Friday, January 29, 2010


Para poder saber como vai você e poder lhe dar um abraço, daí querer que você fiquei comigo olhando lá pra frente e eu vou sim estar sempre com medo. É que eu não sei que me dá, mas sempre fui dessas. Mas que eu tenho também de olhar. E eu olho, acredite, pois sendo assim, aprendi que não sei medir. Logo, entro numas igual super homem e nas mais suaves, sou como formiguinha. Não vou pedir que encare. As vezes, nem eu encararia. Mas sei da profundidade. E o que são nossos olhares de cima, pra frente. Ou mesmo deitados, na cama, faz sol.
Para poder saber como você sente. E então aproveito para dizer o que sinto também. Sempre saio na frente, pois aí sim, ora veja, sou destemida. Então curso o contrário, você, sabia, tem duvidado. Agora as peças são nossas. Para saber como pegar na sua mão e ter o melhor de você dentro de mim. E o que seria de mim, sem o pior de você. Para saber como me confortaria. E se acaso você se ausentasse, eu me defenderia. Para que eu saiba mais de mim. Para saber como é quando você me tem. Depois você vai embora. E eu fico com seu silêncio também. Quantas coisas passam na sua cabeça, que você tranquilamente diria que é exagero meu. Sou um exagero seu. E desculpe, não sei lidar com meus próprios grilos a solta por todo apartamento quente. Suado.
Para poder saber como você me veria reagindo. E eu lhe veria sentindo desconfortável. E então você adia, e me diz; não é nada daquilo que você pensa. E onde eu, nessas horas, vou com minha cabeça. Para saber mais de você me vendo. Queria que fosse orgulho. Mas de certo, cometerei algum erro ao tentar pronunciar palavras belas. Ou mesmo um mim, que não conjuga verbo. Eu sairia arrasada?
Para saber se eu fosse só sucesso. E na sua cara, um alívio. Aí sim, meu caro, seria ruim. Sairia arrasada? Ao contrario de todos que eu já tive, eu não lhe inspiro orgulho. E é meu frescor no ar, meu desenho, minha feições que lhe chamam? Eu sairia desta, conturbada. Mas meus dias por si só, tem essa característica. Nada de novo.
Por fim, e se o por fim próximo esta, para saber como vai você nesta estrada se partindo ao meio. Eu do dois lados. Eu só de um. E você, escolhendo. Ai eu paro.
Tarde demais.

Wednesday, January 27, 2010


Se eu ficasse sentadinha, esperando por você na estrada vazia. E então, ela não seria vazia. Se pela sua espera eu criasse viços. E se na sua espera, eu compusesse traços. E te esperando, eu criasse força. E de tanta força, viessem asas. E se te esperando eu resolvesse sentar. E se o calor me queima, se eu tenho sede. Se as asas quiserem voar. E se eu te esperar e te esperando, virasse outra. Como em uma metamorfose. E eu acordasse bandida. Você passaria pela minha estrada. Se eu já estivesse cansada, sentida, ofuscada. Asas para dentro, alma fora. Se eu te esperasse em plena chuva, depois secasse. Se eu tivesse fome, mas mesmo assim, te esperasse. De certeza que estas vindo, morreria. E se dormisse eu ia. Você passaria calado. E isso é para não me acordar. Se eu te esperando, mude muda,. Se ao te esperar, um montão de coisas, dessas malucas que passam pela minha cabeça, fossem acumulando até somar. E você passasse na hora errada, eu não iria? Você, por outro lado, também me esperaria?
Se eu te esperar inteira, inteira sua seria. Se eu esperaria? E se não, porque sentar na estrada vazia?

Tuesday, January 26, 2010

enfim...

Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria

Monday, January 25, 2010

Um dom de André

André diz:
se for bom sem mim...sofro
se for ruim sem mim...sofro
se for ruim comigo...sofro
se for bom comigo...sofro por saber q posso estar me viciando em uma coisa pior q crack q é a esperança
Bel diz:
uahauahauhauahauhaahahahahahahahahhaa

Tuesday, January 19, 2010

sucedeu assim

Xeilitrus e o que esta se passando
Vontade de trintus e noventa mil quase nadas de tufos na minha maior ânsia e eu parei.
Vivenciei meu coração aflito e mandaram que ele se acalmasse, acalmei. Acalmou-me em seu abraço e mais alguns beijinhos no rosto porque eu chorava igual maluca ao ver meu espelho refletido em outros olhares. Descobri que não sou a mesma. E tudo que começou assim, não ficou sem graça. Dormi quietinha e queria você para toda uma eternidade que não existe. Acordei não querendo mais. Pois gosto de tempestades e você é tão calmo, igual estrada vazia no fim de tarde. Igual acontece o amor. Ou como eu correndo tão forte. Depois sem ar. Depois tenho fome e saio correndo de novo, sem correr. Só vou me embora. Japão, Barcelona, Iugoslávia. Todos nós juntos, dentro de um opala dourado. Quero revanche da vida. Perdeu, perdi. Perdemos todos? Ai eu paro. Paro para me enfeitar. Saio de pica, estouro na cara do cara e choro de novo. Chorando pra você. Mas você não me vê. Nem sabe querido que eu sou uma alucinada. Mas choro. E te tenho aqui dentro; foi forte. Ai eu penso em mil coisinhas e tenho o dia inteiro para meu nada ser incapaz de gerar. Xelitrus, entonces me disparo. Parfictus. Alcanço? Sento, leio uma revista. Você não poderia supor minha reação. Quer vir? Ai eu pensei. Que tipo de pergunta hipócrita é essa? Quer vir como? Se já me sinto ao seu lado? Revista lida. Eu chorando de novo. Ai acabou.

Monday, January 11, 2010

Ratos


Era uma vez um monte de ratos. E milhões de acontecimentos que roem as ocasiões. Era uma vez um monte de ratos roendo as roupas dos reis falastrões. E um monte de ratos, os mesmos roedores de sempre, cuspindo pro alto. Era um círculo de um monte de eras. E era uma vez moças também. Os ratos tinham a imensa liberdade de se hipocrisar por aí, sem ao menos se importar quem iam espezinhar. Os ratos, muitos casados com moças, fazendo carinho nos pés de outras moças, juravam não se importar. Se o rato roesse o pé da moça, ela seria uma vaca. Ou uma galinha. E mais um monte de outros nomes que os ratos parados comentam no calor da Zona Norte, sentados num bar qualquer, vendo a rataiada passar. São todos muito orgulhosos. E tem vezes que os ratos avançam e as moças respiram fundo. E tem dias que ninguém respira, nem mesmo eles.
Era uma vez muitos ratos em volta de muitas moças. Ratos olham pras moças e nada ali pode exprimir a solidão que sentem. Se os olhos dos ratos fossem tão verdadeiros quanto os corações das moças, de ratos, eles passariam a ser moços, como alguns que existem por aí. A verdadeira solidão de quem mora no bueiro, desacreditado, fazia carinho. Conversinhas e tititis e as moças, sentadas, vendo tudo de longe. A cerveja, o cigarro, o fedor que rondava a mesa, pois ratos fedem quando se comunicam. Era quase um insulto, depois foi-se descobrir que o pior defeito dos ratos é, na verdade, motivo de lágrimas. Por isso as moças se entristeceram. Pobres ratos que, no auge de sua mais profunda solidão, roem a poesia que os circulam. Pobres ratos são aqueles que dão às moças bom-dia. Bom-dia, querendo lhes dizer: quero ser seu. Só seu. Me abrace, sou um rato estúpido e coitado. Mas as moças não entendem. (Faz de conta que os ratos fossem das vacas, das galinhas e que nada pudesse mais me dar pena. Nem as caras dos ratos ofendidos, tamanha minha alegria.)

Tuesday, January 05, 2010

É,ué...

