Friday, July 31, 2009


Meu problema com a música é que eu não sou nada musical. Não tenho ritmo, canto no tom errado, percepção zero. E acho que a culpa é da poesia. Demorei muito tempo para dar ouvidos a música instrumental que hoje sim, lota meu I pod. Talvez porque comecei a ver poesia na ausência das palavras, mas isso não quer dizer que eu aprendi sobre ritmos e notas musicais. Pelo ao contrário, aprendi ainda mais, sobre a poesia, rs.

Ao contrario de Paulo César Pinheiro, a musica não me deixa fazê-la. A poesia sim, essa sempre me deu espaço. Talvez porque eu a deixei muito a vontade em minha vida. Sempre começo lendo muitos dos compositores que depois viram paixões. E entre a música e a poesia existe uma cordialidade frenética. Não tem coisa mais bonita ao coração que ver um poema cheio de ritmos sendo “declamado” em vozes que confidenciam emoções.

Tudo isso para falar que eu estou aqui em São Paulo e o tempo não esta ajudando a minha boemia de farrear de bar em bar reclamando da vida, dando longos abraços nos amigos e ouvindo samba. Estou mesmo de moletom carregando um edredom vermelho pra lá e pra cá, vendo Hause . Mas ontem minha mãe, sempre ela, finalmente me deu o livro da jornalista Conceição Campos sobre o PCP. Eu já tinha ido ao lançamento do livro em Paquetá e pude observar de longe que eu não sou a única que considera o Paulinho um dos maiores compositores do Brasil. PCP surgiu mais que involuntariamente em minha vida. Eu mesma fazia uma seleção de suas composições, sempre cantada por outros músicos, sem saber que ele era o autor. Quando comecei a investigar quem era o dono das poesias mais lindas no samba, parei em PCP e Mauro Duarte.

Bom, eu ainda não terminei o livro que eu dou graças a Deus de ser bem longo e cheio de letras e poemas deste compositor. Já vi também que no final tem um catálogo com todos os nomes e parcerias de suas 1.129 canções compostas desde 1962 até o ano de lançamento do livro, 2009. Acredito que já deve ter coisa de fora. Li algumas historias acompanhada de algumas letras e fiquei ainda mais apaixonada pelo cara.

Queria eu repetir muitas de suas façanhas poéticas e ter a vida regada de tantos companheiros virtuosos. Sua compulsão por escrever ( e acho que isso que me chama mais atenção neste poeta ) é infinita.

Puta que pariu, o samba e a poesia, agradecem.

Thursday, July 30, 2009

Duas coisas a dizer:

1- Conversa franca com minha mãe:

- Mãe, te juro que minha total independência econômica vai ser aos 28!
- Ah não, é muito tempo. Eu a quero em dois meses...
- Num dá mãe, foi o cigano que disse.
- Ele não disse isso, disse que você vai namorar aos 28 anos.
- Namorar só com 28??? Mãe! Isso significa que eu ainda tenho dois anos de sexo casual pela frente! Não aguento mais!!!
- ...


2- Novidade patética:

Gente, eu tenho twitter:
http://twitter.com/Bebelcrozera

Tuesday, July 28, 2009


O fato é que todas as coisas no mundo podem ser engraçadas. Por exemplo, o meu ridículo jeito de ser, ontem mesmo no seu carro, falando sem parar. Teve uma hora que eu quase perdi o ar e então, olhei para você e seus olhos me deram todo o oxigênio necessário para continuar falando. Como quando eu lhe contei do filme e falei sobre arte, e você olhava com olhos de calma e sorriso de interesse.
Você me disse sobre fazer um texto engraçado e eu fiquei imaginando um cara, sei lá, Chico da Curimba escorregando na banana, ou vestido de elfo tocando flauta enquanto a Paula passei com suas pernicas finas num campo de centeio.
Mas acho que o papo é outro. O que você ainda não entendeu meu bem é que tudo isso é muito sério. Mas sério não é triste e você bem sabe disso. Rir de seus devaneios loucos, de seu ego suicida, ou até quando você fala sem querer ser sério. Saiba, é sério pra caralho. Igual a gente ontem se olhando nos olhos e felizes por estar um fazendo o outro mostrar dentinhos separados, longe da dor que é ser bem grudadinho.
Por que a gente deu uma volta e depois mais uma, pois queríamos beber mais dentro do seu carro. Porque você ainda mora no meu bairro e só muda em outubro pois não quer ter uma churrasqueira e sim mais um banheiro. Honestamente eu não sei o porque da reforma, juro não saber a diferença de um banheiro para uma churrasqueira. São os mesmos momentos íntimos, não acha?
Eu inverti, entravei e adorei quando você julgou os verbos cariocas e se você me olhasse agora estaria me vendo sorrir e pensar ; hahaha besta! Pois você é um deles e fala um monte de porcarias das quais eu e Paula sempre lembramos no dia a dia e é por isso que eu nunca te esqueço, mesmo você estando longe e não ligando. Você também me contou que demorou a me esquecer, e essa, foi pra mim, a melhor piada da noite.

Hahaha, seu besta!

Monday, July 27, 2009

Aprendiz de Mocinha:
(lição primeira de vida)
a flor quando muda de terra precisa vir com a raíz
se não morre frustrada
e seca em páginas de poesias esquecidas na estante de alguém também seco.



Vai pra onde
todas as flores cansadas de se maquiar quando a noite chega?
pintadas pétala por pétala
sofridas-riem.
requem maldito e flores murchas embravecidas de vida e conforto,
querem água.

raizes e laços que seriam suas mãos tentando mudar a flor de jardim.

condicione a flor a querer luz.
(eu nunca vi uma flor noturna)
seria a rosa mais puta e julgada.
-como alguém que não gosta da manhã-

seria seu caule branco e aspéro.
amargo de vida que é seu sangue

vermelha, pois outra cor não haveria
muitas pétalas para que toda a vaidade jamais desprendece na guerra
folhas verdes, assim se vê, gosta de ter constraste
e apegada como uma mulher em amor.
Bateu uma inspiração e sem companhia. Uma veracidade que entrou junto aos ventos e veio em cheio me esbofetear. esbofeteio. uma pequena ilusão que seria nós dois e mais um homem paranóico achando que meu coração ainda seria dele.
um sujeito que lembraria muito alguém que eu não me aproximaria para essas coisas. e um homem que degladeia minha cabeça com feições.


seriam as asas perfeitas e teve uma unção. de quando eu corria e a brincadeira da amarelinha, terminava no céu. tenho uma vantagem, tenho todas. uma forma que eu jamais aceitaria e como todos os vestígios precisam fluir e me amar para serem aceitos aqui dentro. sou uma falha. sei de todos meus arrependimentos e a cada asa vermelha que nasce em meu pé, um momento só meu de devaneio. tento ser obscuro. preto,inflado e dor. alegria e risadas porque eu não poderia lhe mostrar meu jogo sem humor. pois você nasceu para o que veio. e eu oxalá. teria asas no pé e sairia bem feliz por ter um talento. enquanto eu, aperfeiçoaria o que nunca foi me dado esses anos todos.

essa viagem tem uma lição.

eu tenho um caminho torto e esburacado e pareço não carecer de luz. sou só um sonho aflito que ri e chora, como se rir e chorar fosse no entanto, pois é, a mesma coisa. tenho observado; para onde estão indo minhas perspectivas aflitas e minha volupias. pare. aceite a música e o não olhar daquele homem. aceite o choro, a morte e aceite a dura pena de viver no luto. aceite rever sua grande paixão no Catete.
Aceite ganhar um alguém que jamais seria seu grande amor.
Aceite meu silêncio lhe dizendo o que no fundo você já sabia; foi você quem errou com a pessoa errada. eu sou essa. e quem me ganha neste momento? não é ela. pois sei de minha decadência e da oportunada vezes que eu decolei no fogo, pois sou como um kamicaze. aceitei, bateu um sol. quem diria que teria veria minhas asas vermelhas, sugarem seu lilás. aceito essa condição. vou entrar para o clã dos que da vida, não são. -sei de ser só sendo queria-. tem quando pra muito nesta minha vida fodida. e mais um porção de nomes feios que a estética desta arte, não nos permitiria agora. quebremos as correntes literárias e os outros lerão sem o menor interesse o que aqui é escrito. eu não me importaria.
tenho coisas mais importantes para ignorar.

Recoa palavra:

e acionei mais um lindo dia em que eu diria; vou dar um giro.
quais desses problemas jogados em seu quarto sujo são meus?
Vou estrangular delicadamente todas as formas e vãos da minha escrita paupérrima de resultados. serei eu uma convulsão em forma de textinhos escritos no colégio construtivista.
Meus amigos estão todos no bar ignorando uma situação falida que é nossa realidade. e eu finjo gostar de ter conhecimento.
estoure uma palavra bonita na minha boca com seus poemas babões e sem estrutura real.
eu rasgo em meus textos como alguém que desbrava a mata fechada com um facão, e digo mais;
que se foda as belas palavras e todos os corações ardidos.
A minha paixão, queridos, é verdadeira.
Sou eu a única de muitos únicos e ganhei meu posto hoje pela manhã.

