Saturday, September 01, 2007

Gosto, Mas Não É Muito
(Noel Rosa / Ismael Silva / Francisco Alves)

Olha! Escuta meu bem
É com você que eu estou falando
Neném
Esse negócio de amor não convém
Gosto de você
Mas não é muito, muito

Fica firme, não estrila
Traz o retrato e a estampilha
Que eu vou ver
O que posso fazer por você

Seu amor é insensato
Me amofinou mesmo de fato
Não leve a mal
Eu prefiro a Lei Marcial

Thursday, August 30, 2007

Um lindo canto com o gosto de viver
Pintou bonito e ganhou meu coração
Há como é bom viver
É bom viver de amor e até morrer de amor é bom
É bom se ter porque poder pode podar
É bom a gente ter o que ninguém pode ganhar
Saber o que será o dia de amanhã
Comer, beber, dormir, sonhar
E ser um bom vivã
O amor não quer pode
Não quer dinheiro não
O amor não quer beber
O vinho da ilusão
O amor é bem querer
É a fonte da emoção
Então lugar de amor
É mesmo o coração





(Mestre, mestre, mestre Nogueira...)

-Eu temo se um dia me machuca o verso...

Friday, August 24, 2007



Ela chegou com dois anos em casa. Abrimos a porta correndo e vimos uma esguia Waimaraner subir a rua, sem entender nada. Entrou em casa e para desespero de minha mãe, subiu no sofa, como se aquela casa já fosse dela há alguns anos. Morria de medo de vassoura, tinha outro nome que não era Lara. Era a waimaraner mais vira-lata de todas, ao mesmo tempo que era a Waimaraner mais carinhosa do mundo, e , com todo mundo. Encostava a cabeça no colo de qualquer pessoa e pedia um carinho silêncioso e sereno. Certa vez, nos deu lindos filhotinhos e foi uma mãe exemplar com a cria de capa de revista. Todas as "certas vezes" Lara representou. Nunca conheci uma cachorra que não era de latir, a Larinha latia muito raramente, não reclamava de nada, e teve um passado que a gente nunca vai saber como foi, já que chegou na minha casa com dois anos de vida. Nunca entendemos o porque de uma cachorra tão da família, tão nossa, chegar em nossas mãos, depois de morar, e não se habituar, em duas outras casas, vir parar em nosso quintal. Ela nasceu pAra ser nossa, e olha que eu não entendo dessaS coisaS de destino, mas sei que foram sete anos ao lado de uma fêmea, uma companheira, uma legítima figura de cão.
Saudades Lupi, minha eterna princesinha.




*Eles estão por fora do que eu sinto por você...

Tuesday, August 21, 2007

Tenho impressa no meu rosto
e no peito, no lado oposto ao direito, uma saudade
(que saudade)
sensação de na verdade
não ter sido nem metade
daquilo que você sonhou
(que sonhou)
são caminhos, são esquemas
descaminhos e problemas
é o rochedo contra o mar
é isso aí, ê Irajá
meu samba é a única coisa que eu posso te dar
é isso aí, ê Irajá
meu samba é a única coisa que eu posso te dar
saudade
veio à sombra da mangueira
sentou na espreguiçadeira
e pegou no violão
cantou a moda do caranguejo
me estendeu a mão prum beijo
e me deu opinião
(opinião, opinião)
depois tomou um gole de abrideira
foi sumindo na poeira
para nunca mais voltar
é isso aí, ê Irajá
meu samba é a única coisa que eu posso te dar

Monday, August 13, 2007





Reverend Horton Heat, minha nova paixão.
Ahhh...rock né?

Eu presumo viver contigo, de um jeito faceiro meu bem, numa casa pequena. Nós chegaríamos a noite, depois do samba. E você seria intimamente só meu. Querido, você fumaria um cigarro daquele seu jeito charmoso e eu daria uns tragos no seu. Você iria puxar meu cabelo sorrindo, com o cigarro no canto da boca e eu ia tirar a roupa de um jeito só meu, pra você. Sua língua ia ser do meu rosto, e eu ia encontrar suas costas. Seus dentes seriam de minha coxa, e eu morderia bem forte teu lábio. Depois eu te atacaria, e berraria, e escandalizaria meu amor por ti aos quatro ventos deste Rio de Janeiro, na Glória, na Lapa, debaixo da sua cama no Flamengo. Até a morte, até nove horas depois juntinhos, vai. Vai acabar. Meu amor, eu iria embora em silêncio, vestida com minhas roupas e teu cheiro. Quando a noite chegasse, eu iria te ver tocar, vestida de vermelho, passar por você e deixar o meu cheiro, com um beijo no rosto.
Eu gosto do jeito que o homem segura um violão numa roda de samba...