"Você é diferente
Só gosta das praias e areais
Eu quero o mar corrente
Que nem sei pra onde me leva
Eu quero ver a treva, eu quero o abismo
Eu quero o cataclisma, eu quero os temporais
Não sei ficar assim como quem chega ao fim
Com âncora jogada ao fundo
Contemplando o mundo
Sem saber dos ventos
Sem saber nem mesmo os pontos cardeais

Não quero ter apenas
O seu mar de água serena
Eu quero muito mais
Os maremotos, os rodamoinhos e os vendavais
Porque a bem da verdade
É só na tempestade que eu me sinto em paz"


Pedro Amorim/ PCP

2010 (2)


Sobre a asa e o Falcão

Depois disso, eu entrei no quarto e me olhei no espelho, estranhei mesmo, após tudo que passei, que meu cabelo estivesse melhor do que no momento em que saí para comer. Eu sou difícil de olhar nos olhos, por pura vergonha de que se alguém me fitar profundamente, me descubra inteira. Se estou nua, corro de vergonha. Como quem esconde o sexo, caso precise esconder. E não confio em meu rosto que contém minhas marcas de tudo por onde andei e não consegui enxergar. Minha cara sou eu de verdade, por isso tenho medo e vergonha do olhar. Aos poucos, vou melhorando, juro. Olhei-me com pavor danado de que meus olhos pudessem me dar qualquer conselho aquela hora da madrugada. Arrumei minha cama, tirei os lençóis já sedentos de suor, coloquei outros limpos e cheirosos. Liguei o ar, dobrei roupas, joguei coisas no lixo. Me faz bem jogar coisas no lixo. Não vivo sem lixeira. Gosto de tê-las sempre por perto, qualquer canto meu terá algo para se jogar fora. Gosto também de arrumar minha bolsa, e foi bem isso que fiz. Deitei na cama e chorei. Como se eu armasse todo o cenário para se chorar. Chorei pouco, li alguma coisa, contos de Clarisse e chorei mais. Chorei porque era absurdo o quanto eu era todas as frases. E fiquei com raiva de não poder ser Clarisse.

O mundo anda muito ao meu redor. Sinto que estou sem a imaginação que me é necessária para ser válida e aceita como alguém que vomita palavras. Me sinto fraca e insuportavelmente menor. A menoridade está me sufocando, como quem engasga com aquelas balas redondas de corante. E o mundo continua sendo só eu, diminuída. Como se eu nunca pudesse perdoar meus vícios, meus erros. De não poder ser, apenas porque preciso que uma feche-se porta, para outra abrir, entende? Gosto de deixar tudo entreaberto. Como quem ainda pode voltar. Não! Melhor dizer assim: deixo tudo entreaberto, como quem não consegue sair. Sou prisioneira de meus fardos. De minhas mentiras que adoro me contar para não me encarar.

Estou aprendendo a lidar. O tempo anda mais rápido que eu nessas horas lentas. Lenta sou eu. Te disse que era um erro, que se fosse, ah se fosse, ia ser futuro. Futuro é tão amanhã, que até me arrepia. E aí? Já estou lá? Alguém andou me lendo e disse que estava tudo bem. Alguém me andou lendo e disse com um olhar, entendo como você está. Quero que se foda, que se foda toda. Curiosidade é uma doença transmissível e sem cura. Gosto de saciar. Eu lhe contei, não? Como aquele dia foi importante para mim. Não disse? Falo agora. Foi mesmo especial. Porque consegui ser uma verdade só. E olhei nos seus olhos com um medo do inferno e voltei bem quentinha. Logo depois, assustei. E as pessoas ao redor vivendo. E eu.

Eu sou aquela mulher que gosta da terceira pessoa.
Gosto assim ó:
Ela me disse que era uma mulher forte do caralho, mas bastou algumas biritas para que ela mostrasse ser frágil como porcelana. Ela tem um olhar forte de quem já passou muito tempo da vida sem óculos para não enxergar os rostos, as placas, as neuras. Porque, desse modo, achava também que as coisas, as pessoas, não viam ela. E tudo via. Ela mandou fazer um monte de expectativas, como quem vai viver de felicidade clandestina para sempre, igual no conto de Clarisse. Igual quando é páscoa e você já esta ciente onde o chocolate está escondido, mas prefere seguir as patinhas de farinha do coelhinho para ler as dicas de onde achar o que já se sabe. E depois brinda a emoção. Como se alguma coisa fosse, de fato, pura novidade.

