Aí eu me desesperei
E a coisa virou confusão
No salão
Porque lembrei
Do seu sorriso aberto
Que era tão perto, que era tão perto
Em um carnaval que passou
Porque lembrei
Que esse frevo rasgado
Foi naquele tempo passado
O frevo que você gostou
E dançou e pulou
Foi quando topei com você
Que a coisa virou confusão
No salão
Porque parei, procurei
Não encontrei
Nem mais um sinal de emoção
Em seu olhar
A coisa virou confusão
Sem briga, sem nada demais
No salão
Porque a bagunça que eu fiz, machucado
Bagunça que eu fiz tão calado
Foi dentro do meu coração
Porque a bagunça que eu fiz, machucado
Bagunça que eu fiz tão calado
Foi dentro do meu coração
Saturday, February 21, 2009
Tuesday, February 17, 2009

Uma folha revirando surpresas,
grudada no suor de um tronco antigo,
é a palma estampada num quadro na sala de estar.
Nada resume ou divide a saudade do meu velho.
O meu velho engaiolava as horas na sacada e
soltava sobre mim um passaredo de instantes infinitos.
Eu alimentava os momentos com a mão,
enquanto eles cantavam e sacudiam as asas.
Meu velho sabia capturá-los. Meu velho sabia das coisas.
Meu velho era uma tocha fincada no meu vazio
e eu jamais precisei procurá-lo.
Meu velho era onipresente. Ele tinha voz de deus.
Meu velho tinha o coração vermelho,
e uma sangria desatada pelas aflições do mundo.
Ele era pelos vagabundos.
Meu velho era do balcão. Ele sabia entardecer.
Meu velho era bom de viver.
Meu velho tinha uma lei e que foi desrespeitada.
Mas não há de ser nada.
Tentaram me arrancar do meu velho.
Me encheram de falsas sequelas.
Eles não sabem que o meu velho é uma estrela
que vem pousar todas as noites na minha janela.
Renato M.
Monday, February 16, 2009

“O mundo é muita sacanagem por fora e muito estranho por dentro”
Foi isso que eu ouvi ao querer sair fora daquele buteco imundo ao pensar mais uma daquelas minhas tolices de alguém que consumiu cerveja por demais.
Eu estava a caminho de casa quando um garoto me apareceu perguntando para onde eu ia.
Pra casa, respondi. E ele disse; deixe-me te acompanhar, estou aflito, querendo conversar contigo.
Achei melhor sim. E nós fomos conversando e ele me contou sobre seus interesses e sobre suas iniciativas e seu futuro. Estávamos descendo a Cardial. E eu disse; isso não é interessante. Você, não é interessante. E ele disse pra mim; não olhe para trás agora, não olha!
E eu olhei, mas não enxerguei nada, sou miupe, bêbada, me faço de vítima, sou podre, insegura. Não olhei quem era.
E hoje tem um olhar que desconfia tudo errado, de minhas probabilidades. Acho que era o olhar que eu não enxerguei. Talvez estivesse como eu, cega também. Cega de horrores desses que fazem a gente insistir na lama, na luta insana.
Igual quando dizem que se uma torcida organizada fosse organizada para outras coisas, atos nobres, o mundo seria melhor.Balela!
Eu tomei chuva e peguei ônibus no largo da batata. Nossa conversa foi longe e nada produtiva. Eu voltei pensativa, me sentindo estranha. Ele voltou para sua vidinha de garotinho família e o domingo chegou.
Caia uma chuva estranha e minha garganta arranhava ainda coisas da noite passada. Um gosto ridículo de cigarro na boa, uma sede filha da puta e eu nem tenho seu telefone para lhe dizer que você é uma criança louca. Que você me deixe quietinha e que era muito legal quando éramos pessoas bêbadas cantando samba. Agora você fez climinhas, ataques maluquinhos. E minha ressaca por culpa dos versos bem rimados, mal rimados, que vieram de você, não chegaram ao meu coração.
Friday, February 13, 2009

Sempre serei criança para muitas coisas, mas dessas crianças que trazem em si o adulto desde o princípio, de maneira que quando o monstrinho vira realmente adulto acontece que este por sua vez traz em si a criança, e nel mezzo del camin se dá uma coexistência poucas vezes pacífica de ao menos duas aberturas para o mundo.
Isto pode ser entendido metaforicamente, mas de qualquer modo indica um temperamento que não renunciou à visão pueril como preço da visão adulta e essa justaposição que caracteriza o poeta e talvez o criminoso e também o cronópio e o humorista (questão de dosagens diferentes, acentuação paroxítona ou proparoxítona, de escolhas: agora eu jogo, agora eu mato) se manifesta no sentimento de não estar totalmente em qualquer das estruturas, das teias que a vida constrói e onde somos ao mesmo tempo aranha e mosca.
Julio Cortázar,mestre
Thursday, February 12, 2009

E o mundo continua me cobrando atenção. Ele me joga na cara histórias lindas, feitas de lágrimas e ouro e cá eu estou. Os loucos também sobrevivem, as mulheres tristes, fardadas a infelicidade, também sobrevivem, o pobretão trabalhador, também. No meu país, na insalubridade, as pessoas sobrevivem. E eu me invoco no meu nada, com tantos “tudos” para fazer. Eu me provoco, eu deslizo, eu não fecho a porta para abrir outra. Eu me assusto fácil demais, como se um urso pudesse me comer a cada segundo.
Tuesday, February 10, 2009
Deu meia-noite e meia
Tem lua cheia pra alumiar
Do céu a estrela branca
Que cai, destranca
O portão do mar
Deixa a camisa fina
Da lamparina
Se encandiar
Que a luz do candeeiro
Faz o coqueiro
Se enfeitiçar
A onda é de ensurdecer
A brisa é de amenizar
Tem qualquer coisa de arrepiar
A lua é de endoidecer
O azul é de admirar
O céu é o espelho de Iemanjá
Em noite assim
As sereias costumam bordar
Rendas de prata
De estrelas caídas no mar
No manto de Janaína
Tem lua cheia pra alumiar
Do céu a estrela branca
Que cai, destranca
O portão do mar
Deixa a camisa fina
Da lamparina
Se encandiar
Que a luz do candeeiro
Faz o coqueiro
Se enfeitiçar
A onda é de ensurdecer
A brisa é de amenizar
Tem qualquer coisa de arrepiar
A lua é de endoidecer
O azul é de admirar
O céu é o espelho de Iemanjá
Em noite assim
As sereias costumam bordar
Rendas de prata
De estrelas caídas no mar
No manto de Janaína
Monday, February 09, 2009
Sunday, February 08, 2009
Saturday, February 07, 2009

“Nos dias de hoje
O samba ficou diferente
Não tem mais dolência
Mudou a cadência
E o povo nem sente
Sua melodia
É uma falsa alegria
Que passa com o vento
Ninguém percebeu
Mas o samba perdeu
Sua voz de lamento.”
O lamento se perdeu nas muitas regras, nas muitas lutas, nas muitas “atitudes” o samba perdeu a suavidade, a alegria. O samba virou um diz que me disse cheio de regras confusas de alguém que disse isso, de outro intocável que disse aquilo. E pensar que ao fazer uma imitação da velha guarda da Portela, tudo tinha que ser tão mais descontraído e não um sentimento de estranho orgulho por estar cantando músicas “inéditas”, fodas, que ninguém jamais saberá cantar. Um samba elitista. Uma pena de samba
O lamento se perdeu na falsa alegria que passa com o vento de uma classe média que apenas procura onde enfiar a cara para se conciliar com um movimento que nunca os pertenceu. É, nos dias de hoje o samba ficou diferente. Começa em uma noitada onde tudo que se cria, termina no vômito de quem bebeu demais.
Wednesday, January 28, 2009

