Desculpe voltar neste assunto...mas num dá... Angeli se supera demais...amo, amo muito.
Thursday, March 25, 2010
Ainnnn...
que a gente se espichar
com os pés no sofá
sem ter nada a fazer
e relaxar,
se acomodar,
ficar no bem-bom
ouvindo um som.
Você vai aprender
é só se acostumar
a ter o que quer
sem sair do lugar,
melhor se houver
mamãe, babá, garçom
prá lhe servir filet
mignon.
Quem já fez
bem sabe como é bom
deitar no chão, ler um gibi, comer bombom.
Ouvir alguém
a recitar Drummond
à meia luz,
a meia voz,
a meio tom.
A gente sem querer
começa a espreguiçar,
o corpo esticar
a cabeça a pender
o olhar pesar
a boca se abrir
e não dá mais prá reagir.
Agora eu já nem sei
tanto falei que deu vontade
de dormir...
edu lobo e pcp
Tuesday, March 23, 2010
G.Rosa
Monday, March 22, 2010
Napolitano
Pintei minhas unhas de verde e acabei de ver Mel Lisboa falar para Felipe Camargo que ele parece um urso gostoso. Nojinho.
Agora vou dormir já que filmes nacionais de qualidade inferior me dão urticária.
Adios, amigos.
Sunday, March 21, 2010
Blé
algum sucesso. Ou isso mesmo eu deduzia quando alguém tecia um glorioso elogio a minha pessoa.
Mas o tempo passou e eu não virei a expectativa, porque eu não virei, coisa alguma. E morro de medo de meu jeito inseguro, te sufoque. Eu me sufocaria. E quando eu lhe conto que já passei por poucas e boas por conta da minha cabeça bamba, você ri e até tira um sarro e eu entro na sua brincadeira porque não ha nada melhor do que rir do fato de já ter passado por psiquiatras, terapeutas e afins. E morro mais de medo porque não sei o que fazer da vida e preciso fazer alguma coisa que lhe mostre o quão eu sou também inteligente, independente, igual as pessoas engajadas que você admira.
Mas sabe, isso nem é de todo mal quando eu paro para pensar em uma frase vinda de algum lugar, que é mais ou menos assim; “deus me deu um grande amor, porque eu mereço"*. E se você me faz tão feliz, se eu te faço tão feliz também, quero crer que é porque merecemos. E que nunca, jamais eu te faria algum mal. E que minha sina parece que encontrou um lugar muito do aconchegante pra adormecer, igual eu quando me deito no seu peito e te beijo agradecendo em silencio o homem que você é. Agradecendo poder dar muitos beijos, desses que eu sempre lhe dou, quando tenho ar.
Por fim, penso que
Deus me fez de uma forma cristalina com a condição que seus olhos pudessem julgar.
*
Deus me deu um amor no tempo de madureza,
quando os frutos ou não são colhidos ou sabem a verme.
Deus - ou foi talvez o Diabo - deu-me este amor maduro,
e a um e outro agradeço, pois que tenho um amor.
Pois que tenho um amor, volto aos mitos pretéritos
e outros acrescento aos que amor já criou.
Eis que eu mesmo me torno o mito mais radioso
e talhado em penumbra sou e não sou, mas sou.
Mas sou cada vez mais, eu que não me sabia
e cansado de mim julgava que era o mundo
um vácuo atormentado, um sistema de erros.
Amanhecem de novo as antigas manhãs
que não vivi jamais, pois jamais me sorriram.
Mas me sorriam sempre atrás de tua sombra
imensa e contraída como letra no muro
e só hoje presente.
Deus me deu um amor porque o mereci.
De tantos que já tive ou tiveram em mim,
o sumo se espremeu para fazer vinho
ou foi sangue, talvez, que se armou em coágulo.
E o tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor dessas chamas extintas
era o tempo mais justo. Era tempo de terra.
Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.
Hoje tenho um amor e me faço espaçoso
para arrecadar as alfaias de muitos
amantes desgovernados, no mundo, ou triunfantes,
e ao vê-los amorosos e transidos em torno,
o sagrado terror converto em jubilação.
Seu grão de angústia amor já me oferece
na mão esquerda. Enquanto a outra acaricia
os cabelos e a voz e o passo e a arquitetura
e o mistério que além faz os seres preciosos
à visão extasiada.
Mas, porque me tocou um amor crepuscular,
há que amar diferente. De uma grave paciência
ladrilhar minhas mãos. E talvez a ironia
tenha dilacerado a melhor doação.
