Wednesday, June 03, 2009

curriculum vitale


Isabel De Barros Crozera
Paulista, solteira, 26 anos.
Primeiro lugar na maratona de Kumon, em 199e tal.
Campeã Paulista de Jiu-Jitsu por W.O, em 1997.
Terceiro lugar no concurso cultural das Lojas Decore&Compre, onde seu prêmio foi 2 fitas cassetes, nunca buscadas.
Repetente da sexta série. Ex-maconheira.
Admiradora de música. De músicos também.
Quase formada em; Artes do Corpo, Filosofia, Direito, Jornalismo e Gastronomia.
Frequentadora da Garcia D´avilla, mesmo não tendo barriga tanquinho. Mesmo não jogando altinha. Assídua de butecos grotescos. Fracos por espumantes. Amantes dos cachorros(os que latem também).
Amiga dos amigos. Não amiga dos ex amores. Portadora da Sindrome do Pânico. Referência de gritaria pelos vizinhos. Mestrado e doutorado em Simpsologia. Atéia que ama São Jorge. Vencida pelo cansaço. Respeitadora ao máximo da preguiça. Amiga do travesseiro. Gosta de fazer as unhas vendo Marcia Goldshimmit. Possível musa do pipoqueiro da Rodrigues Alves. Amante da gastronomia. Frequentadora de túneis nostálgicos dedicados a Vinicios de Morais e Raphael Rabello. Sambista de segunda. Corinthiana de primeira. Adoradora de balanços, redes e tudo que mesmo sentados, nos faz mover. TPM de qualidade. Operada da miúpia. A pessoa que mais Gosta do filme Rumble Fish, o selvagem da motocicleta. Amiga dos garçons. Consumista da loja Farm. Socialista do terceiro escalão. Não teme mais o oceano, mesmo quase tendo morrido afogada em Porto Seguro, quando achou que podia nadar mais de cem metros em alto mar. Atualmente morando no Rio. Nove tattoagens para desespero de sua mãe.Devoradora de livros de poesia. Hipocondríaca, insegura, medrosa com dentinhos separados. A risada mais alta do butiquim. Não se intimida com assuntos intimos e de baixo calão. Gosta do domingo,mesmo quando não tem nada para se fazer na segunda. Animadora de pessoas bêbadas e escritora nas horas compulsivas.

Tuesday, June 02, 2009

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CAMPUCRUS-o embate das alegrias acima-

(prespuctivum e perspetivós a nós nuvens gás e gãns. travectus e chantêlos nos canticus da tela nada frates. anbicrus e módulos e falsos poréns. comprectlus, esplendido. eslovênia. deleite-se todinho, meu poema. afrásio, atrasos. compete arrojado e pranticus, cacto. podia o mundo ter mais cactus. força, malas outrora. aurora e pouca lágrimas brincavam de escorregar no rosto do meu rapaz bolivnus. gráfico. do meu corazon conduso, contundiduncs. feito de presas mórbidas e austeros divinos. dilúvios, epopéia travada na fita cassete desenrolando. canetinha BIC.com. ponto nada.)


escorreguei em seu sangue, percorri veias largas e era eu te endoiecendo. você se apegando a mim. você com esse seu jeito estranho. você é um milhão de mini pedrinhas que o mar levou anos para bater e moer. para bater em mim também.
você é uma espécie quase nula, você me combate,mas eu te contamino. você estrada no meu caminho escorregadiu. choveu ontem. choveu hoje. não há de chover amanhã. hoje eu não posso. hoje o mundo pede normal, isabel. seja normal uma vez ao menos na semana. e então surgem credos. surge você com essas suas assas. surge seu pensamento me enfatizando que eu também as tenho. rasgam minha pele, doí minhas costas, sangra horrores. desisto. até tudo cicatrizar. tive uma idéia. vou me motivar. me dê seu lábio, surgiu o infinito. eu jurei acreditar em mitos. você me deu um abraço louco. eu te aperto o braço. eu contraio a buça. você se sente homem. e depois me diz: para. você não é só mais um. eu também nasci para ser o centro das atenções. vamos roubar a cenas juntos. minhas asas sangram. costas que doem, tudo de novo. mais sangue e pilastras batendo. sua veia, meu corpo abraços e cortes e aperte meu braço. um brinde na boca. você é meu brinde da boca, me tira daqui. faça acontecer agora. dispense afazeres,modéstias, holofotes queimados. nada disso é para nós. roemos o rato, taparemos o buraco do tatu, sai correndo da onça, outro dia você viu eu correndo do leão. ninguém mandou você querer usar a juba dele para seu espetáculo. universal-amador-idêntico. simples. você é simples e entendeu minha piada. minha filha moira, meu filho dario. sua filha no shooping. eu pagando pringles na promoção das lojas americanas. vai ser no rio sul, vai ser no caminho de sua nova casa. não sou uma mulher bomba. você não é o sensual da vez. costure minhas costas; dor aflição, adultério. costure minhas asas para dentro de novo. ou ature-me voando a sua altura.
Correu e até teve paciência de se transformar em passáros. eram doze, de assas largas e bem estranhas cheias de cor que ao longe, todas juntas eram flicts, igual ao livrinho que lera em cima do murinho em sua vila a tantos anos atrás. reafirmou forças, manteve certezas, fez-se posuda, libertária e certo dia cruzou um homem que nada tinha de interessante a não ser o fato de lhe incomodar muito.
bateu assas depois deu beijos sim, porque não? E seguiu de bicicleta por toda a orla, aquela orla. Sem antes passar pelo túnel vida mirales contrastes de vintem.

E o conto começa assim
:

creia-me padre



espectrus autenticus aftas translucidas de um fim de vidis medros e aflictiones astutas de um ser com muitas presas pregos trensos trens de filós iludidas pelas confras e monticnitanias uma nova tecnologia, e muitos pois nada, pois não. sarrafo na fucra no hombre afetivo e militrictun afeto. de minha parte africas. praças e bancas e prédios e balões dando olás aos moradrodres dos krétimus andar da vila. tomacre, ursula, acredito. cheios de ares, mulatas e bandrictuns. faziam poses magras e o mundro explanava x e esses contradições de bancos cheios de drolares e queuros. nós vamos começas quando você me abraca eu penso no planectan todinho só pra meu.

aos 12, aos 26...

a vida só é engraçada para quem já mijou de rir, para quem já gargalhou até doer a barriga, para quem já pensou no seu próprio enterro , para quem já ouviu um bom samba, para quem já foi perseguida por um maluco, para quem já salivou pensando na comida, viu seu time sair da segunda divisão, ficou na praia com medo de yamenjá, foi ao terreiro e virou uma entidade, gritou com com uma amiga, com a mãe, com o irmão. a vida tem mais sentido quando joão nogueira canta espelho e você sabe exatamente do ele fala?
a vida só é engraçada quando você anda pela ponte da saudade e depois ouve gudim. a vida só é engraçada quando existem fases malucas dela que você bebe loucamente e ri da própria desgraça. e desgraça pouca é camaradagem, muita, é bobagem.
-vamos brindar o cansaço-
sente-se comigo, chame uma brahma, ascenda um cigarro, ou não. conte uma piada, fale de política, de futebol, da vida. toque um instrumento, vá ao banheiro. fale de sua comida preferida, de seu filme do coração. de seu livro de cabeceira. fale sua idade, fale a maior merda que você já fez na vida. conte-me de seus pais, fale-me sobre seus cachorros-você há de gostar desses bichinhos-. fale sobre a praia e de quando você era pequeno. me indique um bom poema. seja sarcástico, ironico. se odeie, se ame loucamente. ame raphael rabello, ame o rio de janeiro. fale mal dos preconceituosos. tenha um problema grande de cabeça, seja sentimental ao ponto de ter tanta vergonha disso e banque o cafajeste. me pegue de jeito, me chama na xinxa. não me ligue no dia seguinte. escreva uma carta, pode ser um e mail. goste de aldir blanc, diga-me que estou linda. fale-me mais e mais de você, depois presenteie meus lábios, deixe-me maluca. e por fim, se esse for seu caso, avise minha mãe, a data de nosso casamento.

