Saturday, January 17, 2009

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será

Thursday, January 15, 2009

amor de verão não sobe a porra da serra, mesmo que ele tenha cabelo raspado pelos loirinhos e seja surfista sem cerébro.

Wednesday, January 07, 2009


Logo eu, sempre tão desajeitada, carinhosa em momentos ridículos, cheia de vergonhas dos meu olhos pesados de ressaca. Cheia de tattooagens, fumante, gritalhona.
Sou uma vitrine esquisita e toda vez que fecho a porta de minha casa quando você vai embora, tenho vontade de gritar;
-Garoto, vai procurar sua turma!

Mas o garoto liga (com medo) no dia seguinte e diz que minha casa tem cheiro de casa de praia. Logo quem. Logo eu que passei a vida inteira querendo saber qual cheiro ela tinha.

O que vai acontecer, é que você vai perceber o quão refinado você é para gostar de uma garota maluca, gritalhona, tattooada, fumante, cheia de problemas e inseguranças não divinas. E logo ao seu lado vai estar uma linda menina da qual o cabelo não vai ser tão ressecado e de sua boca não vai sair tantos palavrões e ela jamais vai ter crises tão ridículas quanto as minhas. E você vai preferir a ela, pois não há nada que um cara como você possa fazer.

Eu vou seguir a esquerda, pedir uma cerveja num balcão qualquer e pensar que talvez você tenha agido certo.
São verdes,
são verdes.
São cinzas.
E de todas as cores que eu desejar...

qualé a cor, meu bem, de seus olhos?

Saturday, December 27, 2008


BEL-São Sebastião- diz:
fez senac ele, engenharia ambiental
M. diz:
nussa, nem sabia q inha eng lah!
BEL-São Sebastião- diz:
hahaa tem sim AMBIENTAL
M. diz:
AUehea.. q isso faz?
M. diz:
vira disksexo tds eles?
BEL-São Sebastião- diz:
uahauhauhauahua
BEL-São Sebastião- diz:
não sei, mas __****____ é o maior putão
M. diz:
nada prejudica mais o meio ambiente do que uma mulher subindo pelas paredes, faremos de tudo para proteger o ecosistema!
M. diz:
Tss.. piada de nerds e eu ..

Thursday, December 25, 2008

"Os pinheiros assobiam, a tempestade chega:
Os cavalos bebem na mão da tempestade.

Amarro o navio no canto do jardim
E bato à porta do castelo na Espanha.
Soam os tambores do vento.

'Overmundo, Overmundo, que é dos teus oráculos,
Do aparelho de precisão para medir os sonhos,
E da rosa que pega fogo no inimigo?'
Ninguém ampara o cavaleiro do mundo delirante,
Que anda, voa, está em toda a parte
E não consegue pousar em ponto algum.
Observai sua armadura de penas
E ouvi seu grito eletrônico.

'Overmundo expirou ao descobrir quem era',
Anunciam de dentro do castelo na Espanha.
'O tempo é o mesmo desde o princípio da criação',
Respondem os homens futuros pela minha voz."

Murilo Mendes
(Poesia Liberdade-1947)




Ninguém amparou meu cavaleiro quando ele surgiu doente. Se eu descobrisse, me mataria. Me atiraria do prédio, para sempre. Para ir, indo devagarzinho embora, junto de ti. Mas acontece que eu descobri, e não me matei. E o que se seguiu foi muito esquisito e eu bem, eu também, sou bem esquisita. Quando vivi uma novidade, era ele. Meu cavaleiro adoentado, indo embora e eu não saberia dizer, adeus meu velho, adeus. Eu não soube fazer visitas, eu não soube evaporar as angustias e dizer para você que tudo ia ficar assim, ou assado. Pois eu não sei de nada. Eu tinha um medo terrível de te ver enforcado pela vida, daquela janela escrita. Eu não era parte daquela nuvem da qual pensei em me atirar quando você descobriu que tudo estaria definitivamente diferente, para sempre.

Tudo isso para dizer que eu ganhei uns olhares e perdi tantos outros com a sua ida.
Sabe, na verdade, você foi embora me ensinando a temperar a vida.
Mas me tirou de mim mesma.

Eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho.
E acho que nunca os tirei.
O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei.
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.

Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece.
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.
Eu vi muitos homens brigando. Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta,
é a coisa mais certa de todas as coisas.
Não vale um caminho sob o sol.
É o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.