Lispector

Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê. E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato.

Friday, January 01, 2010


2010

Paula falou que 2010 vai zerar. Fiquei pensando que quem zerar, vai perder. Não fui quem ganhou na mega sena. Tenho um azar filho da puta com jogos de azar. Foi quando mesmo que eu te disse que tinha paciência? Não sei o que quero. Mas quero estabilizar. Estou a caminho, foi isso que me disseram. Só que eu odeio trânsito e coisas lentas, daquelas que parecem tão distantes, como ontem a gente preso em Copacabana, depois de surtar na praia. Se bem que chegamos. Eu cheguei. Seja bem vindo ao novo ano! Nada para zerar? É melhor eu pensar bem. Foi quando mesmo que eu te disse que gosto deste teu jeito de quase não assumir as coisas ? Estamos aos poucos, mas faz calor e eu tenho sede e quero muito deitar na rede, tranquila. Mas daqui, meu caro, ainda não vejo nada. Entendo que dei alguns passos, porque de onde eu estava a paisagem já é outra, mas sabe... às vezes me bate uma revolta e quando Janeiro chegar, juro, também vou me decidir. Porque, é justo, vendo sob seu ponto de vista: estamos indo devagar. Não, não estamos, eu já percebi. Não é a lentidão dos atos que me coça, mas é que no fundo, meu bom, sei que você ainda está decidindo. E isso me deixa louca, maluca, de te chatear, de me chatear. E eu soube de tuas regras, na marra, e esqueci de te avisar que respeito muito tudo isso e tenho, sim, um carinho sem fim. Mas, saiba, xadrez não é meu jogo preferido. Então eu me pego refém de alguns poemas, porque é nessas horas que a arte faz sentindo, quando a gente sente. E os poemas às vezes me traem, pois estou esperando a sublime primavera e quero ser calma e não meter os pés pelas mãos. Como você saberia? Acredito que saiba? Não acredito em nada. Fico sem graça e insegura. Fico falando coisas que não lembro, aliás, boa questão. O que foi que eu lhe disse ontem? Só me lembro das três últimas palavras, que foram: “ não está sozinho” e você respondeu: “gostei”. Gostou? Aposto que nem lembra. Também não lembraria se eu fosse você. Acordei cansada. Dormi pouco e mal e o dia foi bom. Bom Janeiro pra nós. Ou fevereiro. Agora nem sei mais.

Feliz 2010

André diz:
eu ontem dei um vexame...acabei na casa de uma família em q eu defendi a idéia de q o sobrinho mais velho era gay
Bel diz:
UAHAUAHAUHAUAHAUAHAUAHAUAHUAHAUAHAUAHUA

Tuesday, December 29, 2009


Enquanto isso...


-E aí, eu saí, mas tinha esquecido o celular em ca... tá ouvindo?
-Uhm... sim.
-Não quer conversar, é?
-Quero, claro... conversa aí.
-...

Sunday, December 20, 2009


Ao André Pereira
(Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
Agora não espero mais aquela madrugada
Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada
Deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo
Deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo
Brilhar, brilhar, acontecer, brilhar faca amolada
Irmão, irmã, irmã, irmão de fé faca amolada
)