Friday, May 29, 2009

Você ainda usa esse e-mail?
Bem, vou tentar mesmo assim,
afinal, hoje por incrível que pareça esta friozinho e chuvoso aqui no rio, dá aquela vontade de não sair da cama, fora a ressaca filha da puta que eu me encontro. te contei que estou morando no rio? pois é, aqui voltei. não para procurar um vascaíno estudante de sociologia em botafogo, porque eu sei que ele não existe(ainda bem pq eu odeio o vasco). já lhe disse que meu primeiro homem era um vascaíno? era sim. mas não era do rio...bem, isso é outro papo.
estou morando no rio, acho que amanhã não tem ouvidor, com esse tempo...
estou morando no rio. você acredita que eu não sabia que a (_____) e o (__________) tiveram um filho? é, um muleque. eu sei que você conhece,o (_______) . eu também conheci. jamais vou entender o que é ser (______), o que é ser (______). olho pra ele e penso; mais que catzo, ele não tem nada haver com isso, meu deus.

eu ainda continuo lendo seus textos e continuo morrendo de raiva daquela garota que você é super amigo. dia desses fuçei o (_________) dela. sim, fuçei, porra, claro. sei que você também faz isso. e achei por lá uma foto da ponte da saudade. tive vontade de socar ela na porrada. aquela ponte não é dela. a historia da ponte muito menos. avisa pra ela que eu mandei ela tomar no meio do cu dela?
acordei numa ressaca filha da puta, já disse isso? tenho me tornado repetitiva, ou então o mundo é que anda sem novidades. melhor assim. sempre quando aparece uma coisa nova, morro de medo.
estou morando no rio. e continuo lendo seus textos. meu deus, como você é meloso. tenho medo da sutileza de algumas de suas palavras. sabe, eu descobri esses tempos que as palavras não são de nada. queria muito te contar. queria que você estivesse nessa hora, do outro lado da tela, como era antes. e eu te mostrar que o paulo moura é um grande mestre e que o cd dele com o raphaell rabello, dois irmãos, é de fuder corações em transe. mas não conta nada a (_______), tá? não quero que ela viva coisas que são minhas, suas, de paquetá.
ela não vem pra cá esse fim de semana, né? vai estar chovendo. eu vou encher a cara e ir ver vocês tocarem. como se nada tivesse acontecido entre eu e o (________) hahahaha. vou estar bem doida, bêbada e deliquente dizendo assim; eu não aguento mais ninguém.
problema seu, se você não gostar, ok?

já lhe contei da minha ressaca?
acordei chamando jesus, e ele veio em forma de neosaldina, foi preciso duas e eu ainda estou torta aqui na cama com meu computador, lendo suas coisas lindas e fazendo um monte de perguntinhas esquisitas na minha cabeça atrapalhada.
você acha que eu sou louca? tenho medo que sim. sou insegura a beça, quero ser normal. não louca.
te contei que estou morando no rio? tem dias que eu pego a bicicleta e vou andando pela orla, até o fim. acho que nunca vou me cansar de parar no arpoador e ver o mar. vontade que me dá de ser aqueles passáros grandes, que se banham e depois vooam. sabe, eu não posso voar.

hoje tive um sonho estranho, sonhei que caia uma coisa do céu, quando bateu no alto de um prédio, vi que era um skate. depois, logo em seguida, cairam vários skates e então surgiam dois passáros enormes e se atracavam, e todos os bichos começavam a brigar entre sim gerando uma confusão que deu a entender que o mundo iria acabar.

e então homem, eu acordei.
te contei que estou morando no rio?
não devia ter bebido tanto ontem.

Saturday, May 23, 2009

ô ô seu moço, do disco voador...

guardei meus segredos em um chocolate surpresa e veio então um dinossauro. comi só as pontinhas de meu doce predileto e guardei a figurinha em uma gevetinha de madeira, feia, velha e cheia de cupins. estreie novos pensamentos como se eu fosse nascer a cada quinze minutos,mas o problema é que tenho envelhecido a cada ano. vejo as pessoas passarem como se eu fosse uma alma, ou mesmo um fantasminha que elas podem atravessar quando e onde bem querem. cada uma que passa, deixa uma aposta, um pouquinho de sí, em mim. e eu me modifico a cada hora, como se a cada pessoa que passase, ficasse em mim também um novo plano. uma nova atitude.
nasci para escrever, agora só me falta o dom. nasci artista, sou da lua. mas me pedem para acordar cedo e o sol já me conhece.

prólogo 2
essa cidade aqui, meu bom rapaz, não é para turistas, e nem para seu mais fundo olhar de misericórdia. parece que agora eu vejo todo mundo um pouco mais. um pouco mais de suas almas também. do louco bêbado que elogiou grosseiramente minhas pernas e depois comemorou sozinho, pulando de alegria a sua própria piada sem graça. fazendo com que eu me sentisse desnuda e inoportuna. mas era ele quem estava nú, de senso. todos respeitaram mesmo que sem graça seu inesperado ato de loucura. já quando ele sobe ao palco, todos pagam e ficam sem graça também, ao ver ele tocar violão. derretendo loucura e ele tem mesmo uma cara de louco, no fim, todos aplaudem. mas naquele dia, ele fez a mesma coisa e foi muito constrangedor. e eu sendo a vítima, me senti constrangida pelas outras pessoas presentes que também ficaram constrangidas pela situação. o louco com o ego alimentado, riu da propria piada e os seres humanos coitados, porque não tinham ali espaço para serem loucos, fizeram risinhos bestas, iguais pessoas normais. e depois se sentiram mal por cometerem tal ato. ja o louco, seguiu feliz e tomou outra dose. e jamais em nenhum momento, se sentiu mal e/ou incomodado.

louco mesmo-terceiro pré-
perdi as esperanças abrindo um kinder ovo e comi lentamente meu chocolate surpresa com todos meus segredos quardadinhos no pacote daquele supermecado. eles estavam na promoção da semana, perdidos e cheio de poeiras, valendo menos que uma salsicha de frango valente.
ou você desinfeta tudo com veja menina, ou abre o chocolatinho e come devagar as beiradas e depois vai contornando com mordidinhas o bichinho desenhado nele. por fim, coma o bichinho também. ou limpe seu quarto com veja.
veja
veja
veja
olha ali no meio da bagunça, meus caminhos.
escolho eles como roupas. roupas que uso, uso, uso, uso tanto e intensamente que elas depois de brilharem em todos os lugares que vou, rasgam. e eu vou a loja e compro outra. iguais meus caminhos.
ou então,compro uma que a princípio gosto muito, mas incrívelmente, ao chegar em casa, já não me agrada mais. como meus caminhos.

vou acordar neste domingo, vestir um caminho bem bonito, combinar com uma roupa que brilhe, achar um homem perfeito. ama-lo até que ele se rasgue, e fiquei bem velinho. depois, mudo tudo de novo. até perceber o quão tonta essas voltas no mesmo eixo me deixam. suspeitarei de labirintite e já vejo no hospital suspirando sintomas ao doutor.
então eu resolvo jogar tudo fora; os caminhos, as roupas, meus homens.
então eu sofro como se tivesse sido abandonada por todos eles e fico carente de tudo; de roupas, de homens, de caminhos.
aí resolvo que quero reconstruir tudo de novo.
e dou meu sangue
e na labuta diaria minha cabeça explode 4, 5, 6 vezes até eu me dar conta de que existem roupas, (sim, roupas), caminhos e homens, que duram para sempre.
tenho 26 anos.
-vinteseisanos-

Wednesday, April 22, 2009

Esse é meu terceiro momento com essa música; o primeiro, foi quando eu a vi na voz da Elza Soares, aliais, dizem que a música foi feita pra ela. Desacreditei na letra, depois entendi, era do Chico Buarque, aquele fanfarrão hahahaha.
Algum tempo depois, o próprio Chico a gravou, e um grande amigo meu cantava ela no samba, para a alegria da Joana, uma outra grande amiga minha, que hoje esta em Roma, o que faz com que eu lembre dela neste terceiro momento meu e dessa música linda.
Ontem eu estava aqui sozinha na Urca, esse bairro melhor do mundo, no Rio meio de ressaca com uma chuva deprezinha dai eu ouvi Dura na Queda, lembrei da Jô, lembrei do Lello tocando ela, lembrei quando eu a ouvi pela primeira vez, e dai fiquei feliz.
E que São Jorge, (amanhã é dia dele!) alumine meua caminhos
Aí vai a letra:

Perdida
Na avenida
Canta seu enredo
Fora do carnaval
Perdeu a saia
Perdeu o emprego
Desfila natural

Esquinas
Mil buzinas
Imagina orquestras
Samba no chafariz
Viva a folia
A dor não presta
Felicidade, sim

O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol, a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

Bambeia
Cambaleia
É dura na queda
Custa a cair em si
Largou família
Bebeu veneno
E vai morrer de rir

Vagueia
Devaneia
Já apanhou à beça
Mas para quem sabe olhar
A flor também é
Ferida aberta
E não se vê chorar

O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol,a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas

O sol ensolarará a estrada dela
A lua alumiará o mar
A vida é bela
O sol,a estrada amarela
E as ondas, as ondas, as ondas, as ondas


Foda né?
O Chico é bom demais fazendo letras como se fosse uma mulher.
Mas quando ele faz, falando de uma, é melhor ainda.
Essa letra é tão feminina, nós mulheres, acho que é coisa de hormônios, somos muito desengonçadas emocionalmente. Igual a esta moça perdida na avenida, cantando seu enredo fora do carnaval, sambando imaginando orquestras hahahaha. Já se fudeu, já apanhou a vida, já deu muita risada, já sabe que a rosa tem dois lados. Mas adora repetir tudo de novo, como se não soubesse de tudo...