Tuesday, December 16, 2008


-Certamente alguém contara este fato melhor que eu. Mas a escrita se fez compulsa em mim, sem ao menos verificar antes se eu a faria com destreza.-

Ele era um assassino. Quem mata alguém na porrada, é um assassino? Quantos são os nomes que podemos dar as coisas facínoras que acontecem no mundo, da qual a natureza humana excluiu como comportamento normal?
Ele era um assassino. Foi assim que o chamaram quando ele matou aquele homem na porrada. Motivo, não teve. O motivo era favas. Que cor é sua camisa? Verde. Não gosto. Gosto de branco, matem aquele cara. E uma vida inteira, dessas igual a nossa, toda infinita, foi-se embora naquele momento. E o assassino, seguiu-se assassino.
Um belo dia lamentou tudo isso e pulou da cama querendo lavar a mancha de sangue que tinha em sua alma, mas nada ali removia. E ele seguiu com essa dor por anos. Mudou de vida, de mulheres, de amigos, focou suas especialidades em outros nós e foi muito bom no que fez. Mesmo com a dor que picava, principalmente a noite, quando uma lembrança impedia que seus sonhos fossem a diante.Odiava-se por ter feito parte daquilo e agora sentia uma estranha-nojenta saudades, de correr, de matar, de vomitar as tripas do mundo aos olhos de quem quisesse ver. Por que as tripas do mundo não podem ser escondidas.
Dormiu engolindo lembranças, viveu trocando hábitos, deixando a veia para trás, tomando doses diárias de um mundo que não era o dele. Que era o meu.

E é aí que eu entro neste conto. Eu vivia sentadinha de perna de índio na vitrine da realidade. Curiosa, vendo o assassino. Ele era o herói que meus contos de fadas jamais permitiram contar. Ele era muita coisa que sempre tinha a palavra “cuidado” atrás.
Eu sou a menina mais medrosa do mundo. Eu me arrisco tão pouco, que sempre dói muito toda essa cautela. O assassino inveja isso. Eu invejo o assassino.
Tempos atrás, ele veio me procurar e me pôr na parede sobre causos de uma vida nada. Sobre besteiras daquela que se diz quando se bebe trocentas cervejas na esquina de um bar. Ele não esbravejou. Não disse ao menos, um palavrão. Enquanto eu, do outro lado, medrosa, gritava perguntando se ele era Deus.Falou cada palavra num tom meigo, nem parecia que estava me odiando por eu não estar seguindo suas regras. Contou-me parte de sua correria excluindo todo seu passado mais bonito. E eu já estava sentadinha, esperando ele me contar historias de perna de índio.

-O assassino queria me roubar.-
O assassino me roubou. Roubou tudo aquilo que ganhei, que usufrui, tudo aquilo que me formou. Roubou meu amor pela poesia, pelo violão sete cordas daquele homem. Ele me roubou e disse bem assim: “você não entende nada disso”.
Como se isso não fosse minha vida, assassino, como se isso não me pertencesse, desde o dia que eu nasci.
Sabe de uma coisa? Tire tudo de mim. Dispa-me de todas minhas ridículas injurias, de meus legados fodidos. Jogue na minha cara meus medos. Conte-me com razão, sua razão. Mas jamais, assassino, jamais tente me roubar a poesia. Essa sim bateu a porta de minha casa, bem antes de você as sabe-las.Quando você me conta um verso, assassino, eu vomito a poesia inteira.

(Sabe de uma coisa? Tenho lutado para saber também.)

Thursday, November 27, 2008


(Me desculpe e obrigada)

Desatinei na oitava nuvem do céu lilás de um dia subis calmo cintilante. Quando as borboletas laceravam entre estar vivas e se preparar para a morte. Sonhei alto, fingindo ser azul. Sonhei calmo, pois queria ser humana.
Sonhei com você dia desses. Volta e meia nos meus sonhos, somos juntos. Acordei querendo uma realidade tediosa que não me pegasse de surpresa para acasos loucos, daqueles que tanto me viciam. Você aceitou brincar de aliança logo no primeiro dia sem mesmo saber dos meus gostos. Eu não falava sua língua, mas nossas necessidades perdidas fizeram um acordo. Não foi paixão? Como saber? Abraços quietinhos e iluminações pós-coito, pós-conversas longas onde você sem duvida falava mais. Enquanto eu observava sua vida vivida em mil dias, mil horas. Um conto de fada, como você aceita a batalha da labuta, como brinca de ritmo, como adora viver.
Eu, do outro lado do mundo, me esforçando para achar tudo uma gracinha, me empenho de graça em achar vida nas pessoas dispostas. Alguém com olhos de vidro, com força de bomba, como se a realidade jamais pudesse alterar seu humor.
Enquanto eu rolava na cama com o tédio doentio que peguei desta classe média sem remédio. Nos colamos, encantados. Atrás de sonhos que jamais contaremos um ao outro: eu tenho um sonho. – Me conte. Não conto.Não sei contar.