Dessas coisas que a gente não explica, igual quando acorda sem vontade de tomar uma cerveja mesmo com o cheiro de feijão na panela e o freezer cheio de latinhas geladas. Mesmo com o sol, que a gente quer tanto que saia para não morrer de tédio. Mesmo com uma piscina gostosa e amigos fumando cigarro. Nem vontade de fumar deu. Deu vontade de dormir em silêncio e as risadas só podem ser motivos de aborrecimento se elas vierem de pessoas completamente felizes e moralistas. O que não era, você bem sabe, o caso. Bem, sim, talvez um pouco. Mas isso é papo de mais pra frente, e você uma vez me disse que não tinha pressa em me conhecer melhor, eu aceito. Vamos deixar pra lá. Não tenho muito que dizer, e geralmente um bilhete é só um aviso. Estou aqui avisando que vou-me embora pra Pasárgada , lá eu sou amiga do rei. Estou dizendo o seguinte: se acaso sentirem minha ausência, eu fui porque não tive paciência. Já é Natal, não? Fico sempre esquisita nesta época do ano, e eu sei por quê. Mas não foi só isso. Também tentei ver meus motivos, mas eles se escondem, depois fazem ciranda, fico meio perdida. Tentei ver se por acaso era a primeira vez que isso me acontecia. Resgatei memórias de que por vezes eu me isolo mesmo e gosto de ver a interação, sem interagir. E tenho sono, muito sono. E não gosto de ser julgada por ter sono. Essa coisa da sociedade moderna de pôr ao sono uma negatividade como se dormir não fosse viver. E bem, sabe, André, eu até que vivo muito. Respeitem, por ora, meu sono, minhas esquisitices. -Obviamente que eu não iria lhes pedir isso-. E foi difícil ir embora. Não porque eu estaria na dúvida se ia ou não, difícil foi ficar pensando sobre o que vocês conversariam de minha atitude. Desculpem, sou péssima. Mas cheguei bem. Aqui, as energias eram outras. Tive uma noite muito boa e, pela manhã, uma discussão infame que dura até agora. Estou com fome e logo mais é Natal. Atente ao fato de que, ali, você e aquela morena querida são meus horizontes. Mas um certo ostracismo também habitava, por medo, por raiva de mim mesma, não consegui combatê-lo. Nem sempre gosto do que o espelho me reflete e saio fugida porque gosto de dar de cara comigo mesma sem ser avisada. Tenho um pedido ao Papai Noel: que ele me enfie dentro daquele saco vermelho dele e me leve ao Pólo Norte. É lá que ele mora?
Feliz Natal, faca amolada, meu querido amigo.

