Monday, September 07, 2009


Lado a lado com a espécie humana corre outra raça de seres, os inumanos, a raça dos artistas que, incitados por desconhecidos impulsos, tomam a massa sem vida da humanidade e, pela febre e pelo fermento com que a impregnam, transformam a massa úmida em pão, e o pão em vinho, e o vinho em canção. Do composto morto e da escória inerte criam uma canção que contagia. Vejo esta outra raça de indivíduos esquadrinhando o universo, virando tudo de cabeça para baixo, os pés sempre se movendo em sangue e lágrimas, as mãos sempre vazias, sempre se estendendo na tentativa de agarrar o além, o deus inatingível: matando tudo ao seu alcance que lhe rói as entranhas. (...) Um homem que pertence a essa raça precisa ficar em pé no lugar alto, com palavras desconexas na boca, e arrancar as próprias entranhas. É certo e justo, porque ele precisa! E tudo quanto fique aquém desse aterrorizador espetáculo, tudo quanto seja menos sobressaltante, menos tetrificante, menos louco, menos delirante, menos contagiante, não é arte. O resto é falsificação. O resto é humano. O resto pertence à vida e à ausência de vida.

Henry Miller, porque sem ele a vida seria um erro para mim...

Sunday, September 06, 2009

CHICO MENDES E IRMÃ DOROTHY

Ontem de madrugada me dei bem ao ligar a TV e dar de cara com um documentário que passou na Discovery sobre o Chico Mendes. O filme, de uma hora, mostra o que aconteceu e quais foram os possíveis motivos do assassinato do seringueiro. Chico Mendes foi morto ao tentar propor uma diferente visão de aproveitamento da floresta, fato que fez com que muitos fazendeiros temessem pelo próprio negócio e, mais que isso, que viessem à tona todos os tipos de crimes cometidos por muitos deles, principalmente com relação à devassa ambiental que até hoje acontece na Amazônia.
Chico Mendes morreu em 1988, e sua luta trabalhista e ambiental foi vista por muitos como utópica, já que, há pouquíssimo tempo atrás, ninguém falava em preservação da floresta e consciência ambiental. Chico era mesmo um visionário.
Para quem não sabe, foi o próprio Chico Mendes quem barrou a construção daquela rodovia (que destruiria algumas das principais aldeias indígenas da Amazônia e prejudicaria o trabalho de milhares seringueiros) que o então governo Sarney, ora veja, ele de novo, propôs fazer de Porto Velho até Rio Branco. Na época, Chico foi até Washington, nos Estados Unidos, e sem falar uma palavra sequer em inglês, apresentou um relatório onde mostrava o quão imprudente era o projeto. O banco americano que financiava alguns dos custos da construção (BID) tirou o corpo fora fazendo com que a estrada nunca fosse asfaltada. A luta do seringueiro que já era conhecida entre os fazendeiros locais começava vir à tona na mídia e, com isso, Chico Mendes foi ficando cada vez mais visado. No natal de 88, Chico é assassinado em sua própria casa.
No documentário, é possível ver um pouco dessa e de outras histórias desta nossa importante figura que, de sindicalista, virou um herói nacional. O mais bonito deste filme que vi ontem foram os amigos de Chico contando sobre a vida dele. O cara deixou saudades em todos os tipos de gente: de índios até políticos, sem contar os seringueiros que "devem" a este homem até hoje.