Tuesday, November 25, 2008


Desatai o Futuro


O futuro
não virá por si só
se não tomarmos medidas.
Pega-o pelas orelhas, komsomol!
Pega-o pela cauda, pioneiro!

A comuna
não é uma princesa fantástica
com quem
de noite se sonha.

Calcula,
Reflete,
mira bem
e avança!
Embora sejam miudezas,
O comunismo
não reside apenas
na terra,
no suor das usinas.
Senão também no lar,
à mesa,
nas relações de família,
nos costumes.

Aquele que
no decorrer do dia
anda rangendo palavrões
como um eixo de carroça
ressecado,
aquele que
fica pasmado
quando geme a balalaika,
esses
não atingiram o talhe
do futuro.

Nas trincheiras
manejar metralhadoras,
não é apenas nisso
que consiste a guerra.

O ataque
à família,
ao lar,
não é para nós
ameaça menor.

Quem não agüentou
a tarefa doméstica
e dorme
no bem-bom
das rosas de papel,
esse
não atingiu o talhe
da poderosa vida
do porvir.

Qual uma peliça
o tempo também
roído
por vermes cotidianos.

Às vestes poeirentas
de nossos dias
cabe a ti, komsomol, sacudi-las!


Maiakovski [1925]

Sunday, November 16, 2008


(Eles são dois por engano. A noite corrige.)
-Eduardo Galeano

E se chover sapos, nós sairíamos correndo. E de baixo do posto de gasolina fechado, iríamos nos assustar e não acreditar. Como tudo na vida que não choca mais. Igual quando o Jornal Nacional decide qual vai ser minha próxima angustia. Igual quando o supermercado decide qual vai ser minha mais nova comida congelada preferida. E no cinema, o filme da vez, estará circulando na boca dos cults que tomam cervejinha num buteco meio limpo, meio sujo na R. Augusta. E mais tarde, vão para um sambinha se deliciar com os músicos que jamais poderão participar de suas profundas discussões sobre o crime, sobre o PCC. Afinal, cada coisa no seu lugar. Igual quando, todo dia de manhã e afinal de contas, são tantas responsabilidades como largar meu emprego ocioso e embarcar em algo que nunca me pertenceu para poder sentar lá na mesma mesa de bar, e contar, se eximindo da culpa, que faz parte do cansaço coletivo dos que na labutam perde o amor a vida.
Enquanto tudo isso me alfineta sem eu quase não perceber, me encanto com o novo e me imagino ganhando na loteria e ir de mala e tudo para aquele apartamento bem pertinho da praia,com vizinhos intelectuais e moçada supimpa. Fumo em silêncio, enquanto a discussão me pede respaldo político, pensando que um cometa poderia passar por ali. Fazendo todo mundo ficar feliz. Aí sim, seriamos todos iguais por longos 5 minutos.
Bom,
algum tempo depois, cá estou de novo para falar de minhas mais novas aquisições literárias. Hoje fui a FNAC. Nossa, eu odeio a FNAC, não sei porque. Assim como não gosto Anis, eu não gosto da FNAC. Lá tudo é caro e aparentemente você irá encontrar todos os títulos do mundo. Balela! A parte de livros é bem fraquinha e a de CD também. Além disso, da última vez que fui lá estava passando um show da Winehause na Tv hiper-mega-plus digital que tem lá pra vender. E hoje, adivinhem? O mesmo DVD, e pra aumentar a loucurinha, a mesma música! Minha mãe disse; nossa, que coincidência! Eu falei: que nada, isso já é tédio no mercado mesmo. Enfim.
Fomos para a parte de gastronomia, muitos títulos ruinzinhos e os bons, muito caros. Acabei comprando o Guia das Especiarias de Monika Viliken. E depois uma coisa bem fofuxa, umas edições de receitas que ficam dentro de uma caixinha e custam bem baratinhos. Como eu desconhecia a autoria, comprei a caixinha da salada, com 50 receitas.
Saindo dali, parando no box das promoções, vi logo de cara um dos meus novos preferidos, Eduardo Galeano com o título, Mulheres.
Eu me apaixonei pelo Galeano no Maranhão, depois corri atrás dele na internet e fui amando cada vez mais. Já dei uma lida neste livro que comprei hoje e já semi me apaixonei de novo!