Há que amar e calar.
Para fora do tempo arrasto meus despojos
e estou vivo na luz que baixa e me confunde
Drummond
Tv Junk In Your Trunk

Pensar que Cazuza e Pedro Bial eram amigos de infância, me dói. Tava vendo agora os especial da Globo (TV aberta é pros fortes, meus caros), que aliais, é bem melhor do que o filme sobre a vida do cantor, e lá o jornalista, hoje apresentador do BBB, da alguns depoimentos, entre eles, um que diz que Cazuza sempre foi mais inteligente que ele. Ah, não tenho dúvidas. Eu curto o Cazuza. Acho que todo mundo pode reclamar, até a classe média. E porque não? A vida não é um tédio? Mas o Pedro Bial...hoje mesmo li algumas matérias ( é esse o nome que damos as notinhas que os sites de “notícias” colocam no ar?) sobre sua entrevista na Revista Rolling Stone, e fiquei com uma vontade imensa de não comprar a revista. O Bial irrita. E tem um povo que tem raivinha dele porque hoje ele apresenta o BBB. Mas porra, antes ele apresentava o Fantástico! Ele não regrediu em nada minha gente. Mas Bial irrita também porque tem a capacidade de acreditar que intelectualizar o BBB pode o salvar da “vergonha” que é apresentar um programa sem qualidades. Mas a tentativa é tão fracassada que a gente tem ataques de vergonha alheia durante seus discursos nas terças feiras, ao anunciar que vai deixar o programa. Aí é louco porque fica tudo muito engraçado. O programa ridículo, o apresentador a altura e o diretor do programa, mais patético ainda. Já disse e repito; TV aberta é para os fortes. Para os fortes, e para os fracos de bolso. Mas mesmo assim, ter um canal por assinaturas, é poder ver, sei lá, Oprah ao invés de Márcia. E mais alguns documentários desinteressantes desses que fazem sobre o fundo do mar.
Pedro Bial apresenta o BBB, Fernanda Lima apresenta o por toda minha vida, já que o programa dela sobre sexo, não durou nem dois meses. Ana Maria Braga, fala todo dia com um papagaio na rede aberta, Xuxa não bate mais em baixinhos? Angélica apresenta o Passa ou Repassa do Vídeo Show. Jô Soares fala sozinho as onze e meia. Patrícia Poeta é jornalista, assim como Mauricio Mattar, é cantor. Do mesmo jeito que Rodrigo Hilbert, Reinaldo Gianecchini, Paola de Oliveira, Marcio Garcia, e todo o elenco da Malhação, são chamados de atores. André Marques é o futuro Faustão. Sonia Abrão é a eterna malufista que passa o programa inteiro lendo revistas de fofocas e Pânico na TV tira um sarro que já não é mais engraçado. Hoje toda famosa é atriz, modelo, apresentadora, jornalista e passista de escolas de samba. Pura tradição.
Ah...eu amo a TV aberta!
Wednesday, March 17, 2010
você de novo
Mas é quando, ao oposto disso, se pisa firme. E não se orgulha de pisar, pois sabe que não fez mais nada que a obrigação. E o quão é difícil tomar a decisão de encarar dar mais que o primeiro passo. Quando eu sento e choro, sem culpa é neste momento que você entra. Você entra e completa um quadro negativo. E me tira de minha mais pura clareza, colocando palha para disfarçar o buraco que vou cair. Que é quando eu caio, sento e choro e faço um drama impossível. Quem vê de fora não saca a premissa. E eu me lavo de lagrimas pensando; me acuse de todos os crimes possíveis, menos os que eu jamais cometeria. Pois são os que eu não cometo, que eu escolho a dedo não cometer. Os outros, cometidos, são frutos de uma covardia de abrir a janela, me enxergar adulta, ser impulsiva, me almejar instantânea. Mas desses, você não me acusa. Pois também os comete. Se somos iguais, até que ponto eu lhe incomodaria?
Friday, March 12, 2010
Adíos, Glauquito...

Glauco era dos nossos. Dos meus.
Daqui do Rio, lendo sobre a morte dele, penso que mataram uma saudade.
