Thursday, September 27, 2007


Vem dentro do cansaço dos abraços
Dos amores idos já perdidos
Eu me encontrei morena em meio à solidão
Jurei não dar nem mais um passo
Que fosse me levar
Ao encontro da paixão

Do mundo muito eu já sei
Porém muito tenho que aprender
Não, não quero amar sem paz
Eu já sofri demais
Discreto amor agora tem de ser
Tudo que ficou pra trás
Já não importa mais
O amor é só você

Não vivo de novela
Já vi muitas delas
Castelos fantasias sonhos tão azuis
A vida me ensinou
Morena esse é meu lema amar demais
Só faz pesar a cruz

Monday, September 24, 2007


PUNK ROCK


Outro dia na terapia, tentei explicar para meu analista, o que era o Punk Rock para mim. Volta e meia, eu e Thiane também discutimos sobre o assunto. Eu não sou, nem nunca fui, nada punk. Mas o punk fez e faz diferença na minha vida até hoje. Eu lembro de começar a ir em shows sozinhas, com 15,16 anos e me apaixonar pelas músicas que mesmo com 2, 3 acordes fazia muito mais sentido do que uma música mais trabalhada. Nessas idas aos shows, fui conhecendo algumas pessoas, das quais, só algumas hoje em dia, eu respeito e admiro. Tenho um eterno carinho ao primeiro cara que conheci nessa historia toda. Mesmo distante, mesmo não sendo amiga, foi graças a ele que eu fui aprender como tudo funcionava. Depois, fui conhecendo mais gente, fazendo mais rolês, indo atrás de discos, livros, pessoas, tudo que era fonte para descobrir mais sobre o assunto. E então, também tentei criar, ao meu estilo, claro, minha contribuição, que na verdade era mais um agradecimento a toda essa cultura que tanto inspirou mudar minha vida para melhor.

O que aconteceu depois, e acho que esse caminho foi extremamente natural, foi que eu senti um esgotamento em relação a cena. Comecei a reparar um cenário que não se estendia mais. Eram as mesmas pessoas, a mesma banda, os mesmos lugares, os mesmos comentários , e isso fez com que muita gente especial começasse a perder seu tempo,com picuinha, fofoca, inimizades, e tudo aquilo que o próprio Punk prega com tanto louvor que isso não faz parte do cenário. Algumas pessoas, caíram por terra; conheci malucos e malucas, e também gente muito séria que dava um abraço pela frente e uma punhalada pelas costas, logo em seguida, subia no palco e gritava com todas as forças que era contra esse tipo de atitude. Vi também paranóicos usando a cena para chafurdar seus problemas e depois sumir fazendo as maiores teorias de quanto é perseguido. Mas isso é até engraçado, pensando bem.
O que eu vi, é que ao invés de seguir em frente, muitos caras,(não todos, é claro) sentaram na sala de estar e ficaram fofocando da vida alheia. Mulheres passaram pela sala, e eles continuaram ali, as mulheres evoluíram, deram adeus, e eles lá, sentados. Chegaram outras e a cena se repetiu. E se hoje, eu voltar pra cena, vou encontrar esses mesmos caras, com meninas novas, sentados no mesmo lugar, como se a cena estivesse morta, e não restasse mais nada que eles pudessem fazer; afinal, eles estavam ali, fazendo shows, tomando cerveja, "sendo punks", o que mais podíamos pedir?

Por outro lado, e o bom da vida é que sempre existe o outro lado, também conheci pessoas que mudam minha vida sempre. Trombei figuras históricas que tem meu respeito até o fim. E que, sempre que eu colar em um show ,não vou me arrepender de cruza-los. Tenho também amigas que compartilham comigo esta mesma visão da cena e que como eu, acabaram também por se distanciar. Pensando bem, as pessoas mais interessantes que eu conheci nesta cena, também estão distantes. Não tanto como eu, claro, elas ainda possuem bandas e vivem desse ideal, mas bem longe desse lado fútil que o Punk Rock, infelizmente, também pode oferecer. São pessoas que como eu, cansaram de ver o "vale a pena ver de novo", e foram seguir suas vidas, sem deixar tudo o que aprendeu com o Punk de lado.