Wednesday, July 15, 2009


queria prender o movimento e agredi-lo com as forças das palavras com que escrevia. sabia ser uma tarefa e tanto e sempre que a compulsão batia, ela e eu hei de estar aqui para afroxar meus leitos inseguros em uma folha de papel brilhante feito tela. pintar é escrever e tocar. a arte.



corri nos meus tempos idos e ao me esconder na brincadeira, nunca mais me acharam. laciei. vi tendas e folhas verdes, sedas e longos lenços como se Laura fosse um dia uma garota livre com assas de tecidos nordestinos, bem fortes e com fibras.
tinha dias que eu amanhecia em são paulo e taxativa dizia; só saio de casa, se me apaixonar. foi então que me apaixonei.
lenços corridos, mãos de seda. puro rodar e era essa imagem que meu coração não vai nunca, nem por um fim, poder esquecer. tenho um jeito astuto, sou desrespeitada diariamente por egos em condições escabrosas, temo ser assim também.
consigo ver a beleza da fita, das manchas que tem seu penar. consigo olhar para aquele olhar perdido e ver que ainda precisa existir um sentimento sem nome nem culpa, e mais longos dez anos para você e para mim.

a cidade estava um caos, e o cenário era um garoto ingrato, dormindo ao meu lado no dia seguinte. nós dois de ressacas loucas, daquelas de várias. e ele virando devagar, tateando meu corpo com a mão -uma só- e um só pé também.
preciso correr daqui. antes que ele viva esse momento comigo, pensei.


enrolei-me de seda roxa e a imagem era tão certeira quanto a intensa vontade vício que tenho de escrever errado. vou deixar uma marca, um registro. quero gravar as canções suaves e lindas que seu amigo compõe. acredite, elas ficam mais bonitas na garganta de quem não as merece.
e esse seria definittivamente meu caso.

Saturday, July 11, 2009

Rodava a lua ilê
Rodava meu céu de espada e uma certa vez tinha um dragão na minha lua ilê.
As tardes, eram fajutas. Borboleteávamos ensandecidas. E no dia seguinte, loucas de ontem, pensávamos: temos mais vintequatrohoras. Simbora. O corpo, por vezes, não agüentava. Pedia um arrego ignorado. Mas então, as pessoas ao redor comentavam; por onde andam que não se cansam? O que querem com essa presa achar? Não sabíamos responder.
Tinha dias em que Paula admitia; eu não estou bem. E nós riamos sérias e nos auto bronqueavam. Precisamos de responsabilidades, precisamos de calma, coragem. Precisamos trabalhar. E todos os outros discursos que a algum tempo, temos ouvido de nossos ainda responsáveis.
Rodava o ilê. E o corpo disse; tenham piedade! E elas se mandaram para um sitio um pouco distante da cidade, onde lá se propuseram a não farrear e cuidar da pele e da alimentação. E assim fizeram. Quando a noite chegavam, queriam saber o que estava do mundo perdendo, e aos risos, lembravam de cada caso, caso a caso, contando o quanto já tinham aprontado e assim, fazíamos também o balanço da vida. Quando o dia de ir embora chegou, arrumaram as malas rapidamente e partiram em uma cansativa viagem de trem. Chegando ao Rio, tudo voltou a ser como era antes. Samba, cerveja, homens, risadas, amigos, Lapa.
Rodava o ilê
Na lua, se olhasse pra lua.
Na rua, se pisando firme rua.
Nos olhos que dedilhavam o violão, junto aos dedos
Um copo vazio.
Cigarros
Um livro de Clarice e uma letra de Paulo César Pinheiro
Que minha mente negociaria para ver o que mais me atraia. Falávamos de cinema e culpávamos nossa complexa geração pela nossa vagabundagem. Nós somos a classe média que freqüenta terapia. Nos temos dialogo em casa e uma liberdade para escolher a verdadeira maionese no supermercado. Agora por lá também se compra a felicidade.
Alguns pais, surtiram os efeitos da ditadura. Ninguém anula o voto, pois conquistei esse direito. Mas o sistema castrou os jovens. E eles não gostam de política.
Alguma coisa aconteceu comigo.
Quando pequena eu mamãe e papai, mais Chicão, construímos um labirinto bem divertido. Mas mamãe e papai já sabiam achar a saída. Eu e Chicão, ficamos por lá. Chico, por anos tenta com sucesso, sair. Eu sempre faço o caminho da volta, pois lá me lembro de todas as artes e bons momentos que vivi. Minha mãe, toda semana, deixa comida, coberta e dinheiro e diz; está na hora de sair! Mas eu construí minha moradia por lá, sabendo que isso um dia vai acabar. Mesmo assim, não me desespero, ao contrário de Chico que anseia a saída.
Será que existe tipos de pessoas que nasceram para explorar caminhos já construídos e não para achar a saída? Será que a cada muro que passo, deste meu labirinto descubro uma duvida, uma alegria, uma coisa sem nome nem força, mas que me faz ficar? E se cada olhar meu for tão divertido e medroso a ponto deu não querer encarar lá fora? E se a pressão for absoluta. E se for pura poesia. E se minha vida for mesmo essa. Não durmo tranqüila, desde então.

Ainda não tenho nada para te acrescentar vida.
Nem meus atrasos são charmosos. Achei o click que precisaria para seguir. Preciso concentrar. Vivo olhando as transformações, e não faço nada. A difícil arte de se entregar a ela rasgando meu coração em papeizinhos não recicláveis fajutos de sangue velho.

Não estava inflamando, e a arte para ela sempre fora uma responsabilidade. Lembrou-se de quando aprendeu sobre as rodinhas e os grupos de estudos, em uma tentativa de modificar os lances. As coisas. Sempre ia-se a se não fosse pensaria, ao encontro de uma paixão. Mas ao se misturar e se deixar envolver, também aprendia a brigar. Brigando-se em seu universo, sempre a primeira luta, aprenda minha criança, é com a gente mesmo. Fazia e acontecia, nem tanto, talvez. Mas pensaria em tal. A arte era então uma responsabilidade, mais que isso, um aprendizado, enfim.

Partiu desta por cometer crimes de amor. Sugou o coração do homem mais inteligente das galáxias, e partiu feito ladrão em fuga, com as mãos ensangüentadas. E o coração do moço, ainda batia. Foi convencida de que a poesia que respirava ficava ali pertinho, em uma cidade de praia, de pai.
Jogou o coração do homem no lago. -Dizem que anos depois ele achou, e isso tudo teve um final feliz.-
Arrumou as mazelas e se mandou de lá.
Se apaixonou de novo e desta vez, pois, era vingança do destino. O homem 021 mandou um aviso; pode ficar com esse coração apaixonado para você. Eu não tenho o que fazer com ele. E três pontinhos se passaram e a menina lastimou profundamente o homem com quem se envolvera. Era muito freudiano, todos pensariam. E no fim, até mesmo ela concordava com essa teoria. Bendita alma, meu pai.

Voltou com tendências e queria de tudo. Foi então que saindo da guerra, conheceu um assassino. Um homem de ensinar. E de pouco aprender. Um senso de humor que a fazia suar gelado. E um sexo que parecia uma explosão. Bitucas apagadas. Cena que se corta e lá esta ela, ouvindo música, sempre ela, pensando nele. E ele se foi. Nunca tive seu coração, nem ele. Espalhei nos postes fotos de procura-se o coração do assassino, mas ninguém retornou.

O que veio depois. Não vale a pena ser dito senhores. Já que o mundo é uma farsa. Ela também caiu no conto. Um ser de luz apareceu e não existia. Um homem daqueles que só relembra. Foge do futuro como Lalu da cruz. E me disse; fique com meu coração, mulher amada. Eu gosto de uma fossa para beber whisky barato e ouvir Aldir. E eu segui caminhando orgulhosa e odiada quando semi me apaixonei por um outro homem. Daqueles sedentos de carinho e afeto. Mais eu não entendi o enredo que fiz e quis uma borracha tosca para apagar tudo e seguir sozinha. O coração dele esta comigo. No formol para que não estrague. Quando ele voltar para pegar, estará intacto, prometo.

PARTE-2(veia orta)

Veio uma insana serenidade e a mulher atacou o homem sopro. E ele adorou seu ataque e lhe convidou para o amor. Ela de prontidão, aceitou. Veio voando com o peito aberto e o coração recuado, mas o mesmo suicida de sempre. Então, como se não virar-se-ia, o homem desfez o convite. Alegou loucura. E não via a hora de dizer para aquela mulher que juntos na cama, eram imbatíveis. Mas que nunca ele gostaria de te-la como mulher.

Foi um golpe estalão. E a mulher chorou sozinha e pensou tadinho de meu coração. Ele não merece. E com dozinha, foi até o peito e viu que ele não estava mais lá.
Certa vez, foi ao encontro do homem sopro de novo, apenas para resgatar o coração roubado. Só conseguiu metade, mas se deu por satisfeita.

Andam dizendo que os dias, se passarem muito leves, não tem jeito, ela irá se apaixonar novamente. E não adianta meus caros, frustradas tentativas de segurar a metade do coração da moça, quando ele feliz tentará o pulo fatal para outro peito.
A cabeça quando se deita no peito da vitima absorve informações sobre o coração. A pele fala poro por poro, os olhos descrevem, a orelha ouve os batimentos ritmados. As mãos sempre ajudam, sempre. A língua trava, mas depois traz. O corpo faz um relatório mas meu coração é muito ingrato e rasga o documento assim que ele chega e diz feito anarquista ; que se foda. Não quero saber de dados incríveis, eu escolho quem e quando bem quero. Aqui é assim. Gosta, gosta. Odeia, odeia. Não tem meio papo, nem lero-lero.

Existe uma ponte que mira em seu peito. Meu coração esta indo pra lá. E eu queria que ao menos,ele lesse a parte do relatório onde fala; PERIGO! Não se aproxime.