O Fariseu “separado”
Sou como um fariseu. O que é um fariseu? Sou como uma rocha menina, rocha que aperta na mão. E as mãos, são suas, são suas. Sou os meus cabelos desgrenhados, sou a vendinha de meus avós no Brás, sou um fariseu atrasado. Pego meu ônibus, não consigo latir. Rosno baixinho, gosto de te provocar. Até que se zangue, que me ame. Vou te arrepiar os pelos do braço esquerdo, vou morder tua mandíbula, vou critica-lo. Não te aceitarei, pois tu és folha. marrom caindo sobre minha árvore verde, insana, ridícula. Você me pertence. Você não me odeia. Você me rejeitará para sempre. Para sempre não é uma frase pequena e muito forte. Para sempre é longo, e nada esquisito de se dizer. Cresci assim. Sou fada, sou lança de fogo queimando em dúvidas. Sou a paciência de meus amigos a cada vacilo dado. Sou entre luvas, dedinhos pequenos e roídos pelos meus dentes separados, sou um fariseu furioso, horripilante. Sou incrivelmente longe de ser. Sou planos, simulo ações. Simulações. Sou várzea, campo minado, lenha e lenha e lenha e sangue. E olhos de vidro, olhos de moça da china. Sou visivelmente ensandecida, agradecida, elogiada, desmerecida, trágica, insolente, abastecida, confusa, amável, derrotada. Sou a maior de minhas vitórias. Sou a melhor de todas, sozinha em meu quarto. Sou a coisa mais inteligente do século tal. Sou um estrago na parede estragada, uma pessoa ilegal. Sou uma mistura de vinho com sabotagem. Sou incrivelmente o dia mais bonito do mundo. E raramente sou católica, apostólica sou romana. Sou um fariseu meu caro homem. Estou disposta a tudo: a te fazer o homem mais feliz do mundo, a te fuder de vez. Deixe-me fumar a vontade e não reclame da fumaça,sim?.
Tuesday, January 27, 2009

Na tentativa de me achar, te perdi completamente. Agora, quero poder entender o porque desta culpa que não me larga, mesmo com todo os porres tomados, cigarros fumados, doces comidos. Sou agora, uma mulher prestes a fazer testes de revistas femininas, para saber qual é o meu problema. Preciso me culpar, preciso porque fui do mal, por que não te amei. Preciso me culpar, porque sempre tenho a culpa, ela é sempre minha. E eu fiz seu coração sangrar e quando outros corações sangram o meu, eu também, podes crer, me culpo igual.
Seguinte-ouça bem esta canção e pare de me mandar poesias lindas, arrebatadoras-.
Eu conheci um homem que não existia, ele era vascaíno, sociólogo, poeta, bebum,artista, ele era meu homem dos sonhos. Daí, tchum! Juro, ele não existia. Era apenas um inseguro que elaborou um plano para mexer com minhas seretoninas desequilibradas.
Ele sofreu, sofri também. Sofri querendo entender qual era o tipo de dor que se passava no momento. Ele sofreu de culpa, sofreu de medo, de raiva e depois, andou por aí, dizendo ao mundo que não ia ser um sofredor, só pelo fato de se desdobrar na loucura para que eu me encantasse. Tudo acabou. Ele sumiu, eu fui induzida a amar o desconhecido e embarquei nesta. Isso merecia outro parágrafo, mas os dois estão tão próximos que isto não vai acontecer. E o relacionamento que vivi, foi um desafio. Como se a cobrança do amor viesse aos meus pés, subindo pela minha cabeça e eu então namoraria, para ser normal,para ser bem falada na família, para que eu mesma acreditasse que casar,viver,filhos,netTV fosse possível logo, logo em minha vida. E, no entanto, não durou porque eu não agüentei passar por isso, sentindo que o amor era em meu coração, uma coisa outra, louca, louca, louca, que ainda não sei o que é.
Ele entristeceu, muito, a vera, pra cacete, pra valer. Eu fui viver, fui atrás de amores novos, pessoas que não me julgassem e imagine só, eu não encontrei ninguém. A não ser um belo par de olhos, muito infantis, ou então uma pessoa que seria só para me dar prazer e nem isso conseguiu. Eu adoro insistir nos meus erros.
Neste meio tempo, vieram imposições machistas, amarguradas que tive engolir seca, a todos os comentários que as pessoas destilavam através de sorrisos e sambas e isso me deixou muito fula da vida e ele entristeceu mais ainda, pois pra ele esse negocio de machismo funciona tão bem que ele vive sob essas regras. E eu fiquei mais fula ainda, sabendo disso. E agora dei pra sonhar.
Ontem achei que ia ter o pior pesadelo do mundo e tive o sonho mais lindo de todos. Sonhei com um homem bonito, carinhoso, atencioso, disposto a me ensinar onde estavam as coisas. E eu quero muito saber onde estão as coisas neste meu mundo. Eu amo o homem dos meus sonhos, pois ele me ensinou do que eu preciso. Eu não quero poesias nem homens filosóficos que me deixam a mercê, muito menos quero homens machistas que se acham os donos dos morros. Eu quero um homem lindo que deixe uma revista legal pra eu ler quando chegar em casa e que ponha bastante edredom na minha cama, porque de noite eu tenho frio.
Sunday, January 25, 2009

Tu te esfumarás...
Me neblinarei sobre os telhados,
Galáxia azuis.
Sonambularás, te voltearei
Gatos lambendo as estrelas...
Wendy e Peter Pan
Sem o amanhã-nunca, para nós dois,
É sempre cedo.
Marietarás e eu Buarquirei
Em dois cavalos com asas de luz.
Tu te nublarás, me eclipsarei...
Nuvens em nossa cabeça.
Toma, Peter Pan, só um Lexotan
Pra que tanto amor não te enlouqueça.
Vagalumarás por você sobre o campo,
Eu virei do mar, teu pirilampo...
Como um circo aceso,
O céu da manhã
Saudará o amor que não dormir.
Tu desabarás... eu despencarei...
E o amor azul vai nos cobrir...
Aldir, meu noivo mais novo...
Saturday, January 24, 2009

RCMD&C
Posso te chamar de desgraça boa? Posso te chamar de professor? Qual nome te dou, homem fantasma? Posso me chamar de aprendiz, de louca. Porque eu posso tudo. Até me apaixonar por alguém que não existe. Posso ir até Paquetá magoar corações. Posso lhe contar tudo, tim tim por tim tim e você pode me escrever infinitas dedicatórias de amor num livro velho e lindo de Ferreira Gullar. Posso descobrir que nada disso era verdade. Posso acordar de manha e querer saber como você esta?
Ontem fui ao samba. Ele estava lá, e me deu um oi seco, daqueles que não mereceriam tchau, como eu fiz. Fui embora sem me despedir, pois seu rosto era um damasco e eu já estava alcoolizando minhas atitudes. Teve um amigo seu muito solidário, por acaso, que teve o desplante de não me cumprimentar. E quer saber? Foi muito engraçado, por que depois de observar como os machistas se perpetuam eu lembrei da cena dele olhando para minha bunda quando ainda estávamos juntos, eu e você.
Eu e você meu bem, foi muito justo ter acabado. E foi triste também, mas eu não sinto saudades. Nem acho que devo me martirizar por isso.
Hoje eu sonhei que pela primeira vez, aquele homem que eu fui apaixonada me tratava com muito carinho, me carregava no colo e ria das minhas escolhas malucas. Era um sexo e tanto, o melhor, talvez. E aquele homem ainda vai me dizer a que veio
Na verdade eu sei muito bem disso. Ele veio ao resgate do meu primeiro amor, que eu nunca mais vi, que eu era uma menina medrosa que adorava quando ele beijava minha boca, bem forte e mordia meus lábios até eu sentir uma leve dor, que era a melhor coisa do mundo. Vocês dois são tão parecidos, até dói pensar. Inclusive parecidos nos desfechos, que nossas vidas deram. Vocês são dois puta loucos do caralho, isso sim.
E eu também. Foi isso que me disse o menino lindo que mora muito longe. Ele me acha uma maluca. E eu odeio isso. Quero que ele me leve a sério, que seja super legal, tudo isso. Quero que ele saiba que quando eu bebo, eu penso nele. E quando eu não bebo, penso também. Mas ele me diz que sou gostosa. E eu adoro ser gostosa, mas prefiro ser levada a sério. Ele jamais me apresentaria aos pais, pois eu sou uma doida. E isso, veja, já me aconteceu antes. Eu era apaixonada por um cara meio burro mais que fisicamente lembrava muito meu pai. E meu pai, tinha acabado de falecer. Me envolvi fielmente a ele. E ele jamais me levou a sua casa. E eu achava isso um soco no estomago, mas calava como uma mulherzinha babaca. E eu sei que se me apaixonar de novo por você, serei babaca de novo. Por que não tenho jeito. Ou então, porque talvez, seja esse meu jeito.
Friday, January 23, 2009