Ah ! Estas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ah ! Este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão
Compreende porque perdi toda alegria
E no entanto meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher
Até hoje está nos esperando
Solte o teu tom da madeira
Eu você e a companheira
À madrugada iremos pra casa cantando

-Cartolinha-

Sunday, August 12, 2007

É um moreno forte é mesmo um atléta,mas tem um grande defeito, ele diz que é poeta...

Aprendi a aceitar o enorme risco de que, embora eu não seja uma pessoa atraente e confiante, embora você tenha a seu dispor um catálogo vasto de meus medos e fobias, você pode, mesmo assim, me amar.

Alain de Bottom

Tuesday, August 07, 2007


Meu amor é um tigre de papel
Range ruge morde, mas não passa.
De um tigre de papel

Numa sala ausente, meu amor presente.
Me prende entre os dentes depois me abandona
Definitivamente
Range ruge morde
Velho tigre de virtudes
Nas selvas de seu quarto entre florestas cartas
Frases desesperadas
Lençóis
Onde me ama
Furiosas garras meu amor me agarra geme treme chora
mata
Um tigre de papel perdido nos lençóis da caça

Um tigre perdido

Saturday, August 04, 2007

Samba Resquício


Eu acho triste, mas, fazer o que?
Se no meu prontuário não tem o teu parecer.

-Eu grito, eu grito meu samba é infinito.


Viva o presente,como se fosse um presente.

Tuesday, July 31, 2007


Carta a Pingueleto


O mundo girou anos durante a metafísica do destino, e de minha ansiedade possessiva, que seqüestrou o tempo real. Olhei para o significado da vida e não bastou. O mundo girou durante horas e as coisas estavam sempre como quando eu vou a cozinha e deixo a porta da estante aberta, ou seja, inacabadas e minha mãe diz que eu tenho problema em finalizar. Um dia como uma faca ela me perfurou dizendo que todos meu problemas vinham do meu nada. E eu queria enfrenta-la e dizer que meu nada era a parte mais forte do meu processo, e não a causa em si, mas não tive forças. Ela me esfaqueou algumas vezes, e eu sangrava revoltada e sem conseguir retornar a situação. Eu batalhava por uma saída tradicional,como fizeram todos ao meu redor num passado distante, mas não engoli. Não agüentei e mais uma porta ficou aberta e abandonada e mais uma vez eu via a faca de minha mãe perfurar meu estomago alegando razão. Eu me machucaria tentando dizer o avesso, mas não o fiz. E o não fazer me levou a tantas situações que eu me explico, explico, e o contorno eu não acho. O meio, o raio, o controle remoto. Foi aí, e então que meu coração foi cortado pela metade, quando meu pai se foi. Neste meu momento da vida. Ele morreu interferindo uma crise só minha, ele atropelou meu espetáculo roubando a cena, dizendo adeus. E eu fiquei com saudades e crises, e crises e saudades. A ansiedade, os nervos, tinha achado uma razão real de eu ser quem sou. Como se sempre minhas crises fossem pela perda de um pai. E eu chorei de mansinho, e fiquei com medo de todas as doenças. Mais tive mais medo de enlouquecer na roda da vida. E o mundo continua me cobrando atenção. Ele me joga na cara histórias lindas, feitas de lágrimas e ouro e cá eu estou. Os loucos também sobrevivem, as mulheres tristes, fardadas a infelicidade, também sobrevivem, o pobretão trabalhador, também. No meu país, na insalubridade, as pessoas sobrevivem. E eu me invoco no meu nada, com tantos “tudos” para fazer. Eu me provoco, eu deslizo, eu não fecho a porta para abrir outra. Eu me assusto fácil demais, como se um urso pudesse me comer a cada segundo. Eu tenho medo desse remédio misterioso que ando tomando. Medo de acabar esquizofrênica, Estamira, Virginia Woolf. Eu tenho medo do meu nada virar doença, medo de não conseguir. Eu sonhei que tudo em outro país caia como areia e então lá fui eu me despedir de você meu pai, eu te abracei bem forte, eu dizia que iria partir, eu dizia que eu te amava.