Friday, July 03, 2009

Você passa dissipada
Na fumaça de seu orgulho
E os dias móveis carregam
O móvel laqueado

Não se usam mais os pés dourados
Nem as promessas de um amor
Atormentado e vazio

Um velho caminhão de mudanças some na fumaça
Para onde você passa? Para onde as coisas passam?
Quando o orgulho esmaga as asas
O tempo é um pássaro de natureza vaga


Paulo da Viola

Sunday, June 28, 2009


Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu

Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons

O amor de quem procura

Começa quando duas inseguranças se atraem. Se julgam seguras e resolvem dar uma “chance” ao coração. Ao lado dela, eu fico mais bonito. Ao lado da outra era um feio inseguro. Ao lado da outra, era pequeno e poeta. Ao lado dela sou homem pronto para tirar as calças.
E ela também sabe. Ao lado dele, sou até que bonita. Ele é inteligente e me mostrou coisas lindas. Nós dois somos paga paus de alcoólatras e passamos horas bebendo. Mas o que ele não sabe é que eu nunca tinha feito isso antes, então vomitei no banheiro e fingi estar tudo bem. Enquanto que ele, tolado de razões imbecis, pensa; desta vez eu vou sair da seca. Vamos nos comer e a segurança desse relacionamento é para mim a paixão necessária. Sou agora eu ex poeta de frases burras e rimas fracas, mas tenho um pseudo amor. Ela é meio burrinha, mas eu a como sempre. (a cada quinze dias). Ela pensa que eu sei de tudo, mas nem discutir política, eu ando sabendo. Digo sempre que sou de esquerda, repito frases de um velho amigo e ela me olha apaixonada.
Ele pensa que eu sou bonita. Acho que encontrei o homem da minha vida. Ele é meu pop star, chegou meu momento de desfilar minha bunda gorda entre as pessoas conhecidas ao lado de meu novo homem. E sei que, essa pose, é minha mais nova paixão. Somos tímidos, mas temos cerveja. Ele é nostálgico e mesmo ao meu lado, nem se quer é feliz. E eu acho isso lindo, pois no fundo eu continuo me achando feia e inútil, mas vivemos de compreender. Compreender como se fecha os buraquinhos da realidade.
Ele goza rápido. Ela nunca goza. São o casal perfeito.
Viveram felizes para sempre. Mas toda vez que ela vê sua eterna paixão passar por ela, gotas são suspensas de caírem, ela obriga aos olho; não me sacaneiem, seus filhos da puta!. E toda vez que ele a vê, ela, seu maior fracasso, vira um copo e por meio segundo lembra da cena dela se insinuando para aquele seu amigo.
Acreditem, eles são felizes. Que delícia é o amor.

Friday, June 26, 2009

Pessoas com mania de grandeza. Grandeza que eram seus passo loucos pisados fortes e se repetiam. Então, então, então. Fui eu. Outra vez de novo aqui. Veja bem, como vai um coração. Um belo dia vou te abraçar direitinho e lhe dizer; obrigada a você.
Que se foda se o amor foi de guerra ou de paz. Eu ouvia Gudim loucamente e me perguntava olhando prum cigarro acesso; qual seria o problema do compositor? De certo não é o mesmo de um instrumentista que compõe também. E divagando com um azedo gosto de guarda-chuva, entre uma golada e outra vendo o dia amanhecer, me pediu que assim fosse. Como se Isabel não fosse ia.
Me disse isso:

Respectro mais que coraziones, amargulas de outrem foges amargas minha. Diluviei e encantos doces subiram pedacinhos de outrora fosca, era boa, boa, nata. Despectrus, antigus. frouxas asas dadas aos montes e contidas e seguidas, esguias. Pulilavam, prectus, constantes. E a alma avante, voava em presas modestas cordinhas arrebento. Eu três produções travas. Ávidas. Múltiplas, caras e trovas, fracas. Eram pelinhos da coxa em murmúrios doidos e pedaços de cobras que me aceitavam. Coma um pouquinho minha frô. Já vai anoitecer na cidade mágoa. Outro dia você volta aqui, ta bom? Escurece trovoada, meu coração gira e pulula e salta e me avisa. Vai cair tempestade. Eu já sabia, coração. Eu já sabia.


Dou um abraço no rio de janeiro, pergunto se ele quer namorar comigo. Ele me acaricia, me julgo perto, deito ao peito; obrigada por tudo, enlaço os braços,olhinhos pra cima. E sigo em sono, dando continuação aos meus reboem-delírios que nunca me abandonaram, desde assim, menina. Quando eu no fundo já sabia, se Isabel, não se fosse, se ia.

Tuesday, June 16, 2009


oi.
você esta vendo? não sou como você fez. você sabe, olha só. eu sou louca? por que falo essas coisas toscas? me auto saboto?
não, você é autêntica. uma inspiração. valeu por hoje, tá?
tá bom. que bairro é esse? estou longe de casa, presinto. mais ou menos uns quinhetos kilometros. você esta mais, acredite. sabe seu amigo? eu gosto dele. mas não consigo lembrar que música era aquela que ele tocava hoje de manhã. e é estranho porque na hora, fiquei cantando ela mentalmente, enquanto você dormia igual a um urso. e sabe, nem estava tão frio. você trocou as cortinas? mas o sol ainda estava lá, igual da última vez. um dia quero ir lá quando você não estiver. dai eu não escuto você dizer, valeu. eu só fico escutando as borboletas batendo asas juntas e devagar que é aquele instrumento do seu amigo. e ele é tão legal, engraçado. essas coisas que eu sei que você também é, mas não comigo. com medo que eu me apaixone por você. por isso diz valeu. e eu valeria. e eu vali saindo dali feliz por mais uma noite louca, daquelas que eu gosto muito, mas sem me apaixonar por você. afinal você faz tanto esforço. agora sei que tudo isso não é em vão. você é fofo, tem bochechas otemas, que eu mordi gostoso ontem e nosso sexo é muito válido. mas você fala valeu no dia seguinte. e eu prefiro seu amigo tocando piano...
ainda hei de lembrar a música.
você lembraria? não sei. mais, valeu!

Wednesday, June 10, 2009

muito mulher,
muito mesmo.
não tenho seu doce encanto
que mora apenas nas forças de suas palavras
tenho uma azeda presença
com curvas e bebidas
e cabelos e olhos
e bunda e posto
e sabe,
muita presença
pouco para quem não existe
pouco para quem se deleita em machistar
e eu deixo
deixa estar também
não se vingue na poesia
a pobre coitada
seu confessionário
vazio e fraco e fraco
e mais fraco,
pois se vinga no escuro
de alguém que você simplismente
NÃO AGUENTA.

muita mulher,
muito mesmo.
transbordo
exalo
para todos
melhor,
PARA QUEM EU QUISER
não pra você.

Monday, June 08, 2009


vou responder inutilmente
meu comportamento acalanto.
sou a sombra de todas as vontades que não levam além
um pouco de mim se sei,
finjo que não sei

eu me sinto assim.
um pouco do dia um pouco sem fim
e quando a noite chega
que é a hora deu nascer
que quando eu me banho, acordo de um sonho
tenho todo o sonho pra viver
e viver
não é como se entre os arvoredos pudesse eu, estar lá
viver como vivo
é sempre lua cheia
a procura do bandido
que se esconde em meus olhos

vou responder que sou a fumaça
que brinca de dançar
em ambientes proibidos
sou o finzinho da esperança que existe no dedo do viciado
ao apertar mais um botão da maquininha de caça niquel da lavradio

Sunday, June 07, 2009


oris que virus ten olhos dimitruis
e outros que num.
sempre kre qui dimais pezo
um outraras beijurus
e tantrus que sepra e sexrus.
dei-te um beijo, e tupediste clama meu acalento,
calma.
e eu, calmo, meu bem.
calmo

trus olinhus vibrando intro.
e eutrus te-lhe dizendro;
vais e nunca, jamais-leve-me contigo-mo.
e traz
traz de novo sua arma
sua alminha pintada de rosras e eu explodo
em lilás,
anjo.
E o menino com o brilho do sol
Na menina dos olhos
Sorri e estende a mão
Entregando o seu coração
E eu entrego o meu coração
E eu entro na roda
E canto as antigas cantigas
De amigo irmão
As canções de amanhecer
Lumiar e escuridão
E é como se eu despertasse de um sonho
Que não me deixou viver
E a vida explodisse em meu peito
Com as cores que eu não sonhei
E é como se eu descobrisse que a força
Esteve o tempo todo em mim
E é como se então de repente eu chegasse
Ao fundo do fim
De volta ao começo
Ao fundo do fim
De volta ao começo

e essa, você aguenta?
gonza

Wednesday, June 03, 2009

curriculum vitale


Isabel De Barros Crozera
Paulista, solteira, 26 anos.
Primeiro lugar na maratona de Kumon, em 199e tal.
Campeã Paulista de Jiu-Jitsu por W.O, em 1997.
Terceiro lugar no concurso cultural das Lojas Decore&Compre, onde seu prêmio foi 2 fitas cassetes, nunca buscadas.
Repetente da sexta série. Ex-maconheira.
Admiradora de música. De músicos também.
Quase formada em; Artes do Corpo, Filosofia, Direito, Jornalismo e Gastronomia.
Frequentadora da Garcia D´avilla, mesmo não tendo barriga tanquinho. Mesmo não jogando altinha. Assídua de butecos grotescos. Fracos por espumantes. Amantes dos cachorros(os que latem também).
Amiga dos amigos. Não amiga dos ex amores. Portadora da Sindrome do Pânico. Referência de gritaria pelos vizinhos. Mestrado e doutorado em Simpsologia. Atéia que ama São Jorge. Vencida pelo cansaço. Respeitadora ao máximo da preguiça. Amiga do travesseiro. Gosta de fazer as unhas vendo Marcia Goldshimmit. Possível musa do pipoqueiro da Rodrigues Alves. Amante da gastronomia. Frequentadora de túneis nostálgicos dedicados a Vinicios de Morais e Raphael Rabello. Sambista de segunda. Corinthiana de primeira. Adoradora de balanços, redes e tudo que mesmo sentados, nos faz mover. TPM de qualidade. Operada da miúpia. A pessoa que mais Gosta do filme Rumble Fish, o selvagem da motocicleta. Amiga dos garçons. Consumista da loja Farm. Socialista do terceiro escalão. Não teme mais o oceano, mesmo quase tendo morrido afogada em Porto Seguro, quando achou que podia nadar mais de cem metros em alto mar. Atualmente morando no Rio. Nove tattoagens para desespero de sua mãe.Devoradora de livros de poesia. Hipocondríaca, insegura, medrosa com dentinhos separados. A risada mais alta do butiquim. Não se intimida com assuntos intimos e de baixo calão. Gosta do domingo,mesmo quando não tem nada para se fazer na segunda. Animadora de pessoas bêbadas e escritora nas horas compulsivas.