Tuesday, April 14, 2009


O Gudim é um poeta, não?
Fiquei ouvindo ele o dia inteiro e lá se foi um pote de sorvete crocante.
Tava um dia lindo e eu estava de moletom cortado e uma camiseta que eu roubei de um ex, que é velha e bem molinha, uma delícia de usar. Mas não vou mentir, estava parecendo uma indigente em minha própria casa. Louca, de fone de ouvido,potão de sorvete na mão, analisando receitas de comida na internet, colher de sopa entrando na boca, ouvindo Gudim.
Aí assim, o Gudim foi mega trilha sonora de quando eu fui morar no Rio a primeira vez, eu ficava loucamente voltando de Ipanema, ouvindo Obrigada, que é essa letra linda aqui ó:

Venho
Apesar desse resto de mágoa
Pra lhe dizer
Obrigado à você

Que já não me importa
Se o amor foi de guerra ou de paz
Meu caminho começa
Onde o tempo começa a contar
Quanto tempo faz

Nada nas mãos
Nem ao menos saudades
De uma canção
Mesmo assim é um prazer
Saber que eu me sinto à vontade
Pra lhe agradecer
Pelas horas, mil horas num dia
Mil dias, mil formas de se viver

Ah! Por que solidão,
Por que não prazer
Por que foi assim ou deixou de ser,
Por que era calmo de enlouquecer
Ou eram ventos mais violentos
De naufragar
Mesmo assim fomos contra a corrente
Buscando algum porto
Pra se chegar


Ficava com essa música no repeat, lembrando de um ex e como eu queria agradecer a ele, por me aguentar, sei lá, por eu ser Isabel, a menina maluca ansiosa. Mas hoje em dia, ouço a música e é lindo ainda. Mas agradecer o ex, acho que eu não faria não hehehe.
Mas foi bom tê-la como trilha no Rio. Porque agora ouvindo ela de novo, lembrei do fim de tarde em Ipanema, eu saindo da Garcia indo comer no Fontes, depois pegava um busão que fazia a maior viagem do mundo pela cidade. E eu nem ligava porque ia ouvindo música, porque ia conhecendo o Rio de Janeiro. Enroladinha na canga porque o onibus tinha um ar condicionado forte a beça e eu tinha o bikini molhado, lembrei agora da sensação. Depois, subia a Santa Tereza, e ia pro meu quartinho cubículo com uma xícara de Farinha Lactea na mão, feliz, sozinha e bronzeada. Dormia ouvindo Gal Costa e no dia seguinte, bem...no dia seguinte eu faria tudo de novo.

Mas aí, o tempo passou e eu fui parar numa casa maluca em Sta, onde meu quarto não era mais um cubículo, mas a casa era um hospício mutho doido. Depois retornei a São Paulo. Tinha o ex do obrigado, ai passou. Então eu me apaixonei por um Cafa sem coração, ai sangrou e teve também um monte de músicas como trilha, ai passou. Depois aconteceu una cosa loca, que foi eu me apaixonar por um ser que não existia. E juro, ele me passou as melhores músicas do mundo. Por ele também, eu conheci a fundo compositores geniais, e um olhar do mundo que eu tinha já,mas não sabia que era assim, tão poético. Acho que o homem que não existiu foi o único que me conheceu e poderia me chamar de carinhosa, meiga, poeta e um monte de coisas lindas, além dos defeitos.Mas aí, passou também, pois afinal, ele não existia. Mas neste tempo maluco,como já disse, ele me passou músicas que ouço até hoje. E essa, do Gudin também, é uma que ja chorei lembrando. Hoje eu não choro mais(ainda), mas ela é de uma beleza profunda dentro do ser, como diria...esqueci quem diz essas coisas.
Enfim, ai vai ela:

Sei que eu não vou te convencer
E nem você vai me mudar
Mas mesmo assim
A gente vive querendo provar e comprovar
Seja como for
Que deu certo nosso amor
É bem melhor seria veria ver
Que inda é tempo de parar
E que mais tarde poder muito tarde
Pra se recomeçar
E vai ser pior
Isso tudo eu sei de cor

Antes de andar com você eu não era feliz
Mas eu podia esperar
E tentar eu podia sonhar
E eu procurei por você por toda minha vida
Quando encontrei acertei ou errei eu só sei
Que eu não vou te convencer
E nem você vai me mudar
Mas mesmo assim
A gente vive querendo provar e comprovar
Seja como for
Que deu certo nosso amor


Linda, não?
Essa coisa do acertei, errei, NÃO SEI!
Isso sempre rola comigo...que depois de conhecer o homem que não existia, e tenho certeza que só ele irá entender esse post, eu conheci um homem que morava ,muito longe. E ele era lindo e fazia coisas interessantes. E eu levei ele pra casa e ele ficou espantado e fez promessas demais. Dessas que qualquer pessoa sensata, jamais acreditaria. Mas eu não sou sensata e acredito até hoje em papai noel, então eu acreditei. Mas ai, bem, eu fiquei com raiva e passou também.Aí eu namorei e machuquei o coração de quem não devia.Por que no amor,se eu não me fodo, fodo alguém. Depois eu conheci um homem, onde eu dei uma de homem e chamei ele pra sair. E ele topou e nós vivemos coisas ótimas e ai, uf, monte de coisas, dai...bem, dai ele não ligou mais hahahahaha...essa vida é muito engraçada. E eu vou mesmo morrer de rir como quem já tem um coração calejado, porque o dia que eu chorei por ele, doeu pra caralho. E tem mais, eu estava sem som e fiquei sem nenhuma trilha sonora para lamentar junto comigo. Aí assim, tá passando né?
Vai passar.

Monday, April 13, 2009


Reparem e fiquem atentos, o mundo esta sensacional.
Uma linha que cruza hoje o horizonte, cruza a entrada de seu sorriso as seis da manhã. Quando os homens ao seu lado montam a barraca para a feira.
Para a vida, incluímos balões de ar, ar que respiramos e um ou dois de seus pulmões estarão prontos para dar continuidade à linha, que se segue e não se importa até que surja o sol. A linha é fantástica, todos a têm; esta no vôo do pássaro, no café da manhã, no abraço.
Na opinião dos que nada tem de bom na vida, na audácia da mulher que sai as ruas em busca de argumentos. Na virada da bola, na hora do gol. Na feijoada do inimigo, no gás da coca cola domingo de manhã, pós-ressaca.
A linha esta por toda parte, esta na música, esta no instrumento esquisito que se abre e fecha, como uma borboleta gorda. Seu vôo, se estivesse som, seria aquela melodia. É alegre, é a linha. A linha é dourada e sai rasgando. E depois do dia, vem a noite em peso para a linha seguir, como se na velocidade da luz, a linha não pudesse mais existir. Ela é sutil, difícil de ver. A linha esta em tudo. Desequilibra, desarmoniza. Dar risada dói, chorar de alegria, é chorar também. A linha sabe. A linha segue. Furando os olhos dos humanos sentados esperando a hora de pular fora dali. Não há hora para retornar a hora que passou. Uma borboleta que é um acordeão. E uma menina pulando pensando ser borboleta. Nós no murinho contando até cinqüenta. Olhos fechados, mãos que cobrem a testa, ou melhor, fim dos dedos, início da cabeça, a linha. A borboleta relaxa ao som e voa. E imagina morrer logo em seguida.
Onde estaria a linha naquela madrugada faminta de desvios? Escondia-se na asa da borboleta que morria terminado o som daquele instrumento que tem asas e que é tão lindo que meu ouvido sorri. E nós, ao longe, observando maravilhosas causas de uma linha que entristece, que cansa e congela. Mas a linha não para de rasgar. Esta tudo lilás e eu, de longe, vejo seu rosto de perfil, recostado na mureta cinza de sujeira, olhando para o chão, escutando alguns sons de cidade sem praia, rindo a meia boca. Você esta lindo, sua camiseta é branca. Alguém já lhe disse como você fica lindo de branco? Estou feliz vendo a linha.

Sunday, April 12, 2009

2 para mim...e mais-Erasmo, Paulinho e Baden-


Olha você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei prá mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importo, eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
E eu que sempre fui tão inconstante
Te juro, meu amor, agora é prá valer
Olha, vem comigo aonde eu for
Seja minha amante, meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

A primeira, do Tremendão. Porque mesmo com a cabeça cheia de problemas, não importa ele gosta mesmo assim. Fora a cor dos olhos, que ninguém possui. Além do mais,ele gravou uma versão desta música com Chico Buarque. E caso, um dia o Chico Buarque gostar de mim, mesmo com a cabeça cheia de problemas, ai fudeu! Hahahahaha

A segunda;

Dizem que ela é um caso perdido
Dizem que ela tem amores demais
Mas quando passa e sorri parece tão sozinha
Que eu chego até a pensar
Que ela possa querer meu carinho

Sei que as histórias que contam
Não passam de intrigas
De quem não aceita
Seu jeito de ser e viver a vida

Quando ela some me desespero
Grito seu nome, faço canções
Mas não tenho o poder de mudar seu destino
E nem quero

Paulinho da Viola passa longe de receber meus elogios sem nexo,não porque o compositor não mereça, mas porque eu realmente, não sei defini-lo. Ele é mestre, ponto cabou. E se,muitos homens acham que por força de um esteriótipo, somos uns casos perdidos, o Paulinho esta vendo beleza em tudo isso. Sabe que pode explorar essa mulher e melhor, tem a doce dor de amor de jogar o destinho, para o destino. Nada nela,ele mudaria. Ain, surreal essa letra, vá?
Para quem mora do outro lado da ponte, lá naquela cidade do Selvagem da Motocicleta, essa letra cai como uma jóia. Tá ok, nem todo mundo entendeu isso. Mas se mesmo não entendendo, surgiu curiosidade não preconceituosa, então tá lindo. Já entendeu o Paulinho, pelo menos.


A terceira é instrumental, do Baden, outro gênio.
Sem letra também existe poesia, e acreditem, é muito medonho.
Uma música instrumental é infinita de signos e significados.
Nunca se completa e sempre se acrescenta. Eu não entendo a lógica, juro.
Penso logo num tetrics, onde matematicamente se pode encaixar mil pecinhas.
E se as pecinhas forem emoções a cada melodia, na música sem letras os encaixes ultrapassam os limites exatos e vão de acordo com seu dia, com o tempo lá fora, com o momento. É assim, uma música instrumental é como um rio, nunca é a mesma. Nada a define. Na linguagem onde não há língua, como uma palavra pode a cercar?