Parte 2

Bom, logo em seguida do documentário de Chico Mendes – Chico Mendes, o preço da floresta -, a Discovery dá continuidade ao debate e transmite um outro documentário de um diretor americano chamado Daniel Junge, narrado por Wagner Moura, chamado "Mataram Irmã Dorothy". E eu que já estava completamente emocionada depois de ver o documentário do Chico, fui às lágrimas com a história de Irmã Dorothy.
Lembram que no começo do texto eu disse que lá na década de oitenta a preocupação ambiental ainda não era tão latente? Pois então. A história de Dorothy vem até os dias de hoje. A norte-americana se naturalizou brasileira quando veio ao nosso País nos anos 70 para fazer obras de caridade na Amazônia. E, por lá, resolveu ficar. Dorothy, após alguns anos de vivência na floresta amazônica, criou o PDS - projeto de desenvolvimento sustentável -, que propunha implantar na Amazônia um modelo de assentamento rural que não destruísse a floresta. Como Chico Mendes. Dorothy também passou a chamar atenção dos mesmos crápulas que mandam na floresta há anos e que jamais gostariam de ver o modelo de ocupação, do qual eles dominam, mudar.
A freira foi assassinada em 2005. Fazendeiros locais foram os mandantes do crime. O filme mostra toda a trajetória em busca de justiça no caso. Para quem é advogado, uma aula de como defender seu cliente por mais nojento que ele seja. Assim como o Advogado Américo Leal faz. Américo Leal é famoso no Pará em defender fazendeiros locais. As filmagens mostram como ele e seu bando trabalham. Ameaças de morte, arrogância, mentiras fazem parte de sua técnica para convencer o juiz de que Dorothy era uma violenta americana que apenas espiava o Brasil e mandava informações aos EUA para que assim eles pudessem, mais tarde, tomar a floresta. Parece piada. Ver o tribunal de júri, então, uma aula de teatro. Parecia que o diretor do filme tinha contratado atores para encenar tal cena, mas ali era tudo verdade. Nem vale a pena contar o que vinha na minha cabeça enquanto eu olhava aqueles advogados reunidos, rindo, arrogantes, comentarem o caso.
Fico aqui pensando que tamanha impunidade, no caso de Dorothy (o mandante do crime aguarda julgamento em liberdade), e o assassinato de Chico Mendes apenas nos mostra que nada mudou. Ganhamos uma pseudo e muito capitalista preocupação com o meio ambiente dos anos 90 até hoje, mas não tiramos do poder fazendeiros criminosos que executam pessoas que tentam fazer justiça. Que destroem a floresta para transformá-la em pastos e que exploram trabalhadores locais que são obrigados a acabar com sua forma de sustento que é a floresta.
De que adianta a mídia se embrenhar em campanhas para que nossa floresta não seja destruída, se ninguém ousa lutar contra aqueles que a destroem? Ao pensar na Amazônia, logo pensamos em uma floresta onde a única preocupação é o verde. Nos esquecemos que lá existem milhares de pessoas, trabalhadores que convivem diariamente com essa máfia de fazendeiros, enfim, pessoas que estão morrendo junto com a floresta.

E aí? O que vamos fazer?

Chico mendes: um novo começo




Irmã Dorothy



Américo Leal, o cuzão



Mandante e assassino durante o julgamento do caso Irmã Dorothy

Thursday, September 03, 2009

Clique na imagem


Um risco de memória na parede. É a saudade me matando. Hoje ela me matou. Amanhã também me matará. Morrendo, todos os dias percebo quantas vidas eu tenho e quantas-minhas-vidas preciso matar para estancar a saudade.

Um, dois, três riscos. São os anos em minha vida, correndo veia. Delicadamente arrependido. O outro lado das coisas outras de meus poréns.
Quanta coisa nossa esmirilhando no percurso. E eu aflita nunca pensaria. Pensarás agora? Flor, flor, flor minha. Onde andas são cabulosos entrelaços inacabados. Oi. Sempre um ou dois olás e ficaremos são. Todos.

Wednesday, September 02, 2009

Carta aberta a Oscar Filho

São somente 4:19 da manhã.
Finalmente eu havia conseguido conectar o wireless daqui do hospital São Camilo, no bairro de Santana City meu amorrr. O Orkut estava lento e sem nenhuma novidade, assim como a página da UOL e da globo.com. Resolvi twittar e recebi um convite para adentrar ao facebook, fazendo com que assim meu perfil seja exposto, messssmmooo, de todas as maneiras possíveis, na internet. Resolvi não aceitar o convite pois estou em uma conexão não segura aqui no hospital e meu bom senso, que definitivamente não costuma funcionar de madrugada, deu sinais de vida. Com o tédio e o calor do quarto, mais os gases e minha rinite me incomodando, resolvi ir atrás de blogs, onde a conexão não precisa estar a mil para dar uma lida no que pessoas que eu nunca vi na vida escrevem. Não pergunte por que parei em seu blog e olhei a foto de um nariz que lembrava o do meu irmão, quando levou um golpe de judô e o quebrou. Naquele dia, ele me ligou, muito calmo, e disse assim: Bel, você pode subir a rua para me entregar um passe de metrô que está na minha gaveta? E eu: ahh, Chico, nem fodendo... acabei de sair do banho, compra o passe aí, pô! Então ele disse timidamente: é que eu quebrei o nariz... e eu: AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!! Claro que neste dia eu tirei uma foto do nariz dele, e se parecia muito com o seu. Resolvi ler o acontecido, a odisséia nasal, e não me aguentei vendo as fotos e os comentários e, sabe, minha risada é um tanto escandalosa e eu acabei acordando minha mãe, que está internada, pois quebrou o joelho sendo atropelada por um cachorro. A enfermeira também reclamou. E eu me senti culpada por estar rindo alto em um hospital. São 4:37 e obviamente que a conexão caiu de novo, fazendo com que eu coloque minha camiseta do Timão, e vá fumar um cigarro lá fora. O Corinthians, como você bem deve não saber, fez 99 anos ontem e nós, torcedores, resolvemos sair de camiseta do time para homenageá-lo pela data. Como eu não tomei banho e nem sabia que teria de dormir aqui hoje, usarei de novo a camisa.
Bem, como já disse anteriormente, minha conexão caiu e eu não poderei mandar esse e-mail a você em tempo real. Mas não tem problema. Aliás, ele não tem a mínima importância. Eu tenho ataques de tédio e faço esse tipo de coisa. Escrevo para quem nunca vi. Isso me fez lembrar das revistinhas da Mônica, onde no meio das historinhas tinha os passatempos e nomes de pessoas para você se corresponder e fazer amiguinhos por cartinhas. Certa vez, eu mandei uma cartinha para uma menina que vi em uma revistinha velha da Mônica. Ela me respondeu que ficara encantada com minha atitude, mas que já tinha vinte e cinco anos e não queria mais brincar de cartinha. Nunca entendi isso. Eu hoje tenho vinte e seis e, pelo visto, ainda brinco. Ah, e se me lembro bem, esta mesma revistinha, minha mãe devolveu ao pessoal do Maurício de Souza, pois ela se tornou muito rara após um incêndio nos arquivos monicais e eles enviaram um pedido de doação. Não sei por que minha mãe fez isso. Penso eu que ela imaginou que eu seria uma menina bem sucedida e que nunca iria querer super valorizar a revistinha em algum sites desses de venda para poder ganhar um trocado. Certamente o que eu faria hoje.
Acho que é só. Na verdade é muito mais, mas você e seu nariz esquisito já não têm mais a ver com isso. Obrigada pela oportunidade de rir.