..."Tenho duas necessidade muito intesas: Uma, de me dar, de ser sensual e sexual, de amar intensamente. A segunda, de me sentir forte, completamente, e eficiênte no mundo. Em nossa cultura, é difícl para a mulher satisfazer a estas duas necessidades num relacionamento com um homem. O condicionamento do novo papel sexual e o sistema patriarcal fizeram com que seja contraditório para a mulher amar, e se dar, e mesmo assim ter uma indentidade forte e senti-se completa"...
Saturday, January 17, 2009
Thursday, January 15, 2009
Wednesday, January 07, 2009

Logo eu, sempre tão desajeitada, carinhosa em momentos ridículos, cheia de vergonhas dos meu olhos pesados de ressaca. Cheia de tattooagens, fumante, gritalhona.
Sou uma vitrine esquisita e toda vez que fecho a porta de minha casa quando você vai embora, tenho vontade de gritar;
-Garoto, vai procurar sua turma!
Mas o garoto liga (com medo) no dia seguinte e diz que minha casa tem cheiro de casa de praia. Logo quem. Logo eu que passei a vida inteira querendo saber qual cheiro ela tinha.
O que vai acontecer, é que você vai perceber o quão refinado você é para gostar de uma garota maluca, gritalhona, tattooada, fumante, cheia de problemas e inseguranças não divinas. E logo ao seu lado vai estar uma linda menina da qual o cabelo não vai ser tão ressecado e de sua boca não vai sair tantos palavrões e ela jamais vai ter crises tão ridículas quanto as minhas. E você vai preferir a ela, pois não há nada que um cara como você possa fazer.
Eu vou seguir a esquerda, pedir uma cerveja num balcão qualquer e pensar que talvez você tenha agido certo.
Saturday, December 27, 2008

BEL-São Sebastião- diz:
fez senac ele, engenharia ambiental
M. diz:
nussa, nem sabia q inha eng lah!
BEL-São Sebastião- diz:
hahaa tem sim AMBIENTAL
M. diz:
AUehea.. q isso faz?
M. diz:
vira disksexo tds eles?
BEL-São Sebastião- diz:
uahauhauhauahua
BEL-São Sebastião- diz:
não sei, mas __****____ é o maior putão
M. diz:
nada prejudica mais o meio ambiente do que uma mulher subindo pelas paredes, faremos de tudo para proteger o ecosistema!
M. diz:
Tss.. piada de nerds e eu ..
Thursday, December 25, 2008
"Os pinheiros assobiam, a tempestade chega:
Os cavalos bebem na mão da tempestade.
Amarro o navio no canto do jardim
E bato à porta do castelo na Espanha.
Soam os tambores do vento.
'Overmundo, Overmundo, que é dos teus oráculos,
Do aparelho de precisão para medir os sonhos,
E da rosa que pega fogo no inimigo?'
Ninguém ampara o cavaleiro do mundo delirante,
Que anda, voa, está em toda a parte
E não consegue pousar em ponto algum.
Observai sua armadura de penas
E ouvi seu grito eletrônico.
'Overmundo expirou ao descobrir quem era',
Anunciam de dentro do castelo na Espanha.
'O tempo é o mesmo desde o princípio da criação',
Respondem os homens futuros pela minha voz."
Murilo Mendes
(Poesia Liberdade-1947)
Ninguém amparou meu cavaleiro quando ele surgiu doente. Se eu descobrisse, me mataria. Me atiraria do prédio, para sempre. Para ir, indo devagarzinho embora, junto de ti. Mas acontece que eu descobri, e não me matei. E o que se seguiu foi muito esquisito e eu bem, eu também, sou bem esquisita. Quando vivi uma novidade, era ele. Meu cavaleiro adoentado, indo embora e eu não saberia dizer, adeus meu velho, adeus. Eu não soube fazer visitas, eu não soube evaporar as angustias e dizer para você que tudo ia ficar assim, ou assado. Pois eu não sei de nada. Eu tinha um medo terrível de te ver enforcado pela vida, daquela janela escrita. Eu não era parte daquela nuvem da qual pensei em me atirar quando você descobriu que tudo estaria definitivamente diferente, para sempre.
Tudo isso para dizer que eu ganhei uns olhares e perdi tantos outros com a sua ida.
Sabe, na verdade, você foi embora me ensinando a temperar a vida.
Mas me tirou de mim mesma.
Os cavalos bebem na mão da tempestade.
Amarro o navio no canto do jardim
E bato à porta do castelo na Espanha.
Soam os tambores do vento.
'Overmundo, Overmundo, que é dos teus oráculos,
Do aparelho de precisão para medir os sonhos,
E da rosa que pega fogo no inimigo?'
Ninguém ampara o cavaleiro do mundo delirante,
Que anda, voa, está em toda a parte
E não consegue pousar em ponto algum.
Observai sua armadura de penas
E ouvi seu grito eletrônico.
'Overmundo expirou ao descobrir quem era',
Anunciam de dentro do castelo na Espanha.
'O tempo é o mesmo desde o princípio da criação',
Respondem os homens futuros pela minha voz."
Murilo Mendes
(Poesia Liberdade-1947)
Ninguém amparou meu cavaleiro quando ele surgiu doente. Se eu descobrisse, me mataria. Me atiraria do prédio, para sempre. Para ir, indo devagarzinho embora, junto de ti. Mas acontece que eu descobri, e não me matei. E o que se seguiu foi muito esquisito e eu bem, eu também, sou bem esquisita. Quando vivi uma novidade, era ele. Meu cavaleiro adoentado, indo embora e eu não saberia dizer, adeus meu velho, adeus. Eu não soube fazer visitas, eu não soube evaporar as angustias e dizer para você que tudo ia ficar assim, ou assado. Pois eu não sei de nada. Eu tinha um medo terrível de te ver enforcado pela vida, daquela janela escrita. Eu não era parte daquela nuvem da qual pensei em me atirar quando você descobriu que tudo estaria definitivamente diferente, para sempre.
Tudo isso para dizer que eu ganhei uns olhares e perdi tantos outros com a sua ida.
Sabe, na verdade, você foi embora me ensinando a temperar a vida.
Mas me tirou de mim mesma.

Eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho.
E acho que nunca os tirei.
O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei.
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.
Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece.
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.
Eu vi muitos homens brigando. Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta,
é a coisa mais certa de todas as coisas.
Não vale um caminho sob o sol.
É o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.
Tuesday, December 16, 2008

-Certamente alguém contara este fato melhor que eu. Mas a escrita se fez compulsa em mim, sem ao menos verificar antes se eu a faria com destreza.-
Ele era um assassino. Quem mata alguém na porrada, é um assassino? Quantos são os nomes que podemos dar as coisas facínoras que acontecem no mundo, da qual a natureza humana excluiu como comportamento normal?
Ele era um assassino. Foi assim que o chamaram quando ele matou aquele homem na porrada. Motivo, não teve. O motivo era favas. Que cor é sua camisa? Verde. Não gosto. Gosto de branco, matem aquele cara. E uma vida inteira, dessas igual a nossa, toda infinita, foi-se embora naquele momento. E o assassino, seguiu-se assassino.
Um belo dia lamentou tudo isso e pulou da cama querendo lavar a mancha de sangue que tinha em sua alma, mas nada ali removia. E ele seguiu com essa dor por anos. Mudou de vida, de mulheres, de amigos, focou suas especialidades em outros nós e foi muito bom no que fez. Mesmo com a dor que picava, principalmente a noite, quando uma lembrança impedia que seus sonhos fossem a diante.Odiava-se por ter feito parte daquilo e agora sentia uma estranha-nojenta saudades, de correr, de matar, de vomitar as tripas do mundo aos olhos de quem quisesse ver. Por que as tripas do mundo não podem ser escondidas.
Dormiu engolindo lembranças, viveu trocando hábitos, deixando a veia para trás, tomando doses diárias de um mundo que não era o dele. Que era o meu.
E é aí que eu entro neste conto. Eu vivia sentadinha de perna de índio na vitrine da realidade. Curiosa, vendo o assassino. Ele era o herói que meus contos de fadas jamais permitiram contar. Ele era muita coisa que sempre tinha a palavra “cuidado” atrás.
Eu sou a menina mais medrosa do mundo. Eu me arrisco tão pouco, que sempre dói muito toda essa cautela. O assassino inveja isso. Eu invejo o assassino.
Tempos atrás, ele veio me procurar e me pôr na parede sobre causos de uma vida nada. Sobre besteiras daquela que se diz quando se bebe trocentas cervejas na esquina de um bar. Ele não esbravejou. Não disse ao menos, um palavrão. Enquanto eu, do outro lado, medrosa, gritava perguntando se ele era Deus.Falou cada palavra num tom meigo, nem parecia que estava me odiando por eu não estar seguindo suas regras. Contou-me parte de sua correria excluindo todo seu passado mais bonito. E eu já estava sentadinha, esperando ele me contar historias de perna de índio.
-O assassino queria me roubar.-
O assassino me roubou. Roubou tudo aquilo que ganhei, que usufrui, tudo aquilo que me formou. Roubou meu amor pela poesia, pelo violão sete cordas daquele homem. Ele me roubou e disse bem assim: “você não entende nada disso”.
Como se isso não fosse minha vida, assassino, como se isso não me pertencesse, desde o dia que eu nasci.
Sabe de uma coisa? Tire tudo de mim. Dispa-me de todas minhas ridículas injurias, de meus legados fodidos. Jogue na minha cara meus medos. Conte-me com razão, sua razão. Mas jamais, assassino, jamais tente me roubar a poesia. Essa sim bateu a porta de minha casa, bem antes de você as sabe-las.Quando você me conta um verso, assassino, eu vomito a poesia inteira.
(Sabe de uma coisa? Tenho lutado para saber também.)
Thursday, November 27, 2008