A versão que vou deixar o link, é de ninguém mais, ninguém menos, que Raphael Rabello. Aquele homem que me faz pensar em acreditar em outras vidas, só para encontrar ele um dia e me casar hahahahaha. Louca.
Ele ia me achar um caso perdido, ia achar que mesmo com a cabeça cheia de problemas, ele iria gostar mesmo assim. Ou ia pouco se fuder e dedilhar aquele violão milagroso, encantador e as palavras, as palavras não são de nada,meus amigos.
Porra.
- O nome da música é "Sentimentos - Se Você Pergunta, Nunca Vai Saber"


http://www.4shared.com/file/21643960/dd4ff886/Raphael_Rabello_-_Cry_My_Guitar.html

Tuesday, April 07, 2009

Bukowisky, querido.

Há bastante deslealdade, ódio,
violência,
Absurdo no ser humano
comum
Para suprir qualquer exército em qualquer
dia.
E O Melhor No Assassinato São Aqueles
Que Pregam Contra Ele.
E O Melhor No Ódio São Aqueles
Que Pregam AMOR
E O MELHOR NA GUERRA
--FINALMENTE--SÃO AQUELES QUE
PREGAM
PAZ
Aqueles Que Pregam DEUS
PRECISAM de Deus
Aqueles Que Pregam PAZ
Não têm paz.
AQUELES QUE PREGAM AMOR
NÃO TÊM AMOR
CUIDADO COM OS PREGADORES
Cuidados com os Sabedores.
Cuidado
Com Aqueles Que
Estão SEMPRE
LENDO
LIVROS

Cuidado Com Aqueles Que Detestam
Pobreza Ou Que São Orgulhosos Dela
CUIDADO Com Aqueles Que Elogiam Fácil
Porque Eles Precisam De ELOGIOS De Volta
CUIDADO Com Aqueles Que Censuram Fácil:
Eles Têm Medo Daquilo Que
Não Conhecem
Cuidado Com Aqueles Que Procuram Constantes
Multidões; Eles Não São Nada
Sozinhos
Cuidado
Com O Homem Comum
Com A Mulher Comum
CUIDADO Com O Amor Deles
O Amor Deles É Comum, Procura
O Comum
Mas Há Genialidade Em Seu Ódio
Há Bastante Genialidade Em Seu
Ódio Para Matar Você, Para Matar
Qualquer Um.
Sem Esperar Solidão
Sem Entender Solidão
Eles Tentarão Destruir
Qualquer Coisa
Que Seja Diferente
Deles Mesmos
Incapazes
De Criar Arte
Eles Não Irão
Compreender Arte
Eles Vão Considerar Sua Falha
Como Criadores
Apenas Como Uma Falha
Do Mundo
Incapazes De Amar Completamente
Eles Vão ACREDITAR Que Seu Amor É
Incompleto
E ELES VÃO ODIAR
VOCÊ
E Seu Ódio Será Perfeito
Como Um Diamante Brilhante
Como Uma Faca
Como Uma Montanha
COMO UM TIGRE
COMO Cicuta
Sua Mais Fina
ARTE

Wednesday, April 01, 2009

o non plus ultra


As forças federais, o automóvel, plutão.A mamadeira do bebê, o mendigo, a serpentina e o cão farejador. A foto que prova, a roupa que cai, o rei esta nu. A força que atinge, um vento que leva, quente que sai o pão de manhã. O preço da bolsa, os valores do cheque, aquele menino na rua.Um brinco de arame, a casa de barro,um tucano,um bico. A cerveja gelada,o óculos de sol, na praia a onda, no vento um varal cheio de roupas in seque.Uma tradição a seguir, um time a ganhar,um motivo,um lugar.A moça de saia, o rapaz de xadrez, meu olhar na sua visão. O barco que vai, a mala que abre, para tudo partir.
Um amigo dentro do abraço. O abraço cabendo todo um amigo, na seleção de amar. Um riso que inspira,numa lágrima que cai, um brinde ao seu pai,que é igual ao meu pai-dentro da casa lilás.O troco é a sobra, o resto é o último e os gatos na rua. As crianças saudáveis riem e cabem dentro do parque. O domingo que entra, dentro da televisão,o tédio que entra dentro de você,a cama que cabe todo um sono bom, o despertador que toca,cabe dentro do seu ouvido.Um pão vem de manteiga, o leite transforma de cor para caber o café. Um beijo que cabe a língua,que cabe as mãos nos seus quadris,que cabem além. Um filho que urra, um gol que se faz, uma vítima que foi.
No calor, o sorvete. No vento um “tremo”, na flor que cabe toda a beleza.
Uma coisa, que cabe
dentro da outra
que abre.

-Parte 2: sobre monstros y tomilhos-



Ele vai sugar as patinhas molhadas de suor daquela menina,
e num sopro ela estará seca, e pronta.
Hão de, aos gargalos, aguar-se.
Ela vai, depois de aprender onde fica,
por a mão em seu coração, enquanto ele dorme
e pensar;
preciso lhe roubar deste peito.

Ele vai acordar depois de muito dormir
e ela vai ficar olhando a cada movimento, de costas.
Respirando.
O mundo fará a preza.
Ninguém lhe orienta, ninguém lhe incomoda rapaz.
Ela estará seca, e, no entanto, ao seu toque,
com medo de molhar-se toda.
Ele vai sugar-lhes as patinhas de novo
e mais um toque de rabos, muitos toques, imagine.
Não são muitos rabos, ora veja.

O mundo fará a preza, meu bom rapaz,
seu mundo faz sua preza.
E depois ela se vai, triste, alegre, medíocre.
Como todas as mulheres da revista Claudia.
Da revista nada.
Um ônibus, dois, três.
São cinco cigarros e o mundo começa a cobrar.
Faça uma pra mim, meu bom.
Lhe devolvo logo em troca.

E ela ri:
É de mim, que pedes hãn?
E o sol também gargalha
-Y lo solo tambíen contrasta.-

Porque não sabemos julgar o conteúdo.
Porque bate tão dolorosamente, calorosamente seu coração alegre?
Y outras partes, a que veio camarada.



Cai uma ficha telefônica dentro daquele orelhão oco:
-ela escreve assim...-

“Debandeio
(atiro pétalas ensandecidas, derreto, desisto)
Dou-lhe cinco motivos e um talento marginal quase gigolô.

Tenho uma notícia que pode ferir seu ego:
Eu não sou de nada.”

Ao final, toma um copo de veneno.
E morre, feliz, de amor.

Pensem assim
Teria sido terrível se fosse de outra maneira.

Prelúdio nhac!


(4:44)

Do meu corpo
Sobra a barriguinha
Que você mordisca
-louco-

Às vezes, em frente ao espelho
Penso:
Preciso perder peso.

Me visto
Ao seu encontro
E a barriga retruca:
Não gosta de mordidinhas, é?

Monday, March 30, 2009

4º Motivo da Rosa (Cecília Meireles)

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Teve um plâncton que salvou o mundo, disse adeus as coisas fúteis, viveu de dividas e alucinou.Depois, contou toda a historia com magia e sedução que pessoas ateias não são bem assim.Logo que foi dormir, as coisas ficaram tão maduras que já não pôde mais sonhar, e era tão fácil ver o ritmo das ações elevadas que seus critérios tinham ficado macio e tudo quanto era tara,trava no penhasco das glorias umedecidas por todos nós, sonhadores de meia tigela.

Thursday, March 26, 2009

importante frizar chico



Qualquer verão
É só chamar
É tudo, é do primeiro
Qualquer hora, qualquer cheiro


Qualquer amor
Eu corro atrás
Qualquer calor
Eu quero mais
Qualquer amor
Qual nada



Eu preferia quando os carros
tinham placas amarelas
Eu preferia quando não usavam
grades nas janelas
Eu queria que voltassem
os anos sessenta
Eu queria ficar lúcido até os noventa
Eu preferia a época em que amar
não era ultrapassado
Eu preferia quando a diversão
era ler contos do Machado
Eu queria que voltassem os anos sessenta
Eu queria ficar lúcido até os noventa

ah, aldir...

Wednesday, March 25, 2009


Serei eu sua décima terceira sereia, navegando em seu mar morto?
Odalisca rebelde, em fúria por já dizer o improvável?
Serei uma noviça da vida,
uma amêndoa doce e oleosa.
Serei sua réptil de pele fina e forte e seca e voraz.
O que serei?
Serei sua.
Adaptada, contraditória, estapafúrdia,
doentia em sua mansão de três cores, seus atos.

Serei eu a onça além da jaula
impedindo contatos visuais.
Me toque, me queira.
Essa noite eu vou entrar em você.

Quem serei eu, no dia seguinte?
Uma víbora aleatória,
vendo minha presa dormir nas suas cortinas fracas
que não barram sol.
Serei ancora, vespa, azeda, sua, sua, sua.
-Intensamente-
Com medo das palavras que saírem de minha boca
ásperas, inseguras, sem medidas.
Te dedido, te exaspero.
Te espero em sua casa.
Nossos ofícios,
e o que será de mim presa a isso?
É o que eu quero. Te venero.

Longe de ti, saio a procura de qualquer alicerce e nada veste meu número e eu nada calço. Saio descalça, forjada, saio vomitando (alegria longe).
-Alegria, alegria.-
Um belo dia tomaremos o melhor vinho,
falaremos as maiores baixarias.
Vai fazer frio, calor, o tempo é a gente quem faz.
Te espero, porque veja bem, é muito insano,mas não tenho pressa.
Sinto obséquios, você não me teme.
Não te temo também.
Quero esperar você crescer, ainda vai?