Quando me bate saudades da minha cidade, penso na feirinha boboca que rola todo domingo em frente ao Masp, penso no silêncio do aeroporto de Congonhas, onde meus pais me levavam para passear e comer algum doce, tarde já da noite. Penso nos patins, na minha vila, no cine Jamor, no teatro João Caetano, comida de vó, risada de mãe, Boris, o cão, Real bar e lanches... amigos paulistas. Tirinhas, meus pais rindo das tirinhas, minha mãe rindo da D.na Marta, meu pai ria do Geraldão, meu irmão desenha bem pra caralho. Nós quatro comentando o quão genial eram Los três amigos... enfim. Hoje mataram uma saudade.
E como disse Galhardo: o mundo acordou mais xarope.
Concordo... vai entender.
Saturday, March 06, 2010
* *
esperando por você na estrada vazia.
E então, ela não seria vazia.
Se pela sua espera eu criasse viços.
E se a sua espera, eu compusesse traços.
E te esperando, eu criasse força.
E de tanta força, viessem asas.
E se te esperando eu resolvesse sentar.
Se o calor me queima, se eu tenho sede;
Se as asas quiserem voar.
Se eu te esperar e te esperando, virasse outra.
Como em uma metamorfose.
E eu acordasse bandida.
Você passaria pela minha estrada.
Se eu já estivesse cansada, sentida, ofuscada.
Asas para dentro, alma fora.
Se eu te esperasse em plena chuva, depois secasse.
Se eu tivesse fome, mas mesmo assim, te esperasse.
De certeza que estas vindo, morreria.
E se dormisse eu ia. Você passaria calado.
E isso é para não me acordar.
Se eu te esperando, mude muda,.
Se ao te esperar, um montão de coisas,
dessas malucas que passam pela minha cabeça,
fossem acumulando até somar.
Se você passasse na hora errada, eu não iria?
Você, por outro lado, também me esperaria?
Se eu te esperar inteira, inteira sua seria.
Se eu esperaria?
E se não, porque sentar na estrada vazia?
Friday, February 12, 2010
Um dom de André-É carnaval-
po...acabram de chegar 4 pessoas na minha casa
3 eu não conheço
Bel diz:
HAAHAHAHAHAHA
Sunday, February 07, 2010
Um dom de André-Domingo a noite-
eu to vendo pepe ou nenem no silvio santos
Bel diz:
HAHAHAHAAHAHAHAHAHAHA
Thursday, February 04, 2010
Clarice te mandou recado!
Monday, February 01, 2010
Um dom de André-sobre o calor carioca-
eu estou deixando meu corpo ficar no limite do cansaço pra q não ter de lidar com a humilhação de acordar suado
Bel diz:
HAHAHAHAHAHAHAHA

A gente meio que acaba por entender muitas coisas. A gente que eu digo somos nós, do lado de cá da ponte. Mais do que entende, a gente compreende. Porque, sabe, a situação não é fácil pra ninguém. A gente consegue entender algumas das raivas que vemos pingadas pela cidade, quando é madrugada. E enquanto os culpados dormem trancados, os inocentes se culpam para sempre. E, no entanto, a gente entende. E a gente é foda, porque entender não é apenas aceitar. Entender é ter uma visão maior, daquelas que só a poesia, a beleza da luta, nós dá. E a gente acha foda e a gente paga um pau. Mas, mais do que isso, companheiro, a gente entende. Mesmo quando a situação chega bem pertinho, a gente não culpa. A gente bebe, fuma mais do que o normal, mas não aponta. E ai de quem falar mal dessa gente, que a gente tanto compreende. A gente se revolta. A gente se entende. A gente se olha e balança a cabeça repetindo para sempre que tudo podia ser diferente. A gente bebe mais, e foge mais, mas sempre entende. Por que isso é um dom? Afinal, o que tem demais na gente? E a gente não liga se o mundo não entende, pois, pra nós, o que importa é a gente. A gente e todo mundo que a gente entende. Daí, então, também vem as melodias. E as músicas, muitas vezes, também vêm de gente como a gente. Essa gente que entende. E não se contenta em ver tanta gente, precisando de outras "gentes", para só ser. Só ser gente.
Mas quando o problema é com a gente, a gente não usa de meios decentes. Porque parece que a gente não se compreende. E se a questão é questão de gente como a gente, a gente não sente igual. E fica sempre, como todo mundo que a gente odeia. A gente fica inconseqüente. A gente não entende. E é quando a ferida arde, que a gente nem quer saber quem está na frente. A gente quer mesmo é sair no pinote, saber ser mais forte, bancar o inocente. Porque parece que a gente não sente. E é estranho olhar como a gente fica diferente. Se o erro é com a gente, a gente não quer nunca ser prudente. A gente quer mais é fuder com o outro escandalosamente. Para que vejam o quanto a gente é gente da gente.