(Me desculpe e obrigada)
Desatinei na oitava nuvem do céu lilás de um dia subis calmo cintilante. Quando as borboletas laceravam entre estar vivas e se preparar para a morte. Sonhei alto, fingindo ser azul. Sonhei calmo, pois queria ser humana.
Sonhei com você dia desses. Volta e meia nos meus sonhos, somos juntos. Acordei querendo uma realidade tediosa que não me pegasse de surpresa para acasos loucos, daqueles que tanto me viciam. Você aceitou brincar de aliança logo no primeiro dia sem mesmo saber dos meus gostos. Eu não falava sua língua, mas nossas necessidades perdidas fizeram um acordo. Não foi paixão? Como saber? Abraços quietinhos e iluminações pós-coito, pós-conversas longas onde você sem duvida falava mais. Enquanto eu observava sua vida vivida em mil dias, mil horas. Um conto de fada, como você aceita a batalha da labuta, como brinca de ritmo, como adora viver.
Eu, do outro lado do mundo, me esforçando para achar tudo uma gracinha, me empenho de graça em achar vida nas pessoas dispostas. Alguém com olhos de vidro, com força de bomba, como se a realidade jamais pudesse alterar seu humor.
Enquanto eu rolava na cama com o tédio doentio que peguei desta classe média sem remédio. Nos colamos, encantados. Atrás de sonhos que jamais contaremos um ao outro: eu tenho um sonho. – Me conte. Não conto.Não sei contar.
Tuesday, November 25, 2008
Desatai o Futuro
O futuro
não virá por si só
se não tomarmos medidas.
Pega-o pelas orelhas, komsomol!
Pega-o pela cauda, pioneiro!
A comuna
não é uma princesa fantástica
com quem
de noite se sonha.
Calcula,
Reflete,
mira bem
e avança!
Embora sejam miudezas,
O comunismo
não reside apenas
na terra,
no suor das usinas.
Senão também no lar,
à mesa,
nas relações de família,
nos costumes.
Aquele que
no decorrer do dia
anda rangendo palavrões
como um eixo de carroça
ressecado,
aquele que
fica pasmado
quando geme a balalaika,
esses
não atingiram o talhe
do futuro.
Nas trincheiras
manejar metralhadoras,
não é apenas nisso
que consiste a guerra.
O ataque
à família,
ao lar,
não é para nós
ameaça menor.
Quem não agüentou
a tarefa doméstica
e dorme
no bem-bom
das rosas de papel,
esse
não atingiu o talhe
da poderosa vida
do porvir.
Qual uma peliça
o tempo também
roído
por vermes cotidianos.
Às vestes poeirentas
de nossos dias
cabe a ti, komsomol, sacudi-las!
Maiakovski [1925]
Sunday, November 16, 2008

(Eles são dois por engano. A noite corrige.)
-Eduardo Galeano
E se chover sapos, nós sairíamos correndo. E de baixo do posto de gasolina fechado, iríamos nos assustar e não acreditar. Como tudo na vida que não choca mais. Igual quando o Jornal Nacional decide qual vai ser minha próxima angustia. Igual quando o supermercado decide qual vai ser minha mais nova comida congelada preferida. E no cinema, o filme da vez, estará circulando na boca dos cults que tomam cervejinha num buteco meio limpo, meio sujo na R. Augusta. E mais tarde, vão para um sambinha se deliciar com os músicos que jamais poderão participar de suas profundas discussões sobre o crime, sobre o PCC. Afinal, cada coisa no seu lugar. Igual quando, todo dia de manhã e afinal de contas, são tantas responsabilidades como largar meu emprego ocioso e embarcar em algo que nunca me pertenceu para poder sentar lá na mesma mesa de bar, e contar, se eximindo da culpa, que faz parte do cansaço coletivo dos que na labutam perde o amor a vida.
Enquanto tudo isso me alfineta sem eu quase não perceber, me encanto com o novo e me imagino ganhando na loteria e ir de mala e tudo para aquele apartamento bem pertinho da praia,com vizinhos intelectuais e moçada supimpa. Fumo em silêncio, enquanto a discussão me pede respaldo político, pensando que um cometa poderia passar por ali. Fazendo todo mundo ficar feliz. Aí sim, seriamos todos iguais por longos 5 minutos.
Bom,
algum tempo depois, cá estou de novo para falar de minhas mais novas aquisições literárias. Hoje fui a FNAC. Nossa, eu odeio a FNAC, não sei porque. Assim como não gosto Anis, eu não gosto da FNAC. Lá tudo é caro e aparentemente você irá encontrar todos os títulos do mundo. Balela! A parte de livros é bem fraquinha e a de CD também. Além disso, da última vez que fui lá estava passando um show da Winehause na Tv hiper-mega-plus digital que tem lá pra vender. E hoje, adivinhem? O mesmo DVD, e pra aumentar a loucurinha, a mesma música! Minha mãe disse; nossa, que coincidência! Eu falei: que nada, isso já é tédio no mercado mesmo. Enfim.
Fomos para a parte de gastronomia, muitos títulos ruinzinhos e os bons, muito caros. Acabei comprando o Guia das Especiarias de Monika Viliken. E depois uma coisa bem fofuxa, umas edições de receitas que ficam dentro de uma caixinha e custam bem baratinhos. Como eu desconhecia a autoria, comprei a caixinha da salada, com 50 receitas.
Saindo dali, parando no box das promoções, vi logo de cara um dos meus novos preferidos, Eduardo Galeano com o título, Mulheres.
Eu me apaixonei pelo Galeano no Maranhão, depois corri atrás dele na internet e fui amando cada vez mais. Já dei uma lida neste livro que comprei hoje e já semi me apaixonei de novo!
Aqui vai um mini relato que esta no livro:
Rosa Maria Mateo, uma das figuras mais populares
da televisão espanhola, me contou esta história.
Uma mulher tinha escrito uma carta para ela, de algum
lugarzinho perdido, pedindo que por favor contasse
a verdade:
-Quando eu olho para a senhora, a senhora
está olhando para mim?
Rosa Maria me contou, e disse que não sabia o
que responder.
Galeano é foda!
Parece que ele respira o mundo inteiro, pelo
nariz. Igual quando eu corto cebola e percebo que o que me faz chorar é o ardido que respiro. O ar-ardido vai pro olho, que não agüenta e faz lágrimas.
Acho que o Galeano vê o mundo pelo nariz.

