei. E o motorista então falou: imagina só, cara, hoje falei pro meu filho: papai trabalha de domingo, olha só que merda, muleque. E o muleque foi ao jogo, a Leopoldina, ao raio que o parta, ao caralho a quatro, tudo sozinho. Vejam essa maravilha de cenário. Passei no sopão 95, estava ali na frente do Varandella, mas estava fechado. Fui parar em Vila Isabel. Não era esse meu destino, mas a cidade foi se tranformando. Logo, eu também. Como num lote, numa pesca longa de um barco que gera o tédio necessário para o pescador. As curvas eram a perfeita pacificação entre mim e o tempo. Hoje eu dormi tarde, hoje eu comi de manhã. Hoje desceu do ônibus uma mulher com os cabelos feiosos. E eu olhando pela janela vi uma camisinha no chão. Penso como teria sido aquela foda. Logo mais chego em casa, pensei comigo. Passei do ponto, na medida do impossível. Hoje é domingo, estou pela manhã. Quero uma casa em Laranjeiras? Quero continuar acreditando na Tijuca. Passar pelo Grajaú, rodar para achar o contrafilé perfeito. Virar amiga do Moa e me embotecar por aí. Fumar dentro de estabelecimentos que proíbem meu cigarro. Tenho que ir embora deste ônibus. Mas, eu prometo, é só desta vez.
Tuesday, September 15, 2009
Tudo culpa do Pereira
Conheci Pereira na Lapa-Louca e logo vimos que nos daríamos bem, pois ele gosta de samba, da boemia carioca e, além de tudo, é cineasta. Aliás, não consigo dizer isso sem lembrar da querida Julieta Brandão, que uma vez na mesa de bar, num desses inferninhos da Lapa, ouviu alguém dizer que Pereira cantava mal. Julieta, indignada e belíssima cantora, disse bem alto: claro que ele não canta bem! ELE É CINEASTA!
E o cineasta me recomendou assistir a dois filmes: o primeiro, Anticristo. Depois, quarta-feira passada, chegou empolgadíssimo dizendo que Os Amantes era o filme do ano. Resolvi matar dois coelhos numa cajadada só e hoje fui até o Arteplex, em Botafogo, fazer uma dupla sessão.
Às 19:40, depois de um café, assisti ao Anticristo. Eu já temia pelo filme, sabia que era meio macabro, mas, mesmo assim, fiquei curiosa e sempre fui corajosa para tais filmes. O longa conta a história de um casal que, devastado pela morte de seu único filho, se isola em uma cabana, no meio da floresta, onde coisas bizarras - e coloca bizarro nisso - começam a acontecer. O filme é dividido em capítulos e tem uma fotografia muito boa, em destaque, a primeira cena. No entanto, eu tive uma crise de ansiedade horrorosa quando o filme foi chegando ao final. Vi três pessoas saírem no meio da sessão e, juro, quase fui junto. Foi o primeiro filme que me deixou aterrorizada. Não por conter cenas de sangue, que nem são tantas para um filme dito de terror, mas pelo peso psicológico da trama. Fiquei mal mesmo. Até me arrependi de já ter comprado o ingresso de Os Amantes, que ia começar logo em seguida. Saí da sala com uma puta ansiedade e depois de trocar algumas mensagens com minha mãe, me acalmei e fui ao segundo filme.
Os Amantes conta a história de um cara bipolar que aos trinta e cinco anos está morando novamente com os pais e se envolve com duas mulheres. O filme é bom pra caralho, não o melhor do ano, como disse Pereira. Mas ainda estava abalada psicologicamente por causa do Anticristo e entrar de cabeça na história de um cara confuso foi bem pesado.