Wednesday, December 16, 2009

Rumble Fish


Eu não sou uma mulher nota 100. Tem dias que eu mesma me assusto. E acordar ao meu lado nunca foi boa idéia, porque ninguém tem a cara de sono que eu tenho. Meu cabelo é um suplício, daqueles que nem o formol mais potente, da jeito. E eu tenho o nariz quebrado e os olhos caídos, igual ao de quem fuma maconha o tempo inteiro. E fazem oito anos que eu não coloco um cigarro de maconha na boca. Fora isso, eu sou completamente estranha. E teria até receio de lhe contar tudo que já me aconteceu. Porque posso te assustar com tanta coisa sem nexo e confusões que já se passou/passa pela minha cabeça. Tem, claro, também o lado bom; sei que tenho o corpo lindo por exemplo. Mas na verdade, isso é uma faca de dois gumes e nem sempre me deixa bem. Tenho um jeitinho de ver as coisas, igual daquelas pessoas que atravessaram a ponte, e isso, eu sei, não é seu caso. E o engraçado é que o povo do lado de lá, consegue ver em mim tamanha intensidade. E é bem essa a palavra. Sou intensa para quem sabe olhar. E com certeza, mesmo com uma caralhada de aspectos negativos que eu possa ter, a intensidade é tão forte, que sempre fiquei cercada de pessoas magníficas, que se envolvem profundamente comigo.
Este como disse, não é seu caso, já que ao seu lado, eu deixo de me mostrar intensa com medo de você não entender, ou com receio que você se vá. Eu consigo crer como você poderia passar para o outro lado da ponte, mesmo, mesmo. Mas a questão é que você esta tão bem por aí, que realmente não é necessário tal caminhada.
E quando eu me envolvi com você, não sei porque isso foi ganhando força, aliais, nem sei o nome que isso tem. Mas de fato, meu carinho por você cresceu mais rápido, antes que você pudesse se tocar que andava mesmo mexendo comigo. Depois fui transbordando sentimentos e inseguranças e sem que eu pudesse mais esconder, você já estava sabendo o que estava se passando. Diante de suas reações, ora abertas, ora fechada, fiquei com mais medo ainda de lhe mostrar que sou uma super mulher. Que piro, que viajo, que desando legal, mas que tenho momentos de luz imbatíveis e sei amar igual Vinicius de Morais.
Sabe, não sou nem de longe as garota dos seus sonhos, e isso, claro, me machuca um bocado. Porque tenho ciência que me relacionar com você é também querer ligar os dois lados da ponte. Porque assisto minhas necessidades e vejo que quero ser não apenas de um lado, como quem fica ilhado nas idéias e sai andando por aí em vão achando que a vida é assim mesmo, sem concerto. Eu acredito na união da minha intensidade absurda com a normalidade do cotidiano.
Me encanta isso em você, essa sua calma feroz da até medo, essa sua ausência de problemas, pode até me afetar. Ao mesmo tempo, quando você inexplicavelmente é toda a arte, tenho vontade de te levar comigo. Mas o dia nasce e você é de Oxossi. E volta a ter uma normalidade de menino novo que é, e eu te sigo com meus olhos para ver onde estaria o homem. Veja bem, não tem nada de errado em você ainda ser menino. Você cabe dentro do tempo, você acerta em quase tudo. Quero engolir todas as horas para o sempre e estancar cenas lindas em meu coração para que eu possa lembrar por mais cem anos, tudo que me ocorreu. E esse meu desespero desenfreado, é seu oposto? Tem vezes que eu acho que sim, mas pelo menos agora, estou achando que não é minha intensidade que vai te envolver, muito menos minhas cobranças sem ponto nem nexo de quem quer você só pra mim. Como seu eu tivesse, ora veja, esse poder. Essa pressa desgarrada, essa insegurança, sempre acaba me atrasando. E porra, eu ando meio cansada de correr feito maluca, abrir a porta e não ver nada dentro. Estou quase que sentando naqueles bancos brancos de ferro, iguais aos da pracinha, para descansar um pouco. Eu acho que posso ver, você passar de mãos dadas com uma menina tão linda que vai me fazer fechar os olhos e imaginar você com aquela calma, abrindo a porta e encontrar tudo que quer ver por lá. Você a deixa entrar primeiro, cavalheiro que é (mentira) e ela, sorrindo vai passar. Eu estou sentada no banco mas logo me deito com as pernas dobradas, joelhos para cima em busca de ar. Quase que não respiro.

Tuesday, December 15, 2009


Hoje eu acordei vazia. Com uma vontade de nada e dor no estomago e uma raiva que eu não saberia de onde vinha. Não era só raiva, eram coisas que ainda não achei palavras. Porque acho as palavras poucas e as vezes eu sinto coisas que não posso dar nomes. Não dar nomes me deixa confusa. Não sei o que sinto. E não conseguir nomear as coisas me da vontade de amassar um outdoor , chutar um poste, deitar na cama, dormir por nove, noventa horas. Quero sonhar que vou voar e que bem de longe, igual na porra do Google maps , ver a cidade, e se chegar mais pertinho, me ver também. Me ver sendo maluca. Mas maluca também não define. Sofro com isso. Quero achar as palavras para que como um curativo, elas possam estancar minhas dores, meus vacilos. Não sei escrever, logo, não sou nada. porque sinto que preciso achar nome as coisas, sentidos as avessas e se, caso eu não ache o que estou sentindo, me sinto ninguém. Me enfureci agora pouco, como uma louca que cega ao ver coisas que desconfortam. Queria me ver de longe. Sair de mim e poder me dar um empurrão. Tenho perdido coisas materiais, tenho perdido o caminho de uma possível sanidade e ao meu redor, meus amigos brindam a isso com cervejas geladinhas e eu fico sonsa e preocupada, mas nada digo e as vezes até me mereço. Por hora, concordo em me chamar de louca porque assim eu me amorteço de todas as explicações que me coçam na hora em que deito. Meu sono sempre vence e eu durmo como quem pode se levantar na sala sem ser percebida aos outros. Mas não acho as palavras. E esse sentimento de não nome vai em busca de mim, nos sonhos que tenho como se assim, ele pudesse ser mais ele, já que não precisa de um nome, um sentido. Mas são nos sonhos que eu me sinto mais presa. Pois lá diante do meu inconsciente, sabe, não sou ninguém. Não mando em nada e até gosto de assistir toda a fúria do meu por dentro. Eu fora, eu dentro, eu ninguém.