-será?
algum tempo depois, cá estou de novo para falar de minhas mais novas aquisições literárias. Hoje fui a FNAC. Nossa, eu odeio a FNAC, não sei porque. Assim como não gosto Anis, eu não gosto da FNAC. Lá tudo é caro e aparentemente você irá encontrar todos os títulos do mundo. Balela! A parte de livros é bem fraquinha e a de CD também. Além disso, da última vez que fui lá estava passando um show da Winehause na Tv hiper-mega-plus digital que tem lá pra vender. E hoje, adivinhem? O mesmo DVD, e pra aumentar a loucurinha, a mesma música! Minha mãe disse; nossa, que coincidência! Eu falei: que nada, isso já é tédio no mercado mesmo. Enfim.
Fomos para a parte de gastronomia, muitos títulos ruinzinhos e os bons, muito caros. Acabei comprando o Guia das Especiarias de Monika Viliken. E depois uma coisa bem fofuxa, umas edições de receitas que ficam dentro de uma caixinha e custam bem baratinhos. Como eu desconhecia a autoria, comprei a caixinha da salada, com 50 receitas.
Saindo dali, parando no box das promoções, vi logo de cara um dos meus novos preferidos, Eduardo Galeano com o título, Mulheres.
Eu me apaixonei pelo Galeano no Maranhão, depois corri atrás dele na internet e fui amando cada vez mais. Já dei uma lida neste livro que comprei hoje e já semi me apaixonei de novo!
Aqui vai um mini relato que esta no livro:
Rosa Maria Mateo, uma das figuras mais populares
da televisão espanhola, me contou esta história.
Uma mulher tinha escrito uma carta para ela, de algum
lugarzinho perdido, pedindo que por favor contasse
a verdade:
-Quando eu olho para a senhora, a senhora
está olhando para mim?
Rosa Maria me contou, e disse que não sabia o
que responder.
Galeano é foda!
Parece que ele respira o mundo inteiro, pelo
nariz. Igual quando eu corto cebola e percebo que o que me faz chorar é o ardido que respiro. O ar-ardido vai pro olho, que não agüenta e faz lágrimas.
Acho que o Galeano vê o mundo pelo nariz.

-será?
Tuesday, November 04, 2008
Criaremos nossos filhos, pagaremos contas pela internet, faremos amigos imaginários, pediremos licença ao passar, obrigado ao sair e filha da puta ao não concordar. Odiaremos os políticos, beberemos cervejinha. Vamos ao super, vamos ao banco, vamos ao Guarujá. Compraremos a verdadeira maionese, sorriremos para os odiáveis, amaremos os que não amamos mais, faremos cheques sem fundo, sem valor, fumaremos cigarros.
E vamos chorar ao ver um filme, vamos rir dos preços das coisas, vamos revolucionar o mundo dentro de um apartamento (bêbados), vamos buscar as crianças do colégio, levar ao dentista, brigar por causa de uma escova de dente, arremessar as crianças no escuro e lhes desejar boa noite, foda-se seus medos, foda-se suas vontades, afinal, a casa é minha o pedreiro chega as sete e a empregada esta de férias no Capão Redondo, seu filho ta cheirando pó e a mais nova gosta de Xuxa e reza sem saber, pois papai é evangélico e Maluf constrói túneis e assim vamos alugar um Dvd no fim de semana e não fazer nada e descansar, pois a segunda é uma labuta e seu chefe é um ordinário seu marido um otário seu filho só lhe traz preocupação e cabula a aula de inglês e não quer ser mais escoteiro e outro dia você achou maconha dentro das coisas dele. Mas seu vizinho não pode saber você sofre de depressão, seu carro não têm seguro, suas dividas só aumentam e você chora e nem sabe porque e domingo tem fantástico e seu marido não sabe onde é o clitóris e mesmo assim você finge e não goza você come brigadeiro e odeia sua manicura e sente inveja de algo que nunca viveu pois pra você a vida é simples é boa é legal, é um patins.
Monday, November 03, 2008

Sexta-feira rolou uma avaliação no curso de gastronomia do qual estou cursando e adorando, diga-se de passagem, e o Chef disse palavras muito interessantes ao meu respeito; Isabel, gosto muito do seu trabalho, apesar de ver traços de desorganização, mas isso é o seu jeito, ta tudo beleza, só precisa tomar cuidado. No mais, tudo maravilha, você é pau pra toda obra, se relaciona muito bem com todos, esta sem muito bem disposta e tem tido bom resultado, seus feitos por aqui.
Sai de lá dando risada. Foi a primeira vez que eu ouvi alguém dizer que eu sou muito disposta. Que eu sou pau pra toda obra, também não sabia, mas adorei saber. Já minha desorganização, putz, isso eu ouvi a vida inteira. Ela é fruto de minha acentuada vezes nove mil, ansiedade. Aliais, parando para fazer um balanço, não há quase nada de bom neste meu distúrbio ansioso, e putz, já vou dizendo, tratar dela não é nada fácil. Já passei por inúmeras tentativas, desde de remédio, terapia, mudanças bruscas de vida, e ela, insiste em tomar fermento, crescer, explodir, me atirar para todos os lados, fazer de mim corredora da vida, às pressas, sem jeito, metade louca, metade mulher.
Porém, e sempre tem um, porém, ultimamente, tenho ficado muito ansiosa, como de praxe, mas também muito tranqüila, com a vida calma, com o coração carinhosamente calmo, com vícios moderados, e o melhor, tenho ficado disposta. Sim. Essa palavrinha querida usada pelo Chef para me avaliar, coube direitinho neste meu momento e eu fiquei feliz de ouvir isso de outra pessoa.
É bom acordar cedo, ter mil atividades, fazer coisinha, namorar, tomar cervejinha, gostar de ver a sexta-feira chegar, encontrar os amigos, ouvir um samba, fazer comidinhas. É bom alugar um filme, mas não quinhentos filmes e ficar o dia inteiro na frente da TV. Falando nela, minha TV, dia desses, queimou. É, pifou, apagou de vez, não liga mais. Aí eu penso que tudo tem seu tempo, num processo louco e maluco. Quem me conhece sabe de minha miopia, sabe como eu ficava com a cara grudada sentindo o calor da TV na minha cama vendo as horas passarem sem nenhuma disposição para atacar o mundo. Então, certa vez, numa tentativa de mudança, afastei bem longe da tv do meu rosto, para o outro lado do quarto e tudo foi melhorando. Então, eis que ela morreu, longe de mim, sem que eu pudesse sentir sua falta. Morreu e tudo bem, quem precisa dela mesmo?
Eu não tenho muitas supertições, não acredito em horóscopo, nem em cartas de tarô. Mas, eu adoro fazer metáforas psicológicas do equilíbrio da minha vida, com fatos bestas que acontecem no meu cotidiano. Como o quebrar da TV, no exato momento em que eu tenho uma disposição reconhecida e um companheiro para matar meu tédio.
Além disso, conto com novas pessoas ao meu redor e com um resgate que tenho feito de antigas amizades, numa tentativa de cercar mais meu coração de pessoas queridas, que valem a pena.Já outras, as que sumiram do mapa, talvez pra sempre se percam, e talvez isso, pode ser um ato frio de minha parte, mas não me fará falta alguma. Gosto dos sentimentos transbordados, das coisas quentes e dos abraços apertados e verdadeiros. Mas gosto também do respeito. Das visitas com cigarrinhos e cervejas e de novas pessoas que o tempo encaixa na nossa trilha. E também, das velhas intimidades.
Ganhei, perdi, ganhei, perdi, perdi, ganhei, ganhei.
Muitas vezes não fui, muitas vezes eu era a peça do quebra cabeça que não encaixava em parte alguma, muitas vezes a falta de meu pai, fez com que eu caísse como quem esperava por ele no meio do escuro. Muitas vezes, era difícil ficar de pé.Literalmente. E muitas vezes também, minha cabeça funcionava a três mil por hora e eu achava que ia ser atropelada por meus pensamentos confusos, sem nexo. Muitas vezes era difícil me olhar no espelho, fazer um texto com pontuação, decorar um bolo sem pressa. Acordar e cumprir com a vida.
Hoje, muitos são feitos aos poucos, e muitos deles, com carinho também. E pela primeira vez, e quem me lê sabe disso, pela primeira vez, ai que meda, esta tudo bem...
Igual àquela frase no meu braço direito, que seu cruza-lo, vai direto ao coração.
Friday, October 31, 2008

"OLHA A MINHA CARA DE QUEM GOSTA DE VOCÊ"
Este blog esta ficando interessante,
vou começar a responder aqui, para os covardes anônimos que insistem em emudecer ao me ver na rua, mas soltam as medrosas asinhas virtualmente:
Assim segue:
Anonymous said...
O elevado potencial que você tem para apontar o dedo para as pessoas e conseguir humilhá-las é inversamente proporcional à sua capacidade de olhar para si mesma e encontrar dentro de você os seus infinitos defeitos.
Pense: quando apontamos um dedo para alguém, existem três na nossa própria direção.
Direito de resposta. Pode né?
(já que na rua, você não quer encarar, vai desta forma mesmo).
Foi até bem bonitinho o primeiro parágrafo, já o segundo com essa frase manjada, vindo de você, pessoa tão culta e inteligente, não sei, esperava mais...
Agora covardia?
Sério mesmo?
Coloca o nominho aí, diga a que veio, me tromba na rua, olho no olho, pagar de anônimo faz de você um bobo alegre digno de risadas, bem dadas, bem altas, como eu adoro fazer. Que potencial, né?
Quanto a me julgar,
só mostra o quanto você é um preconceituoso que mal sabe a que veio, coisa bem pequena mesmo, dessas que a gente pensa e lamenta.
Não me conhece, -não ouse a me julgar-, ainda mais no anonimato.
Tem medinho de que? De ver a verdade, ou toda essa plenitude desabar diante de meus olhos?
Monday, October 27, 2008