Tuesday, June 02, 2009

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CAMPUCRUS-o embate das alegrias acima-

(prespuctivum e perspetivós a nós nuvens gás e gãns. travectus e chantêlos nos canticus da tela nada frates. anbicrus e módulos e falsos poréns. comprectlus, esplendido. eslovênia. deleite-se todinho, meu poema. afrásio, atrasos. compete arrojado e pranticus, cacto. podia o mundo ter mais cactus. força, malas outrora. aurora e pouca lágrimas brincavam de escorregar no rosto do meu rapaz bolivnus. gráfico. do meu corazon conduso, contundiduncs. feito de presas mórbidas e austeros divinos. dilúvios, epopéia travada na fita cassete desenrolando. canetinha BIC.com. ponto nada.)


escorreguei em seu sangue, percorri veias largas e era eu te endoiecendo. você se apegando a mim. você com esse seu jeito estranho. você é um milhão de mini pedrinhas que o mar levou anos para bater e moer. para bater em mim também.
você é uma espécie quase nula, você me combate,mas eu te contamino. você estrada no meu caminho escorregadiu. choveu ontem. choveu hoje. não há de chover amanhã. hoje eu não posso. hoje o mundo pede normal, isabel. seja normal uma vez ao menos na semana. e então surgem credos. surge você com essas suas assas. surge seu pensamento me enfatizando que eu também as tenho. rasgam minha pele, doí minhas costas, sangra horrores. desisto. até tudo cicatrizar. tive uma idéia. vou me motivar. me dê seu lábio, surgiu o infinito. eu jurei acreditar em mitos. você me deu um abraço louco. eu te aperto o braço. eu contraio a buça. você se sente homem. e depois me diz: para. você não é só mais um. eu também nasci para ser o centro das atenções. vamos roubar a cenas juntos. minhas asas sangram. costas que doem, tudo de novo. mais sangue e pilastras batendo. sua veia, meu corpo abraços e cortes e aperte meu braço. um brinde na boca. você é meu brinde da boca, me tira daqui. faça acontecer agora. dispense afazeres,modéstias, holofotes queimados. nada disso é para nós. roemos o rato, taparemos o buraco do tatu, sai correndo da onça, outro dia você viu eu correndo do leão. ninguém mandou você querer usar a juba dele para seu espetáculo. universal-amador-idêntico. simples. você é simples e entendeu minha piada. minha filha moira, meu filho dario. sua filha no shooping. eu pagando pringles na promoção das lojas americanas. vai ser no rio sul, vai ser no caminho de sua nova casa. não sou uma mulher bomba. você não é o sensual da vez. costure minhas costas; dor aflição, adultério. costure minhas asas para dentro de novo. ou ature-me voando a sua altura.
Correu e até teve paciência de se transformar em passáros. eram doze, de assas largas e bem estranhas cheias de cor que ao longe, todas juntas eram flicts, igual ao livrinho que lera em cima do murinho em sua vila a tantos anos atrás. reafirmou forças, manteve certezas, fez-se posuda, libertária e certo dia cruzou um homem que nada tinha de interessante a não ser o fato de lhe incomodar muito.
bateu assas depois deu beijos sim, porque não? E seguiu de bicicleta por toda a orla, aquela orla. Sem antes passar pelo túnel vida mirales contrastes de vintem.

E o conto começa assim
:

creia-me padre



espectrus autenticus aftas translucidas de um fim de vidis medros e aflictiones astutas de um ser com muitas presas pregos trensos trens de filós iludidas pelas confras e monticnitanias uma nova tecnologia, e muitos pois nada, pois não. sarrafo na fucra no hombre afetivo e militrictun afeto. de minha parte africas. praças e bancas e prédios e balões dando olás aos moradrodres dos krétimus andar da vila. tomacre, ursula, acredito. cheios de ares, mulatas e bandrictuns. faziam poses magras e o mundro explanava x e esses contradições de bancos cheios de drolares e queuros. nós vamos começas quando você me abraca eu penso no planectan todinho só pra meu.

aos 12, aos 26...

a vida só é engraçada para quem já mijou de rir, para quem já gargalhou até doer a barriga, para quem já pensou no seu próprio enterro , para quem já ouviu um bom samba, para quem já foi perseguida por um maluco, para quem já salivou pensando na comida, viu seu time sair da segunda divisão, ficou na praia com medo de yamenjá, foi ao terreiro e virou uma entidade, gritou com com uma amiga, com a mãe, com o irmão. a vida tem mais sentido quando joão nogueira canta espelho e você sabe exatamente do ele fala?
a vida só é engraçada quando você anda pela ponte da saudade e depois ouve gudim. a vida só é engraçada quando existem fases malucas dela que você bebe loucamente e ri da própria desgraça. e desgraça pouca é camaradagem, muita, é bobagem.
-vamos brindar o cansaço-
sente-se comigo, chame uma brahma, ascenda um cigarro, ou não. conte uma piada, fale de política, de futebol, da vida. toque um instrumento, vá ao banheiro. fale de sua comida preferida, de seu filme do coração. de seu livro de cabeceira. fale sua idade, fale a maior merda que você já fez na vida. conte-me de seus pais, fale-me sobre seus cachorros-você há de gostar desses bichinhos-. fale sobre a praia e de quando você era pequeno. me indique um bom poema. seja sarcástico, ironico. se odeie, se ame loucamente. ame raphael rabello, ame o rio de janeiro. fale mal dos preconceituosos. tenha um problema grande de cabeça, seja sentimental ao ponto de ter tanta vergonha disso e banque o cafajeste. me pegue de jeito, me chama na xinxa. não me ligue no dia seguinte. escreva uma carta, pode ser um e mail. goste de aldir blanc, diga-me que estou linda. fale-me mais e mais de você, depois presenteie meus lábios, deixe-me maluca. e por fim, se esse for seu caso, avise minha mãe, a data de nosso casamento.

Friday, May 29, 2009

Você ainda usa esse e-mail?
Bem, vou tentar mesmo assim,
afinal, hoje por incrível que pareça esta friozinho e chuvoso aqui no rio, dá aquela vontade de não sair da cama, fora a ressaca filha da puta que eu me encontro. te contei que estou morando no rio? pois é, aqui voltei. não para procurar um vascaíno estudante de sociologia em botafogo, porque eu sei que ele não existe(ainda bem pq eu odeio o vasco). já lhe disse que meu primeiro homem era um vascaíno? era sim. mas não era do rio...bem, isso é outro papo.
estou morando no rio, acho que amanhã não tem ouvidor, com esse tempo...
estou morando no rio. você acredita que eu não sabia que a (_____) e o (__________) tiveram um filho? é, um muleque. eu sei que você conhece,o (_______) . eu também conheci. jamais vou entender o que é ser (______), o que é ser (______). olho pra ele e penso; mais que catzo, ele não tem nada haver com isso, meu deus.

eu ainda continuo lendo seus textos e continuo morrendo de raiva daquela garota que você é super amigo. dia desses fuçei o (_________) dela. sim, fuçei, porra, claro. sei que você também faz isso. e achei por lá uma foto da ponte da saudade. tive vontade de socar ela na porrada. aquela ponte não é dela. a historia da ponte muito menos. avisa pra ela que eu mandei ela tomar no meio do cu dela?
acordei numa ressaca filha da puta, já disse isso? tenho me tornado repetitiva, ou então o mundo é que anda sem novidades. melhor assim. sempre quando aparece uma coisa nova, morro de medo.
estou morando no rio. e continuo lendo seus textos. meu deus, como você é meloso. tenho medo da sutileza de algumas de suas palavras. sabe, eu descobri esses tempos que as palavras não são de nada. queria muito te contar. queria que você estivesse nessa hora, do outro lado da tela, como era antes. e eu te mostrar que o paulo moura é um grande mestre e que o cd dele com o raphaell rabello, dois irmãos, é de fuder corações em transe. mas não conta nada a (_______), tá? não quero que ela viva coisas que são minhas, suas, de paquetá.
ela não vem pra cá esse fim de semana, né? vai estar chovendo. eu vou encher a cara e ir ver vocês tocarem. como se nada tivesse acontecido entre eu e o (________) hahahaha. vou estar bem doida, bêbada e deliquente dizendo assim; eu não aguento mais ninguém.
problema seu, se você não gostar, ok?

já lhe contei da minha ressaca?
acordei chamando jesus, e ele veio em forma de neosaldina, foi preciso duas e eu ainda estou torta aqui na cama com meu computador, lendo suas coisas lindas e fazendo um monte de perguntinhas esquisitas na minha cabeça atrapalhada.
você acha que eu sou louca? tenho medo que sim. sou insegura a beça, quero ser normal. não louca.
te contei que estou morando no rio? tem dias que eu pego a bicicleta e vou andando pela orla, até o fim. acho que nunca vou me cansar de parar no arpoador e ver o mar. vontade que me dá de ser aqueles passáros grandes, que se banham e depois vooam. sabe, eu não posso voar.

hoje tive um sonho estranho, sonhei que caia uma coisa do céu, quando bateu no alto de um prédio, vi que era um skate. depois, logo em seguida, cairam vários skates e então surgiam dois passáros enormes e se atracavam, e todos os bichos começavam a brigar entre sim gerando uma confusão que deu a entender que o mundo iria acabar.

e então homem, eu acordei.
te contei que estou morando no rio?
não devia ter bebido tanto ontem.