PS: Os enfermeiros passaram pelo corredor agora fazendo barulho de trenzinho (?), são 4:49. Acho que vou me vingar e mandar um shiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

Abraços
Bebel Crozera

Thursday, August 27, 2009

Temprório

Estravio reboem custos cazos assais
Trouxa leve rouca pira
Maço abruzus de mi trova
E tantras otras lixus inham
Também te conto
Avres vroam em libres
E o céu azulzin
Corre, do auto de meu varanda
Veja cortar avanços créditos e vinténs
Mudos
Mudos
Sonhos tortos e escudos
Vienhem corriem e alimentaime
Amém que diria
E muitos obrigadinhas, você linda hoje
Você cama amanhã.
Entre traçus e marcas onzes
Fiz de mim o que pude
Quem me puderá?

A fracção pediu cautela
Frases correm a brincar
Eu lhe pectum num pacto doido
Retire-me de mim
A alma toda e livre
Levre louva


Quero ser artepuctrum
Falso modesto e ornitorinco
Gangorra parte um
Gira amor
Giram em meu abruzum
E eu lhe devo um beijo,
Na ponte

Atravessa o caminho magno
Trivial e era um te enlaçando
Crise croisas
Baluns ao céu mais quente
Inferno faz só lá si do
La em cima.

Criva, meu peito arde turctum
Seu neto arde turvo
Crivus, adelante vamos todros
Tempus assim.

Wednesday, August 26, 2009


TOME NOTA

-sobre lutadores-

Um homem num copo de uma mulher que sentada via vidinhas passarem, sorrindo vidinhas entravam no túnel e o tempo ia também. Cansadas algumas e já não se pode mais aqui, o que se podia antes. Os cenários ainda não mudaram, mas os precedentes já eram. Somos hoje outros, malinhas lacradas rolando na esteira do saguão cheio de máscaras, num aeroporto qualquer, assim, que o destino, esse meu caro, já não importa.
Um homem num copo de uma mulher, ela bebia. Um homem sem armas e a mulher sorria. Um homem dentro de seu copo, tim-tim com seu drink preferido. Serei eu equivalente aos meus desagrados? Um homem lutando para ser ele, dentro de meu copo. E eu querendo fazer uso das piores bebidas locais. Um túnel chamado tempo e uma mulher sempre jovem já mais velha. O tempo andando. Faz o tempo àquela corridinha matinal no parque. O tempo esta em forma e um homem na bebida daquela mulher que saia para fumar na chuva. Hoje esta assim. Amanhã não esta assim. Estará, estará. Uma mulher num copo do homem, não é mais tão bonita, aflita.

Eu não pulo de um trampolim, nem faço mágicas com uma cartola. Não tenho escritório, não tomo nota, não dou aula. Eu não faço música, eu não cuido de animais eu não sou assistente social, jornalista, advogada. Eu não estou desempregada. Eu não estou aqui. Fui fumar na garoa paulista e fria e os olhares dos não fumantes estão agora com a lei ao seu lado. Me desculpe, sou horrorosamente viciada nesta merda. Com cerveja então, me torno um monstro de fumaça.