Ao sair do cinema, fiquei na dúvida do que me assustava mais. Ficar com trinta e cinco anos e virar bipolar morando em casa, ou fazer trilha em uma floresta à noite. Voltei para Tijuca, deitei na cama depois de uma Maracujina, e não consegui dormir. O Anticristo ainda não saía da cabeça. Resolvi tomar uma sopa de pozinho, daquelas horríveis, igual a um filme de terror. Quando estava mexendo a sopa, senti algo no meu pé (estava de meias), olhei para baixo e tinha uma barata IMENSA que logo correu para debaixo do fogão. Devo dizer que aqui estamos sem faxineira há quatro semanas e a casa não se encontra em seu auge, risonha e limpída, como diria nossa musa Vanusa. Dei um grito bem baixo e abafado, pois os meninos já estavam dormindo e fui pegar meu chinelo. Logo, lembrei de Clarisse Lispector, do famoso conto da barata. Encarnei Clarisse, afinal, ali era ou eu, ou ela. Se eu não a matasse, corria o risco dela invadir meu quarto, e eu não estava a fim de dividir emoções com aquele inseto nojento. Ela logo saiu correndo novamente, três tentativas de chineladas depois, acertei-a. Dei mais duas chineladas para me certificar de que a teria matado. Quando vi aquela gosma branca, entendi que tinha chegado seu fim. Meu coração e toda ansiedade voltaram e eu ainda estou pensando se vou até meu quarto dormir, ou se cochilo no sofá da sala, com medo de outra barata. Amanhã devo tirar o dia para limpar esta casa. A barata ainda está ali, mortinha da silva. Matar foi meu máximo, retirar o defunto já é demais.
Estou agora aqui, sentada em frente a este computador depois de ver besteiras no youtube, pensando quantos medos tive de vencer hoje. Foi também hoje que, pela primeira vez, um filme me desencadeou uma ansiedade filha da puta. Eu estou sozinha no Rio de Janeiro. Vivi medos que não sei até que ponto são infundados. Uma barata é perigosa? Posso virar uma maluca de pedra e endoidecer no meio da floresta depois de uma desgraça? Terei eu trinta e cinco anos e virarei bipolar morando na casa de minha mãe? Quais são meu verdadeiros medos? Quais desses aí são verdadeiros?
Sempre tive medo de enloquecer, tenho muita raiva quando alguém me chama de maluca, tenho vinte e seis anos e ainda dependo de minha mãe e sempre, mas sempre, tive medo de baratas. Sozinha, aqui, não pude gritar e chamar alguém para matar. Sozinha no cinema, não tive com quem dividir minhas emoções ao assistir a dois filmes tão intensos. Sozinha aqui, decido meu destino. E agora acho que meu maior medo mesmo é ficar sozinha.
E o cineasta me recomendou assistir a dois filmes: o primeiro, Anticristo. Depois, quarta-feira passada, chegou empolgadíssimo dizendo que Os Amantes era o filme do ano. Resolvi matar dois coelhos numa cajadada só e hoje fui até o Arteplex, em Botafogo, fazer uma dupla sessão.
Às 19:40, depois de um café, assisti ao Anticristo. Eu já temia pelo filme, sabia que era meio macabro, mas, mesmo assim, fiquei curiosa e sempre fui corajosa para tais filmes. O longa conta a história de um casal que, devastado pela morte de seu único filho, se isola em uma cabana, no meio da floresta, onde coisas bizarras - e coloca bizarro nisso - começam a acontecer. O filme é dividido em capítulos e tem uma fotografia muito boa, em destaque, a primeira cena. No entanto, eu tive uma crise de ansiedade horrorosa quando o filme foi chegando ao final. Vi três pessoas saírem no meio da sessão e, juro, quase fui junto. Foi o primeiro filme que me deixou aterrorizada. Não por conter cenas de sangue, que nem são tantas para um filme dito de terror, mas pelo peso psicológico da trama. Fiquei mal mesmo. Até me arrependi de já ter comprado o ingresso de Os Amantes, que ia começar logo em seguida. Saí da sala com uma puta ansiedade e depois de trocar algumas mensagens com minha mãe, me acalmei e fui ao segundo filme.
Os Amantes conta a história de um cara bipolar que aos trinta e cinco anos está morando novamente com os pais e se envolve com duas mulheres. O filme é bom pra caralho, não o melhor do ano, como disse Pereira. Mas ainda estava abalada psicologicamente por causa do Anticristo e entrar de cabeça na história de um cara confuso foi bem pesado.