E é nessas horas que eu odeio ser gente. Quando sinto que entender "gentes" é não entender da gente. E é nessas horas, que eu penso em toda gente, que mal vê o mundo em volta, antes de apontar para a própria gente. E, cheia de razão, atira a mesma pedra, que ajudou a esconder do parceiro. E é aí que mora o perigo. E é aí que a razão, justo ela, que se envolve com tanta gente, a razão nos torna gente de lá. E a gente de lá são eles que vão se sentar ao nosso lado e dizer com um tapinha amistoso: sabia que um dia você viria. Como se já esperasse a covardia de nossa gente. E, assim, se satisfizesse com a própria gente. E não importa o poeta bonito que você foi. Se quando gente do seu lado, que ousou na luta, precisar de gente e você foi displicente. E eu arrisco dizer até mais: muitas táticas, de lutas a batalhas de guerra, afundariam por conta disso. Falta mais da gente. Mais compreensão com a gente. Falta entender. Falta listar tudo que a gente sente. E não se sentir inocente, nem culpado. Falta a gente poder ser condescendente? Com essa, que a nossa própria gente?
Friday, January 29, 2010

Para poder saber como vai você e poder lhe dar um abraço, daí querer que você fiquei comigo olhando lá pra frente e eu vou sim estar sempre com medo. É que eu não sei que me dá, mas sempre fui dessas. Mas que eu tenho também de olhar. E eu olho, acredite, pois sendo assim, aprendi que não sei medir. Logo, entro numas igual super homem e nas mais suaves, sou como formiguinha. Não vou pedir que encare. As vezes, nem eu encararia. Mas sei da profundidade. E o que são nossos olhares de cima, pra frente. Ou mesmo deitados, na cama, faz sol.
Para poder saber como você sente. E então aproveito para dizer o que sinto também. Sempre saio na frente, pois aí sim, ora veja, sou destemida. Então curso o contrário, você, sabia, tem duvidado. Agora as peças são nossas. Para saber como pegar na sua mão e ter o melhor de você dentro de mim. E o que seria de mim, sem o pior de você. Para saber como me confortaria. E se acaso você se ausentasse, eu me defenderia. Para que eu saiba mais de mim. Para saber como é quando você me tem. Depois você vai embora. E eu fico com seu silêncio também. Quantas coisas passam na sua cabeça, que você tranquilamente diria que é exagero meu. Sou um exagero seu. E desculpe, não sei lidar com meus próprios grilos a solta por todo apartamento quente. Suado.
Para poder saber como você me veria reagindo. E eu lhe veria sentindo desconfortável. E então você adia, e me diz; não é nada daquilo que você pensa. E onde eu, nessas horas, vou com minha cabeça. Para saber mais de você me vendo. Queria que fosse orgulho. Mas de certo, cometerei algum erro ao tentar pronunciar palavras belas. Ou mesmo um mim, que não conjuga verbo. Eu sairia arrasada?
Para saber se eu fosse só sucesso. E na sua cara, um alívio. Aí sim, meu caro, seria ruim. Sairia arrasada? Ao contrario de todos que eu já tive, eu não lhe inspiro orgulho. E é meu frescor no ar, meu desenho, minha feições que lhe chamam? Eu sairia desta, conturbada. Mas meus dias por si só, tem essa característica. Nada de novo.
Por fim, e se o por fim próximo esta, para saber como vai você nesta estrada se partindo ao meio. Eu do dois lados. Eu só de um. E você, escolhendo. Ai eu paro.
Tarde demais.
Wednesday, January 27, 2010

Se eu ficasse sentadinha, esperando por você na estrada vazia. E então, ela não seria vazia. Se pela sua espera eu criasse viços. E se na sua espera, eu compusesse traços. E te esperando, eu criasse força. E de tanta força, viessem asas. E se te esperando eu resolvesse sentar. E se o calor me queima, se eu tenho sede. Se as asas quiserem voar. E se eu te esperar e te esperando, virasse outra. Como em uma metamorfose. E eu acordasse bandida. Você passaria pela minha estrada. Se eu já estivesse cansada, sentida, ofuscada. Asas para dentro, alma fora. Se eu te esperasse em plena chuva, depois secasse. Se eu tivesse fome, mas mesmo assim, te esperasse. De certeza que estas vindo, morreria. E se dormisse eu ia. Você passaria calado. E isso é para não me acordar. Se eu te esperando, mude muda,. Se ao te esperar, um montão de coisas, dessas malucas que passam pela minha cabeça, fossem acumulando até somar. E você passasse na hora errada, eu não iria? Você, por outro lado, também me esperaria?