Tentarei dormir, mas sinto as lembranças e a tal música martelando em minha cabeça. Quero engolir contigo, seu mundo, seu mundo,
se for mundo.
Eu não sossego, vou além.
Meus limites sórdidos me entregam
Estou sem forças, ainda bem.
Lágrimas de açúcar para me lembrar;
Sou sua, rapaz.
Não queira me entrelaçar em vão.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Friday, March 20, 2009

Ele terminou sussurrando e dizendo que a vida secretamente faria a equação de meus legados de um jeito efetivo. E o mundo, pois muitas coisas vêm daqui, seguiu metodicamente adiante de cada passo meu, mesmo que esses fossem cegos e/ou inadimplente, como às vezes, se ia. Eu perguntei e não soube fazer uma boa referência, de como era a lógica daquele momento, mas, sabe, fazer a pergunta sem nada poder esperar da resposta, não tem mesmo, emoção alguma. Eu socorri alguns valores afogados em minhas mágoas, eu sucumbi de tanta ansiedade por ser somente viva. E de vez em quando, eu lembrava de você sorrindo e saberia dedicar cada elemento que me compunha. A parte seis, por seis partes terá, será daqui a dez anos quando eu retornar enraizada dos meus mesmos anseios, deslizes, covardias. Da minha mesma e corriqueira ansiedade de se perguntar imaginando cada palavra que vai sair da sua boca. Estou com medo. É um medo bom. Tem gosto de amora e as sementinhas no final trincam meus dentes. Gosto de pegar as sensações e seqüestrá-las em meu coração dilacerado ora pela felicidade, ora pela tristeza. Hoje eu falei dele para você. Depois me veio besouros no estômago, voltaram a viver. Eles dormem, vivem se reproduzem e me aquecem, sempre que eu estou por dar na cara que vou protagonizar um anseio novo. É disso que eles são feitos e muitas vezes sou sim o parasitas deles, os besouros. Alguns tem cor de ouro, outros, pretos prateado. Suas funções são as mesmas. Igual a tudo no mundo.
Consigo entender o princípio da igualdade e isso não tem nada com a política monetária de nossos tempos- túneis- cruéis. Hoje eu ouvi poesia viva. Delas não saíram nenhuma palavra. E a lógica se travestiu de inquietação e isso, e mais todas as emoções vieram me conturbar novas agonias felizes. Sou do tipo que entende o bom lado das coisas ruins. Acho que o mundo me quer com esse dever. Ele me disse que secretamente as equações da minha vida, acontecem para me fazer feliz. E eu sei bem como inverte-las. Ele disse; você ainda quer mais? E eu; bem, eu queria isso para sempre. Igual no conto das meninas bonitas do meu colégio. As quais eu sempre tentava em vão imitar. Eu lhe contei sobre minhas modalidades e em como reflito confusamente as coisas e ele me perguntou um porque cheio de dúvidas e medo. E eu acho que é hora de parar de ser tão rude. Comigo, -comigo- e com os outros também. Exijo um mundo em condições responsáveis, assim, ajo como uma delinquente e me saio bem, ao contradizer a todos. Até o momento em que trombo com um sujeito qualquer, desses que mudam nossa vida, mesmo dormindo, de costas, ao meu lado. Então entendo tudo; os besouros e seu sorriso.

Monday, March 16, 2009


(O poeta sem palavras era ele.)
O poeta que me deixou sem riscos a dizer.
E eu só lembro de uma emoção maluca
me tombando, e eu,
caindo no chão sorria sem entender.
-Porra nenhuma-
Voltando para casa com um sol desgraçando meus horizontes e finalizando aqui dentro; que dia perfeito.
O poeta sem palavras roubou minha garganta e transformou tudo em melodia, em sensações
e eu, voltando pra casa, desgarrada, agredida de felicidade pensava; que música é aquela, que música é aquela, cacete?
Sabia.
Sabia que ia acontecer você um dia.

Tuesday, March 10, 2009


Eu vim aqui prestar contas
De poucos acertos
De erros sem fim
Eu tropecei tanto as tontas
Que acabei chegando no fundo de mim
O filme da vida não quer despedida
E me indica: ache a saída
E pede socorro onde a lua
Que encanta o alto do morro
Que gane que nem cachorro
Correndo atrás do momento que foi vivido
Venha de onde vier
Ninguém lembra porque quer
Eu beijo na boca de hoje
As lágrimas de outra mulher
Cinquenta anos são bodas de sangue
Casei com a inconstância e o prazer
Perdôo a todos, não peço desculpas
Foi isso que eu quis viver
Acolho o futuro de braços abertos
Citando Cartola:
- Eu fiz o que pude
Aos cinquenta anos
Insisto na juventude


Aldir, o mestre

Sunday, March 08, 2009


Rolou um tartar de salmão com alcachofras, azeitonas chilenas e azeite de espinafre de entradinha, para depois chegar um penne ao molho de abóbora. De sobremesa, brigadeiro de chocolate Lindit, café expresso e um gol de cabeça aos 47 para alongar minha rouquice que persiste desde o carnaval. Os amigos estavam todos reunidos com uma são paulina zicando a situação e uma Santista que chegou depois para dar um abraço. Foi lindo.
Sabe, sinceramente, eu sei de todas as bostas que rolam no futebol, e sei também o quanto ele já foi tão mais bonito antigamente. Sei que o ataque do Flamengo jamais será o mesmo; Zico, Adilho e Adão. Sei que futuramente haverá, infelizmente, mais torcedores são paulinos, ainda mais se eles vencerem a libertadores esse ano. Mas hoje, eles perderam feio. Do Mogi, de 2x0. E o Corinthians, arrancou um empate que seria só um empate, mais um, se não fosse a presença em campo do Ronaldo. O maior goleador de copas do mundo e boêmio pra caralho.

Temos que adaptar o futebol de hoje em dia? Pararmos de sermos saudosistas e dizer que a graça já não é mais como era antes? Sei lá. Muita coisa na qual sou apaixonada parece ter essa mesma questão; o samba, o punk e até meus amores, amizades.
Jogo com que tenho e as vezes tenho muita preguiça de poder fazer o melhor. Por hora faço, pois num processo maluco de resgate, e de salvação também, minha preguiça me afastou de pessoas maravilhosas. Maravilhosas, longe de mim. E eu desejo tudo de bom a elas. O meu caminho é pela esquerda.

Mas não era nada disso que eu queria dizer, o importante nisso tudo, é que ver o Corinthians jogar hoje, foi muito gostoso. Ver o gol, bem Corinthians, sair no final, somos e sempre seremos sofredores pra cacete, foi de fuder. Deu mais calor, deu vontade de falar um monte de coisa sem o sorriso sair da cara. E minha sala ficou parecendo um restaurante com um monte de gente falando ao mesmo tempo, fazendo piada, enfim, vivendo o momento.

Obrigada Ronaldo. Foi divertido pra caralho.

Saturday, February 21, 2009

Aí eu me desesperei
E a coisa virou confusão
No salão
Porque lembrei
Do seu sorriso aberto
Que era tão perto, que era tão perto
Em um carnaval que passou
Porque lembrei
Que esse frevo rasgado
Foi naquele tempo passado
O frevo que você gostou
E dançou e pulou

Foi quando topei com você
Que a coisa virou confusão
No salão
Porque parei, procurei
Não encontrei
Nem mais um sinal de emoção
Em seu olhar

A coisa virou confusão
Sem briga, sem nada demais
No salão
Porque a bagunça que eu fiz, machucado
Bagunça que eu fiz tão calado
Foi dentro do meu coração

Porque a bagunça que eu fiz, machucado
Bagunça que eu fiz tão calado
Foi dentro do meu coração

Tuesday, February 17, 2009


Uma folha revirando surpresas,
grudada no suor de um tronco antigo,
é a palma estampada num quadro na sala de estar.
Nada resume ou divide a saudade do meu velho.
O meu velho engaiolava as horas na sacada e
soltava sobre mim um passaredo de instantes infinitos.
Eu alimentava os momentos com a mão,
enquanto eles cantavam e sacudiam as asas.
Meu velho sabia capturá-los. Meu velho sabia das coisas.
Meu velho era uma tocha fincada no meu vazio
e eu jamais precisei procurá-lo.
Meu velho era onipresente. Ele tinha voz de deus.

Meu velho tinha o coração vermelho,
e uma sangria desatada pelas aflições do mundo.
Ele era pelos vagabundos.
Meu velho era do balcão. Ele sabia entardecer.
Meu velho era bom de viver.
Meu velho tinha uma lei e que foi desrespeitada.
Mas não há de ser nada.
Tentaram me arrancar do meu velho.
Me encheram de falsas sequelas.
Eles não sabem que o meu velho é uma estrela
que vem pousar todas as noites na minha janela.


Renato M.

Monday, February 16, 2009


“O mundo é muita sacanagem por fora e muito estranho por dentro”

Foi isso que eu ouvi ao querer sair fora daquele buteco imundo ao pensar mais uma daquelas minhas tolices de alguém que consumiu cerveja por demais.
Eu estava a caminho de casa quando um garoto me apareceu perguntando para onde eu ia.
Pra casa, respondi. E ele disse; deixe-me te acompanhar, estou aflito, querendo conversar contigo.
Achei melhor sim. E nós fomos conversando e ele me contou sobre seus interesses e sobre suas iniciativas e seu futuro. Estávamos descendo a Cardial. E eu disse; isso não é interessante. Você, não é interessante. E ele disse pra mim; não olhe para trás agora, não olha!
E eu olhei, mas não enxerguei nada, sou miupe, bêbada, me faço de vítima, sou podre, insegura. Não olhei quem era.
E hoje tem um olhar que desconfia tudo errado, de minhas probabilidades. Acho que era o olhar que eu não enxerguei. Talvez estivesse como eu, cega também. Cega de horrores desses que fazem a gente insistir na lama, na luta insana.
Igual quando dizem que se uma torcida organizada fosse organizada para outras coisas, atos nobres, o mundo seria melhor.Balela!
Eu tomei chuva e peguei ônibus no largo da batata. Nossa conversa foi longe e nada produtiva. Eu voltei pensativa, me sentindo estranha. Ele voltou para sua vidinha de garotinho família e o domingo chegou.