Ao sair do cinema, fiquei na dúvida do que me assustava mais. Ficar com trinta e cinco anos e virar bipolar morando em casa, ou fazer trilha em uma floresta à noite. Voltei para Tijuca, deitei na cama depois de uma Maracujina, e não consegui dormir. O Anticristo ainda não saía da cabeça. Resolvi tomar uma sopa de pozinho, daquelas horríveis, igual a um filme de terror. Quando estava mexendo a sopa, senti algo no meu pé (estava de meias), olhei para baixo e tinha uma barata IMENSA que logo correu para debaixo do fogão. Devo dizer que aqui estamos sem faxineira há quatro semanas e a casa não se encontra em seu auge, risonha e limpída, como diria nossa musa Vanusa. Dei um grito bem baixo e abafado, pois os meninos já estavam dormindo e fui pegar meu chinelo. Logo, lembrei de Clarisse Lispector, do famoso conto da barata. Encarnei Clarisse, afinal, ali era ou eu, ou ela. Se eu não a matasse, corria o risco dela invadir meu quarto, e eu não estava a fim de dividir emoções com aquele inseto nojento. Ela logo saiu correndo novamente, três tentativas de chineladas depois, acertei-a. Dei mais duas chineladas para me certificar de que a teria matado. Quando vi aquela gosma branca, entendi que tinha chegado seu fim. Meu coração e toda ansiedade voltaram e eu ainda estou pensando se vou até meu quarto dormir, ou se cochilo no sofá da sala, com medo de outra barata. Amanhã devo tirar o dia para limpar esta casa. A barata ainda está ali, mortinha da silva. Matar foi meu máximo, retirar o defunto já é demais.
Estou agora aqui, sentada em frente a este computador depois de ver besteiras no youtube, pensando quantos medos tive de vencer hoje. Foi também hoje que, pela primeira vez, um filme me desencadeou uma ansiedade filha da puta. Eu estou sozinha no Rio de Janeiro. Vivi medos que não sei até que ponto são infundados. Uma barata é perigosa? Posso virar uma maluca de pedra e endoidecer no meio da floresta depois de uma desgraça? Terei eu trinta e cinco anos e virarei bipolar morando na casa de minha mãe? Quais são meu verdadeiros medos? Quais desses aí são verdadeiros?
Sempre tive medo de enloquecer, tenho muita raiva quando alguém me chama de maluca, tenho vinte e seis anos e ainda dependo de minha mãe e sempre, mas sempre, tive medo de baratas. Sozinha, aqui, não pude gritar e chamar alguém para matar. Sozinha no cinema, não tive com quem dividir minhas emoções ao assistir a dois filmes tão intensos. Sozinha aqui, decido meu destino. E agora acho que meu maior medo mesmo é ficar sozinha.
Saturday, September 12, 2009

Último capítulo de Caminho das Índias
Começo me debulhando em lágrimas vendo Tarso, o esquizofrênico, cantando Raul Seixas. Me comove pensar que um dos meus cantores preferidos é sucesso em um hospício.
A novela vai para a Índia. Estranhamente, lá eles também falam português. Maya está fodida, pois descobriram que seu filho é um Dalith, mas ela não foi vingativa e não contou que Surya não estava grávida porcaria nenhuma. Ahhh se fosse eu...
A psicopata Yvone seduz o carcereiro, aliás, esse ator é carcereiro mesmo, né? Bem, ele libera a vilã e ela foge. Fundo musical, LENINE. Clima psicopata mesmo.
A filha de Manuel Carlos mostra a um estranho dois segundos de seu documentário sobre a loucura e ele a chama para ir a Hollywood. Ele é louco?
A família do bad boy Zeca trata da coisa mais séria da novela, que são os filhinhos de papais folgados pra caralho e que cometem pequenos crimes. Acontece que a família é tão engraçada que eu fiquei com vontade de ser escrota também.
Débora Bloch, que antes era feia e aos 45 anos é linda, conversa com Raul. Alexandre Borges, maltrapilho e com cabelos grisalhos, se mostra arrependido com a pegadinha MORRI... É ZUÊRA!!! Se meu pai voltasse falando que era pegadinha também, eu iria adorar. Pronto, falei! Fundo musical: Zizi Possi.
Voltemos à Índia. Tony Peludo e o bebê Dalith se acertam. O bebê teve uma atuação mais marcante do que a de Julinha, a filha de Raul.
Intervalo, vou fumar.
Os meninos que moram comigo chegam. Não dá mais para escrever em tempo real.
Norminha volta à casa de Abel, o corno manso, e o dopa novamente com o tal "leitinho batizado". O corno dorme e os meninos aqui da casa a chamam de vadia. Faço um discurso liberal e antimachista. Eles se calam. Por dentro, penso: jamais perdoaria uma traição. Fundo musical: Calcinha Preta - Você não vale nada mas eu gosto de você.