Saturday, May 23, 2009

ô ô seu moço, do disco voador...

guardei meus segredos em um chocolate surpresa e veio então um dinossauro. comi só as pontinhas de meu doce predileto e guardei a figurinha em uma gevetinha de madeira, feia, velha e cheia de cupins. estreie novos pensamentos como se eu fosse nascer a cada quinze minutos,mas o problema é que tenho envelhecido a cada ano. vejo as pessoas passarem como se eu fosse uma alma, ou mesmo um fantasminha que elas podem atravessar quando e onde bem querem. cada uma que passa, deixa uma aposta, um pouquinho de sí, em mim. e eu me modifico a cada hora, como se a cada pessoa que passase, ficasse em mim também um novo plano. uma nova atitude.
nasci para escrever, agora só me falta o dom. nasci artista, sou da lua. mas me pedem para acordar cedo e o sol já me conhece.

prólogo 2
essa cidade aqui, meu bom rapaz, não é para turistas, e nem para seu mais fundo olhar de misericórdia. parece que agora eu vejo todo mundo um pouco mais. um pouco mais de suas almas também. do louco bêbado que elogiou grosseiramente minhas pernas e depois comemorou sozinho, pulando de alegria a sua própria piada sem graça. fazendo com que eu me sentisse desnuda e inoportuna. mas era ele quem estava nú, de senso. todos respeitaram mesmo que sem graça seu inesperado ato de loucura. já quando ele sobe ao palco, todos pagam e ficam sem graça também, ao ver ele tocar violão. derretendo loucura e ele tem mesmo uma cara de louco, no fim, todos aplaudem. mas naquele dia, ele fez a mesma coisa e foi muito constrangedor. e eu sendo a vítima, me senti constrangida pelas outras pessoas presentes que também ficaram constrangidas pela situação. o louco com o ego alimentado, riu da propria piada e os seres humanos coitados, porque não tinham ali espaço para serem loucos, fizeram risinhos bestas, iguais pessoas normais. e depois se sentiram mal por cometerem tal ato. ja o louco, seguiu feliz e tomou outra dose. e jamais em nenhum momento, se sentiu mal e/ou incomodado.

louco mesmo-terceiro pré-
perdi as esperanças abrindo um kinder ovo e comi lentamente meu chocolate surpresa com todos meus segredos quardadinhos no pacote daquele supermecado. eles estavam na promoção da semana, perdidos e cheio de poeiras, valendo menos que uma salsicha de frango valente.
ou você desinfeta tudo com veja menina, ou abre o chocolatinho e come devagar as beiradas e depois vai contornando com mordidinhas o bichinho desenhado nele. por fim, coma o bichinho também. ou limpe seu quarto com veja.
veja
veja
veja
olha ali no meio da bagunça, meus caminhos.
escolho eles como roupas. roupas que uso, uso, uso, uso tanto e intensamente que elas depois de brilharem em todos os lugares que vou, rasgam. e eu vou a loja e compro outra. iguais meus caminhos.
ou então,compro uma que a princípio gosto muito, mas incrívelmente, ao chegar em casa, já não me agrada mais. como meus caminhos.

vou acordar neste domingo, vestir um caminho bem bonito, combinar com uma roupa que brilhe, achar um homem perfeito. ama-lo até que ele se rasgue, e fiquei bem velinho. depois, mudo tudo de novo. até perceber o quão tonta essas voltas no mesmo eixo me deixam. suspeitarei de labirintite e já vejo no hospital suspirando sintomas ao doutor.
então eu resolvo jogar tudo fora; os caminhos, as roupas, meus homens.
então eu sofro como se tivesse sido abandonada por todos eles e fico carente de tudo; de roupas, de homens, de caminhos.
aí resolvo que quero reconstruir tudo de novo.
e dou meu sangue
e na labuta diaria minha cabeça explode 4, 5, 6 vezes até eu me dar conta de que existem roupas, (sim, roupas), caminhos e homens, que duram para sempre.
tenho 26 anos.
-vinteseisanos-

Wednesday, April 22, 2009

Esse é meu terceiro momento com essa música; o primeiro, foi quando eu a vi na voz da Elza Soares, aliais, dizem que a música foi feita pra ela. Desacreditei na letra, depois entendi, era do Chico Buarque, aquele fanfarrão hahahaha.
Algum tempo depois, o próprio Chico a gravou, e um grande amigo meu cantava ela no samba, para a alegria da Joana, uma outra grande amiga minha, que hoje esta em Roma, o que faz com que eu lembre dela neste terceiro momento meu e dessa música linda.
Ontem eu estava aqui sozinha na Urca, esse bairro melhor do mundo, no Rio meio de ressaca com uma chuva deprezinha dai eu ouvi Dura na Queda, lembrei da Jô, lembrei do Lello tocando ela, lembrei quando eu a ouvi pela primeira vez, e dai fiquei feliz.
E que São Jorge, (amanhã é dia dele!) alumine meua caminhos
Aí vai a letra:

Perdida
Na avenida
Canta seu enredo
Fora do carnaval
Perdeu a saia
Perdeu o emprego
Desfila natural

Esquinas
Mil buzinas
Imagina orquestras
Samba no chafariz
Viva a folia
A dor não presta
Felicidade, sim

O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

Bambeia
Cambaleia
É dura na queda
Custa a cair em si
Largou família
Bebeu veneno
E vai morrer de rir

Vagueia
Devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar

O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol,a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol,a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas


Foda né?
O Chico é bom demais fazendo letras como se fosse uma mulher.
Mas quando ele faz, falando de uma, é melhor ainda.
Essa letra é tão feminina, nós mulheres, acho que é coisa de hormônios, somos muito desengonçadas emocionalmente. Igual a esta moça perdida na avenida, cantando seu enredo fora do carnaval, sambando imaginando orquestras hahahaha. Já se fudeu, já apanhou a vida, já deu muita risada, já sabe que a rosa tem dois lados. Mas adora repetir tudo de novo, como se não soubesse de tudo...

Tuesday, April 14, 2009


O Gudim é um poeta, não?
Fiquei ouvindo ele o dia inteiro e lá se foi um pote de sorvete crocante.
Tava um dia lindo e eu estava de moletom cortado e uma camiseta que eu roubei de um ex, que é velha e bem molinha, uma delícia de usar. Mas não vou mentir, estava parecendo uma indigente em minha própria casa. Louca, de fone de ouvido,potão de sorvete na mão, analisando receitas de comida na internet, colher de sopa entrando na boca, ouvindo Gudim.
Aí assim, o Gudim foi mega trilha sonora de quando eu fui morar no Rio a primeira vez, eu ficava loucamente voltando de Ipanema, ouvindo Obrigada, que é essa letra linda aqui ó:

Venho
Apesar desse resto de mágoa
Pra lhe dizer
Obrigado à você

Que já não me importa
Se o amor foi de guerra ou de paz
Meu caminho começa
Onde o tempo começa a contar
Quanto tempo faz

Nada nas mãos
Nem ao menos saudades
De uma canção
Mesmo assim é um prazer
Saber que eu me sinto à vontade
Pra lhe agradecer
Pelas horas, mil horas num dia
Mil dias, mil formas de se viver

Ah! Por que solidão,
Por que não prazer
Por que foi assim ou deixou de ser,
Por que era calmo de enlouquecer
Ou eram ventos mais violentos
De naufragar
Mesmo assim fomos contra a corrente
Buscando algum porto
Pra se chegar


Ficava com essa música no repeat, lembrando de um ex e como eu queria agradecer a ele, por me aguentar, sei lá, por eu ser Isabel, a menina maluca ansiosa. Mas hoje em dia, ouço a música e é lindo ainda. Mas agradecer o ex, acho que eu não faria não hehehe.
Mas foi bom tê-la como trilha no Rio. Porque agora ouvindo ela de novo, lembrei do fim de tarde em Ipanema, eu saindo da Garcia indo comer no Fontes, depois pegava um busão que fazia a maior viagem do mundo pela cidade. E eu nem ligava porque ia ouvindo música, porque ia conhecendo o Rio de Janeiro. Enroladinha na canga porque o onibus tinha um ar condicionado forte a beça e eu tinha o bikini molhado, lembrei agora da sensação. Depois, subia a Santa Tereza, e ia pro meu quartinho cubículo com uma xícara de Farinha Lactea na mão, feliz, sozinha e bronzeada. Dormia ouvindo Gal Costa e no dia seguinte, bem...no dia seguinte eu faria tudo de novo.

Mas aí, o tempo passou e eu fui parar numa casa maluca em Sta, onde meu quarto não era mais um cubículo, mas a casa era um hospício mutho doido. Depois retornei a São Paulo. Tinha o ex do obrigado, ai passou. Então eu me apaixonei por um Cafa sem coração, ai sangrou e teve também um monte de músicas como trilha, ai passou. Depois aconteceu una cosa loca, que foi eu me apaixonar por um ser que não existia. E juro, ele me passou as melhores músicas do mundo. Por ele também, eu conheci a fundo compositores geniais, e um olhar do mundo que eu tinha já,mas não sabia que era assim, tão poético. Acho que o homem que não existiu foi o único que me conheceu e poderia me chamar de carinhosa, meiga, poeta e um monte de coisas lindas, além dos defeitos.Mas aí, passou também, pois afinal, ele não existia. Mas neste tempo maluco,como já disse, ele me passou músicas que ouço até hoje. E essa, do Gudin também, é uma que ja chorei lembrando. Hoje eu não choro mais(ainda), mas ela é de uma beleza profunda dentro do ser, como diria...esqueci quem diz essas coisas.
Enfim, ai vai ela:

Sei que eu não vou te convencer
E nem você vai me mudar
Mas mesmo assim
A gente vive querendo provar e comprovar
Seja como for
Que deu certo nosso amor
É bem melhor seria veria ver
Que inda é tempo de parar
E que mais tarde poder muito tarde
Pra se recomeçar
E vai ser pior
Isso tudo eu sei de cor

Antes de andar com você eu não era feliz
Mas eu podia esperar
E tentar eu podia sonhar
E eu procurei por você por toda minha vida
Quando encontrei acertei ou errei eu só sei
Que eu não vou te convencer
E nem você vai me mudar
Mas mesmo assim
A gente vive querendo provar e comprovar
Seja como for
Que deu certo nosso amor


Linda, não?
Essa coisa do acertei, errei, NÃO SEI!
Isso sempre rola comigo...que depois de conhecer o homem que não existia, e tenho certeza que só ele irá entender esse post, eu conheci um homem que morava ,muito longe. E ele era lindo e fazia coisas interessantes. E eu levei ele pra casa e ele ficou espantado e fez promessas demais. Dessas que qualquer pessoa sensata, jamais acreditaria. Mas eu não sou sensata e acredito até hoje em papai noel, então eu acreditei. Mas ai, bem, eu fiquei com raiva e passou também.Aí eu namorei e machuquei o coração de quem não devia.Por que no amor,se eu não me fodo, fodo alguém. Depois eu conheci um homem, onde eu dei uma de homem e chamei ele pra sair. E ele topou e nós vivemos coisas ótimas e ai, uf, monte de coisas, dai...bem, dai ele não ligou mais hahahahaha...essa vida é muito engraçada. E eu vou mesmo morrer de rir como quem já tem um coração calejado, porque o dia que eu chorei por ele, doeu pra caralho. E tem mais, eu estava sem som e fiquei sem nenhuma trilha sonora para lamentar junto comigo. Aí assim, tá passando né?
Vai passar.