Um homem no copo de uma mulher lusitana. De uma mulher fracassada, de um sentimento verdadeiro. Você é o meu amor, o meu amor dizia ela ao copo. Um corpo de uma mulher arrastada. E era o tempo dando corridinhas no parque. Eu fumando sentada vendo a mulher; o tempo, o nada, os corpos, o copo. Olhei pro meu também. Porque já me sinto velha? Tinha eu quantos anos quando a juventude chegou ao seu auge? O que eu estaria fazendo de tão importante que nem senti esse momento passar? Provavelmente estaria sentada vendo os corpos, o tempo e suas corridinhas, o riscar de uma tarde na Avenida Paulista, indagada, cheia de dúvidas, por onde seguir. E hoje eu ainda os invoco: copos, os corpos o tempo, maldito corre-corre do tempo. Esta forte e é maligno e meu auge esta correndo sem ar, sem ar.

Um homem pulou para a vida e então seu coração parou. Uma mulher se esfregou num poste, tirou as roupas e ninguém mais olhava. E tudo isso regado a muita solidão. É o que acontece quando os olhares ganham valores. São valores moldando uma nova era. E o tempo fazendo suas irritantes corridinhas pela manhã, pela tarde, pela maldita noite a fora de meu tempo. Enquanto milhões de mulheres dançam e tiram a roupa. E na mesma dificuldade, homens assistem. É o que acontece. É o que acontece.

Um homem num copo de uma mulher que vira todo o drink, agora é um corpo vazio.

Monday, August 24, 2009

Isso é que dá, cê querer frequentar...

Enquanto isso, em uma madrugada de tédio no MSN:



Dudu diz:
Deus me livre disso, mas se algum dia eu tiver uma doença terminal, eu me encho de dinamite, vou pra sede do fluminense e boto aquela porra toda no chão
Bebel diz:
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA PQP...

Thursday, August 20, 2009

Quando o mar
Quando o mar tem mais segredo
Não é quando ele se agita
Nem é quando é tempestade
Nem é quando é ventania
Quando o mar tem mais segredo
É quando é calmaria

Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Nem é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
É quando ele é sincero



sueli costa

Thursday, August 06, 2009


Uma pena que a bossa nova diminiu e muito a potência vocal da Márcia, mas, mesmo assim, tem um vídeo dela cantando lamento com o Baden tocando, que é a coisa mais linda...

Tá aqui o link:
http://www.youtube.com/watch?v=16zrD720DxY

E a letra, que é a coisa mais linda...vinicios, né?
Um dia ainda me mata ferozmente do coração:


Morena tem pena
Mas ouve o meu lamento
Tento em vão
Te esquecer
Mas olha, o meu tormento
É tanto, que eu vivo em pranto,
Sou todo infeliz
Não há coisa mais triste, meu benzinho,
Que este chorinho que eu te fiz

Sozinho, morena
Você nem tem mais pena
Ai, meu bem
Fiquei tão só
Tem dó, tem dó de mim
Porque estou triste assim
Por amor de você
Não há coisa mais linda neste mundo
Que o meu carinho por você

Meu amor, tem dó
Meu amor, tem dó


Porra!
Ando apaixonada pela Márcia, fudeu...
Ouço loucamente ela trezentas vezes por dia e fico na mesa de bar, igual ela na capa de Ronda, debruçada sobre a mesa com um cigarro na mão e um copo ao lado esperando que um cara apareça com uma lágrima no rosto igual ao disco do Paulinho que aparece ele chorando, que por sinal foi o mesmo desenhista do da Márcia...esqueci o nome dele.
Enfim.

Friday, July 31, 2009


Meu problema com a música é que eu não sou nada musical. Não tenho ritmo, canto no tom errado, percepção zero. E acho que a culpa é da poesia. Demorei muito tempo para dar ouvidos a música instrumental que hoje sim, lota meu I pod. Talvez porque comecei a ver poesia na ausência das palavras, mas isso não quer dizer que eu aprendi sobre ritmos e notas musicais. Pelo ao contrário, aprendi ainda mais, sobre a poesia, rs.

Ao contrario de Paulo César Pinheiro, a musica não me deixa fazê-la. A poesia sim, essa sempre me deu espaço. Talvez porque eu a deixei muito a vontade em minha vida. Sempre começo lendo muitos dos compositores que depois viram paixões. E entre a música e a poesia existe uma cordialidade frenética. Não tem coisa mais bonita ao coração que ver um poema cheio de ritmos sendo “declamado” em vozes que confidenciam emoções.