Opash muda da água pro vinho e, de quebra, ganha uma nova casta ao saber que seu pai é Lima Duarte. Por que toda novela sempre apela para problemas com a paternidade?
Raj e Maya se encontram naquele rio nojento e sagrado e se amam. Eles voltam para a casa e a família se alegra ao saber que ele não morreu. Ok.
Thaila sobe no elefante com Marcio Garcia e eles se casam no meio da rua. Já não basta o mico que é casar nos dias de hoje, precisa ser no meio do confuso centro indiano para a geral ver?
Vou me entediando e os meninos fazem com que eu me disperse de um final de novela para falar, sei lá, de Amélie Polan.
Os pais de Maya tomam "aguada" em comemoração ao aniversário de sessenta anos. É tipo a "ovada" que rola aqui no Brasil. Se fosse com a água do Rio Gandhi, aí eu queria ver se eles iriam rir.
Surya tem uma filha e o irmão de Selton Melo diz não se importar pelo fato de o bebê não ser homem. Mal sabe ele que a criança não é de nenhum dos dois.
O bad boy Zeca acaba na sociedade Viva Cazuza lendo historinhas para a galera de lá. Os pais fanfarrões se orgulham.
Duda, Kiara e o médico que eu esqueci o nome seguem a vida a três. Tipo Caetano Veloso, Paula Bulamarque e Paula esqueci o sobrenome.
Enquanto isso, no site da globo.com:
Stenio Garcia sai no meio da exibição do último capítulo da novela - lá no restaurante Porcão da Barra -, boladão.
Segundo sua esposa, a edição não ABRILHANTOU O TALENTO de um dos mais consagrados atores deste BRASIL VARONIL.
Eu acho que ele deve ter tido uma indigestão no Porcão. Pessoal, esse restaurante, além de ter um nome cafona, tem uma comida péssima.
No entanto, se Glória optou por cortar o Dr. Castanho da trama, fez muito bem. Aquele médico era um saco. Eu mesma já fui a vários psiquiatras e nenhum deles era tão abobado quanto ele.
Juliana Alves, a morena do Dr. Castanho, descobre que o louco, irmão de MUSSUNZINHO (só Glória com sua bondade para dar emprego pra esse pessoal), é louco.
Devo aproveitar, já que estamos falando de Juliana Alves, para dizer que eu acho uma SUPER injustiça relembrarem de Grazi como a única ex BBB não fracassada.
Pessoallll, HELLOO! Juliana também foi uma BBB! Era chata e ninguém gostava dela. Hoje é a maior gostosa e vai posar nua.
Raj e Maya dão beijocas comportadas e FIM!
A novela acaba tarde e meus planos de cair na Lapa morrem. Se eu ainda morasse em Santa Teresa, até rolava. Mas a Tijuca é longe, parceiro...
Os meninos resolvem ir até o Mac buscar comida.
Peço um Maclanche Feliz com água de coco.
Estou com fome até agora.
Não para por aí:
Gente, vem aí mais uma nova novela de Manoel Carlos!
VIVER A VIDA.
WE s2 MANOEL CARLOS.
Novelas leblonísticas me lembram quando eu andava igual louca com meu cartão de débito, tomando sucos BIBI, no Leblon. Eu ia de bicicleta, pedalando pela calçada quase atropelando a população lebloense: magros, cariocas, felizes.
Entrava no Shopping Leblon suada e talvez até fedida e era mal atendida na FARM.
Tudibão!
Bom, gente, agora chega, né?
Vou tomar Maracujina e ler Domenico De Masi - O futuro do trabalho - para me sentir mais cult e menos culpada por ter me viciado em novelas das oito.