Monday, April 13, 2009


Reparem e fiquem atentos, o mundo esta sensacional.
Uma linha que cruza hoje o horizonte, cruza a entrada de seu sorriso as seis da manhã. Quando os homens ao seu lado montam a barraca para a feira.
Para a vida, incluímos balões de ar, ar que respiramos e um ou dois de seus pulmões estarão prontos para dar continuidade à linha, que se segue e não se importa até que surja o sol. A linha é fantástica, todos a têm; esta no vôo do pássaro, no café da manhã, no abraço.
Na opinião dos que nada tem de bom na vida, na audácia da mulher que sai as ruas em busca de argumentos. Na virada da bola, na hora do gol. Na feijoada do inimigo, no gás da coca cola domingo de manhã, pós-ressaca.
A linha esta por toda parte, esta na música, esta no instrumento esquisito que se abre e fecha, como uma borboleta gorda. Seu vôo, se estivesse som, seria aquela melodia. É alegre, é a linha. A linha é dourada e sai rasgando. E depois do dia, vem a noite em peso para a linha seguir, como se na velocidade da luz, a linha não pudesse mais existir. Ela é sutil, difícil de ver. A linha esta em tudo. Desequilibra, desarmoniza. Dar risada dói, chorar de alegria, é chorar também. A linha sabe. A linha segue. Furando os olhos dos humanos sentados esperando a hora de pular fora dali. Não há hora para retornar a hora que passou. Uma borboleta que é um acordeão. E uma menina pulando pensando ser borboleta. Nós no murinho contando até cinqüenta. Olhos fechados, mãos que cobrem a testa, ou melhor, fim dos dedos, início da cabeça, a linha. A borboleta relaxa ao som e voa. E imagina morrer logo em seguida.
Onde estaria a linha naquela madrugada faminta de desvios? Escondia-se na asa da borboleta que morria terminado o som daquele instrumento que tem asas e que é tão lindo que meu ouvido sorri. E nós, ao longe, observando maravilhosas causas de uma linha que entristece, que cansa e congela. Mas a linha não para de rasgar. Esta tudo lilás e eu, de longe, vejo seu rosto de perfil, recostado na mureta cinza de sujeira, olhando para o chão, escutando alguns sons de cidade sem praia, rindo a meia boca. Você esta lindo, sua camiseta é branca. Alguém já lhe disse como você fica lindo de branco? Estou feliz vendo a linha.

Sunday, April 12, 2009

2 para mim...e mais-Erasmo, Paulinho e Baden-


Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

A primeira, do Tremendão. Porque mesmo com a cabeça cheia de problemas, não importa ele gosta mesmo assim. Fora a cor dos olhos, que ninguém possui. Além do mais,ele gravou uma versão desta música com Chico Buarque. E caso, um dia o Chico Buarque gostar de mim, mesmo com a cabeça cheia de problemas, ai fudeu! Hahahahaha

A segunda;

Dizem que ela é um caso perdido
Dizem que ela tem amores demais
Mas quando passa e sorri parece tão sozinha
Que eu chego até a pensar
Que ela possa querer meu carinho

Sei que as histórias que contam
Não passam de intrigas
De quem não aceita
Seu jeito de ser e viver a vida

Quando ela some me desespero
Grito seu nome, faço canções
Mas não tenho o poder de mudar seu destino
E nem quero

Paulinho da Viola passa longe de receber meus elogios sem nexo,não porque o compositor não mereça, mas porque eu realmente, não sei defini-lo. Ele é mestre, ponto cabou. E se,muitos homens acham que por força de um esteriótipo, somos uns casos perdidos, o Paulinho esta vendo beleza em tudo isso. Sabe que pode explorar essa mulher e melhor, tem a doce dor de amor de jogar o destinho, para o destino. Nada nela,ele mudaria. Ain, surreal essa letra, vá?
Para quem mora do outro lado da ponte, lá naquela cidade do Selvagem da Motocicleta, essa letra cai como uma jóia. Tá ok, nem todo mundo entendeu isso. Mas se mesmo não entendendo, surgiu curiosidade não preconceituosa, então tá lindo. Já entendeu o Paulinho, pelo menos.


A terceira é instrumental, do Baden, outro gênio.
Sem letra também existe poesia, e acreditem, é muito medonho.
Uma música instrumental é infinita de signos e significados.
Nunca se completa e sempre se acrescenta. Eu não entendo a lógica, juro.
Penso logo num tetrics, onde matematicamente se pode encaixar mil pecinhas.
E se as pecinhas forem emoções a cada melodia, na música sem letras os encaixes ultrapassam os limites exatos e vão de acordo com seu dia, com o tempo lá fora, com o momento. É assim, uma música instrumental é como um rio, nunca é a mesma. Nada a define. Na linguagem onde não há língua, como uma palavra pode a cercar?

A versão que vou deixar o link, é de ninguém mais, ninguém menos, que Raphael Rabello. Aquele homem que me faz pensar em acreditar em outras vidas, só para encontrar ele um dia e me casar hahahahaha. Louca.
Ele ia me achar um caso perdido, ia achar que mesmo com a cabeça cheia de problemas, ele iria gostar mesmo assim. Ou ia pouco se fuder e dedilhar aquele violão milagroso, encantador e as palavras, as palavras não são de nada,meus amigos.
Porra.
- O nome da música é "Sentimentos - Se Você Pergunta, Nunca Vai Saber"


http://www.4shared.com/file/21643960/dd4ff886/Raphael_Rabello_-_Cry_My_Guitar.html

Tuesday, April 07, 2009

Bukowisky, querido.

Há bastante deslealdade, ódio,
violência,
Absurdo no ser humano
comum
Para suprir qualquer exército em qualquer
dia.
E O Melhor No Assassinato São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E O Melhor No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E O MELHOR NA GUERRA
--FINALMENTE--SÃO AQUELES QUE
PREGAM
PAZ
Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam PAZ
Não têm paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidados com os Sabedores.
Cuidado
Com Aqueles Que
Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS

Cuidado Com Aqueles Que Detestam
Pobreza Ou Que São Orgulhosos Dela
CUIDADO Com Aqueles Que Elogiam Fácil
Porque Eles Precisam De ELOGIOS De Volta
CUIDADO Com Aqueles Que Censuram Fácil:
Eles Têm Medo Daquilo Que
Não Conhecem
Cuidado Com Aqueles Que Procuram Constantes
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos
Cuidado
Com O Homem Comum
Com A Mulher Comum
CUIDADO Com O Amor Deles
O Amor Deles É Comum, Procura
O Comum
Mas Há Genialidade Em Seu Ódio
Há Bastante Genialidade Em Seu
Ódio Para Matar Você, Para Matar
Qualquer Um.
Sem Esperar Solidão
Sem Entender Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Seja Diferente
Deles Mesmos
Incapazes
De Criar Arte
Eles Não Irão
Compreender Arte
Eles Vão Considerar Sua Falha
Como Criadores
Apenas Como Uma Falha
Do Mundo
Incapazes De Amar Completamente
Eles Vão ACREDITAR Que Seu Amor É
Incompleto
E ELES VÃO ODIAR
VOCÊ
E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
Sua Mais Fina
ARTE

Wednesday, April 01, 2009

o non plus ultra


As forças federais, o automóvel, plutão.A mamadeira do bebê, o mendigo, a serpentina e o cão farejador. A foto que prova, a roupa que cai, o rei esta nu. A força que atinge, um vento que leva, quente que sai o pão de manhã. O preço da bolsa, os valores do cheque, aquele menino na rua.Um brinco de arame, a casa de barro,um tucano,um bico. A cerveja gelada,o óculos de sol, na praia a onda, no vento um varal cheio de roupas in seque.Uma tradição a seguir, um time a ganhar,um motivo,um lugar.A moça de saia, o rapaz de xadrez, meu olhar na sua visão. O barco que vai, a mala que abre, para tudo partir.
Um amigo dentro do abraço. O abraço cabendo todo um amigo, na seleção de amar. Um riso que inspira,numa lágrima que cai, um brinde ao seu pai,que é igual ao meu pai-dentro da casa lilás.O troco é a sobra, o resto é o último e os gatos na rua. As crianças saudáveis riem e cabem dentro do parque. O domingo que entra, dentro da televisão,o tédio que entra dentro de você,a cama que cabe todo um sono bom, o despertador que toca,cabe dentro do seu ouvido.Um pão vem de manteiga, o leite transforma de cor para caber o café. Um beijo que cabe a língua,que cabe as mãos nos seus quadris,que cabem além. Um filho que urra, um gol que se faz, uma vítima que foi.
No calor, o sorvete. No vento um “tremo”, na flor que cabe toda a beleza.
Uma coisa, que cabe
dentro da outra
que abre.