Caia uma chuva estranha e minha garganta arranhava ainda coisas da noite passada. Um gosto ridículo de cigarro na boa, uma sede filha da puta e eu nem tenho seu telefone para lhe dizer que você é uma criança louca. Que você me deixe quietinha e que era muito legal quando éramos pessoas bêbadas cantando samba. Agora você fez climinhas, ataques maluquinhos. E minha ressaca por culpa dos versos bem rimados, mal rimados, que vieram de você, não chegaram ao meu coração.

Friday, February 13, 2009


Sempre serei criança para muitas coisas, mas dessas crianças que trazem em si o adulto desde o princípio, de maneira que quando o monstrinho vira realmente adulto acontece que este por sua vez traz em si a criança, e nel mezzo del camin se dá uma coexistência poucas vezes pacífica de ao menos duas aberturas para o mundo.
Isto pode ser entendido metaforicamente, mas de qualquer modo indica um temperamento que não renunciou à visão pueril como preço da visão adulta e essa justaposição que caracteriza o poeta e talvez o criminoso e também o cronópio e o humorista (questão de dosagens diferentes, acentuação paroxítona ou proparoxítona, de escolhas: agora eu jogo, agora eu mato) se manifesta no sentimento de não estar totalmente em qualquer das estruturas, das teias que a vida constrói e onde somos ao mesmo tempo aranha e mosca.

Julio Cortázar,mestre

Thursday, February 12, 2009


E o mundo continua me cobrando atenção. Ele me joga na cara histórias lindas, feitas de lágrimas e ouro e cá eu estou. Os loucos também sobrevivem, as mulheres tristes, fardadas a infelicidade, também sobrevivem, o pobretão trabalhador, também. No meu país, na insalubridade, as pessoas sobrevivem. E eu me invoco no meu nada, com tantos “tudos” para fazer. Eu me provoco, eu deslizo, eu não fecho a porta para abrir outra. Eu me assusto fácil demais, como se um urso pudesse me comer a cada segundo.

Tuesday, February 10, 2009

Deu meia-noite e meia
Tem lua cheia pra alumiar
Do céu a estrela branca
Que cai, destranca
O portão do mar

Deixa a camisa fina
Da lamparina
Se encandiar
Que a luz do candeeiro
Faz o coqueiro
Se enfeitiçar

A onda é de ensurdecer
A brisa é de amenizar
Tem qualquer coisa de arrepiar

A lua é de endoidecer
O azul é de admirar
O céu é o espelho de Iemanjá

Em noite assim
As sereias costumam bordar
Rendas de prata
De estrelas caídas no mar
No manto de Janaína
Só faço o que gosto
E aquilo que creio
E se alguém não quiser entender
E falar, pois que fale
Eu não vou me importar com a maldade de quem nada sabe
E se alguém interessa saber
Sou bem feliz assim
Muito mais do que quem já falou ou vai falar de mim

Monday, February 09, 2009


A face de horror daquela causalidade.
E até quando eu vou recorrer as letrinhas catadas para exprimir em toscas frases o sentindo de coisas que não vejo.
O sebo deste papel esdrúxulo.
O sebo da alma de cada cabeça pensante
Exprime agora o que eu quero ser.

Sunday, February 08, 2009



Eu amo Banksy
-ops-

Saturday, February 07, 2009


“Nos dias de hoje
O samba ficou diferente
Não tem mais dolência
Mudou a cadência
E o povo nem sente
Sua melodia
É uma falsa alegria
Que passa com o vento
Ninguém percebeu
Mas o samba perdeu
Sua voz de lamento.”


O lamento se perdeu nas muitas regras, nas muitas lutas, nas muitas “atitudes” o samba perdeu a suavidade, a alegria. O samba virou um diz que me disse cheio de regras confusas de alguém que disse isso, de outro intocável que disse aquilo. E pensar que ao fazer uma imitação da velha guarda da Portela, tudo tinha que ser tão mais descontraído e não um sentimento de estranho orgulho por estar cantando músicas “inéditas”, fodas, que ninguém jamais saberá cantar. Um samba elitista. Uma pena de samba

O lamento se perdeu na falsa alegria que passa com o vento de uma classe média que apenas procura onde enfiar a cara para se conciliar com um movimento que nunca os pertenceu. É, nos dias de hoje o samba ficou diferente. Começa em uma noitada onde tudo que se cria, termina no vômito de quem bebeu demais.

Wednesday, January 28, 2009


O Fariseu “separado”


Sou como um fariseu. O que é um fariseu? Sou como uma rocha menina, rocha que aperta na mão. E as mãos, são suas, são suas. Sou os meus cabelos desgrenhados, sou a vendinha de meus avós no Brás, sou um fariseu atrasado. Pego meu ônibus, não consigo latir. Rosno baixinho, gosto de te provocar. Até que se zangue, que me ame. Vou te arrepiar os pelos do braço esquerdo, vou morder tua mandíbula, vou critica-lo. Não te aceitarei, pois tu és folha. marrom caindo sobre minha árvore verde, insana, ridícula. Você me pertence. Você não me odeia. Você me rejeitará para sempre. Para sempre não é uma frase pequena e muito forte. Para sempre é longo, e nada esquisito de se dizer. Cresci assim. Sou fada, sou lança de fogo queimando em dúvidas. Sou a paciência de meus amigos a cada vacilo dado. Sou entre luvas, dedinhos pequenos e roídos pelos meus dentes separados, sou um fariseu furioso, horripilante. Sou incrivelmente longe de ser. Sou planos, simulo ações. Simulações. Sou várzea, campo minado, lenha e lenha e lenha e sangue. E olhos de vidro, olhos de moça da china. Sou visivelmente ensandecida, agradecida, elogiada, desmerecida, trágica, insolente, abastecida, confusa, amável, derrotada. Sou a maior de minhas vitórias. Sou a melhor de todas, sozinha em meu quarto. Sou a coisa mais inteligente do século tal. Sou um estrago na parede estragada, uma pessoa ilegal. Sou uma mistura de vinho com sabotagem. Sou incrivelmente o dia mais bonito do mundo. E raramente sou católica, apostólica sou romana. Sou um fariseu meu caro homem. Estou disposta a tudo: a te fazer o homem mais feliz do mundo, a te fuder de vez. Deixe-me fumar a vontade e não reclame da fumaça,sim?.

Tuesday, January 27, 2009


Na tentativa de me achar, te perdi completamente. Agora, quero poder entender o porque desta culpa que não me larga, mesmo com todo os porres tomados, cigarros fumados, doces comidos. Sou agora, uma mulher prestes a fazer testes de revistas femininas, para saber qual é o meu problema. Preciso me culpar, preciso porque fui do mal, por que não te amei. Preciso me culpar, porque sempre tenho a culpa, ela é sempre minha. E eu fiz seu coração sangrar e quando outros corações sangram o meu, eu também, podes crer, me culpo igual.

Seguinte-ouça bem esta canção e pare de me mandar poesias lindas, arrebatadoras-.

Eu conheci um homem que não existia, ele era vascaíno, sociólogo, poeta, bebum,artista, ele era meu homem dos sonhos. Daí, tchum! Juro, ele não existia. Era apenas um inseguro que elaborou um plano para mexer com minhas seretoninas desequilibradas.

Ele sofreu, sofri também. Sofri querendo entender qual era o tipo de dor que se passava no momento. Ele sofreu de culpa, sofreu de medo, de raiva e depois, andou por aí, dizendo ao mundo que não ia ser um sofredor, só pelo fato de se desdobrar na loucura para que eu me encantasse. Tudo acabou. Ele sumiu, eu fui induzida a amar o desconhecido e embarquei nesta. Isso merecia outro parágrafo, mas os dois estão tão próximos que isto não vai acontecer. E o relacionamento que vivi, foi um desafio. Como se a cobrança do amor viesse aos meus pés, subindo pela minha cabeça e eu então namoraria, para ser normal,para ser bem falada na família, para que eu mesma acreditasse que casar,viver,filhos,netTV fosse possível logo, logo em minha vida. E, no entanto, não durou porque eu não agüentei passar por isso, sentindo que o amor era em meu coração, uma coisa outra, louca, louca, louca, que ainda não sei o que é.

Ele entristeceu, muito, a vera, pra cacete, pra valer. Eu fui viver, fui atrás de amores novos, pessoas que não me julgassem e imagine só, eu não encontrei ninguém. A não ser um belo par de olhos, muito infantis, ou então uma pessoa que seria só para me dar prazer e nem isso conseguiu. Eu adoro insistir nos meus erros.

Neste meio tempo, vieram imposições machistas, amarguradas que tive engolir seca, a todos os comentários que as pessoas destilavam através de sorrisos e sambas e isso me deixou muito fula da vida e ele entristeceu mais ainda, pois pra ele esse negocio de machismo funciona tão bem que ele vive sob essas regras. E eu fiquei mais fula ainda, sabendo disso. E agora dei pra sonhar.