Eu contei nossa história a uma amiga e ela entendeu, ela também passou por isso e eu egoísta não enxerguei sangue nela. Eu te perdi. Eu queria ao te perder, saber valorizar mais a vida, você foi embora sem me ensinar a ir a luta e eu estou neste frio valorizando meu nada, alimento de minha alma. E todas as vezes que tenho esse tipo de epifânia eu fico feliz, pois acordo disposta. No dia seguinte, abro três portas, não fecho nenhuma, depois o ciclo volta e isso me corroí, me desgasta. Agora estou sendo ajudada a escolher melhor a porta, estão tentando me ensinar como fecha-la também. Muitas coisas válidas, relíquias de museu, já foram descobertas nesse momento, mas eu ainda ando com problema de portas, com gastos, com cigarros, com amores, com a angustia, com a comida, com o futuro.

Thursday, July 26, 2007


Não se assuste, pessoa
Se eu lhe disser que a vida é boa
Enquanto eles se batem
Dê um role e você vai ouvir
Apenas quem já dizia:
Eu não tenho nada
Antes de você ser eu sou
Eu sou, eu sou
Eu sou amor da cabeça aos pés
E só to beijando o rosto
De quem dá valor
Pra quem vale mais um gosto
Do que cem mil réis
Eu sou
Eu sou
Eu sou amor da cabeça aos pés

Wednesday, July 25, 2007


Vestirei vermelho carmim escarlate

O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.



-elisa lucinda-

Wednesday, July 18, 2007

-um poeminha de chico, todo seu e eu-


Eu não sabia explicar nós dois
Ele mais eu
Porque eu e ele
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ele foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dele
Me vendo nos olhos dele
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ele
Porque era eu
-eu sou eu, toda vez que olho no espelho minha cara-


A gente é hipócrita com os cachorros, pois gostamos deles, por que sempre são felizes. Acho que preciso mudar de travesseiro, meu pescoço reclama de enfrenta-lo todos os dias. Levanto da cama e ainda esta chovendo nesta cidade que chora, hoje vai chorar também. Abro a janela, ascendo um cigarro. É tanta coisa que sempre tento dizer o que é. Muitas das vezes serão sempre as vezes que eu me olhar. Toda vez será única, será rara, será eu.

A tarde passou sem aviso prévio algum que a noite seria sangrenta aos olhos de todos, do mundo de você. E os jornais se dividiam ao mesclar a alegria de feitos esportivos e tragédias de um avião que caia. Eram medalhas de ouro de sangue, somada a uma mãe cheia de orgulho, com uma mãe que perdera os dois filhos no mesmo dia. E perder dói, os esportistas sabem disso. A vida de derrotas e vitórias estaria anunciada, como se tudo não passasse de um conto qualquer. E de noite, os sobreviventes que não ganharam medalhas pensariam sobre ambas as coisas, na noite, chovia mais e mais...e mais ainda quando via tamanho silêncio.

Trombou com meu sono atrapalhado, com essa derradeira comoção que tenho sido. Com o meu olhar, eterno olhar novo sob o espelho de cada dia.Viver uma batalha legitima.
A gente é hipócrita por gostar de cachorros, por não viver a ode aos ratos. Nesta hora ainda não sei se o fogo já cessou, nem para onde vai tantas vidas que sumiram. Me dói saber da dor de quem nem conheço, me dói te ver passar sem mim.

Minha alma lateja poesia dolorida, por que sei da dor de vocês, e sabe, certas coisas na vida não merecem explicações. O sangue escorre nas medalhas finalmente conquistadas, de ouro. Brilha e machuca os olhos de quem assiste a tudo isso.

Meu corpo pede por uma noite em que meu sonho não acorde junto comigo.