Sunday, November 16, 2008


(Eles são dois por engano. A noite corrige.)
-Eduardo Galeano

E se chover sapos, nós sairíamos correndo. E de baixo do posto de gasolina fechado, iríamos nos assustar e não acreditar. Como tudo na vida que não choca mais. Igual quando o Jornal Nacional decide qual vai ser minha próxima angustia. Igual quando o supermercado decide qual vai ser minha mais nova comida congelada preferida. E no cinema, o filme da vez, estará circulando na boca dos cults que tomam cervejinha num buteco meio limpo, meio sujo na R. Augusta. E mais tarde, vão para um sambinha se deliciar com os músicos que jamais poderão participar de suas profundas discussões sobre o crime, sobre o PCC. Afinal, cada coisa no seu lugar. Igual quando, todo dia de manhã e afinal de contas, são tantas responsabilidades como largar meu emprego ocioso e embarcar em algo que nunca me pertenceu para poder sentar lá na mesma mesa de bar, e contar, se eximindo da culpa, que faz parte do cansaço coletivo dos que na labutam perde o amor a vida.
Enquanto tudo isso me alfineta sem eu quase não perceber, me encanto com o novo e me imagino ganhando na loteria e ir de mala e tudo para aquele apartamento bem pertinho da praia,com vizinhos intelectuais e moçada supimpa. Fumo em silêncio, enquanto a discussão me pede respaldo político, pensando que um cometa poderia passar por ali. Fazendo todo mundo ficar feliz. Aí sim, seriamos todos iguais por longos 5 minutos.

2 comments:

Mangusto dos Anjos said...

Hoje todo mundo é artista né?

Anonymous said...

Seus textos são bem escritos! Não devem parar de serem postados! hehe

Abraços