Ontem achei que ia ter o pior pesadelo do mundo e tive o sonho mais lindo de todos. Sonhei com um homem bonito, carinhoso, atencioso, disposto a me ensinar onde estavam as coisas. E eu quero muito saber onde estão as coisas neste meu mundo. Eu amo o homem dos meus sonhos, pois ele me ensinou do que eu preciso. Eu não quero poesias nem homens filosóficos que me deixam a mercê, muito menos quero homens machistas que se acham os donos dos morros. Eu quero um homem lindo que deixe uma revista legal pra eu ler quando chegar em casa e que ponha bastante edredom na minha cama, porque de noite eu tenho frio.

Sunday, January 25, 2009


Tu te esfumarás...
Me neblinarei sobre os telhados,
Galáxia azuis.
Sonambularás, te voltearei
Gatos lambendo as estrelas...
Wendy e Peter Pan
Sem o amanhã-nunca, para nós dois,
É sempre cedo.
Marietarás e eu Buarquirei
Em dois cavalos com asas de luz.
Tu te nublarás, me eclipsarei...
Nuvens em nossa cabeça.
Toma, Peter Pan, só um Lexotan
Pra que tanto amor não te enlouqueça.
Vagalumarás por você sobre o campo,
Eu virei do mar, teu pirilampo...
Como um circo aceso,
O céu da manhã
Saudará o amor que não dormir.
Tu desabarás... eu despencarei...
E o amor azul vai nos cobrir...



Aldir, meu noivo mais novo...

Saturday, January 24, 2009


RCMD&C

Posso te chamar de desgraça boa? Posso te chamar de professor? Qual nome te dou, homem fantasma? Posso me chamar de aprendiz, de louca. Porque eu posso tudo. Até me apaixonar por alguém que não existe. Posso ir até Paquetá magoar corações. Posso lhe contar tudo, tim tim por tim tim e você pode me escrever infinitas dedicatórias de amor num livro velho e lindo de Ferreira Gullar. Posso descobrir que nada disso era verdade. Posso acordar de manha e querer saber como você esta?

Ontem fui ao samba. Ele estava lá, e me deu um oi seco, daqueles que não mereceriam tchau, como eu fiz. Fui embora sem me despedir, pois seu rosto era um damasco e eu já estava alcoolizando minhas atitudes. Teve um amigo seu muito solidário, por acaso, que teve o desplante de não me cumprimentar. E quer saber? Foi muito engraçado, por que depois de observar como os machistas se perpetuam eu lembrei da cena dele olhando para minha bunda quando ainda estávamos juntos, eu e você.

Eu e você meu bem, foi muito justo ter acabado. E foi triste também, mas eu não sinto saudades. Nem acho que devo me martirizar por isso.
Hoje eu sonhei que pela primeira vez, aquele homem que eu fui apaixonada me tratava com muito carinho, me carregava no colo e ria das minhas escolhas malucas. Era um sexo e tanto, o melhor, talvez. E aquele homem ainda vai me dizer a que veio

Na verdade eu sei muito bem disso. Ele veio ao resgate do meu primeiro amor, que eu nunca mais vi, que eu era uma menina medrosa que adorava quando ele beijava minha boca, bem forte e mordia meus lábios até eu sentir uma leve dor, que era a melhor coisa do mundo. Vocês dois são tão parecidos, até dói pensar. Inclusive parecidos nos desfechos, que nossas vidas deram. Vocês são dois puta loucos do caralho, isso sim.

E eu também. Foi isso que me disse o menino lindo que mora muito longe. Ele me acha uma maluca. E eu odeio isso. Quero que ele me leve a sério, que seja super legal, tudo isso. Quero que ele saiba que quando eu bebo, eu penso nele. E quando eu não bebo, penso também. Mas ele me diz que sou gostosa. E eu adoro ser gostosa, mas prefiro ser levada a sério. Ele jamais me apresentaria aos pais, pois eu sou uma doida. E isso, veja, já me aconteceu antes. Eu era apaixonada por um cara meio burro mais que fisicamente lembrava muito meu pai. E meu pai, tinha acabado de falecer. Me envolvi fielmente a ele. E ele jamais me levou a sua casa. E eu achava isso um soco no estomago, mas calava como uma mulherzinha babaca. E eu sei que se me apaixonar de novo por você, serei babaca de novo. Por que não tenho jeito. Ou então, porque talvez, seja esse meu jeito.

Friday, January 23, 2009


..."Tenho duas necessidade muito intesas: Uma, de me dar, de ser sensual e sexual, de amar intensamente. A segunda, de me sentir forte, completamente, e eficiênte no mundo. Em nossa cultura, é difícl para a mulher satisfazer a estas duas necessidades num relacionamento com um homem. O condicionamento do novo papel sexual e o sistema patriarcal fizeram com que seja contraditório para a mulher amar, e se dar, e mesmo assim ter uma indentidade forte e senti-se completa"...

Saturday, January 17, 2009

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será

Thursday, January 15, 2009

amor de verão não sobe a porra da serra, mesmo que ele tenha cabelo raspado pelos loirinhos e seja surfista sem cerébro.

Wednesday, January 07, 2009


Logo eu, sempre tão desajeitada, carinhosa em momentos ridículos, cheia de vergonhas dos meu olhos pesados de ressaca. Cheia de tattooagens, fumante, gritalhona.
Sou uma vitrine esquisita e toda vez que fecho a porta de minha casa quando você vai embora, tenho vontade de gritar;
-Garoto, vai procurar sua turma!

Mas o garoto liga (com medo) no dia seguinte e diz que minha casa tem cheiro de casa de praia. Logo quem. Logo eu que passei a vida inteira querendo saber qual cheiro ela tinha.

O que vai acontecer, é que você vai perceber o quão refinado você é para gostar de uma garota maluca, gritalhona, tattooada, fumante, cheia de problemas e inseguranças não divinas. E logo ao seu lado vai estar uma linda menina da qual o cabelo não vai ser tão ressecado e de sua boca não vai sair tantos palavrões e ela jamais vai ter crises tão ridículas quanto as minhas. E você vai preferir a ela, pois não há nada que um cara como você possa fazer.

Eu vou seguir a esquerda, pedir uma cerveja num balcão qualquer e pensar que talvez você tenha agido certo.
São verdes,
são verdes.
São cinzas.
E de todas as cores que eu desejar...

qualé a cor, meu bem, de seus olhos?

Saturday, December 27, 2008


BEL-São Sebastião- diz:
fez senac ele, engenharia ambiental
M. diz:
nussa, nem sabia q inha eng lah!
BEL-São Sebastião- diz:
hahaa tem sim AMBIENTAL
M. diz:
AUehea.. q isso faz?
M. diz:
vira disksexo tds eles?
BEL-São Sebastião- diz:
uahauhauhauahua
BEL-São Sebastião- diz:
não sei, mas __****____ é o maior putão
M. diz:
nada prejudica mais o meio ambiente do que uma mulher subindo pelas paredes, faremos de tudo para proteger o ecosistema!
M. diz:
Tss.. piada de nerds e eu ..

Thursday, December 25, 2008

"Os pinheiros assobiam, a tempestade chega:
Os cavalos bebem na mão da tempestade.

Amarro o navio no canto do jardim
E bato à porta do castelo na Espanha.
Soam os tambores do vento.

'Overmundo, Overmundo, que é dos teus oráculos,
Do aparelho de precisão para medir os sonhos,
E da rosa que pega fogo no inimigo?'
Ninguém ampara o cavaleiro do mundo delirante,
Que anda, voa, está em toda a parte
E não consegue pousar em ponto algum.
Observai sua armadura de penas
E ouvi seu grito eletrônico.

'Overmundo expirou ao descobrir quem era',
Anunciam de dentro do castelo na Espanha.
'O tempo é o mesmo desde o princípio da criação',
Respondem os homens futuros pela minha voz."

Murilo Mendes
(Poesia Liberdade-1947)




Ninguém amparou meu cavaleiro quando ele surgiu doente. Se eu descobrisse, me mataria. Me atiraria do prédio, para sempre. Para ir, indo devagarzinho embora, junto de ti. Mas acontece que eu descobri, e não me matei. E o que se seguiu foi muito esquisito e eu bem, eu também, sou bem esquisita. Quando vivi uma novidade, era ele. Meu cavaleiro adoentado, indo embora e eu não saberia dizer, adeus meu velho, adeus. Eu não soube fazer visitas, eu não soube evaporar as angustias e dizer para você que tudo ia ficar assim, ou assado. Pois eu não sei de nada. Eu tinha um medo terrível de te ver enforcado pela vida, daquela janela escrita. Eu não era parte daquela nuvem da qual pensei em me atirar quando você descobriu que tudo estaria definitivamente diferente, para sempre.

Tudo isso para dizer que eu ganhei uns olhares e perdi tantos outros com a sua ida.
Sabe, na verdade, você foi embora me ensinando a temperar a vida.
Mas me tirou de mim mesma.

Eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho.
E acho que nunca os tirei.
O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei.
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.

Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece.
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.
Eu vi muitos homens brigando. Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta,
é a coisa mais certa de todas as coisas.
Não vale um caminho sob o sol.
É o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.