Bem, tudo isso para dizer que hoje, fui ao médico e na sala de espera a televisão estava ligada na MTV e passava um programa que falava do Punk, quando ninguém mais, ninguém menos que o Ariel apareceu para dar depoimentos sobre o que ele pensava de tudo isso. E o cara falou simplesmente aquilo que eu tentei por meia hora explicar ao meu analista, sobre o Punk. Bem mais esperto e rápido o Ariel em frases colocou todo o sentimento que eu tenho pela cena. Ele disse mais ou menos assim: "Muitas pessoas hoje, se afastaram da cena, não fazem mais parte disso, foram fazer outras coisas, mas eu tenho certeza que essas mesmas pessoas, vão ter famílias melhores, e uma visão de mundo mais crítica do que a maioria". E é exatamente isso que eu falo,ou tento falar, do Punk Rock quando chego de coturno no samba, toda tatuada e as pessoas se espantam e vem logo perguntar o que estou fazendo por lá, respondo que estou em casa, que eu amo samba,mas que levo comigo o punk rock para ter uma visão melhor de tudo no mundo,e até mesmo,do próprio samba. Claro que isso não esta no meu modo de vestir,mas essa também foi uma herança que levo dos tempos de outrora.

Wednesday, September 19, 2007

Teodoro Sampaio



- E sabe que mais? Desisti de jogar na loteria. Se um dia eu tiver sorte mesmo, acho o bilhete premiado, no chão.




- Mas quando acaba a festa, todos os putões querem um bom lugar pra deitar. E todas as mulheres, feministas ou não, abrem a porta de suas casas.






- "Eu que me aguente comigo e com os comigos de mim"
-Fernando Pessoa-

Thursday, September 13, 2007

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa




Quintana de novo, que delícia.

Neném você me da, água na boca, água nos olhos...
CANÇÃO DO AMOR IMPREVISTO

Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoísta e mau.
E a minha poesia é um vício triste,
Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.

Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...

E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender
nada, numa alegria atônita...

A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos.

Mario Quintana

Monday, September 10, 2007


Fique a vontade meu bem
Sinta vontade de ficar
Não tenha pressa
Quem sabe aqui é seu lugar
Mas se tiver de ida
Vê se não vai assim sem mim
Deixa a dor pra depois
Vamos nos aventurar nesse nosso tempo
Após prantos sem chorar

Monday, September 03, 2007

- Todos os sambas falam de você-
(essa é minha pro papi)


Não, não tenho o samba de Paulinho
Mas te mostro com carinho
Tudo que me passou

Das tardes de sol na calçada
Na melodia encaixada
Que um dia você me mostrou

Contando as historias do mundo
Olhava em seu olhar profundo
Sua alma que o tempo levou

(x 2)
Todos os sambas tem um jeito de dizer
Todos sambas falam de você

E toda vez que a mão bate um pandeiro
E eu vejo um partideiro
Não consigo esquecer

Que de você nasceu meu compasso
Minha alegria meu passo
Para este samba canção

O seu chapéu
Eu dei a um amigo antigo
Para seguir o caminho
O caminho do senhor

Meu pai
Meu pai; o seu chapéu eu dei a um amigo antigo
Para seguir o caminho
O caminho do senhor meu pai.

Saturday, September 01, 2007

Gosto, Mas Não É Muito
(Noel Rosa / Ismael Silva / Francisco Alves)

Olha! Escuta meu bem
É com você que eu estou falando
Neném
Esse negócio de amor não convém
Gosto de você
Mas não é muito, muito

Fica firme, não estrila
Traz o retrato e a estampilha
Que eu vou ver
O que posso fazer por você

Seu amor é insensato
Me amofinou mesmo de fato
Não leve a mal
Eu prefiro a Lei Marcial

Thursday, August 30, 2007

Um lindo canto com o gosto de viver
Pintou bonito e ganhou meu coração
Há como é bom viver
É bom viver de amor e até morrer de amor é bom
É bom se ter porque poder pode podar
É bom a gente ter o que ninguém pode ganhar
Saber o que será o dia de amanhã
Comer, beber, dormir, sonhar
E ser um bom vivã
O amor não quer pode
Não quer dinheiro não
O amor não quer beber
O vinho da ilusão
O amor é bem querer
É a fonte da emoção
Então lugar de amor
É mesmo o coração





(Mestre, mestre, mestre Nogueira...)

-Eu temo se um dia me machuca o verso...