Tudo isso para falar que eu estou aqui em São Paulo e o tempo não esta ajudando a minha boemia de farrear de bar em bar reclamando da vida, dando longos abraços nos amigos e ouvindo samba. Estou mesmo de moletom carregando um edredom vermelho pra lá e pra cá, vendo Hause . Mas ontem minha mãe, sempre ela, finalmente me deu o livro da jornalista Conceição Campos sobre o PCP. Eu já tinha ido ao lançamento do livro em Paquetá e pude observar de longe que eu não sou a única que considera o Paulinho um dos maiores compositores do Brasil. PCP surgiu mais que involuntariamente em minha vida. Eu mesma fazia uma seleção de suas composições, sempre cantada por outros músicos, sem saber que ele era o autor. Quando comecei a investigar quem era o dono das poesias mais lindas no samba, parei em PCP e Mauro Duarte.

Bom, eu ainda não terminei o livro que eu dou graças a Deus de ser bem longo e cheio de letras e poemas deste compositor. Já vi também que no final tem um catálogo com todos os nomes e parcerias de suas 1.129 canções compostas desde 1962 até o ano de lançamento do livro, 2009. Acredito que já deve ter coisa de fora. Li algumas historias acompanhada de algumas letras e fiquei ainda mais apaixonada pelo cara.

Queria eu repetir muitas de suas façanhas poéticas e ter a vida regada de tantos companheiros virtuosos. Sua compulsão por escrever ( e acho que isso que me chama mais atenção neste poeta ) é infinita.

Puta que pariu, o samba e a poesia, agradecem.

Thursday, July 30, 2009

Duas coisas a dizer:

1- Conversa franca com minha mãe:

- Mãe, te juro que minha total independência econômica vai ser aos 28!
- Ah não, é muito tempo. Eu a quero em dois meses...
- Num dá mãe, foi o cigano que disse.
- Ele não disse isso, disse que você vai namorar aos 28 anos.
- Namorar só com 28??? Mãe! Isso significa que eu ainda tenho dois anos de sexo casual pela frente! Não aguento mais!!!
- ...


2- Novidade patética:

Gente, eu tenho twitter:
http://twitter.com/Bebelcrozera

Tuesday, July 28, 2009


O fato é que todas as coisas no mundo podem ser engraçadas. Por exemplo, o meu ridículo jeito de ser, ontem mesmo no seu carro, falando sem parar. Teve uma hora que eu quase perdi o ar e então, olhei para você e seus olhos me deram todo o oxigênio necessário para continuar falando. Como quando eu lhe contei do filme e falei sobre arte, e você olhava com olhos de calma e sorriso de interesse.
Você me disse sobre fazer um texto engraçado e eu fiquei imaginando um cara, sei lá, Chico da Curimba escorregando na banana, ou vestido de elfo tocando flauta enquanto a Paula passei com suas pernicas finas num campo de centeio.
Mas acho que o papo é outro. O que você ainda não entendeu meu bem é que tudo isso é muito sério. Mas sério não é triste e você bem sabe disso. Rir de seus devaneios loucos, de seu ego suicida, ou até quando você fala sem querer ser sério. Saiba, é sério pra caralho. Igual a gente ontem se olhando nos olhos e felizes por estar um fazendo o outro mostrar dentinhos separados, longe da dor que é ser bem grudadinho.
Por que a gente deu uma volta e depois mais uma, pois queríamos beber mais dentro do seu carro. Porque você ainda mora no meu bairro e só muda em outubro pois não quer ter uma churrasqueira e sim mais um banheiro. Honestamente eu não sei o porque da reforma, juro não saber a diferença de um banheiro para uma churrasqueira. São os mesmos momentos íntimos, não acha?
Eu inverti, entravei e adorei quando você julgou os verbos cariocas e se você me olhasse agora estaria me vendo sorrir e pensar ; hahaha besta! Pois você é um deles e fala um monte de porcarias das quais eu e Paula sempre lembramos no dia a dia e é por isso que eu nunca te esqueço, mesmo você estando longe e não ligando. Você também me contou que demorou a me esquecer, e essa, foi pra mim, a melhor piada da noite.

Hahaha, seu besta!

Monday, July 27, 2009

Aprendiz de Mocinha:
(lição primeira de vida)
a flor quando muda de terra precisa vir com a raíz
se não morre frustrada
e seca em páginas de poesias esquecidas na estante de alguém também seco.