Se eu te esperar inteira, inteira sua seria. Se eu esperaria? E se não, porque sentar na estrada vazia?
Tuesday, January 26, 2010
enfim...
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
Monday, January 25, 2010
Um dom de André
se for bom sem mim...sofro
se for ruim sem mim...sofro
se for ruim comigo...sofro
se for bom comigo...sofro por saber q posso estar me viciando em uma coisa pior q crack q é a esperança
Bel diz:
uahauahauhauahauhaahahahahahahahahhaa
Tuesday, January 19, 2010
sucedeu assim
Vontade de trintus e noventa mil quase nadas de tufos na minha maior ânsia e eu parei.
Vivenciei meu coração aflito e mandaram que ele se acalmasse, acalmei. Acalmou-me em seu abraço e mais alguns beijinhos no rosto porque eu chorava igual maluca ao ver meu espelho refletido em outros olhares. Descobri que não sou a mesma. E tudo que começou assim, não ficou sem graça. Dormi quietinha e queria você para toda uma eternidade que não existe. Acordei não querendo mais. Pois gosto de tempestades e você é tão calmo, igual estrada vazia no fim de tarde. Igual acontece o amor. Ou como eu correndo tão forte. Depois sem ar. Depois tenho fome e saio correndo de novo, sem correr. Só vou me embora. Japão, Barcelona, Iugoslávia. Todos nós juntos, dentro de um opala dourado. Quero revanche da vida. Perdeu, perdi. Perdemos todos? Ai eu paro. Paro para me enfeitar. Saio de pica, estouro na cara do cara e choro de novo. Chorando pra você. Mas você não me vê. Nem sabe querido que eu sou uma alucinada. Mas choro. E te tenho aqui dentro; foi forte. Ai eu penso em mil coisinhas e tenho o dia inteiro para meu nada ser incapaz de gerar. Xelitrus, entonces me disparo. Parfictus. Alcanço? Sento, leio uma revista. Você não poderia supor minha reação. Quer vir? Ai eu pensei. Que tipo de pergunta hipócrita é essa? Quer vir como? Se já me sinto ao seu lado? Revista lida. Eu chorando de novo. Ai acabou.
Monday, January 11, 2010
Ratos

Era uma vez um monte de ratos. E milhões de acontecimentos que roem as ocasiões. Era uma vez um monte de ratos roendo as roupas dos reis falastrões. E um monte de ratos, os mesmos roedores de sempre, cuspindo pro alto. Era um círculo de um monte de eras. E era uma vez moças também. Os ratos tinham a imensa liberdade de se hipocrisar por aí, sem ao menos se importar quem iam espezinhar. Os ratos, muitos casados com moças, fazendo carinho nos pés de outras moças, juravam não se importar. Se o rato roesse o pé da moça, ela seria uma vaca. Ou uma galinha. E mais um monte de outros nomes que os ratos parados comentam no calor da Zona Norte, sentados num bar qualquer, vendo a rataiada passar. São todos muito orgulhosos. E tem vezes que os ratos avançam e as moças respiram fundo. E tem dias que ninguém respira, nem mesmo eles.
Era uma vez muitos ratos em volta de muitas moças. Ratos olham pras moças e nada ali pode exprimir a solidão que sentem. Se os olhos dos ratos fossem tão verdadeiros quanto os corações das moças, de ratos, eles passariam a ser moços, como alguns que existem por aí. A verdadeira solidão de quem mora no bueiro, desacreditado, fazia carinho. Conversinhas e tititis e as moças, sentadas, vendo tudo de longe. A cerveja, o cigarro, o fedor que rondava a mesa, pois ratos fedem quando se comunicam. Era quase um insulto, depois foi-se descobrir que o pior defeito dos ratos é, na verdade, motivo de lágrimas. Por isso as moças se entristeceram. Pobres ratos que, no auge de sua mais profunda solidão, roem a poesia que os circulam. Pobres ratos são aqueles que dão às moças bom-dia. Bom-dia, querendo lhes dizer: quero ser seu. Só seu. Me abrace, sou um rato estúpido e coitado. Mas as moças não entendem. (Faz de conta que os ratos fossem das vacas, das galinhas e que nada pudesse mais me dar pena. Nem as caras dos ratos ofendidos, tamanha minha alegria.)