Aqui vai um mini relato que esta no livro:

Rosa Maria Mateo, uma das figuras mais populares
da televisão espanhola, me contou esta história.
Uma mulher tinha escrito uma carta para ela, de algum
lugarzinho perdido, pedindo que por favor contasse
a verdade:
-Quando eu olho para a senhora, a senhora
está olhando para mim?

Rosa Maria me contou, e disse que não sabia o
que responder.

Galeano é foda!
Parece que ele respira o mundo inteiro, pelo
nariz. Igual quando eu corto cebola e percebo que o que me faz chorar é o ardido que respiro. O ar-ardido vai pro olho, que não agüenta e faz lágrimas.
Acho que o Galeano vê o mundo pelo nariz.



-será?

Tuesday, November 04, 2008



Criaremos nossos filhos, pagaremos contas pela internet, faremos amigos imaginários, pediremos licença ao passar, obrigado ao sair e filha da puta ao não concordar. Odiaremos os políticos, beberemos cervejinha. Vamos ao super, vamos ao banco, vamos ao Guarujá. Compraremos a verdadeira maionese, sorriremos para os odiáveis, amaremos os que não amamos mais, faremos cheques sem fundo, sem valor, fumaremos cigarros.
E vamos chorar ao ver um filme, vamos rir dos preços das coisas, vamos revolucionar o mundo dentro de um apartamento (bêbados), vamos buscar as crianças do colégio, levar ao dentista, brigar por causa de uma escova de dente, arremessar as crianças no escuro e lhes desejar boa noite, foda-se seus medos, foda-se suas vontades, afinal, a casa é minha o pedreiro chega as sete e a empregada esta de férias no Capão Redondo, seu filho ta cheirando pó e a mais nova gosta de Xuxa e reza sem saber, pois papai é evangélico e Maluf constrói túneis e assim vamos alugar um Dvd no fim de semana e não fazer nada e descansar, pois a segunda é uma labuta e seu chefe é um ordinário seu marido um otário seu filho só lhe traz preocupação e cabula a aula de inglês e não quer ser mais escoteiro e outro dia você achou maconha dentro das coisas dele. Mas seu vizinho não pode saber você sofre de depressão, seu carro não têm seguro, suas dividas só aumentam e você chora e nem sabe porque e domingo tem fantástico e seu marido não sabe onde é o clitóris e mesmo assim você finge e não goza você come brigadeiro e odeia sua manicura e sente inveja de algo que nunca viveu pois pra você a vida é simples é boa é legal, é um patins.

Monday, November 03, 2008


Sexta-feira rolou uma avaliação no curso de gastronomia do qual estou cursando e adorando, diga-se de passagem, e o Chef disse palavras muito interessantes ao meu respeito; Isabel, gosto muito do seu trabalho, apesar de ver traços de desorganização, mas isso é o seu jeito, ta tudo beleza, só precisa tomar cuidado. No mais, tudo maravilha, você é pau pra toda obra, se relaciona muito bem com todos, esta sem muito bem disposta e tem tido bom resultado, seus feitos por aqui.

Sai de lá dando risada. Foi a primeira vez que eu ouvi alguém dizer que eu sou muito disposta. Que eu sou pau pra toda obra, também não sabia, mas adorei saber. Já minha desorganização, putz, isso eu ouvi a vida inteira. Ela é fruto de minha acentuada vezes nove mil, ansiedade. Aliais, parando para fazer um balanço, não há quase nada de bom neste meu distúrbio ansioso, e putz, já vou dizendo, tratar dela não é nada fácil. Já passei por inúmeras tentativas, desde de remédio, terapia, mudanças bruscas de vida, e ela, insiste em tomar fermento, crescer, explodir, me atirar para todos os lados, fazer de mim corredora da vida, às pressas, sem jeito, metade louca, metade mulher.