Vai pra onde
todas as flores cansadas de se maquiar quando a noite chega?
pintadas pétala por pétala
sofridas-riem.
requem maldito e flores murchas embravecidas de vida e conforto,
querem água.

raizes e laços que seriam suas mãos tentando mudar a flor de jardim.

condicione a flor a querer luz.
(eu nunca vi uma flor noturna)
seria a rosa mais puta e julgada.
-como alguém que não gosta da manhã-

seria seu caule branco e aspéro.
amargo de vida que é seu sangue

vermelha, pois outra cor não haveria
muitas pétalas para que toda a vaidade jamais desprendece na guerra
folhas verdes, assim se vê, gosta de ter constraste
e apegada como uma mulher em amor.
Bateu uma inspiração e sem companhia. Uma veracidade que entrou junto aos ventos e veio em cheio me esbofetear. esbofeteio. uma pequena ilusão que seria nós dois e mais um homem paranóico achando que meu coração ainda seria dele.
um sujeito que lembraria muito alguém que eu não me aproximaria para essas coisas. e um homem que degladeia minha cabeça com feições.


seriam as asas perfeitas e teve uma unção. de quando eu corria e a brincadeira da amarelinha, terminava no céu. tenho uma vantagem, tenho todas. uma forma que eu jamais aceitaria e como todos os vestígios precisam fluir e me amar para serem aceitos aqui dentro. sou uma falha. sei de todos meus arrependimentos e a cada asa vermelha que nasce em meu pé, um momento só meu de devaneio. tento ser obscuro. preto,inflado e dor. alegria e risadas porque eu não poderia lhe mostrar meu jogo sem humor. pois você nasceu para o que veio. e eu oxalá. teria asas no pé e sairia bem feliz por ter um talento. enquanto eu, aperfeiçoaria o que nunca foi me dado esses anos todos.

essa viagem tem uma lição.

eu tenho um caminho torto e esburacado e pareço não carecer de luz. sou só um sonho aflito que ri e chora, como se rir e chorar fosse no entanto, pois é, a mesma coisa. tenho observado; para onde estão indo minhas perspectivas aflitas e minha volupias. pare. aceite a música e o não olhar daquele homem. aceite o choro, a morte e aceite a dura pena de viver no luto. aceite rever sua grande paixão no Catete.
Aceite ganhar um alguém que jamais seria seu grande amor.
Aceite meu silêncio lhe dizendo o que no fundo você já sabia; foi você quem errou com a pessoa errada. eu sou essa. e quem me ganha neste momento? não é ela. pois sei de minha decadência e da oportunada vezes que eu decolei no fogo, pois sou como um kamicaze. aceitei, bateu um sol. quem diria que teria veria minhas asas vermelhas, sugarem seu lilás. aceito essa condição. vou entrar para o clã dos que da vida, não são. -sei de ser só sendo queria-. tem quando pra muito nesta minha vida fodida. e mais um porção de nomes feios que a estética desta arte, não nos permitiria agora. quebremos as correntes literárias e os outros lerão sem o menor interesse o que aqui é escrito. eu não me importaria.
tenho coisas mais importantes para ignorar.

Recoa palavra:

e acionei mais um lindo dia em que eu diria; vou dar um giro.
quais desses problemas jogados em seu quarto sujo são meus?
Vou estrangular delicadamente todas as formas e vãos da minha escrita paupérrima de resultados. serei eu uma convulsão em forma de textinhos escritos no colégio construtivista.
Meus amigos estão todos no bar ignorando uma situação falida que é nossa realidade. e eu finjo gostar de ter conhecimento.
estoure uma palavra bonita na minha boca com seus poemas babões e sem estrutura real.
eu rasgo em meus textos como alguém que desbrava a mata fechada com um facão, e digo mais;
que se foda as belas palavras e todos os corações ardidos.
A minha paixão, queridos, é verdadeira.
Sou eu a única de muitos únicos e ganhei meu posto hoje pela manhã.

Wednesday, July 15, 2009


queria prender o movimento e agredi-lo com as forças das palavras com que escrevia. sabia ser uma tarefa e tanto e sempre que a compulsão batia, ela e eu hei de estar aqui para afroxar meus leitos inseguros em uma folha de papel brilhante feito tela. pintar é escrever e tocar. a arte.



corri nos meus tempos idos e ao me esconder na brincadeira, nunca mais me acharam. laciei. vi tendas e folhas verdes, sedas e longos lenços como se Laura fosse um dia uma garota livre com assas de tecidos nordestinos, bem fortes e com fibras.
tinha dias que eu amanhecia em são paulo e taxativa dizia; só saio de casa, se me apaixonar. foi então que me apaixonei.
lenços corridos, mãos de seda. puro rodar e era essa imagem que meu coração não vai nunca, nem por um fim, poder esquecer. tenho um jeito astuto, sou desrespeitada diariamente por egos em condições escabrosas, temo ser assim também.
consigo ver a beleza da fita, das manchas que tem seu penar. consigo olhar para aquele olhar perdido e ver que ainda precisa existir um sentimento sem nome nem culpa, e mais longos dez anos para você e para mim.