O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica
Um belo dia a a gente acorda e hum...
Um filme passou por a gente e parece que já se anunciou o episódio dois
É quando a gente sente o amor se abuletar na gente tudo acabou bem,
Agora o que vem depois
É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos
O amor é filme e Deus espectador!
"- A gente devia ser como o pessoal do filme, poder cortar as partes chatas da vida, poder evitar os acontecimentos!
Num é?!?!"
“Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la –, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me mesmo seja de novo a mentira que vivo.”
Sunday, October 26, 2008

Carta a um bom rapaz virtual,
Carta um bom mentiroso real.
Começo lhe dizendo que ainda me rogo de certezas incrédulas que lerá e nada terá a dizer a respeito das coisas que escrevo. Assim como dificilmente foi possível acreditar em alguma coisa que viesse de você, ou de letras tecladas via MSN. O mundo, irreal é maluco e gostoso quando a gente lê Platão. Mas quando a força, roça a forca e o cerco aperta, pra onde correr?
E o coração? Se joga também, brinca de elástico e serve de descarrego para quem nunca viu o amor. Entenda uma coisa, eu hoje estou com raiva. Raiva por você ser tão mal agradecido, raiva por você mentir, desmentir e ora, agora, você aí, mentindo de novo. Levando seus amigos de cabeça de papel para seguir do seu lado como se uma pobre vítima precisasse de um ombro amigo.
Hilário, chega a ser hilário se não fosse o fato de quando você se fez de super homem, ilustrando coisas de sua mente doente, que mente e nem sente, estava tudo bem. Agora que a realidade deu três tapas na sua fuça, você se joga em ironia sua culpa em cima da pessoa que mais você prejudicou nesta historia toda, uhm, ainda não sacou?
Uma época eu pensei que sua inteligência fosse capaz de sobreviver em meio a tanto marasmo e mesmice que é sua vida atrás da tela. Hoje em dia, duvido de sua capacidade.Não da de mentir, nem a de beber, muito menos a de copiar seus amigos, mas a de ser você mesmo. Deve doer? Sinto muito, não sou culpada. Machucou, pois você não sabe brincar. E agora, uma super mulher, aquela a qual você dedicou suas inseguranças poéticas, se apaixonou por um homem de verdade, por mais um desses que você tanto queria ser, citou inclusive, que era você. E os dois, estão felizes. E a mulher libertaria, vai se libertando cada vez mais, até que o homem mentiroso veja que seu machismo é mais nojento que suas mentiras e que sua insegurança fez de você mais um fanfarrão. E que seus amigos, ah, isso eu aposto, soubessem da mancada que você fez antes desta massa virar bolo, ai sim, não teriam me tratado de maneira tão ríspida.
Você é babaca, e eu tenho dó.
Ass: "PEIXE VILÃO"
Thursday, October 02, 2008
Eu caminhava, as mãos soltas nos bolsos gastos;
O meu paletó não era bem o ideal;
Ia sob o céu, Musa! Teu amante leal;
Ah! E sonhava mil amores insensatos
Minha única calça tinha um largo furo.
Pequeno Polegar, eu tecia no percurso
Um rosário de rimas. A Grande Ursa,
O meu albergue, brilhava no céu escuro.
Sentado na sargeta, só, eu a ouvia
Nessa noite de setembro em que sentia
O odor das rosas, que vinho vigoroso!
Ali, entre inúmeros ombros fantásticos,
Rimava com a débil lira dos elásticos
De meus sapatos, e o coração doloroso!
Rimbaud
Thursday, September 25, 2008
"No Brasil, o fato é que nós só excluímos, excluímos, excluímos pessoas... E não preciso ser socióloga para saber o elementar: se tenho um brinquedo e não divido com meu irmãozinho, um dia ele vai pegar o brinquedo na porrada. E é isso que nós fizemos. Nós somos bonzinhos, mas deixamos nossos irmãos na fila do Inamps."
Elke Maravilha, maravilha de mulher.
Elke Maravilha, maravilha de mulher.
Monday, September 15, 2008
Uma pedra gesticulou no tempo, com o vento que bateu aquela tarde. Meu vestido rodopiou a cidade poeira a sua espera. E era eu, a menina senhora de rosa no cabelo, fazendo sentido aos seus sussurros delicados de meia voz.
Uma ponte veneno, velharia sagrada de nós dois. Quem ali, meu bem, deu tanta importância aquele lugar?
Os olhos fecharam para se transformar. Piscando em pequenas aleluias que vinham brincar na luz. Os aconchegos, as brincadeiras de meninos com figurinhas no chão e sujeira no joelho eram toda minha felicidade se revirando com mãozinhas abafadas em cima das figurinhas. Quem hoje brincaria assim?
Você veio como um lindo dia, igual aquele que se abriu sábado.
E de agora em diante vou dar adeus a todos os escritos sofridos e confusos de uma mente abandonada.
Não há, meu caro, e me desculpe se assim te decepciono, nenhuma vontade de colocar os prantos em dia.
Meu coração pulula, é só alegria.
E é aí, que poemas me bastam. E é aí que a filosofia perde o sentido.
Então vamos descobrir juntos as mazelas do mundo, sorrindo.
Uma ponte veneno, velharia sagrada de nós dois. Quem ali, meu bem, deu tanta importância aquele lugar?
Os olhos fecharam para se transformar. Piscando em pequenas aleluias que vinham brincar na luz. Os aconchegos, as brincadeiras de meninos com figurinhas no chão e sujeira no joelho eram toda minha felicidade se revirando com mãozinhas abafadas em cima das figurinhas. Quem hoje brincaria assim?
Você veio como um lindo dia, igual aquele que se abriu sábado.
E de agora em diante vou dar adeus a todos os escritos sofridos e confusos de uma mente abandonada.
Não há, meu caro, e me desculpe se assim te decepciono, nenhuma vontade de colocar os prantos em dia.
Meu coração pulula, é só alegria.
E é aí, que poemas me bastam. E é aí que a filosofia perde o sentido.
Então vamos descobrir juntos as mazelas do mundo, sorrindo.
Thursday, September 04, 2008
Thursday, August 28, 2008

Escorreu a vida pelas ondas de tinta da parede mofada que tinha uma goteira. As gotas eram sempre que chovia, para nós, um anuncio de mudança. As gotas, de va gar, divagado meu pobre entendimento diante de todas as totalidades previstas. Estourei um balão porque não suportaria a dor de vê-lo murchar e das cinco meninas, saíram cinco caminhos absurdos, indiferentes. Talvez lá na frente um ou dois, estariam cruzados, quem saberia? Destinos, destino. Pegou o sabor de uma framboesa e compartilhou aquela estrelinha de carambola rumo ao mar. Sentou-se na areia, coisa fina. Abriu os olhos pro céu azulzin de delicias e saudades deixadas e concluiu que foi mesmo muito importante caminhar. Contou com pessoas importantes e outras já nem tanto, aquelas que sabíamos que jamais iriam nos acrescentar em nada. E simplesmente sentiu falta de quem rumou sem dizer adeus. E tentava correr atrás de quem levava a mala para dar um passeio. E isso a preocupava muito. E se tiveres rancores na bagagem? Jamais se perdoaria de novo. Queria trocar os volumes. Queria colocar esperança mais ainda não sabia como manter a continuidade real das coisas.
Por outro lado mantinha uma vida reboem-delírios e sentia saudades das conversas com as amigas mais recentes, aquelas conversas malucas que se dão quando dois cérebros ligeiramente desequilibrados se encontram; queria lhes contar sobre o amor. Sobre sua nova casa, sobre sua barriga crescendo vida. Mas ainda não tinha nada com isso. Só um coração alimentado de sonhos e dores de saber que o homem ainda tinha outro status, o degladiante coração, bomba explosiva do meu maior alicerce poético. Pensava com ela mesma. Depois se olhava no espelho e concluía. Quem seria sua amada? Moraria longe, de certo moraria. Faltava um avanço de corpos, faltavam abraços. E ela também tinha a mesma queixa. E também muita vergonha de perguntar a ele se ele gostaria de ser um pouquinho triste e um tanto feliz junto dela. Se ele queria alugar um filme e se entreter no meio do cobertor para rir e se emocionar. Se ele queria andar no frio, suar no calor, pegar estrada, brincar com o cachorro. Mas se mantinha emocionada, se mantinha calada. A boca abria para sorrir quando ele lhe sonhava poesias. A vontade dela era desmentir os poetas, e assim, tornar verdadeiro, todos os gestos de amor.
Palavra; a moça queria engolir o mundo, mas o mundo veja só, entalou na garganta. E era tanto mundo para tão pouca garganta que volte e meia a moça ficava sem ar. E as muitas coisas que estavam pela metade, pela metade continuariam?
Não sabia o jeito de resolver a esse problema de querer ser tudo. Mas vivia sendo e cortando.
Por fim:
Dedico todos os meus delírios,
Fossas, abismos a quem possa vivenciar.
Se a caso, seu passo singelo testemunha intrínseca possa nos ver,
pule o muro.
Saltite meu passarinho
Não vooe ainda.
Primeiro aprenda a cantar
Tuesday, August 19, 2008

"Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir. "
Clarice, sempre ela...
Sunday, August 17, 2008
Thursday, August 14, 2008
Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus-ou foi talvez o Diabo-deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.
Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.
Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.
Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.
E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.
Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.
Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.
Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.
Drummond
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus-ou foi talvez o Diabo-deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.
Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.
Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.
Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.
E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.
Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.
Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.
Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde.
Drummond
Wednesday, August 13, 2008

Um dia, era o amor este traço marcante que me batizou, assim que fiz vida em meus passos. Eram gotas dos mais lindos suores, das mais lindas partidas. E então, corri pra ver. Não pretendo, meu amor, lhe sufocar. Nem tão pouco enxergar que tudo em você é amor também. Logo quem, logo eu que mal tenho olhos. Logo quem.
A brincadeira se perdeu no limite da verdade, e por convicção, da mentira também. E você sabe disso. Mais do que eu, você sabe disso. Sabe e disfarça, sabe e destoa. Brinco também. Brinco de falar o que sinto. Sinto muito. A percepção nunca invisível de dois atos brincantes, de atos força de luz. De você. O que quer me dizer. O que jamais vai me por em transparência do que és?
Aqui estou esticando meus braços. Estaria você, entendendo tudo errado? Eles querem primeiro te entender, eles poderiam, caso fosse vontade minha e só minha, te abraçar também. Você se lançou ao mistério, pediu-me paciência e se esqueceu de se imaginar no meu lugar. Onde eu sentaria para entender tudo que você cria? Se ao menos eu estivesse a par do que você é formado, quais elementos. Tudo seria mais fácil. Mas você se coloca em cheque, se coloca em outra. Sabe, você não se coloca também. E quer de mim não só paciência. Quer de mim tudo que posso dar. Além de minha eximia compressão absoluta de quem apenar quer olhar pra ti.
Essas são minhas confissões, e pode crer, eu sempre as fiz. Nada escondo. Eu quero seu melhor, eu me despi na sua frente. Eu desfilei meus problemas, eu pus na prática como seria. Você observou, e aos poucos, foi soltando essa mistura imaginária; entre a ficção que me assusta, entre o dilema de não me ver. Entre esse seu coração que invade o meu a cada dia.
Sou apenas um passarinho de assas tamanho médio que canta bem alto e pouquinho, mas gosta de voar até achar a melhor vista do galho da árvore. Você é só um passarinho. De assas tamanho grande que canta bem alto e bastante. Mas porque insiste em ficar dentro da gaiola?
Sou apenas, e desculpe, mas não posso e nem quero fugir disso, uma mulher que respira fogo. Cheia de medos e dúvidas que recebo todos os dias aqui deste lado. Não é tempo de ter medo, você disse. Não é hora pra isso. E quem entenderia? Isso não vai me confortar. Aqui, do outro lado, sou eu quem esta lidando com quem resiste em estar. E é meu coração quem te quer por inteiro.
Não se assuste pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nada
antes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
E só tô beijando o rosto de quem dá valor
Pra quem vale mais o gosto do que cem mil réis
Eu sou, eu sou, eu sou amor
Da cabeça aos pés
Tuesday, August 12, 2008

Ernesto Sabato- A Resistência-
Entrei na livraria Saraiva esses dias, atrás (pra variar) de um livro de poesias, quando me deparei com um livro bem fininho com o nome de Resistência. Eu adoro essa palavra. Resistir nos dias de hoje é tão difícil, por vezes, necessário também. O autor do livro, um argentino (sempre eles!) chamado Ernesto Sabato, a priore não conhecia, mas gostei do que pouco li e resolvi levar. Fazia tempo que eu não acertava tanto! O livro, fácil de ler, pequeno acabou em dois dias, infelizmente. Tratam-se de seis cartas que falam sobre a assustadora realidade que vivemos. Essa época cheia de enlances; terrorismo, internet, meio ambiente, liberdade, solidariedade, mercantilização da arte e a imaginação como forma de resistência à barbárie que avança. Uma verdadeira lição, com sutis socos no estômago que fazem a gente querer um espaço melhor para todos.
Por fim, hoje, pesquisando na biblioteca do Senac quem seria esse figura, descobri que ele é o autor daquele livro, O Túnel. Fiquei feliz em saber que esse é meu segundo livro dele. Pretendo ler todos. Com certeza valerá muito a pena.
Um trecho da pág 74:
..."Nossa civilização adotou um tipo de bem-estar como o "deve ser" da vida, fora do qual não há salvação. Esse objetivo é o alcançado graças ao medo e à incapacidade que hoje os homens têm de viver os momentos duros, as situações limites, os obstáculos. Temse particular horror ao fracasso. Oculta-se qualquer arranhão no bem-estar, tremendo-se ficar excluído, eliminado da existência como um time de futebol de um campeonato. Tamanha é a dificuldade que o homem atual tem de superar as tormentas da vida, de recriar a existência depois das quedas"...
Interessante, não? Curioso o livro ser escrito em forma de carta. Afinal, o que são as cartas se não relatos que nos chegam e esperam ansiosamente por respostas?
Friday, August 08, 2008
Wednesday, August 06, 2008

Quando choveu era domingo e ouvi alguém dizer; nunca vi um dia nublado tão bonito como hoje. Eu sentei na fina crosta molhada de areia e fiquei vendo como o mar recebia a chuva. A violência era o instante que faziam as ondas. A chuva lutava na sumária labuta, incrédula. Já o mar rejeitava a toda e qualquer gota que do oceano não pertencesse. E foi assim, que eu amei.
Fiquei sentada esperando a dor chegar. Fiquei iludida com meus joelhos gastos. Fiquei conhecendo melhor a mim mesma e reciclei todo momento. Fiz novas interpretações e abandonei toda e qualquer vontade de me apaixonar por outra pessoa, se não você.
...Tanto de mim
Que distancias venci...
Eu olhava imaginando a sublime primavera chegar. Olhava para o domingo e você não estava lá. Sofri como uma otária em suas piores condições e agradeci aos céus de no domingo, não ser transparente. Se eu fosse, ninguém me suportaria no saguão, tamanha era minha ansiedade. Se eu fosse, e todos vissem o quão grande ela era, teriam me expulsado dali, alegando que ninguém tem o direito de se transformar tanto assim, por alguém que nunca vira seus olhos.
-O terceiro lugar-
Pensou nos romances antigos. Pensou gerar um romance qualquer. Mas não se livraria tão fácil. Retornou eternamente na desgraça que é amar. E sorriu discretamente porque gosta mesmo desta dor. Voltou a franzir e querer questionar o que aquele moço estaria fazendo de seu coração, e mais, com que direitos lhe atirava tudo que era, mas sem se mostrar. Que medo teria? Pensou ela em ser uma monstra que falava sem parar os maiores absurdos. E que o moço teria medo dessas monstras, desses absurdos. Pensou que era feia, muito feia e ele era lindo e tinha olhinhos de criança safada. Depois pensou que o moço era um louco, um louco, um maluco que estaria devorando seu coração bem devagar, sem dó. Depois não pensava mais em nada, só amava. E não resistia a todas as poesias que ele lhe enviava de presente. São minhas jóias, suspirou.
Monday, August 04, 2008