Porém, e sempre tem um, porém, ultimamente, tenho ficado muito ansiosa, como de praxe, mas também muito tranqüila, com a vida calma, com o coração carinhosamente calmo, com vícios moderados, e o melhor, tenho ficado disposta. Sim. Essa palavrinha querida usada pelo Chef para me avaliar, coube direitinho neste meu momento e eu fiquei feliz de ouvir isso de outra pessoa.
É bom acordar cedo, ter mil atividades, fazer coisinha, namorar, tomar cervejinha, gostar de ver a sexta-feira chegar, encontrar os amigos, ouvir um samba, fazer comidinhas. É bom alugar um filme, mas não quinhentos filmes e ficar o dia inteiro na frente da TV. Falando nela, minha TV, dia desses, queimou. É, pifou, apagou de vez, não liga mais. Aí eu penso que tudo tem seu tempo, num processo louco e maluco. Quem me conhece sabe de minha miopia, sabe como eu ficava com a cara grudada sentindo o calor da TV na minha cama vendo as horas passarem sem nenhuma disposição para atacar o mundo. Então, certa vez, numa tentativa de mudança, afastei bem longe da tv do meu rosto, para o outro lado do quarto e tudo foi melhorando. Então, eis que ela morreu, longe de mim, sem que eu pudesse sentir sua falta. Morreu e tudo bem, quem precisa dela mesmo?

Eu não tenho muitas supertições, não acredito em horóscopo, nem em cartas de tarô. Mas, eu adoro fazer metáforas psicológicas do equilíbrio da minha vida, com fatos bestas que acontecem no meu cotidiano. Como o quebrar da TV, no exato momento em que eu tenho uma disposição reconhecida e um companheiro para matar meu tédio.
Além disso, conto com novas pessoas ao meu redor e com um resgate que tenho feito de antigas amizades, numa tentativa de cercar mais meu coração de pessoas queridas, que valem a pena.Já outras, as que sumiram do mapa, talvez pra sempre se percam, e talvez isso, pode ser um ato frio de minha parte, mas não me fará falta alguma. Gosto dos sentimentos transbordados, das coisas quentes e dos abraços apertados e verdadeiros. Mas gosto também do respeito. Das visitas com cigarrinhos e cervejas e de novas pessoas que o tempo encaixa na nossa trilha. E também, das velhas intimidades.

Ganhei, perdi, ganhei, perdi, perdi, ganhei, ganhei.
Muitas vezes não fui, muitas vezes eu era a peça do quebra cabeça que não encaixava em parte alguma, muitas vezes a falta de meu pai, fez com que eu caísse como quem esperava por ele no meio do escuro. Muitas vezes, era difícil ficar de pé.Literalmente. E muitas vezes também, minha cabeça funcionava a três mil por hora e eu achava que ia ser atropelada por meus pensamentos confusos, sem nexo. Muitas vezes era difícil me olhar no espelho, fazer um texto com pontuação, decorar um bolo sem pressa. Acordar e cumprir com a vida.
Hoje, muitos são feitos aos poucos, e muitos deles, com carinho também. E pela primeira vez, e quem me lê sabe disso, pela primeira vez, ai que meda, esta tudo bem...
Igual àquela frase no meu braço direito, que seu cruza-lo, vai direto ao coração.

Friday, October 31, 2008


"OLHA A MINHA CARA DE QUEM GOSTA DE VOCÊ"


Este blog esta ficando interessante,
vou começar a responder aqui, para os covardes anônimos que insistem em emudecer ao me ver na rua, mas soltam as medrosas asinhas virtualmente:

Assim segue:


Anonymous said...
O elevado potencial que você tem para apontar o dedo para as pessoas e conseguir humilhá-las é inversamente proporcional à sua capacidade de olhar para si mesma e encontrar dentro de você os seus infinitos defeitos.
Pense: quando apontamos um dedo para alguém, existem três na nossa própria direção.


Direito de resposta. Pode né?
(já que na rua, você não quer encarar, vai desta forma mesmo).


Foi até bem bonitinho o primeiro parágrafo, já o segundo com essa frase manjada, vindo de você, pessoa tão culta e inteligente, não sei, esperava mais...