a cidade estava um caos, e o cenário era um garoto ingrato, dormindo ao meu lado no dia seguinte. nós dois de ressacas loucas, daquelas de várias. e ele virando devagar, tateando meu corpo com a mão -uma só- e um só pé também.
preciso correr daqui. antes que ele viva esse momento comigo, pensei.


enrolei-me de seda roxa e a imagem era tão certeira quanto a intensa vontade vício que tenho de escrever errado. vou deixar uma marca, um registro. quero gravar as canções suaves e lindas que seu amigo compõe. acredite, elas ficam mais bonitas na garganta de quem não as merece.
e esse seria definittivamente meu caso.

Saturday, July 11, 2009

Rodava a lua ilê
Rodava meu céu de espada e uma certa vez tinha um dragão na minha lua ilê.
As tardes, eram fajutas. Borboleteávamos ensandecidas. E no dia seguinte, loucas de ontem, pensávamos: temos mais vintequatrohoras. Simbora. O corpo, por vezes, não agüentava. Pedia um arrego ignorado. Mas então, as pessoas ao redor comentavam; por onde andam que não se cansam? O que querem com essa presa achar? Não sabíamos responder.
Tinha dias em que Paula admitia; eu não estou bem. E nós riamos sérias e nos auto bronqueavam. Precisamos de responsabilidades, precisamos de calma, coragem. Precisamos trabalhar. E todos os outros discursos que a algum tempo, temos ouvido de nossos ainda responsáveis.
Rodava o ilê. E o corpo disse; tenham piedade! E elas se mandaram para um sitio um pouco distante da cidade, onde lá se propuseram a não farrear e cuidar da pele e da alimentação. E assim fizeram. Quando a noite chegavam, queriam saber o que estava do mundo perdendo, e aos risos, lembravam de cada caso, caso a caso, contando o quanto já tinham aprontado e assim, fazíamos também o balanço da vida. Quando o dia de ir embora chegou, arrumaram as malas rapidamente e partiram em uma cansativa viagem de trem. Chegando ao Rio, tudo voltou a ser como era antes. Samba, cerveja, homens, risadas, amigos, Lapa.
Rodava o ilê
Na lua, se olhasse pra lua.
Na rua, se pisando firme rua.
Nos olhos que dedilhavam o violão, junto aos dedos
Um copo vazio.
Cigarros
Um livro de Clarice e uma letra de Paulo César Pinheiro
Que minha mente negociaria para ver o que mais me atraia. Falávamos de cinema e culpávamos nossa complexa geração pela nossa vagabundagem. Nós somos a classe média que freqüenta terapia. Nos temos dialogo em casa e uma liberdade para escolher a verdadeira maionese no supermercado. Agora por lá também se compra a felicidade.
Alguns pais, surtiram os efeitos da ditadura. Ninguém anula o voto, pois conquistei esse direito. Mas o sistema castrou os jovens. E eles não gostam de política.
Alguma coisa aconteceu comigo.
Quando pequena eu mamãe e papai, mais Chicão, construímos um labirinto bem divertido. Mas mamãe e papai já sabiam achar a saída. Eu e Chicão, ficamos por lá. Chico, por anos tenta com sucesso, sair. Eu sempre faço o caminho da volta, pois lá me lembro de todas as artes e bons momentos que vivi. Minha mãe, toda semana, deixa comida, coberta e dinheiro e diz; está na hora de sair! Mas eu construí minha moradia por lá, sabendo que isso um dia vai acabar. Mesmo assim, não me desespero, ao contrário de Chico que anseia a saída.
Será que existe tipos de pessoas que nasceram para explorar caminhos já construídos e não para achar a saída? Será que a cada muro que passo, deste meu labirinto descubro uma duvida, uma alegria, uma coisa sem nome nem força, mas que me faz ficar? E se cada olhar meu for tão divertido e medroso a ponto deu não querer encarar lá fora? E se a pressão for absoluta. E se for pura poesia. E se minha vida for mesmo essa. Não durmo tranqüila, desde então.

Ainda não tenho nada para te acrescentar vida.
Nem meus atrasos são charmosos. Achei o click que precisaria para seguir. Preciso concentrar. Vivo olhando as transformações, e não faço nada. A difícil arte de se entregar a ela rasgando meu coração em papeizinhos não recicláveis fajutos de sangue velho.