Friday, August 24, 2007



Ela chegou com dois anos em casa. Abrimos a porta correndo e vimos uma esguia Waimaraner subir a rua, sem entender nada. Entrou em casa e para desespero de minha mãe, subiu no sofa, como se aquela casa já fosse dela há alguns anos. Morria de medo de vassoura, tinha outro nome que não era Lara. Era a waimaraner mais vira-lata de todas, ao mesmo tempo que era a Waimaraner mais carinhosa do mundo, e , com todo mundo. Encostava a cabeça no colo de qualquer pessoa e pedia um carinho silêncioso e sereno. Certa vez, nos deu lindos filhotinhos e foi uma mãe exemplar com a cria de capa de revista. Todas as "certas vezes" Lara representou. Nunca conheci uma cachorra que não era de latir, a Larinha latia muito raramente, não reclamava de nada, e teve um passado que a gente nunca vai saber como foi, já que chegou na minha casa com dois anos de vida. Nunca entendemos o porque de uma cachorra tão da família, tão nossa, chegar em nossas mãos, depois de morar, e não se habituar, em duas outras casas, vir parar em nosso quintal. Ela nasceu pAra ser nossa, e olha que eu não entendo dessaS coisaS de destino, mas sei que foram sete anos ao lado de uma fêmea, uma companheira, uma legítima figura de cão.
Saudades Lupi, minha eterna princesinha.




*Eles estão por fora do que eu sinto por você...

Tuesday, August 21, 2007

Tenho impressa no meu rosto
e no peito, no lado oposto ao direito, uma saudade
(que saudade)
sensação de na verdade
não ter sido nem metade
daquilo que você sonhou
(que sonhou)
são caminhos, são esquemas
descaminhos e problemas
é o rochedo contra o mar
é isso aí, ê Irajá
meu samba é a única coisa que eu posso te dar
é isso aí, ê Irajá
meu samba é a única coisa que eu posso te dar
saudade
veio à sombra da mangueira
sentou na espreguiçadeira
e pegou no violão
cantou a moda do caranguejo
me estendeu a mão prum beijo
e me deu opinião
(opinião, opinião)
depois tomou um gole de abrideira
foi sumindo na poeira
para nunca mais voltar
é isso aí, ê Irajá
meu samba é a única coisa que eu posso te dar

Monday, August 13, 2007





Reverend Horton Heat, minha nova paixão.
Ahhh...rock né?

Eu presumo viver contigo, de um jeito faceiro meu bem, numa casa pequena. Nós chegaríamos a noite, depois do samba. E você seria intimamente só meu. Querido, você fumaria um cigarro daquele seu jeito charmoso e eu daria uns tragos no seu. Você iria puxar meu cabelo sorrindo, com o cigarro no canto da boca e eu ia tirar a roupa de um jeito só meu, pra você. Sua língua ia ser do meu rosto, e eu ia encontrar suas costas. Seus dentes seriam de minha coxa, e eu morderia bem forte teu lábio. Depois eu te atacaria, e berraria, e escandalizaria meu amor por ti aos quatro ventos deste Rio de Janeiro, na Glória, na Lapa, debaixo da sua cama no Flamengo. Até a morte, até nove horas depois juntinhos, vai. Vai acabar. Meu amor, eu iria embora em silêncio, vestida com minhas roupas e teu cheiro. Quando a noite chegasse, eu iria te ver tocar, vestida de vermelho, passar por você e deixar o meu cheiro, com um beijo no rosto.
Eu gosto do jeito que o homem segura um violão numa roda de samba...

Ah ! Estas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ah ! Este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão
Compreende porque perdi toda alegria
E no entanto meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher
Até hoje está nos esperando
Solte o teu tom da madeira
Eu você e a companheira
À madrugada iremos pra casa cantando

-Cartolinha-

Sunday, August 12, 2007

É um moreno forte é mesmo um atléta,mas tem um grande defeito, ele diz que é poeta...

Aprendi a aceitar o enorme risco de que, embora eu não seja uma pessoa atraente e confiante, embora você tenha a seu dispor um catálogo vasto de meus medos e fobias, você pode, mesmo assim, me amar.

Alain de Bottom

Tuesday, August 07, 2007


Meu amor é um tigre de papel
Range ruge morde, mas não passa.
De um tigre de papel

Numa sala ausente, meu amor presente.
Me prende entre os dentes depois me abandona
Definitivamente
Range ruge morde
Velho tigre de virtudes
Nas selvas de seu quarto entre florestas cartas
Frases desesperadas
Lençóis
Onde me ama
Furiosas garras meu amor me agarra geme treme chora
mata
Um tigre de papel perdido nos lençóis da caça

Um tigre perdido