(Acho que eu confiaria em você se você pudesse ao menos me dar uma tranqüilidade vinda das palavras. Mas você se cala e some e me confunde e eu te cobro, te forço e você vai dormir. Como quem não vê o mesmo quadro que eu vejo no museu de nos dois. Tento ver seus aspectos e juro que faço força para ver as mesmas imagens que você. Mas meus olhos, veja bem, meus olhos precisam de suas palavras.
Acho e apenas acho que eu confiaria em você. Mas sozinha, o que vejo me assusta. E se você continuar calado, eu terei que deixar o museu. Desolada, é verdade. Mas bem mais forte, como sempre me saio quando o quadro fica só de uma cor.)

Depois você diz assim, que eu sou bem normal. E que não entende o porque deu me achar tão esquisita. E eu, daqui de dentro de mim, tenho medo de você perceber que sou infinitamente estranha. Que eu tenho pensamentos loucos daqueles que suas mulheres normais e ridículas, jamais teriam. Que eu, sou cheia de remorso e carinhos infundados e que gosto de quando estamos juntos. Mas que mesmo assim, eu mereço palavras. Que eu, principalmente, morro de medo de que você saia correndo quando o carnaval chegar. Ou quando eu carnavalisar e você se tocar que estava mesmo lidando com uma mulher maluca louca, iguais as daqueles filmes que você acha um saco assistir.

Thursday, December 03, 2009

a morte o corpo leva

André diz:
minhas apostas pra mortos em 2010....Samuel L Jackson, Hebe, Caubi Peixoto, Eu
Bebel diz:
UAHUAHAUAHUAHAUHAUAHAUHAUHAUAHUA
UAHAUHAUHAUAHAUHAUAHAUHAUHAUHA
AUHAUAHAUHAUAHAUHAUAHAUAHUAHAU

S2

"Lembrei-me vivamente de uma conversa que nós três tivéramos alguns dias antes. Kátia havia dito que é mais fácil para o homem amar e expressar o seu amor do que para a mulher.

- O homem pode dizer que está apaixonado, mas a mulher, não - disse ela.

- Pois eu penso que o homem também não deve e não pode dizer que está apaixonado - disse ele.

- Por quê? - perguntei.

- Porque será sempre uma mentira. Que tipo de descoberta é essa, de que uma pessoa está amando? Como se, dizendo isso, alguma coisa desse um estalo: clique! - e algo fora do comum deveria acontecer, algum sinal, como todos os canhões atirando ao mesmo tempo, por exemplo. Penso - continuou - que quem pronuncia as palavras "eu te amo" ou está se enganando, ou está enganando os outros, o que é pior."



