Wednesday, October 19, 2005

confundi os limites/ senhor porcaria

Eu não correspondo a sua altura.
Eu não moraria na sua casa, não teria sua vida e o nome dos meus filhos não seria o mesmo nome que os meus. Eu não gosto de você. Dessa sua vidinha mansa. Eu me pergunto qual é o trabalho. Ele não se pergunta, apenas acorda e vai. Afinal de contas já faz 40 anos. Afinal de contas, não teria um bom final. Ela se surpreenderia com poucos fatos criados. Eu me surpreendo me olhando no espelho. Na era, que gera as forças das mesmas coisas básicas que eu gosto de usar, que eu seria. Eu tomando remédio pra cabeça, ela tomando remédio pro estomago. Sendo sempre quem fui, eu não vou até seu consultório. Eu me humilharia, ele nunca iria admitir. Eu choro, erro grito e me desespero, e incluo isso na minha experiência de vida. Passo a passo, nos gestos da tórrida visão que me prepara. Ela disse que ficou seis anos fazendo coisas que não lembra, mas tem uma linda voz, um lindo rosto. Então ta tudo bem. Eu remexeria, e poderia sim ficar noventa anos na análise, mas não mudaria quem sou. Eu me preocupo tanto, que chego a nunca a me preocupar, você pode entender isso?


Tudo faz parte de um único desespero. Mas até ai, eu não sei se devo entender esta sua loucura. Na manha. Ela liga a televisão e vê um filminho bão. Eu olho pra tv e percebo que respiro plástico, que todos podem me sugar.
Eu gostaria de tentar, ou de, continuar a viver
Eu não me arrependo
Eu ando de peito aberto. E vou surtar quando abandonar meus sonhos
Quais são?

Você sorri num gesto sincero e eu aceito um abraço infinito
Agora eu ando olhando pro céu imaginando as coisas bem ao meu alcance

1 comment:

Worm said...

Eu choro, erro grito e me desespero, e incluo isso na minha experiência de vida.

Lindo isso.