Não estava inflamando, e a arte para ela sempre fora uma responsabilidade. Lembrou-se de quando aprendeu sobre as rodinhas e os grupos de estudos, em uma tentativa de modificar os lances. As coisas. Sempre ia-se a se não fosse pensaria, ao encontro de uma paixão. Mas ao se misturar e se deixar envolver, também aprendia a brigar. Brigando-se em seu universo, sempre a primeira luta, aprenda minha criança, é com a gente mesmo. Fazia e acontecia, nem tanto, talvez. Mas pensaria em tal. A arte era então uma responsabilidade, mais que isso, um aprendizado, enfim.

Partiu desta por cometer crimes de amor. Sugou o coração do homem mais inteligente das galáxias, e partiu feito ladrão em fuga, com as mãos ensangüentadas. E o coração do moço, ainda batia. Foi convencida de que a poesia que respirava ficava ali pertinho, em uma cidade de praia, de pai.
Jogou o coração do homem no lago. -Dizem que anos depois ele achou, e isso tudo teve um final feliz.-
Arrumou as mazelas e se mandou de lá.
Se apaixonou de novo e desta vez, pois, era vingança do destino. O homem 021 mandou um aviso; pode ficar com esse coração apaixonado para você. Eu não tenho o que fazer com ele. E três pontinhos se passaram e a menina lastimou profundamente o homem com quem se envolvera. Era muito freudiano, todos pensariam. E no fim, até mesmo ela concordava com essa teoria. Bendita alma, meu pai.

Voltou com tendências e queria de tudo. Foi então que saindo da guerra, conheceu um assassino. Um homem de ensinar. E de pouco aprender. Um senso de humor que a fazia suar gelado. E um sexo que parecia uma explosão. Bitucas apagadas. Cena que se corta e lá esta ela, ouvindo música, sempre ela, pensando nele. E ele se foi. Nunca tive seu coração, nem ele. Espalhei nos postes fotos de procura-se o coração do assassino, mas ninguém retornou.

O que veio depois. Não vale a pena ser dito senhores. Já que o mundo é uma farsa. Ela também caiu no conto. Um ser de luz apareceu e não existia. Um homem daqueles que só relembra. Foge do futuro como Lalu da cruz. E me disse; fique com meu coração, mulher amada. Eu gosto de uma fossa para beber whisky barato e ouvir Aldir. E eu segui caminhando orgulhosa e odiada quando semi me apaixonei por um outro homem. Daqueles sedentos de carinho e afeto. Mais eu não entendi o enredo que fiz e quis uma borracha tosca para apagar tudo e seguir sozinha. O coração dele esta comigo. No formol para que não estrague. Quando ele voltar para pegar, estará intacto, prometo.

PARTE-2(veia orta)

Veio uma insana serenidade e a mulher atacou o homem sopro. E ele adorou seu ataque e lhe convidou para o amor. Ela de prontidão, aceitou. Veio voando com o peito aberto e o coração recuado, mas o mesmo suicida de sempre. Então, como se não virar-se-ia, o homem desfez o convite. Alegou loucura. E não via a hora de dizer para aquela mulher que juntos na cama, eram imbatíveis. Mas que nunca ele gostaria de te-la como mulher.

Foi um golpe estalão. E a mulher chorou sozinha e pensou tadinho de meu coração. Ele não merece. E com dozinha, foi até o peito e viu que ele não estava mais lá.
Certa vez, foi ao encontro do homem sopro de novo, apenas para resgatar o coração roubado. Só conseguiu metade, mas se deu por satisfeita.

Andam dizendo que os dias, se passarem muito leves, não tem jeito, ela irá se apaixonar novamente. E não adianta meus caros, frustradas tentativas de segurar a metade do coração da moça, quando ele feliz tentará o pulo fatal para outro peito.
A cabeça quando se deita no peito da vitima absorve informações sobre o coração. A pele fala poro por poro, os olhos descrevem, a orelha ouve os batimentos ritmados. As mãos sempre ajudam, sempre. A língua trava, mas depois traz. O corpo faz um relatório mas meu coração é muito ingrato e rasga o documento assim que ele chega e diz feito anarquista ; que se foda. Não quero saber de dados incríveis, eu escolho quem e quando bem quero. Aqui é assim. Gosta, gosta. Odeia, odeia. Não tem meio papo, nem lero-lero.

Existe uma ponte que mira em seu peito. Meu coração esta indo pra lá. E eu queria que ao menos,ele lesse a parte do relatório onde fala; PERIGO! Não se aproxime.

Friday, July 03, 2009

Você passa dissipada
Na fumaça de seu orgulho
E os dias móveis carregam
O móvel laqueado

Não se usam mais os pés dourados
Nem as promessas de um amor
Atormentado e vazio

Um velho caminhão de mudanças some na fumaça
Para onde você passa? Para onde as coisas passam?
Quando o orgulho esmaga as asas
O tempo é um pássaro de natureza vaga


Paulo da Viola