Agora covardia?
Sério mesmo?
Coloca o nominho aí, diga a que veio, me tromba na rua, olho no olho, pagar de anônimo faz de você um bobo alegre digno de risadas, bem dadas, bem altas, como eu adoro fazer. Que potencial, né?

Quanto a me julgar,
só mostra o quanto você é um preconceituoso que mal sabe a que veio, coisa bem pequena mesmo, dessas que a gente pensa e lamenta.

Não me conhece, -não ouse a me julgar-, ainda mais no anonimato.
Tem medinho de que? De ver a verdade, ou toda essa plenitude desabar diante de meus olhos?

Monday, October 27, 2008


O amor é filme
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade, da dúvida, dor de barriga
É drama, aventura, mentira, comédia romântica


Um belo dia a a gente acorda e hum...
Um filme passou por a gente e parece que já se anunciou o episódio dois
É quando a gente sente o amor se abuletar na gente tudo acabou bem,
Agora o que vem depois

É quando as emoções viram luz, e sombras e sons, movimentos
E o mundo todo vira nós dois,
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
O Zoom in dá ré e sobem os créditos

O amor é filme e Deus espectador!

"- A gente devia ser como o pessoal do filme, poder cortar as partes chatas da vida, poder evitar os acontecimentos!
Num é?!?!"

“Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la –, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me mesmo seja de novo a mentira que vivo.”

Sunday, October 26, 2008


Carta a um bom rapaz virtual,
Carta um bom mentiroso real.

Começo lhe dizendo que ainda me rogo de certezas incrédulas que lerá e nada terá a dizer a respeito das coisas que escrevo. Assim como dificilmente foi possível acreditar em alguma coisa que viesse de você, ou de letras tecladas via MSN. O mundo, irreal é maluco e gostoso quando a gente lê Platão. Mas quando a força, roça a forca e o cerco aperta, pra onde correr?
E o coração? Se joga também, brinca de elástico e serve de descarrego para quem nunca viu o amor. Entenda uma coisa, eu hoje estou com raiva. Raiva por você ser tão mal agradecido, raiva por você mentir, desmentir e ora, agora, você aí, mentindo de novo. Levando seus amigos de cabeça de papel para seguir do seu lado como se uma pobre vítima precisasse de um ombro amigo.
Hilário, chega a ser hilário se não fosse o fato de quando você se fez de super homem, ilustrando coisas de sua mente doente, que mente e nem sente, estava tudo bem. Agora que a realidade deu três tapas na sua fuça, você se joga em ironia sua culpa em cima da pessoa que mais você prejudicou nesta historia toda, uhm, ainda não sacou?

Uma época eu pensei que sua inteligência fosse capaz de sobreviver em meio a tanto marasmo e mesmice que é sua vida atrás da tela. Hoje em dia, duvido de sua capacidade.Não da de mentir, nem a de beber, muito menos a de copiar seus amigos, mas a de ser você mesmo. Deve doer? Sinto muito, não sou culpada. Machucou, pois você não sabe brincar. E agora, uma super mulher, aquela a qual você dedicou suas inseguranças poéticas, se apaixonou por um homem de verdade, por mais um desses que você tanto queria ser, citou inclusive, que era você. E os dois, estão felizes. E a mulher libertaria, vai se libertando cada vez mais, até que o homem mentiroso veja que seu machismo é mais nojento que suas mentiras e que sua insegurança fez de você mais um fanfarrão. E que seus amigos, ah, isso eu aposto, soubessem da mancada que você fez antes desta massa virar bolo, ai sim, não teriam me tratado de maneira tão ríspida.
Você é babaca, e eu tenho dó.

Ass: "PEIXE VILÃO"

Thursday, October 02, 2008


Eu caminhava, as mãos soltas nos bolsos gastos;
O meu paletó não era bem o ideal;
Ia sob o céu, Musa! Teu amante leal;
Ah! E sonhava mil amores insensatos

Minha única calça tinha um largo furo.
Pequeno Polegar, eu tecia no percurso
Um rosário de rimas. A Grande Ursa,
O meu albergue, brilhava no céu escuro.


Sentado na sargeta, só, eu a ouvia
Nessa noite de setembro em que sentia
O odor das rosas, que vinho vigoroso!

Ali, entre inúmeros ombros fantásticos,
Rimava com a débil lira dos elásticos
De meus sapatos, e o coração doloroso!


Rimbaud