-Parte 2: sobre monstros y tomilhos-



Ele vai sugar as patinhas molhadas de suor daquela menina,
e num sopro ela estará seca, e pronta.
Hão de, aos gargalos, aguar-se.
Ela vai, depois de aprender onde fica,
por a mão em seu coração, enquanto ele dorme
e pensar;
preciso lhe roubar deste peito.

Ele vai acordar depois de muito dormir
e ela vai ficar olhando a cada movimento, de costas.
Respirando.
O mundo fará a preza.
Ninguém lhe orienta, ninguém lhe incomoda rapaz.
Ela estará seca, e, no entanto, ao seu toque,
com medo de molhar-se toda.
Ele vai sugar-lhes as patinhas de novo
e mais um toque de rabos, muitos toques, imagine.
Não são muitos rabos, ora veja.

O mundo fará a preza, meu bom rapaz,
seu mundo faz sua preza.
E depois ela se vai, triste, alegre, medíocre.
Como todas as mulheres da revista Claudia.
Da revista nada.
Um ônibus, dois, três.
São cinco cigarros e o mundo começa a cobrar.
Faça uma pra mim, meu bom.
Lhe devolvo logo em troca.

E ela ri:
É de mim, que pedes hãn?
E o sol também gargalha
-Y lo solo tambíen contrasta.-

Porque não sabemos julgar o conteúdo.
Porque bate tão dolorosamente, calorosamente seu coração alegre?
Y outras partes, a que veio camarada.



Cai uma ficha telefônica dentro daquele orelhão oco:
-ela escreve assim...-

“Debandeio
(atiro pétalas ensandecidas, derreto, desisto)
Dou-lhe cinco motivos e um talento marginal quase gigolô.

Tenho uma notícia que pode ferir seu ego:
Eu não sou de nada.”

Ao final, toma um copo de veneno.
E morre, feliz, de amor.

Pensem assim
Teria sido terrível se fosse de outra maneira.

Prelúdio nhac!


(4:44)

Do meu corpo
Sobra a barriguinha
Que você mordisca
-louco-

Às vezes, em frente ao espelho
Penso:
Preciso perder peso.

Me visto
Ao seu encontro
E a barriga retruca:
Não gosta de mordidinhas, é?

Monday, March 30, 2009

4º Motivo da Rosa (Cecília Meireles)

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Teve um plâncton que salvou o mundo, disse adeus as coisas fúteis, viveu de dividas e alucinou.Depois, contou toda a historia com magia e sedução que pessoas ateias não são bem assim.Logo que foi dormir, as coisas ficaram tão maduras que já não pôde mais sonhar, e era tão fácil ver o ritmo das ações elevadas que seus critérios tinham ficado macio e tudo quanto era tara,trava no penhasco das glorias umedecidas por todos nós, sonhadores de meia tigela.

Thursday, March 26, 2009

importante frizar chico



Qualquer verão
É só chamar
É tudo, é do primeiro
Qualquer hora, qualquer cheiro


Qualquer amor
Eu corro atrás
Qualquer calor
Eu quero mais
Qualquer amor
Qual nada



Eu preferia quando os carros
tinham placas amarelas
Eu preferia quando não usavam
grades nas janelas
Eu queria que voltassem
os anos sessenta
Eu queria ficar lúcido até os noventa
Eu preferia a época em que amar
não era ultrapassado
Eu preferia quando a diversão
era ler contos do Machado
Eu queria que voltassem os anos sessenta
Eu queria ficar lúcido até os noventa

ah, aldir...

Wednesday, March 25, 2009


Serei eu sua décima terceira sereia, navegando em seu mar morto?
Odalisca rebelde, em fúria por já dizer o improvável?
Serei uma noviça da vida,
uma amêndoa doce e oleosa.
Serei sua réptil de pele fina e forte e seca e voraz.
O que serei?
Serei sua.
Adaptada, contraditória, estapafúrdia,
doentia em sua mansão de três cores, seus atos.

Serei eu a onça além da jaula
impedindo contatos visuais.
Me toque, me queira.
Essa noite eu vou entrar em você.

Quem serei eu, no dia seguinte?
Uma víbora aleatória,
vendo minha presa dormir nas suas cortinas fracas
que não barram sol.
Serei ancora, vespa, azeda, sua, sua, sua.
-Intensamente-
Com medo das palavras que saírem de minha boca
ásperas, inseguras, sem medidas.
Te dedido, te exaspero.
Te espero em sua casa.
Nossos ofícios,
e o que será de mim presa a isso?
É o que eu quero. Te venero.

Longe de ti, saio a procura de qualquer alicerce e nada veste meu número e eu nada calço. Saio descalça, forjada, saio vomitando (alegria longe).
-Alegria, alegria.-
Um belo dia tomaremos o melhor vinho,
falaremos as maiores baixarias.
Vai fazer frio, calor, o tempo é a gente quem faz.
Te espero, porque veja bem, é muito insano,mas não tenho pressa.
Sinto obséquios, você não me teme.
Não te temo também.
Quero esperar você crescer, ainda vai?

Tentarei dormir, mas sinto as lembranças e a tal música martelando em minha cabeça. Quero engolir contigo, seu mundo, seu mundo,
se for mundo.
Eu não sossego, vou além.
Meus limites sórdidos me entregam
Estou sem forças, ainda bem.
Lágrimas de açúcar para me lembrar;
Sou sua, rapaz.
Não queira me entrelaçar em vão.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Friday, March 20, 2009

Ele terminou sussurrando e dizendo que a vida secretamente faria a equação de meus legados de um jeito efetivo. E o mundo, pois muitas coisas vêm daqui, seguiu metodicamente adiante de cada passo meu, mesmo que esses fossem cegos e/ou inadimplente, como às vezes, se ia. Eu perguntei e não soube fazer uma boa referência, de como era a lógica daquele momento, mas, sabe, fazer a pergunta sem nada poder esperar da resposta, não tem mesmo, emoção alguma. Eu socorri alguns valores afogados em minhas mágoas, eu sucumbi de tanta ansiedade por ser somente viva. E de vez em quando, eu lembrava de você sorrindo e saberia dedicar cada elemento que me compunha. A parte seis, por seis partes terá, será daqui a dez anos quando eu retornar enraizada dos meus mesmos anseios, deslizes, covardias. Da minha mesma e corriqueira ansiedade de se perguntar imaginando cada palavra que vai sair da sua boca. Estou com medo. É um medo bom. Tem gosto de amora e as sementinhas no final trincam meus dentes. Gosto de pegar as sensações e seqüestrá-las em meu coração dilacerado ora pela felicidade, ora pela tristeza. Hoje eu falei dele para você. Depois me veio besouros no estômago, voltaram a viver. Eles dormem, vivem se reproduzem e me aquecem, sempre que eu estou por dar na cara que vou protagonizar um anseio novo. É disso que eles são feitos e muitas vezes sou sim o parasitas deles, os besouros. Alguns tem cor de ouro, outros, pretos prateado. Suas funções são as mesmas. Igual a tudo no mundo.
Consigo entender o princípio da igualdade e isso não tem nada com a política monetária de nossos tempos- túneis- cruéis. Hoje eu ouvi poesia viva. Delas não saíram nenhuma palavra. E a lógica se travestiu de inquietação e isso, e mais todas as emoções vieram me conturbar novas agonias felizes. Sou do tipo que entende o bom lado das coisas ruins. Acho que o mundo me quer com esse dever. Ele me disse que secretamente as equações da minha vida, acontecem para me fazer feliz. E eu sei bem como inverte-las. Ele disse; você ainda quer mais? E eu; bem, eu queria isso para sempre. Igual no conto das meninas bonitas do meu colégio. As quais eu sempre tentava em vão imitar. Eu lhe contei sobre minhas modalidades e em como reflito confusamente as coisas e ele me perguntou um porque cheio de dúvidas e medo. E eu acho que é hora de parar de ser tão rude. Comigo, -comigo- e com os outros também. Exijo um mundo em condições responsáveis, assim, ajo como uma delinquente e me saio bem, ao contradizer a todos. Até o momento em que trombo com um sujeito qualquer, desses que mudam nossa vida, mesmo dormindo, de costas, ao meu lado. Então entendo tudo; os besouros e seu sorriso.

Monday, March 16, 2009


(O poeta sem palavras era ele.)
O poeta que me deixou sem riscos a dizer.
E eu só lembro de uma emoção maluca
me tombando, e eu,
caindo no chão sorria sem entender.
-Porra nenhuma-
Voltando para casa com um sol desgraçando meus horizontes e finalizando aqui dentro; que dia perfeito.
O poeta sem palavras roubou minha garganta e transformou tudo em melodia, em sensações
e eu, voltando pra casa, desgarrada, agredida de felicidade pensava; que música é aquela, que música é aquela, cacete?
Sabia.
Sabia que ia acontecer você um dia.