Tolstoi em Felicidade Conjugal

a vovó, ao amigo

Hoje, dia três de Dezembro de 2009, minha avó se foi. Como se no dia não fosse apenas mais um daqueles que a gente se olha e janta e vê novela. Hoje como mais um dia de chuva de tédio e loucura, minha avó. Morreu de tudo um pouco, como se na vida, um pouco de tudo matasse a gente. Morreu de agüentar. E nós nos olhamos, não sorrimos nem aceitamos como se um novo rasgo no nosso peito cheio de dor anestesiada, voltasse a incomodar. Lembrei de todas as perdas. Lembrei da primeira, e no entanto, o peito já sabe, e pois a me avisar, que não será a ultima. Lembrei do meu pai morrendo e não quis olhar. Lembrei de meu vô morrendo e não soube chegar perto. Lembrei de minha mãe na cozinha, nos contando da morte de sua mãe. Lembrei como era ter seis anos de idade e pensar sobre isso. Lembrei de meu abandono, tentei entrar em mim e por para saltar alguns atos que dormem de cansaço, quando preciso agir quando perco algo. Não sei fazer balanços, não sei fazer mudanças. Não consigo. Olhei para meu irmão, olhei para minha mãe. Olhei para o fluminense tentando 4 gols no dia 3, em que minha avó morreu, com noventa. Queria pedir a deus que minha mãe possa ver meus filhos. Queria pedir a mim mesma, que tudo isso. Mas não sei lidar. Hoje morreu minha avó e se foi junto dela, um pouco de mim que estava apagado. Pensei nos olhos, no seu bairro. Nos almoços e lembrei de meu pai. Como se no peito, anestesiado de perdas, resgatasse algo. Achei importante ressaltar todo o mal que lhe fiz e brotar uma flor tão bonita que plantei em sua terra, em sua areia de ilha. Para que em vida, eu possa sempre estar contigo e soubemos fazer isso. Minha avó se foi, deixando uma semente. Eu resolvi plantar em você. Por isso que logo que soube, insisti lhe contar. Não queria afagos nem palavras maravilhosas dessas que a gente fala em sinal de consolo. Porque você sabe, eu sei, não resolvem nada. queria saber em que fundo de mar, ela agora esta. Como se a cada mergulho eu pudesse ganhar sua energia. E depois rodar, e encantar, como você fez por toda a vida. E que se um pouco de você, ficou em mim, que seja, essa sua garra. E de como você agüentou a vida e o amor indo embora e soube reclamar. Eu não soube ouvir. Nem agüentar. Me desculpe? Não sei se é isso. Mas quero lhe dizer que se um pouco de você ficasse em nós, iríamos ser mais fortes. E eu vou mergulhar.

Sunday, November 29, 2009

Amar é

Sabem, eu adoro dizer que não faço fé nessa minha loucura. Isso inicialmente, nem fui eu quem disse, deve ter sido Toninho Horta. Mas eu adoro dizer mesmo assim. De alguma forma, devo concordar. Eu me devo muito, entende? Como se alguém tivesse um armazém cheio de penduras.
Mas eu não faço fé nesta minha loucura. E adoro não me ver em beleza. Ser uma mulher somente gostosa, por ora me entristece sim, e outras, também não. Porque eu sou pisca. Abro e fecho com meus medo, lanço uns papos, poutz, nada haver... e vou indo embora. Eu descobri que minha profissão é amar. Se amar fosse profissão. Eu seria o Eike Batista. Eike batista me comove. Puta milionário que vai despoluir a Baia de Guanabara. É isso que ele faz para dormir melhor a noite? Acho que é. Eu seria uma bela profissional do amor, uma workaholic do amor. Eu amo intensa. Eu sigo amando, até gastar. O amor é ciclo, sabe? Não lido bem com ele estabilizado, salvo algumas exceções. como eu morando com dois amigos que merecem meu carinho. como com a Paula, com a Laura, com as Bibys. Como com a música. pensando bem, já é coisa pra caralho. Se fosse um trabalho, ia ser árduo. Amor é o meu ambiente. E isso quem disse também não fui eu. Foi Ivone Lara. O que eu quero ser quando crescer. Do que vou viver. Se eu pudesse escolher minha profissão, lhes juro, seria amar.

Saturday, November 28, 2009

ain....

Foi numa esquina da vida
Uma mulher em hora perdida
Um homem em ponto morto
Nessa base do tropeço e mau começo
Foi nascer contra a vontade esse amor torto
Me admira ter vingado, quem diria
Que fosse loucura pra mais do que um dia
Na verdade quem diria
Que enxergasse a luz do dia
Mas vingou e é coisa feita
Torto sim eu ostento
E ninguém me endireita
Mulher, já que Deus quer vamos em frente
Minha bandeira de guerra
Meu pé de briga na terra
Meu direito de ser gente

Minha bandeira de guerra
Meu pé de briga na terra
Meu direito de ser gente