Bêjo
Monday, September 07, 2009

Uma das últimas lembranças que tenho sua foi um dia em que eu acordei tarde e você não tinha ido trabalhar. Estava na sala, tomando um whisky, vendo o programa daquela velhinha já meio lelé, chamada Palmirinha. Você lembra uma vez que eu escrevi sobre ela e você achou a maior graça? Eu escrevi sobre o programa a que você estava assistindo, disse que a Palmirinha deve passar o fim de semana num sítio em Itupeva com a família comendo comidas gostosas e tomando sorvete Kibon napolitano junto aos netos. Você achou um barato. Eu não sei se foi neste dia, mas você anotou a receita de esfiha e fez para o jantar. Não me lembro muito bem de nossas últimas coisas juntas. Lembro de estar num curso sobre hai-kai ministrado pela Alice Ruiz, onde eu levava meus hai-kais que só eu acho graça e fingia fazer aquilo na hora. Mamãe ligou e disse que vocês estavam no hospital Santa Catarina, e como meu curso era logo ali do lado, na Casa das Rosas, fui até lá encontrar vocês. Você sentia dor e como a vida inteira a teve, não fiquei tão preocupada. Você estava morrendo e eu não sabia.
O que veio depois é difícil de lembrar, até mesmo porque são nessas horas que o corpo se anestesia de sentimentos pessoais e abre os braços para o lado prático. Lembro de você no hospital. Lembro do Chico levando uma música que ele tinha feito pra você. E eu sei que você era como eu sou, e deve ter ficado tão envergonhado, mas muito emocionado e não conseguiu demonstrar tudo o que se passou no seu coração. Eu odiei quando você voltou para a casa para se tratar aqui. Odiei porque aqui você era o rei e a casa não merecia te ver tão debilitado. E você foi ficando magro e sem condições de erguer a coroa e a capa de super-herói, imagem em que sempre me espelhei. Não demorou muito para você morrer. E eu nem me importei como se sentiria minha mãe e meu irmão, pois minha dor estava me rasgando e o tal lado prático me cobrando, como seu eu fosse obrigada a continuar depois disso, só porque todos continuam e a vida não é fácil pra ninguém. Foda-se tudo isso, foda-se mesmo.
Eu fiquei com medo de todos ficarem com peninha de mim, fiquei com medo de meus familiares acharem que eu ia ficar louca, então eu congelei. E até hoje, eu sei, você não ligaria, mas eles me acham a maior sem noção.
Eu sinto raiva de mim por ser alguém que jamais vai conseguir expressar a beleza que era meu amor por você. Ou então a falta que você faz. Eu me odeio por estar até hoje perdida e odeio quando as pessoas perto de mim adoecem e eu tenho que entrar em um hospital e conviver com pessoas profissionais super acostumadas com a desgraça. Eu não gostaria de respeitar nada disso. Mas eu me calo. E fico me sentindo inútil e fraca por não poder dar meu total apoio às pessoas debilitadas e por ganhar olhares frios e feios de pessoas super dispostas a fazerem o que eu não faço. Eu odeio aquele hospital que você ficou internado, odeio aquela vizinha filha da puta que veio vender cosméticos quando você estava morrendo no andar de cima. Odeio você não estar aqui para me ver e me entender como só você entenderia. Eu não sei se eu estaria mais ou menos perdida. Eu odeio ver meu irmão sobrecarregado, engolindo as mágoas, obedecendo a ordens. Eu odeio ver como a nossa vida rumou para o diferente. E eu odeio não me identificar com nada disso. E eu gostava quando você me contava coisas e nós concordávamos e ríamos, um humor só nosso. E de como as pessoas te achavam inteligente e lhe respeitavam por isso. E de como com você eu podia discorrer sobre tudo que me incomodava no mundo. E de como não tinha importância alguma passar o ano novo sozinha, pois, no dia seguinte, você já estaria de pé, fazendo almoço. Eu amava sua paixão por livros, eu amava sua paixão por cozinhar. Eu gostava de quando você achava graça de meus textos e de sua motivação política. Todas essas coisas hoje continuam sendo fundamentais em mim. Mas perderam muito de seu sentido, sem você aqui.
Enfim, eu tenho saudades e odeio, odeio o jeito como você morreu.
ATENÇÃO, LEITORES DESTE BLOG PATÉTICO:
TODOS OS TEXTOS PUBLICADOS AQUI (DE MINHA AUTORIA), QUE NÃO SÃO JORNALÍSTICOS, SÃO DE FICÇÃO!
SE POR ACASO EU ESCREVER QUE TENHO NOVE OLHOS
E TRÊS PERNAS, SENDO UMA DE CHOCOLATE, POR FAVOR, NÃO ACREDITEM!
ISTO NÃO É UM DIÁRIO DE MINHA VIDA REAL.
GRATA,
LEBASI CROZERÁ
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