Ah! O amor
Esse temporal
Quem buscou se refugiar
Quem largou
Fruta boa no quintal
Se guardou do carnaval
Pra ter paz no coração
Quem secou lágrima de amor
Acatou falsos rituais
Quem deixou
O seu grande amor partir
Pra depois cair em si
Calmaria é solidão
Samba levante essa voz
Se eu mereço perdão
Venha me redimir
Diga a verdade sem dó
Canto a vida que for
Que me encante o amor
Saturday, August 02, 2008
Eles nos pedem uma felicidade horrorosa, impossível, eles nos mandam e-mails de auto-ajuda, dizem que foram escritos por grandes escritores que jamais pensariam em tais bobagens. Eles fazem questão de mostrar como sorriem e são cercados de amigos, de como amam e são amados e de como a felicidade, para eles, é para sempre. Eles dizem aprender com os erros, mas nunca erram (!), eles dizem perdoar, mas recalcados, não perdoam. Eles dizem não mentir, serem bom caráter e eu ando desconfiando de minha personalidade.
Poxa, logo eu. Tão vacilona, ansiosa, furona, impulssiva. Logo eu, tão cheia de problemas, dentes separados. Preciso lutar para acordar e sorrir para tudo e todos. Para que minha foto no orkut seja a mais bonita, para que meus testemunhos sejam os mais profundos. Mas, porra, eu não lutei para viver cada dia como se fosse o último capítulo da novela. Eu não acho que todo mundo tem mais é que ser feliz. Eu acho tudo isso um porre, eu acho viver mais complicado que tudo isso. Eu acho viver mais bonito, do que só ser feliz.
Não me venha você esbanjar pela internet o quão é revoltado, na moda,inteligente,conhecedor, bêbado, baladeiro, feliz, feliz,feliz. A única coisa que posso esperar de pessoas assim, é a continuação dessa ditadura de falsa felicidade que evolui com uma globalização que joga todos meus direitos de sofrer, errar, perder pela janela.
Eles pedem para que façamos, pela internet, a vitrine de nossas vidas. Mas, caso sua vida, por “N” motivos não se encaixe nas opções dadas por eles, então meu caro vá ler um e-mail de auto-ajuda e procurar no Google um bom terapeuta, pois sua vida é fora dos padrões, logo você não é digno dela. Certo?
Friday, August 01, 2008

Que roseira bonita
Que me olha tão aflita
Pela chuva que não vem
Corro pego o regador
Ela me olha com amor
Sabe o que lhe convém
Sabe o que lhe convém
Às vezes falo ao acaso
Com a samambaia de um vaso
Em cima da janela olhando a baía
Em cima da janela olhando a baía
Usando telepatia falamos da vida
Sobre os amores das flores
E a força secreta daquela alegria
Wednesday, July 30, 2008
"Que mais lhe devo dizer? Parece-me que tudo foi acentuado segundo convinha. Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas a que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa."
Rilke,sempre me emocionando...e mais e mais
Rilke,sempre me emocionando...e mais e mais
É totêmico, já diria a Lu.
A gente tetra, depois penta, concluimos nós outro dia em pleno samba frio regados a Seletas e cervejas de latinha. Tinha uma senhora da velha guarda que olhou pra gente e disse; eu era assim! E a gente se olhou, achamos graça e falamos; que bom! Vamos então ficar igual a senhora!
E tinha uns amigos do Rio.
Daí a Julinha ficou rodopiando com o presidente.
E o Pedro ficou inventando palavras novas.
A Mari de luto tomava sua Absolut. Em silêncio.
E eu, bem eu ficava procurando alguém que nunca vai chegar. Assim mesmo, sem poesia.
Depois fiquei com o Paulinho da viola na cabeça:
Mais não se pode dizer
Nem eu, nem ninguém
Você é quem deve colher
Depois de semear também
Você é quem pode rasgar o caminho
E fechar a ferida
E achar o seu justo momento
A razão de tudo aquilo que chamamos vida
Vamos lá, deixa o coração
Recolher os pedaços do sonho perdido
Essa é a lei nos caminhos
Onde a ilusão e a dor
Fazem parte do primeiro artigo
Traços comuns em nossas vidas
Não justificam um conselho sequer
E logo eu, que procuro
Infinitas formas de amar e viver
Posso apenas declarar que o medo
É que faz a nossa dor crescer
Poeta desgraçado fodeu minha cabeça, nem pagou indenização.
Mas vai pagar o enterro, porque aqui estou eu, morrendo de amores.
De poesia. Esperando a sublime primavera...vai chegar.
A gente tetra, depois penta, concluimos nós outro dia em pleno samba frio regados a Seletas e cervejas de latinha. Tinha uma senhora da velha guarda que olhou pra gente e disse; eu era assim! E a gente se olhou, achamos graça e falamos; que bom! Vamos então ficar igual a senhora!
E tinha uns amigos do Rio.
Daí a Julinha ficou rodopiando com o presidente.
E o Pedro ficou inventando palavras novas.
A Mari de luto tomava sua Absolut. Em silêncio.
E eu, bem eu ficava procurando alguém que nunca vai chegar. Assim mesmo, sem poesia.
Depois fiquei com o Paulinho da viola na cabeça:
Mais não se pode dizer
Nem eu, nem ninguém
Você é quem deve colher
Depois de semear também
Você é quem pode rasgar o caminho
E fechar a ferida
E achar o seu justo momento
A razão de tudo aquilo que chamamos vida
Vamos lá, deixa o coração
Recolher os pedaços do sonho perdido
Essa é a lei nos caminhos
Onde a ilusão e a dor
Fazem parte do primeiro artigo
Traços comuns em nossas vidas
Não justificam um conselho sequer
E logo eu, que procuro
Infinitas formas de amar e viver
Posso apenas declarar que o medo
É que faz a nossa dor crescer
Poeta desgraçado fodeu minha cabeça, nem pagou indenização.
Mas vai pagar o enterro, porque aqui estou eu, morrendo de amores.
De poesia. Esperando a sublime primavera...vai chegar.
Monday, July 28, 2008

Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
Pablo Neruda
Friday, July 25, 2008

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.
Poeta,achei aquele poema guardado teu.
Como é bom...

Você tem trinta e um nomes. Trinta e um e noventa. E foi assim que eu aprendi a escrever nossos números. Foram vendo as fábricas trabalharem tensas de solidão. Foram 499 antídotos como bem relembrou uma doce amiga de alma volumosa. Dias de prata, eram comuns para aprender sobre os números. As tentativas nasciam sobre mim, sem força alguma. Iria ver sempre ao por do sol contigo. Mas a vida é um mistério e um dia você foi para não voltar. Você tem trinta e um motivos para não retornar e uma vida que te necessita. Você foi quem deu a maquinaria. Quem me soprou a vida e eu te queria por perto, mas cortamos as raízes e o tempo custou a cicatrizar meus pés sem asas que lançados a uma altura absurda, rendeu-se a voar. Tenho hoje, meu pai, trinta e um objetivos de vida e alguns poetas que me salvam quando eu anoiteço me lembrando do dia que vivi. Não posso ceder a mais pura vontade de sair vivendo por aí.
Tenho reparado, todos perdidos. Felizes? Não. Tenho reparado um monte de coisas lindas, sujas e você. Você moleque de asas quentes, algum mistério guarda para me mostrar no final da estrada. Quero ver? Você saberia melhor a resposta, não? Ofendi valores de uma menina que tinha o sorriso mais encantador que conheci. E um certo dia ela voltou para me dizer que eu estaria perdoada.Eu sorri com muita sinceridade, mas ainda estou me desculpando. Desejo a ti, menina-sorriso, que teu brilho nunca se apague. Desejo a ti, tudo em dobro e sei que um dia nos encontraremos mais satisfeitas com a vida.
Um outro rapaz que notou minha existência era um que há tempos me chamava atenção. Mas em tal momento, que é o atual, eu não aceitei. E ele era doce, um encanto, mas não via portas abertas como vejo de você. Tenho trinta e um amores, tenho trinta e uma derrotas. Motivos. Complicações de se ter trinta e um problemas. E quero de você trinta e um abraços sinceros, sem motivos aparentes. Só o coração deve sucumbir ao medo? Quem vai pagar por isso, se não nossas almas que almejam tanto as poesias de amor? Tenho trinta e um contos guardados e trinta e umas. Tenho trinta e uma formas de te querer. E noventa.
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