Tuesday, December 16, 2008


-Certamente alguém contara este fato melhor que eu. Mas a escrita se fez compulsa em mim, sem ao menos verificar antes se eu a faria com destreza.-

Ele era um assassino. Quem mata alguém na porrada, é um assassino? Quantos são os nomes que podemos dar as coisas facínoras que acontecem no mundo, da qual a natureza humana excluiu como comportamento normal?
Ele era um assassino. Foi assim que o chamaram quando ele matou aquele homem na porrada. Motivo, não teve. O motivo era favas. Que cor é sua camisa? Verde. Não gosto. Gosto de branco, matem aquele cara. E uma vida inteira, dessas igual a nossa, toda infinita, foi-se embora naquele momento. E o assassino, seguiu-se assassino.
Um belo dia lamentou tudo isso e pulou da cama querendo lavar a mancha de sangue que tinha em sua alma, mas nada ali removia. E ele seguiu com essa dor por anos. Mudou de vida, de mulheres, de amigos, focou suas especialidades em outros nós e foi muito bom no que fez. Mesmo com a dor que picava, principalmente a noite, quando uma lembrança impedia que seus sonhos fossem a diante.Odiava-se por ter feito parte daquilo e agora sentia uma estranha-nojenta saudades, de correr, de matar, de vomitar as tripas do mundo aos olhos de quem quisesse ver. Por que as tripas do mundo não podem ser escondidas.
Dormiu engolindo lembranças, viveu trocando hábitos, deixando a veia para trás, tomando doses diárias de um mundo que não era o dele. Que era o meu.

E é aí que eu entro neste conto. Eu vivia sentadinha de perna de índio na vitrine da realidade. Curiosa, vendo o assassino. Ele era o herói que meus contos de fadas jamais permitiram contar. Ele era muita coisa que sempre tinha a palavra “cuidado” atrás.
Eu sou a menina mais medrosa do mundo. Eu me arrisco tão pouco, que sempre dói muito toda essa cautela. O assassino inveja isso. Eu invejo o assassino.
Tempos atrás, ele veio me procurar e me pôr na parede sobre causos de uma vida nada. Sobre besteiras daquela que se diz quando se bebe trocentas cervejas na esquina de um bar. Ele não esbravejou. Não disse ao menos, um palavrão. Enquanto eu, do outro lado, medrosa, gritava perguntando se ele era Deus.Falou cada palavra num tom meigo, nem parecia que estava me odiando por eu não estar seguindo suas regras. Contou-me parte de sua correria excluindo todo seu passado mais bonito. E eu já estava sentadinha, esperando ele me contar historias de perna de índio.

-O assassino queria me roubar.-
O assassino me roubou. Roubou tudo aquilo que ganhei, que usufrui, tudo aquilo que me formou. Roubou meu amor pela poesia, pelo violão sete cordas daquele homem. Ele me roubou e disse bem assim: “você não entende nada disso”.
Como se isso não fosse minha vida, assassino, como se isso não me pertencesse, desde o dia que eu nasci.
Sabe de uma coisa? Tire tudo de mim. Dispa-me de todas minhas ridículas injurias, de meus legados fodidos. Jogue na minha cara meus medos. Conte-me com razão, sua razão. Mas jamais, assassino, jamais tente me roubar a poesia. Essa sim bateu a porta de minha casa, bem antes de você as sabe-las.Quando você me conta um verso, assassino, eu vomito a poesia inteira.

(Sabe de uma coisa? Tenho lutado para saber também.)

Thursday, November 27, 2008


(Me desculpe e obrigada)

Desatinei na oitava nuvem do céu lilás de um dia subis calmo cintilante. Quando as borboletas laceravam entre estar vivas e se preparar para a morte. Sonhei alto, fingindo ser azul. Sonhei calmo, pois queria ser humana.
Sonhei com você dia desses. Volta e meia nos meus sonhos, somos juntos. Acordei querendo uma realidade tediosa que não me pegasse de surpresa para acasos loucos, daqueles que tanto me viciam. Você aceitou brincar de aliança logo no primeiro dia sem mesmo saber dos meus gostos. Eu não falava sua língua, mas nossas necessidades perdidas fizeram um acordo. Não foi paixão? Como saber? Abraços quietinhos e iluminações pós-coito, pós-conversas longas onde você sem duvida falava mais. Enquanto eu observava sua vida vivida em mil dias, mil horas. Um conto de fada, como você aceita a batalha da labuta, como brinca de ritmo, como adora viver.
Eu, do outro lado do mundo, me esforçando para achar tudo uma gracinha, me empenho de graça em achar vida nas pessoas dispostas. Alguém com olhos de vidro, com força de bomba, como se a realidade jamais pudesse alterar seu humor.
Enquanto eu rolava na cama com o tédio doentio que peguei desta classe média sem remédio. Nos colamos, encantados. Atrás de sonhos que jamais contaremos um ao outro: eu tenho um sonho. – Me conte. Não conto.Não sei contar.

Tuesday, November 25, 2008


Desatai o Futuro


O futuro
não virá por si só
se não tomarmos medidas.
Pega-o pelas orelhas, komsomol!
Pega-o pela cauda, pioneiro!

A comuna
não é uma princesa fantástica
com quem
de noite se sonha.

Calcula,
Reflete,
mira bem
e avança!
Embora sejam miudezas,
O comunismo
não reside apenas
na terra,
no suor das usinas.
Senão também no lar,
à mesa,
nas relações de família,
nos costumes.

Aquele que
no decorrer do dia
anda rangendo palavrões
como um eixo de carroça
ressecado,
aquele que
fica pasmado
quando geme a balalaika,
esses
não atingiram o talhe
do futuro.

Nas trincheiras
manejar metralhadoras,
não é apenas nisso
que consiste a guerra.

O ataque
à família,
ao lar,
não é para nós
ameaça menor.

Quem não agüentou
a tarefa doméstica
e dorme
no bem-bom
das rosas de papel,
esse
não atingiu o talhe
da poderosa vida
do porvir.

Qual uma peliça
o tempo também
roído
por vermes cotidianos.

Às vestes poeirentas
de nossos dias
cabe a ti, komsomol, sacudi-las!


Maiakovski [1925]

Sunday, November 16, 2008


(Eles são dois por engano. A noite corrige.)
-Eduardo Galeano

E se chover sapos, nós sairíamos correndo. E de baixo do posto de gasolina fechado, iríamos nos assustar e não acreditar. Como tudo na vida que não choca mais. Igual quando o Jornal Nacional decide qual vai ser minha próxima angustia. Igual quando o supermercado decide qual vai ser minha mais nova comida congelada preferida. E no cinema, o filme da vez, estará circulando na boca dos cults que tomam cervejinha num buteco meio limpo, meio sujo na R. Augusta. E mais tarde, vão para um sambinha se deliciar com os músicos que jamais poderão participar de suas profundas discussões sobre o crime, sobre o PCC. Afinal, cada coisa no seu lugar. Igual quando, todo dia de manhã e afinal de contas, são tantas responsabilidades como largar meu emprego ocioso e embarcar em algo que nunca me pertenceu para poder sentar lá na mesma mesa de bar, e contar, se eximindo da culpa, que faz parte do cansaço coletivo dos que na labutam perde o amor a vida.
Enquanto tudo isso me alfineta sem eu quase não perceber, me encanto com o novo e me imagino ganhando na loteria e ir de mala e tudo para aquele apartamento bem pertinho da praia,com vizinhos intelectuais e moçada supimpa. Fumo em silêncio, enquanto a discussão me pede respaldo político, pensando que um cometa poderia passar por ali. Fazendo todo mundo ficar feliz. Aí sim, seriamos todos iguais por longos 5 minutos.
Bom,
algum tempo depois, cá estou de novo para falar de minhas mais novas aquisições literárias. Hoje fui a FNAC. Nossa, eu odeio a FNAC, não sei porque. Assim como não gosto Anis, eu não gosto da FNAC. Lá tudo é caro e aparentemente você irá encontrar todos os títulos do mundo. Balela! A parte de livros é bem fraquinha e a de CD também. Além disso, da última vez que fui lá estava passando um show da Winehause na Tv hiper-mega-plus digital que tem lá pra vender. E hoje, adivinhem? O mesmo DVD, e pra aumentar a loucurinha, a mesma música! Minha mãe disse; nossa, que coincidência! Eu falei: que nada, isso já é tédio no mercado mesmo. Enfim.
Fomos para a parte de gastronomia, muitos títulos ruinzinhos e os bons, muito caros. Acabei comprando o Guia das Especiarias de Monika Viliken. E depois uma coisa bem fofuxa, umas edições de receitas que ficam dentro de uma caixinha e custam bem baratinhos. Como eu desconhecia a autoria, comprei a caixinha da salada, com 50 receitas.
Saindo dali, parando no box das promoções, vi logo de cara um dos meus novos preferidos, Eduardo Galeano com o título, Mulheres.
Eu me apaixonei pelo Galeano no Maranhão, depois corri atrás dele na internet e fui amando cada vez mais. Já dei uma lida neste livro que comprei hoje e já semi me apaixonei de novo!

Aqui vai um mini relato que esta no livro:

Rosa Maria Mateo, uma das figuras mais populares
da televisão espanhola, me contou esta história.
Uma mulher tinha escrito uma carta para ela, de algum
lugarzinho perdido, pedindo que por favor contasse
a verdade:
-Quando eu olho para a senhora, a senhora
está olhando para mim?

Rosa Maria me contou, e disse que não sabia o
que responder.

Galeano é foda!
Parece que ele respira o mundo inteiro, pelo
nariz. Igual quando eu corto cebola e percebo que o que me faz chorar é o ardido que respiro. O ar-ardido vai pro olho, que não agüenta e faz lágrimas.
Acho que o Galeano vê o mundo pelo nariz.



-será?