Tuesday, March 10, 2009


Eu vim aqui prestar contas
De poucos acertos
De erros sem fim
Eu tropecei tanto as tontas
Que acabei chegando no fundo de mim
O filme da vida não quer despedida
E me indica: ache a saída
E pede socorro onde a lua
Que encanta o alto do morro
Que gane que nem cachorro
Correndo atrás do momento que foi vivido
Venha de onde vier
Ninguém lembra porque quer
Eu beijo na boca de hoje
As lágrimas de outra mulher
Cinquenta anos são bodas de sangue
Casei com a inconstância e o prazer
Perdôo a todos, não peço desculpas
Foi isso que eu quis viver
Acolho o futuro de braços abertos
Citando Cartola:
- Eu fiz o que pude
Aos cinquenta anos
Insisto na juventude


Aldir, o mestre

Sunday, March 08, 2009


Rolou um tartar de salmão com alcachofras, azeitonas chilenas e azeite de espinafre de entradinha, para depois chegar um penne ao molho de abóbora. De sobremesa, brigadeiro de chocolate Lindit, café expresso e um gol de cabeça aos 47 para alongar minha rouquice que persiste desde o carnaval. Os amigos estavam todos reunidos com uma são paulina zicando a situação e uma Santista que chegou depois para dar um abraço. Foi lindo.
Sabe, sinceramente, eu sei de todas as bostas que rolam no futebol, e sei também o quanto ele já foi tão mais bonito antigamente. Sei que o ataque do Flamengo jamais será o mesmo; Zico, Adilho e Adão. Sei que futuramente haverá, infelizmente, mais torcedores são paulinos, ainda mais se eles vencerem a libertadores esse ano. Mas hoje, eles perderam feio. Do Mogi, de 2x0. E o Corinthians, arrancou um empate que seria só um empate, mais um, se não fosse a presença em campo do Ronaldo. O maior goleador de copas do mundo e boêmio pra caralho.

Temos que adaptar o futebol de hoje em dia? Pararmos de sermos saudosistas e dizer que a graça já não é mais como era antes? Sei lá. Muita coisa na qual sou apaixonada parece ter essa mesma questão; o samba, o punk e até meus amores, amizades.
Jogo com que tenho e as vezes tenho muita preguiça de poder fazer o melhor. Por hora faço, pois num processo maluco de resgate, e de salvação também, minha preguiça me afastou de pessoas maravilhosas. Maravilhosas, longe de mim. E eu desejo tudo de bom a elas. O meu caminho é pela esquerda.

Mas não era nada disso que eu queria dizer, o importante nisso tudo, é que ver o Corinthians jogar hoje, foi muito gostoso. Ver o gol, bem Corinthians, sair no final, somos e sempre seremos sofredores pra cacete, foi de fuder. Deu mais calor, deu vontade de falar um monte de coisa sem o sorriso sair da cara. E minha sala ficou parecendo um restaurante com um monte de gente falando ao mesmo tempo, fazendo piada, enfim, vivendo o momento.

Obrigada Ronaldo. Foi divertido pra caralho.

Saturday, February 21, 2009

Aí eu me desesperei
E a coisa virou confusão
No salão
Porque lembrei
Do seu sorriso aberto
Que era tão perto, que era tão perto
Em um carnaval que passou
Porque lembrei
Que esse frevo rasgado
Foi naquele tempo passado
O frevo que você gostou
E dançou e pulou

Foi quando topei com você
Que a coisa virou confusão
No salão
Porque parei, procurei
Não encontrei
Nem mais um sinal de emoção
Em seu olhar

A coisa virou confusão
Sem briga, sem nada demais
No salão
Porque a bagunça que eu fiz, machucado
Bagunça que eu fiz tão calado
Foi dentro do meu coração

Porque a bagunça que eu fiz, machucado
Bagunça que eu fiz tão calado
Foi dentro do meu coração

Tuesday, February 17, 2009


Uma folha revirando surpresas,
grudada no suor de um tronco antigo,
é a palma estampada num quadro na sala de estar.
Nada resume ou divide a saudade do meu velho.
O meu velho engaiolava as horas na sacada e
soltava sobre mim um passaredo de instantes infinitos.
Eu alimentava os momentos com a mão,
enquanto eles cantavam e sacudiam as asas.
Meu velho sabia capturá-los. Meu velho sabia das coisas.
Meu velho era uma tocha fincada no meu vazio
e eu jamais precisei procurá-lo.
Meu velho era onipresente. Ele tinha voz de deus.

Meu velho tinha o coração vermelho,
e uma sangria desatada pelas aflições do mundo.
Ele era pelos vagabundos.
Meu velho era do balcão. Ele sabia entardecer.
Meu velho era bom de viver.
Meu velho tinha uma lei e que foi desrespeitada.
Mas não há de ser nada.
Tentaram me arrancar do meu velho.
Me encheram de falsas sequelas.
Eles não sabem que o meu velho é uma estrela
que vem pousar todas as noites na minha janela.


Renato M.

Monday, February 16, 2009


“O mundo é muita sacanagem por fora e muito estranho por dentro”

Foi isso que eu ouvi ao querer sair fora daquele buteco imundo ao pensar mais uma daquelas minhas tolices de alguém que consumiu cerveja por demais.
Eu estava a caminho de casa quando um garoto me apareceu perguntando para onde eu ia.
Pra casa, respondi. E ele disse; deixe-me te acompanhar, estou aflito, querendo conversar contigo.
Achei melhor sim. E nós fomos conversando e ele me contou sobre seus interesses e sobre suas iniciativas e seu futuro. Estávamos descendo a Cardial. E eu disse; isso não é interessante. Você, não é interessante. E ele disse pra mim; não olhe para trás agora, não olha!
E eu olhei, mas não enxerguei nada, sou miupe, bêbada, me faço de vítima, sou podre, insegura. Não olhei quem era.
E hoje tem um olhar que desconfia tudo errado, de minhas probabilidades. Acho que era o olhar que eu não enxerguei. Talvez estivesse como eu, cega também. Cega de horrores desses que fazem a gente insistir na lama, na luta insana.
Igual quando dizem que se uma torcida organizada fosse organizada para outras coisas, atos nobres, o mundo seria melhor.Balela!
Eu tomei chuva e peguei ônibus no largo da batata. Nossa conversa foi longe e nada produtiva. Eu voltei pensativa, me sentindo estranha. Ele voltou para sua vidinha de garotinho família e o domingo chegou.

Caia uma chuva estranha e minha garganta arranhava ainda coisas da noite passada. Um gosto ridículo de cigarro na boa, uma sede filha da puta e eu nem tenho seu telefone para lhe dizer que você é uma criança louca. Que você me deixe quietinha e que era muito legal quando éramos pessoas bêbadas cantando samba. Agora você fez climinhas, ataques maluquinhos. E minha ressaca por culpa dos versos bem rimados, mal rimados, que vieram de você, não chegaram ao meu coração.

Friday, February 13, 2009


Sempre serei criança para muitas coisas, mas dessas crianças que trazem em si o adulto desde o princípio, de maneira que quando o monstrinho vira realmente adulto acontece que este por sua vez traz em si a criança, e nel mezzo del camin se dá uma coexistência poucas vezes pacífica de ao menos duas aberturas para o mundo.
Isto pode ser entendido metaforicamente, mas de qualquer modo indica um temperamento que não renunciou à visão pueril como preço da visão adulta e essa justaposição que caracteriza o poeta e talvez o criminoso e também o cronópio e o humorista (questão de dosagens diferentes, acentuação paroxítona ou proparoxítona, de escolhas: agora eu jogo, agora eu mato) se manifesta no sentimento de não estar totalmente em qualquer das estruturas, das teias que a vida constrói e onde somos ao mesmo tempo aranha e mosca.

Julio Cortázar,mestre

Thursday, February 12, 2009


E o mundo continua me cobrando atenção. Ele me joga na cara histórias lindas, feitas de lágrimas e ouro e cá eu estou. Os loucos também sobrevivem, as mulheres tristes, fardadas a infelicidade, também sobrevivem, o pobretão trabalhador, também. No meu país, na insalubridade, as pessoas sobrevivem. E eu me invoco no meu nada, com tantos “tudos” para fazer. Eu me provoco, eu deslizo, eu não fecho a porta para abrir outra. Eu me assusto fácil demais, como se um urso pudesse me comer a cada segundo.

Tuesday, February 10, 2009

Deu meia-noite e meia
Tem lua cheia pra alumiar
Do céu a estrela branca
Que cai, destranca
O portão do mar

Deixa a camisa fina
Da lamparina
Se encandiar
Que a luz do candeeiro
Faz o coqueiro
Se enfeitiçar

A onda é de ensurdecer
A brisa é de amenizar
Tem qualquer coisa de arrepiar

A lua é de endoidecer
O azul é de admirar
O céu é o espelho de Iemanjá

Em noite assim
As sereias costumam bordar
Rendas de prata
De estrelas caídas no mar
No manto de Janaína
Só faço o que gosto
E aquilo que creio
E se alguém não quiser entender
E falar, pois que fale
Eu não vou me importar com a maldade de quem nada sabe
E se alguém interessa saber
Sou bem feliz assim
Muito mais do que quem já falou ou vai falar de mim

Monday, February 09, 2009


A face de horror daquela causalidade.
E até quando eu vou recorrer as letrinhas catadas para exprimir em toscas frases o sentindo de coisas que não vejo.
O sebo deste papel esdrúxulo.
O sebo da alma de cada cabeça pensante
Exprime agora o que eu quero ser.

Sunday, February 08, 2009



Eu amo Banksy
-ops-

Saturday, February 07, 2009


“Nos dias de hoje
O samba ficou diferente
Não tem mais dolência
Mudou a cadência
E o povo nem sente
Sua melodia
É uma falsa alegria
Que passa com o vento
Ninguém percebeu
Mas o samba perdeu
Sua voz de lamento.”


O lamento se perdeu nas muitas regras, nas muitas lutas, nas muitas “atitudes” o samba perdeu a suavidade, a alegria. O samba virou um diz que me disse cheio de regras confusas de alguém que disse isso, de outro intocável que disse aquilo. E pensar que ao fazer uma imitação da velha guarda da Portela, tudo tinha que ser tão mais descontraído e não um sentimento de estranho orgulho por estar cantando músicas “inéditas”, fodas, que ninguém jamais saberá cantar. Um samba elitista. Uma pena de samba

O lamento se perdeu na falsa alegria que passa com o vento de uma classe média que apenas procura onde enfiar a cara para se conciliar com um movimento que nunca os pertenceu. É, nos dias de hoje o samba ficou diferente. Começa em uma noitada onde tudo que se cria, termina no vômito de quem bebeu demais.